A seguir, veremos como funciona a estrutura do CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis e suas principais características.
O Brasil tem
As informações a seguir foram extraídas e poderão ser consultadas no site: <http://www.cpc.org.br/>.
O CPC foi criado em função das necessidades de:
• Convergência internacional das normas contábeis (redução de custo de elaboração de relatórios contábeis, redução de riscos e custo nas análises e decisões, redução de custo de capital);
• Centralização na emissão de normas dessa natureza (no Brasil, diversas entidades o fazem);
• Representação e processos democráticos na produção dessas informações (produtores da informação contábil, auditor, usuário, intermediário, academia, governo).
Criação e Objetivo
Criado pela Resolução CFC n. 1.055/05, o CPC tem como objetivo o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e à uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais.
Características Básicas
• O CPC é totalmente autônomo das entidades representadas, deliberando por 2/3 de seus membros;
• O Conselho Federal de Contabilidade fornece a estrutura necessária;
• As seis entidades compõem o CPC, mas outras poderão vir a ser convidadas futuramente;
• Os membros do CPC, dois por entidade, na maioria contadores, não auferem remuneração.
Além dos 12 membros atuais, serão sempre convidados a participar representantes dos seguintes órgãos:
• Banco Central do Brasil;
• Comissão de Valores Mobiliários (CVM);
• Secretaria da Receita Federal;
• Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).
Outras entidades ou especialistas poderão ser convidados. Poderão ser formadas Comissões e Grupos de Trabalho para temas específicos.
Produtos do CPC:
• Pronunciamentos Técnicos;
• Orientações; e
• Interpretações.
Os Pronunciamentos Técnicos serão obrigatoriamente submetidos a audiências públicas. As Orientações e Interpretações poderão, também, sofrer esse processo.
Estrutura
Assembleia dos Presidentes das Entidades
• Elegem os membros do CPC (representantes das seis entidades), com mandatos de quatro anos (exceto metade dos primeiros membros, com dois anos);
• Podem, por 3/4 de seus membros, indicar outros membros do CPC;
• Podem alterar o Regimento Interno do CPC.
Quatro Coordenadorias:
• De Operações;
• De Relações Institucionais;
• De Relações Internacionais;
• Técnica.
governamental para a criação do CPC. O Ministério da Fazenda, a CVM, o Banco Central do Brasil, a SUSEP e outros órgãos deram seu apoio à ideia. No caso da CVM, por exemplo, seu Presidente deu inúmeras declarações, inclusive públicas, incentivando a criação desse Comitê, o mesmo acontecendo com o DENOR – Departamento de Normas do Banco Central.
A criação do CPC foi um grande passo para que o Brasil entrasse na era da contabilidade harmonizada, porém, na prática, todo o processo somente se tornaria realidade em 2007, quando foi sancionada pelo então Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei n. 11.638/2007.
O CPC ainda encontra uma barreira para que seu projeto seja totalmente colocado em prática, que é justamente a legislação brasileira.
O problema é que a Constituição Brasileira impede que organismos públicos deleguem atribuições que lhes foram dadas por lei para terceiros. Com isso, diferentemente do que pode, por exemplo, a SEC norte-americana, a CVM brasileira não pode delegar ao CPC a capacidade de emissão de normas contábeis [...] assim, o único caminho encontrado, juridicamente, foi o seguinte: o CPC emite seus Pronunciamentos (note-se que não são chamados de
“Normas”) e eles precisarão ser aprovados por todos os órgãos reguladores envolvidos (BACEN, CVM, CFC, IBRACON e outros) [...] (MARTINS; MARTINS; MARTINS, 2007, p.22).
Portanto, veja que o CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis não cria as normas contábeis. Ele apenas estuda, prepara, emite pronunciamentos técnicos e promove a divulgação para, posteriormente, depois de aprovados por todos os órgãos envolvidos, então, sim, serem transformados em normas contábeis.
