6 DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO E FUNDAMENTO DO DIREITO INTERNACIONAL
8.5 O Direito Internacional e suas Fontes na Cooperação Internacional em Matéria Penal
8.5.6 Legislação infraconstitucional
8.5.6.4 Código de Processo Penal (Decreto-lei nº 3.689/1941)
O Código de Processo traz em seus artigos 780 e seguintes a regulamentação das relações jurisdicionais com as autoridades estrangeiras, prescrevendo o devido procedimento para o cumprimento dos atos, comunicações e diligências por intermédio da carta rogatória, prestigiando assim, o instituto da cooperação jurídica internacional em matéria penal.
Abordaremos em capitulo específico sobre as cartas rogatórias.
9 CONSELHO INTERNACIONAL DE JUSTIÇA
A Corte Internacional de Justiça (CIJ) nas palavras de Accioly (2011, p.441), “é o resultado de décadas de sedimentação da ideia de órgão jurisdicional capaz de assegurar solução de controvérsias entre estados”.
É o principal órgão judiciário da Organização das Nações Unidas (ONU).
Foi estabelecida em junho de 1945 pela Carta das Nações Unidas e começou a funcionar em 1946. Sua sede fica no Palácio da Paz (Vredespaleis) na cidade de Haia (Holanda).
Em conjunto com a Assembleia Geral, o Conselho de Segurança, o Conselho Econômico e Social, o Secretariado e o Conselho de Tutela, formam os seis principais órgãos da organização.
Sua função basilar é de solucionar disputas legais que lhe são submetidas pelos Estados, em harmonia com o direito internacional, fora isso, além de primar por proferir pareceres consultivos sobre questões legais apresentadas por órgãos autorizados da ONU e outras agências especializadas.
O alicerce para seu funcionamento está no capítulo XIV da Carta da ONU assim transcrito:
O TRIBUNAL INTERNACIONAL DE JUSTIÇA - Artigo 92º - O Tribunal Internacional de Justiça será o principal órgão judicial das Nações Unidas.
Funcionará de acordo com o Estatuto anexo, que é baseado no Estatuto do Tribunal Permanente de Justiça Internacional e forma parte integrante do presente Carta. Artigo 93º- Todos os membros das Nações Unidas são ipso facto partes no Estatuto do Tribunal Internacional de Justiça. Um Estado que não for membro das Nações Unidas poderá tornar-se parte no Estatuto do Tribunal Internacional de Justiça, em condições que serão determinadas, em cada caso, pela Assembleia Geral, mediante recomendação do Conselho de Segurança. Artigo 94º -Cada membro das Nações Unidas compromete-se a conformar-se com a decisão do Tribunal Internacional de Justiça em qualquer caso em que for parte. Se uma das partes em determinado caso deixar de cumprir as obrigações que lhe incumbem em virtude de sentença proferida pelo Tribunal, a outra terá direito de recorrer ao Conselho de Segurança, que poderá, se o julgar necessário, fazer recomendações ou decidir sobre medidas a serem tomadas para o cumprimento da sentença. Artigo 95º - Nada na presente Carta impedirá os membros das Nações Unidas de confiarem a solução dos seus diferendos a outros tribunais, em virtude de acordos já vigentes ou que possam ser concluídos no futuro. Artigo 96º- A Assembleia Geral ou o Conselho de Segurança poderá solicitar parecer consultivo ao Tribunal Internacional de Justiça sobre qualquer questão jurídica. Outros órgãos das Nações Unidas e organizações especializadas que forem em qualquer momento devidamente autorizadas pela Assembleia Geral, poderão também solicitar pareceres consultivos ao Tribunal sobre questões jurídicas surgidas dentro da esfera das suas atividades.
A Corte ainda está fundamentada pelo próprio Estatuto, que é parte integrante da Carta da ONU e também pelas regras da Corte, que foi um instrumento criado em 1978, para atuar como um código de processo.
O Conselho é composto de 15 juízes, conforme prevê os artigos 3º e 4º do seu Estatuto, sendo eleitos para mandatos de nove anos pela Assembleia Geral da ONU e pelo Conselho de Segurança.
A Corte tem o apoio de um corpo administrativo, sendo seus idiomas oficiais o inglês e o francês.
