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6 DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO E FUNDAMENTO DO DIREITO INTERNACIONAL

9.11 Do Trâmite

Compete ao DRCI, órgão do Ministério da Justiça a tramitação do processo administrativo para a efetivação da transferência de presos.

Quanto aos documentos necessários para formalização do pedido de transferência podem variar de acordo com o Tratado, mas cabe ao país recebedor solicitar os documentos que julgar imprescindíveis para eventual análise do pedido.

Outro requisito fundamental é a concordância do preso em cumprir pena em estado estrangeiro ou brasileiro cumprir pena em território nacional.

Eventuais despesas relacionadas ao traslado cabem ao Estado que receberá seu nacional.

A Portaria nº 572, de 11 de maio de 2016 estabelece quais são os procedimentos a serem adotados em relação à tramitação dos pedidos ativos e passivos de Transferência de Pessoas Condenadas, conforme artigo 10, inciso V, do Anexo I, do Decreto nº 8668/2016.

Importante dizer que em caso de denegação à transferência, o Estado que negar deverá fundamentar sua decisão.

Como vimos, este instituto tem sido difundido e aplicado na atualidade com regularidade, para dar cumprimento ao dispositivo ao que ficou estipulado pelo 1º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção do Crime e Tratamento de Delinquentes, realizado em Genebra, em 1955, e aprovadas pelo Conselho Econômico e Social da ONU através da sua resolução 663 C I (XXIV), de 31 de julho de 1957, aditada pela resolução nº 2076 (LXII) de 13 de maio de 1977, que tratam de regras mínimas para tratamento dos presos.

10 TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL – TPI

O Tribunal Penal Internacional em inglês International Criminal Court– ICC teve sua origem no final da Segunda Guerra Mundial, quando as Nações Unidas cogitaram sobre a ideia de organizar e criar um tribunal penal internacional permanente.

Contudo, foi tão somente o que entre os anos de 1993 e 1994 instituíram dois tribunais especiais para punir as graves violações do direito internacional humanitário, ocorridas na então ex-Iugoslávia e em Ruanda, respectivamente.

Foi no ano de 1994 que teve início uma série de convenções e ajustes com o propósito de fundar um tribunal penal internacional permanente que tivesse competência sobre os crimes mais graves para a comunidade internacional, independente do lugar onde pudessem ser cometidos.

Referidas negociações resultaram na aprovação, e em julho de 1998, na cidade de Roma, surgiu o Estatuto do Tribunal Penal Internacional (TPI), o que restou demonstrado a preocupação da comunidade internacional em responsabilizar os eventuais autores dos crimes graves, ali elencados, para que fossem devidamente julgados e punidos.

O TPI é formado por quatro órgãos, conforme se verifica na página da Corte a seguir descritos55:

A Presidência é um dos quatro órgãos do Tribunal. É composta pelo Presidente e pelo primeiro e segundo vice-presidentes, todos os quais são eleitos por maioria absoluta dos juízes do Tribunal para um mandato renovável de três anos. Os juízes que compõem a Presidência servem sobre uma base de tempo integral.

Tem por finalidade conduzir as suas relações externas com os Estados, coordenando as questões judiciais como atribuição de juízes, situações e casos de divisões assim como supervisiona o registro do trabalho administrativo.

55Texto em inglês extraído do site do ICC TPI transcrito expressamente nas páginas 124 e 125 deste trabalho. Four organs of the ICC : Presidency- Conducts external relations with States, coordinates judicial matters such as assigning judges, situations and cases to divisions, and oversees the Registry's administrative work. Judicial Divisions:18 judges in 3 divisions Pre-Trial, Trial and Appeals conduct judicial proceedings. OTPConducts preliminary examinations, investigations, and prosecutions. Registry- Conducts non-judicial activities, such as security, interpretation, outreach, support to Defence and victims' lawyers, and more Disponível emhttps://www.icc-cpi.int/about/how-the-court-works/Pages/default.aspx#organization. Acesso em 05 de maio de 2017, às 17h00min.

Atualmente a presidência é composta pelas seguintes juízas: Silvia Fernández de Gurmendida Argentina, Presidente; Juíza Joyce Aluochdo Quênia como Primeiro Vice-presidente e Juíza Kuniko Ozaki do Japão, Segunda Vice-presidente.

As divisões judiciais compostas por 18 juízes subdivididos em 3 divisões:

audiência preliminar, julgamento e apelos, conduta de processos judiciais.

OTP- Office of the Prosecutor realiza exames preliminares, investigações e processos. O Gabinete do Procurador (OTP) é um órgão independente do Tribunal.

Fica responsável pela análise das situações sob a jurisdição do tribunal onde o genocídio, os crimes contra a humanidade e crimes de guerra parecem ter sido cometidos e realização de investigações e as ações penais contra os indivíduos que estão alegadamente a maioria dos responsáveis por esses crimes.

O procurador da OTP também é eleito por um mandado de nove anos não renováveis.

O Registro realiza atividades não judiciais, tais como a segurança, interpretação, alcance, apoio à defesa e vítimas, advogados e muito mais.

O registro é um órgão neutro do Tribunal que fornece serviços para todos os outros órgãos para que o TPI possa funcionar e promover a conduta justa e eficaz o processo público. O Registro é responsável por três categorias principais de serviços56:

(I) Apoio judicial, incluindo gerenciamento geral do tribunal e os registros judiciais, tradução e interpretação, conselhos de suporte (incluindo listas de conselhos e assistentes para advogados, peritos, investigadores e escritórios para apoiar a defesa e vítimas), o centro de detenção, assistência jurídica, apoio às vítimas para participar nos processos e aplicar para reparações, de testemunhas para receber apoio e proteção;(II) Assuntos externos, incluindo as relações externas, de informação do público e de alcance, o escritório de campo de suporte e apoio às vítimas e testemunhas; e(III) Gestão, incluindo segurança, orçamento, finanças, recursos humanos e serviços gerais.

Saliente-se ainda que o Estatuto entrou em vigor após a ratificação de 60 Estados.

O Brasil ratificou o Estatuto de Roma em 20 de julho de 2002. O tratado foi incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro por meio do Decreto nº 4.388, de 25 de setembro de 2002.

56 Corte Internacional Criminal. Registry. Disponível em: https://www.icc-cpi.int/about/registry. Acesso em 05 de maio de 2017, às 18h00min.

Segundo o Itamaraty, atualmente, o Estatuto de Roma conta com 122 Estados-Partes – dos quais 34 são africanos; 27 latino-americanos e caribenhos; 25 do Grupo de Países Ocidentais e Outros; 18 da Europa do Leste e 18 da Ásia e Pacífico.

Todos os países da América do Sul são partes do Estatuto.57