Com isso, é importante observarmos a seguinte questão: no caso do Brasil, quando uma IFRS for emitida pelo IASB e houver o interesse brasileiro em importar essa norma, por ser considerada útil para ser aplicada em nosso país, o CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis, estuda a IFRS, prepara e coloca em audiência pública para que seja conhecida por todos e possa receber críticas e sugestões. Nesse momento, essa IFRS, que está em estudo, é também chamada de CPC, ou seja, o resultado dos estudos feitos pelo comitê é também chamado de CPC. Observe que o Comitê de Pronunciamentos Contábeis não é um órgão normatizador, portanto, um CPC não é norma.
Após o período de estudos e preparo desse CPC, ele é remetido aos órgãos normatizadores para que seja transformado em norma. O Conselho Federal de Contabilidade - CFC é o órgão responsável pela emissão das normas brasileiras de contabilidade. Portanto, após aprovação pelo CFC, aquele CPC irá transformar-se em uma NBC – TG – Norma Brasileira de Contabilidade Técnica Geral.
Assim o processo acordado no Brasil é o de o CPC primeiramente, emitir seu Pronunciamento Técnico, após discussão com as entidades envolvidas e audiência pública:
posteriormente, tem-se o órgão público (CVM, BACEN, SUSEP, etc.) ou mesmo privado (CFC etc.) emitindo sua própria resolução acatando e determinando o seguimento desse Pronunciamento CPC. Assim fica o pronunciamento transformado em “norma” a ser seguida pelos que estiverem subordinados a tais órgão. Com isso, a CVM, por exemplo, emite sua Deliberação (como tem sido, desde 1986, com pronunciamentos emitidos pelo IBRACON) aprovando o Pronunciamento do CPC; o próprio CFC emite sua resolução fazendo o mesmo, idem BACEN, a SUSEP, etc. (FIPECAFI, 2013, p. 15).
Portanto, quando nos referimos a um CPC ou a uma NBC-TG, precisamos ter em mente que ambas têm o mesmo conteúdo, porém uma é um pronunciamento técnico e a outra é uma norma. Você poderá acompanhar, no quadro a seguir, o caminho por que passa uma IFRS até que finalmente seja reconhecida como norma emitida pelo CFC.
Quadro 10 - Procedimentos referentes à adoção das normas Internacionais de Contabilidade
Fonte: A autora.
IASB
1º - Estuda, prepara e emite as Normas que até 2001 eram chamadas de IAS e atu-almente são as IFRS. Lembrando que o IASB atende à demanda de todos os países membros que expõe ao órgão suas preocupações com as retinas contábeis.
2º - Os países que adotam os padrões internacionais importam as normas que lhes interessam.
3º - Em seguida, cada país precisa adequar as IAS ou IFRS de acordo com a sua reali-dade econômica e cultural. Veja que é exatamente por isso que as normas são harmoni-zadas. Pois elas podem ser adaptadas, desde que mantidas a sua essência original.
Exemplo do Brasil
CPC
1º - Importa as IAS ou IFRS, que podem ser aplicadas na contabilidade brasileira.
2º - Estuda, prepara de acordo com o interesse e realidade brasileira, coloca em audiência pública para aprovação.
3º - Após aprovação dos órgãos competentes eles irão transformar os CPCs em normas. No caso do CFC, por exemplo, irá transformar o CPC em NBC-TG, ou seja, a partir desse momento torna-se obrigatória, por tratar-se de uma norma contábil e devem obrigatoriamente ser observada por todos os profissionais de contabilidade, no exercício de suas funções.
P roduToS do CPC – C omiTê dE P ronunCiAmEnToS C onTábEiS
Vimos anteriormente que o órgão CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis, estuda, prepara e emite CPCs, que são frutos ou produtos desses estudos, e vimos, também, que eles estão divididos em pronunciamentos técnicos, orientações e interpretações. Estudaremos, a seguir, a definição de cada um desses termos utilizados pelo CPC.
As informações a seguir foram extraídas e poderão ser consultadas no site: http://www.cpc.org.br/CPC/CPC/Regimento-Interno.
Pronunciamento Técnico - Os Pronunciamentos Técnicos estabelecem conceitos doutrinários, estrutura técnica e procedimentos a serem aplicados.