A Assembleia Geral e o Conselho de Segurança votam simultaneamente, contudo separadamente. Para ser eleito, o candidato deve receber a maioria absoluta dos votos dos dois órgãos (artigo 10 do Estatuto do CIJ).
O artigo 13 do referido Estatuto, determina que:
1. Os membros da Corte serão eleitos por nove anos e poderão ser reeleitos;
fica estabelecido, entretanto, que dos juízes eleitos na primeira eleição, cinco terminarão suas funções no fim de um período de três anos e outros cinco no fim de um período de seis anos.2. Os juízes, cujas funções deverão terminar no fim dos referidos períodos iniciais de três e seis anos, serão escolhidos por sorteio, que será efetuado pelo secretário-geral imediatamente depois de terminada a primeira eleição.
Todos os Estados-parte no Estatuto da Corte têm o direito de propor candidatos, todavia não através de seus governos, mas por um grupo formado por membros da Corte Permanente de Arbitragem designada pelo Estado.
Os juízes eleitos devem ser pessoas de alto caráter moral, que possuam as qualificações necessárias para ocupar os mais altos cargos no judiciário de seu próprio país, ou ser jurisconsultos de competência reconhecida em direito internacional público, como preceitua o artigo 2, in verbis:
A Corte será composta de um corpo de juízes independentes, eleitos sem atenção à sua nacionalidade, dentre pessoas que gozem de alta consideração moral e possuam as condições exigidas em seus respectivos países para o desempenho das mais altas funções judiciárias ou que sejam jurisconsultos de reconhecida competência em direito internacional.
Outro fato curioso e relevante se refere a que mesmo não havendo a obrigação da Corte em estar permanentemente em sessão, seu Presidente é obrigado a morar na Haia.
Alguns juízes brasileiros já compuseram a corte, como: Rui Barbosa (eleito, mas não tomou posse) Epitácio Pessoa, Filadelfo de Azevedo, Levi Carneiro, José Sette Câmara e José Francisco Rezek.45
Um Estado que não seja membro da ONU, pode postular perante a Corte, desde que o mesmo preencha os requisitos estipulados pela Assembleia Geral, que tem atuação indicada pelo Conselho de Segurança. Contudo, essa previsão é quase que anacrônico, pois que quase a totalidade das Nações está integrada à Organização.
45O brasileiro Antônio Augusto Cançado Trindade foi eleito na última quinta-feira, 6, juiz da Corte Internacional de Justiça (CIJ), com mandato de nove anos, a partir de 2009. Trata-se do principal organismo judiciário das Nações Unidas. Cançado Trindade recebeu o apoio de 163 membros da Assembleia Geral das Nações Unidas, onde foi o candidato mais votado, e de 14 membros do Conselho de Segurança, segundo informações do Itamaraty. De acordo com nota divulgada pelo Ministério de Relações Exteriores, a votação do professor de Direito Internacional Público na Universidade de Brasília e no Instituto Rio Branco foi maior da história das eleições para a Corte. O brasileiro foi eleito com outros quatro magistrados da França, Grã-Bretanha, Jordânia e Somália. Há 15 magistrados nesse tribunal, único com jurisdição geral para tratar de casos entre Estados, fundado junto com a ONU, em 1945. Para ser eleito, o magistrado deve obter pelo menos 50% dos votos na Assembleia Geral e no Conselho de Segurança. Os membros do Conselho de Segurança elegem cinco candidatos. Cada um dos juízes recebe mandato de nove anos, que no novo período começam em 6 de fevereiro. O tempo máximo que um juiz pode ficar nesta corte é de três períodos, ou 27 anos. Todos os magistrados devem ser de nacionalidades distintas. No início do ano, Cançado Trindade chegou a disputar a vaga de candidato com a ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie. Ele será o quinto brasileiro a integrar o corpo de juízes da Corte, tendo sido precedido pelos Doutores Francisco Rezek (1996-2006), José Sette Câmara (1979-1988), Levi Fernandes Carneiro (1951-1955) e José Philadelpho de Barros e Azevedo (1946-1951). (com Associated Press) Disponível em http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,brasileiro-e-eleito-juiz-da-corte-internacional-de-haia,274012. Acesso em 21 de abr. de 2017.
QUADRO 1 – Atual Composição do Conselho Internacional de Justiça
O quadro acima reporta qual é a atual composição do Conselho Internacional de Justiça46.