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6 DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO E FUNDAMENTO DO DIREITO INTERNACIONAL

9.2 Formas de Procedimento

9.2.2 Pedido de auxílio direto

De acordo com as figuras 03, 04, 05 e 06, vêem de forma clara e didática os procedimentos realizados para o cumprimento das cartas rogatórias ativas e passivas, partindo da elaboração e recepção do pedido, sua tramitação e desfecho.

Cumpre-nos ainda pontuar quanto aos atos que emanam do Estado Estrangeiro e que não exigem um juízo de delibação, hipótese em que é dispensável a intervenção do STJ, como bem esclarece Bechara (2009, p. 42).

O autor traz o exemplo da cooperação jurídica administrativa para o acesso às informações disponíveis ao público no Brasil, tais como as constantes dos processos judiciais, exceto as que tramitam sob a égide do sigilo. Em tais casos, compete aos juízes de 1ª instância o trâmite da cooperação.

Por tudo acima exposto, evidente está que a carta rogatória como instrumento da cooperação jurídica internacional é de vital importância para a eficácia daquela, competindo aos Estados prestigiar referido instrumento para a concretização da juridicidade em seus territórios.

Não obstante, têm-se outras particularidades preponderantes no que concerne ao seu processamento, uma vez que é orientado pelas autoridades centrais.

Afora isso, outro fato marcante é condizente com a posição do Estado estrangeiro que deixa de se apresentar na condição de juiz, mas sim como administrador.

Isso ocorre tendo em vista que não se trata de um encaminhamento de pedido judicial de assistência, mas há uma solicitação de providência que deverão ser realizadas pela a autoridade judicial de outro Estado.

Singularmente é a autoridade do Estado, que diretamente toma a decisão quando suscitado de autoridade alienígena, cuja análise não está adstrita apenas às formalidades legais, mas também ao próprio mérito da questão.

Podemos diferenciar este instrumento da carta rogatória sendo que para esta, o pedido do estrangeiro é judicial, enquanto que naquele, o pedido pode ser fomentado pelas partes interessadas ou por autoridade policial, dispensando-se a provocação pela figura do juiz.

Quanto à matéria reza o artigo 30 do Novo Código de Processo Civil que:

Art. 30. Além dos casos previstos em tratados de que o Brasil faz parte, o auxílio direto terá os seguintes objetos:I - obtenção e prestação de informações sobre o ordenamento jurídico e sobre processos administrativos ou jurisdicionais findos ou em curso;II - colheita de provas, salvo se a medida for adotada em processo, em curso no estrangeiro, de competência exclusiva de autoridade judiciária brasileira;III - qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira.

Tal dispositivo regulamenta a matéria de que trata o auxílio direito, que se assemelha em alguns objetos da carta rogatória, como a produção de prova, fica cristalina que se excetua o que for de competência exclusiva da autoridade judiciária, abrindo o leque para cumprimentos de quaisquer medidas judicial ou extrajudicial, desde que não proibida por lei, tratando portando de questões mais simples.

9.2.2.1 Auxílio direto ativo e passivo

No que tange ao sujeito ativo para requisição do auxílio direto, semelhante à carta precatória, se dá quando a entidade de direito público interno solicita a realização do auxílio direito ao órgão de outro país.

No que toca à modalidade passiva, ocorre o inverso, ou seja, cabe à autoridade brasileira processar e efetivar o pedido de auxilio direto solicitado pelo país estrangeiro.

9.2.2.2 Autoridade central

A Autoridade Central segundo o Manual de cooperação jurídica internacional do Ministério da Justiça (2012, p. 19/25) é o órgão responsável pela boa condução da cooperação jurídica internacional.

No Brasil, o Ministério da Justiça e Segurança Pública exerce essa função para a maioria dos acordos internacionais em vigor, por meio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional da Secretaria Nacional de Justiça e Cidadania (DRCI/SNJ).

Segue ainda que a autoridade central é um conceito consagrado no Direito Internacional e visa a determinar um ponto unificado de contato para a tramitação dos pedidos de cooperação jurídica internacional, com vistas à efetividade e à celeridade desses pedidos. Manual de Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça- MCJI/MJ (2014, s.p).

No concernente a autoridade central, a Lei nº 13.105/2015 (Novo Código de Processo Civil), trouxe em seu artigo 31 a atribuição que lhe compete, nos seguintes termos:

Art. 31. A autoridade central brasileira comunicar-se-á diretamente com suas congêneres e, se necessário, com outros órgãos estrangeiros responsáveis pela tramitação e pela execução de pedidos de cooperação enviados e recebidos pelo Estado brasileiro, respeitadas disposições específicas constantes de tratado.

De tal modo, o artigo expressa claramente a atribuição da autoridade central, a quem cabe coordenar os pedidos que lhes chegam, fazendo a análise da documentação apresentada para a posteriori remeter às autoridades competentes de executá-las.

Realiza o juízo de admissibilidade e procedibilidade para que em cumprimento ao princípio de celeridade sejam superadas questões burocráticas em demasia, alcançando dessa forma o fim a que se destina o pedido de auxílio.

Azado registrar que no Brasil, os pedidos encaminhados por Portugal ou Canadá, competem à Procuradoria Geral da República, por força do Tratado de Auxílio Mútuo em Matéria Penal entre Brasil e Portugal (Decreto nº 1.320/94) e do Tratado de Auxílio Mútuo em Matéria Penal entre Brasil e Canadá (Decreto nº 6.747/09), para os demais casos a responsabilidade passa ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, que está vinculado à Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça.

É lícito ainda, classificar auxílio direto em judicial ou administrativo (grifo nosso).

No caso de auxílio administrativo, ocorre entre órgãos da administração pública dos Estados envolvidos, ou ainda por um órgão jurisdicional e um órgão administrativo destes, como por exemplo em casos de investigações conjuntas de autoridades policiais ou do Ministério Público.

Sobre o tema Barbosa Jr.(2011, s.p) elucida:

(...) Entretanto, a realização no território nacional de atos judiciais, sem conteúdo jurisdicional, ou ainda de atos administrativos, estrangeiros, no interesse de jurisdição estrangeira, não necessita do referido processo de reconhecimento, podendo ser esses atos praticados, desde que em conjunto com autoridades judiciais ou administrativas nacionais.

Para o auxílio direto de natureza judicial refere-se a ato de cognição judicial, sempre para a execução de atos de instrução probatória ou ainda de comunicação processual, ou melhor, dizendo, se o pedido abranger uma cooperação de conteúdo judicial, a Autoridade Central brasileira deverá proceder a remessa de sua documentação à autoridade competente com o fito de obter uma decisão judicial junto ao juízo de 1ª instância competente.