O Pronunciamento Técnico é identificado pela sigla CPC, seguida de numeração sequencial, seguido de hífen e denominação, por exemplo, CPC 01 –“Denominação”. Após aprovados serão divulgados com:
• Sumário;
• Termo de Aprovação;
• Relatório de Audiência Pública.
Interpretações Técnicas - As Interpretações são emitidas para esclarecer, de forma mais ampla, os Pronunciamentos Técnicos. É identificada pela sigla ICPC, seguida de numeração sequencial, seguida de hífen e denominação, por exemplo, ICPC 01 – “Denominação”. As Interpretações, após aprovadas, serão divulgadas com:
• Termo de Aprovação;
• Relatório de Audiência Pública, quando houver.
Orientações Técnicas - As Orientações possuem caráter transitório e informativo, destinando-se a dar esclarecimentos sobre a adoção dos Pronunciamentos Técnicos e/ou Interpretações. A Orientação é identificada pela sigla OCPC, seguida de numeração sequencial, seguida de hífen e denominação,
Documento Título Data
Aprovação Data Divulgação CPC 00 Estrutura Conceitual para Elaboração e
Divul-gação de Relatório Contábil-Financeiro 02/12/2011 15/12/2011 CPC 01 Redução ao Valor Recuperável de Ativos 06/08/2010 07/10/2010 CPC 02 Efeitos das mudanças nas taxas de câmbio e
conversão de demonstrações contábeis 03/09/2010 07/10/2010 CPC 03 Demonstração dos Fluxos de Caixa 03/09/2010 07/10/2010
CPC 04 Ativo Intangível 05/11/2010 02/12/2010
CPC 05 Divulgação sobre Partes Relacionadas 03/09/2010 07/10/2010 CPC 06 Operações de Arrendamento Mercantil 05/11/2010 02/12/2010 CPC 07 Subvenção e Assistência governamentais 05/11/2010 02/12/2010 CPC 08 Custos de Transação e Prêmios na Emissão
de Títulos e Valores Mobiliários 03/12/2010 16/12/2010 CPC 09 Demonstração do Valor Adicionado (DVA) 30/10/2008 12/11/2008
CPC 10 Pagamento Baseado em Ações 03/12/2010 16/12/2010
CPC 11 Contratos de Seguro 05/12/2008 17/12/2008
CPC 12 Ajuste a Valor Presente 05/12/2008 17/12/2008
CPC 13 Adoção Inicial da Lei n. 11.638/07 e da Medida
Provisória n. 449/08 05/12/2008 17/12/2008
CPC 14 Instrumentos Financeiros: Reconhecimento, Mensuração e Evidenciação (Fase I) - Trans-formado em OCPC 03
por exemplo, OCPC 01 – “Denominação”. As Orientações, após aprovadas, serão divulgadas com:
• Termo de Aprovação;
• Relatório de Audiência Pública, quando houver.
É importante esclarecer que, quando houver a revogação de um Pronunciamento Técnico, Interpretação ou Orientação, sua numeração não será reutilizada.
Atualmente, no Brasil, temos publicados 47 CPCs, sendo um específico para Micro e Pequenas Empresas. Temos, ainda, 20 ICPCs e 8 OCPCs, conforme dispostos nos quadros abaixo.
Quadro 11 - CPCs publicados até 2016
CPC 15 Combinação de Negócios 03/06/2011 04/08/2011
CPC 16 Estoques 08/05/2009 08/09/2009
CPC 17 Contratos de Construção 19/10/2012 08/11/2012
CPC 18 Investimento em Coligada, em Controlada e
em Empreendimento Controlado em Conjunto 07/12/2012 13/12/2012
CPC 19 Negócios em Conjunto 09/11/2012 23/11/2012
CPC 20 Custos de Empréstimos 02/09/2011 20/10/2011
CPC 21 Demonstração Intermediária 02/09/2011 20/10/2011
CPC 22 Informações por Segmento 26/06/2009 31/07/2009
CPC 23 Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e
Retificação de Erro 26/06/2009 16/09/2009
CPC 24 Evento Subsequente 17/07/2009 16/09/2009
CPC 25 Provisões, Passivos Contingentes e Ativos
Contingentes 26/06/2009 16/09/2009
CPC 26 Apresentação das Demonstrações Contábeis 02/12/2011 15/12/2011
CPC 27 Ativo Imobilizado 26/06/2009 31/07/2009
CPC 28 Propriedade para Investimento 26/06/2009 31/07/2009 CPC 29 Ativo Biológico e Produto Agrícola 07/08/2009 16/09/2009
CPC 30 Receitas 19/10/2012 08/11/2012
CPC 31 Ativo Não Circulante Mantido para Venda e
Operação Descontinuada 17/07/2009 16/09/2009
CPC 32 Tributos sobre o Lucro 17/07/2009 16/09/2009
CPC 33 Benefícios a Empregados 07/12/2012 13/12/2012
CPC 34 Exploração e Avaliação de Recursos Minerais (Não editado)
CPC 35 Demonstrações Separadas 31/10/2012 08/11/2012
CPC 36 Demonstrações Consolidadas 07/12/2012 20/12/2012
CPC 37 Adoção Inicial das Normas Internacionais de
Contabilidade 05/11/2010 02/12/2010
CPC 38 Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e
Mensuração 02/10/2009 19/11/2009
CPC 39 Instrumentos Financeiros: Apresentação 02/10/2009 19/11/2009 CPC 40 Instrumentos Financeiros: Evidenciação 01/06/2012 30/08/2012
CPC 41 Resultado por Ação 08/07/2010 06/08/2010
CPC 42 Contabilidade e Evidenciação em Economia Altamente Inflacionária (Não editado)
CPC 43 Adoção Inicial dos Pronunciamentos Técnicos
CPCs 15 a 41 03/12/2010 16/12/2010
CPC 44 Demonstrações Combinadas 02/12/2011 02/05/2013
CPC 45 Divulgação de Participações em outras
Entidades 07/12/2012 13/12/2012
CPC 46 Mensuração do Valor Justo 07/12/2012 20/12/2012
CPC PME Contabilidade para Pequenas e Médias
Em-presas com Glossário de Termos 04/12/2009 16/12/20 Fonte: Adaptado de CPC (2016).
Quadro 12 - ICPCs publicados até 2016
Documento Título Data
Aprovação Data Divulgação
ICPC 01 Contratos de Concessão 02/12/2011 15/12/2011
ICPC 02 Contrato de Construção do Setor Imobiliário 04/12/2009 24/12/2009 ICPC 03 Aspectos Complementares das Operações de
Arrendamento Mercantil 04/12/2009 24/12/2009
ICPC 04 Alcance do Pronunciamento Técnico CPC 10 - Pagamento Baseado em Ações
ICPC 05 Pronunciamento Técnico CPC 10 - Pagamento Baseado em Ações - Transações de Ações do Grupo e em Tesouraria
ICPC 06 Hedge de Investimento Líquido em Operação no
Exterior 04/12/2009 24/12/2009
ICPC 07 Distribuição de Lucros in Natura 04/12/2009 04/12/2009 ICPC 08 Contabilização da Proposta de Pagamento de
Dividendos 01/06/2012 30/08/2012
ICPC 09 Demonstrações Contábeis Individuais, Demonstra-ções Separadas, DemonstraDemonstra-ções Consolidadas e
Aplicação do Método de Equivalência Patrimonial 26/09/2014 27/11/2014
ICPC 10 Interpretação sobre a Aplicação Inicial ao Ativo Imobilizado e à Propriedade para Investimento dos
Pronunciamentos Técnicos CPCs 27, 28, 37 e 43 04/12/2009 24/12/2009 ICPC 11 Recebimento em Transferência de Ativos de
Clientes 04/12/2009 24/12/2009
ICPC 12 Mudanças em Passivos por Desativação,
Restau-ração e Outros Passivos Similares 04/12/2009 24/12/2009 ICPC 13 Direitos a Participações Decorrentes de Fundos de
Desativação, Restauração e Reabilitação Ambiental 08/07/2010 06/08/2010 ICPC 14 Cotas de Cooperados em Entidades Cooperativas
e Instrumentos Similares 05/11/2010
ICPC 15 Passivo Decorrente de Participação em um Mercado Específico - Resíduos de Equipamentos
Eletroeletrônicos 08/07/2010 06/08/2010
ICPC 16 Extinção de Passivos Financeiros com
Instrumen-tos Patrimoniais 03/12/2010 16/12/2010
ICPC 17 Contratos de Concessão: Evidenciação 02/12/2011 15/12/2011 ICPC 18 Custos de Remoção de Estéril (Stripping) de Mina
de Superfície na Fase de Produção 01/02/2013 19/09/2013
ICPC 19 Tributos 26/09/2014 27/11/2014
ICPC 20 Limite de Ativo de Benefício Definido, Requisitos
de Custeio (Funding) mínimo e sua Interação 26/09/2014 27/11/2014 Fonte: Adaptado de CPC (2016).
Documento Título Data
Aprovação Data Divulgação OCPC 01 Entidades de Incorporação Imobiliária 05/12/2008 17/12/2008 OCPC 02 Esclarecimentos sobre as Demonstrações
Contábeis de 2008 30/01/2009 30/01/2009
OCPC 03 Instrumentos Financeiros: Reconhecimento,
Mensuração e Evidenciação (CPC 14 R1) 02/10/2009 19/11/2009 OCPC 04 Aplicação da Interpretação Técnica ICPC 02 às
Entidades de Incorporação Imobiliária Brasileiras 03/12/2010 16/12/2010
OCPC 05 Contratos de Concessão 03/12/2010 29/12/2010
OCPC 06 Apresentação de Informações Financeiras
Proforma 02/12/2011 02/05/2013
OCPC 07 Evidenciação na Divulgação dos Relatórios
Contábil-Financeiros de Propósito Geral 26/09/2014 11/11/2014
OCPC 8
Reconhecimento de Determinados Ativos e Passivos nos Relatórios Contábil-Financeiros de Propósito Geral das Distribuidoras de Energia Elétrica emitidos de acordo com as Normas Brasileiras e Internacionais de Contabilidade
28/11/2014 09/12/2014 Quadro 13 - OCPCs publicados até 2016
Veja que o Comitê de Pronunciamentos Contábeis iniciou seus trabalhos muito antes de ser promulgada a Lei n. 11.637/2007, pois era evidente a importância de o Brasil aderir aos padrões internacionais. Tudo era uma questão de tempo.
A adoção das normas internacionais de contabilidade representa para os contabilistas do Brasil uma verdadeira quebra de paradigmas, onde por centenas de anos a cultura contábil encontrava-se fortemente alicerçada sobre a questão legal, principalmente fundamentada no direito positivo, agora se torna necessário rever tais conceitos e pensar a contabilidade dentro da máxima fenomenológica da essência sobre a forma (JOCHEM, 2012, p. 8).
Veremos, a seguir, como se deu a publicação da Lei n. 11.638/2007 e quais os impactos que ela trouxe para a comunidade contábil no Brasil.
L Ei n . 11.638/2007 – A n ovA v iSão dA C onTAbiLidAdE no b rASiL
A adoção das normas internacionais de contabilidade para o Brasil foi quase que inevitável, pois o país já sofria a pressão do mercado internacional e também dos órgãos reguladores que haviam se adiantado à própria lei e criaram por autonomia própria o Comitê de Pronunciamentos Contábeis.
Em 2007 foi sancionada pelo Presidente da República a Lei 11638 com base no projeto de lei 3741/00 que tramitou no Congresso Nacional Brasileiro durante 7 (sete) anos até que fosse efetivamente analisado e votado. A Lei 11638/07 gerou mudanças na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6404/76) que vigorava há 30 anos na contabilidade brasileira, para que a mesma se adeque aos padrões internacionais com maior transparência e qualidade das informações contábeis (ROSA;
FARIA, 2010, p.1).
A Lei n. 11.638/2007 traz importantes mudanças à Lei n. 6.404/76 e é aplicada às empresas de grande porte, independentemente de ter o capital negociado no mercado de capitais e ser de capital aberto. São consideradas empresa de grande porte aquelas que no exercício social anterior tenham ativo total superior a R$ 240.000.000,00 (duzentos e quarenta milhões), ou, ainda, receita bruta superior a R$ 300.000.000,00
do Projeto de Lei n. 3.741/00. Ocorre que durante esse tempo algumas coisas já haviam mudando, sendo necessário fazer adequações na própria lei recém-criada.
Após edição dessa Lei no crepúsculo de 2007 surgem dois pontos: o projeto de lei havia demorado tantos anos para ser aprovado que, quando saiu, saiu defasado. Era necessário uma série de outras modificações na Lei das S/As porque as normas lá fora tinham avançado. Assim, saiu a Medida provisória nº 449/08, depois convertida integralmente em lei dentro da Lei nº 11.941/09, que produziu alguns complementos de modificação à Lei das S.A [...] (FIPECAFI, 2013, p.21).
Em relação as alterações trazidas pela Lei n. 11.638/07, queremos destacar as mudanças na própria estrutura da classificação dos grupos de contas do ativo, passivo e patrimônio líquido.
Quadro 14 - Comparativo do Balanço Patrimonial Estrutura do balanço Patrimonial com a LEI n. 6404/76
Ativo Passivo
Ativo circulante Passivo circulante
Ativo realizável em longo prazo Passivo exigível em longo prazo Ativo permanente realizável em longo prazo Resultado de exercício futuro Investimento
Ativo Imobilizado Ativo Diferido
Patrimônio liquido Capital social Reservas de capital
Reservas de Reavaliação Ajuste de Avalia-ção Patrimonial
Reservas de Lucros
Lucro ou prejuízo acumulados Estrutura do balanço Patrimonial com a Lei n. 11.638/2007
Ativo Passivo
Ativo circulante Passivo circulante
Ativo não circulante Passivo não circulante
Realizável em Longo Prazo
Investimento Imobilizado Intangível
Patrimônio Líquido Capital social Reservas de capital
Ajuste de Avaliação Patrimonial Reservas de Lucros
Ações em Tesouraria Prejuízos acumulados
Receita Operacional Bruta
(-) Deduções e abatimentos da Receita bruta
(-) Devolução de vendas/ Impostos e Contribuições incidentes sobre venda (-) Descontos/abatimentos (-) Descontos/abatimentos
(=) Receita Operacional Líquida (-) Custos produtos vendidos
Fonte: Elaboração da autora, adaptado de FIPECAFI (2013).
Acompanhe, no quadro anterior, que o grupo Ativo realizável em longo prazo foi substituído por Ativo Não Circulante, o mesmo acorrendo com o grupo do Passivo exigível em longo prazo, que agora é Passivo Não Circulante. Além disso, foi eliminada a conta Ativo Diferido e, também, deixou de existir a conta de Resultados de Exercícios Futuros e da Reservas de Reavaliação, classificada no grupo de Patrimônio Líquido. Todas essas mudanças ocorreram com a Lei n.
11.638/2007 e complementadas em seguida pela Lei n. 11.941/09.
O grupo do Intangível, conforme afirmam Rosa e Faria (2010), foi criado a partir da Lei n. 11.638/07 e tem a finalidade de registrar as transações de bens incorpóreos, que antes eram registradas em outros grupos do Ativo Permanente, e novas aquisições destes, como as contas de Marcas e Patentes, Concessões, Direitos Autorais e não Autorais e a nova conta, classificada como Ágio Pago por Expectativa de Rentabilidade Futura, que representa o valor pago na aquisição por um bem que poderá representar futuramente um ganho de capital investido (Goodwill).
No grupo de contas de Receitas e Despesas também houve modificações importantes. Acompanhe nos quadros abaixo:
Quadro 15 - Demonstração do Resultado Lei n. 6.404/76
(-) Custo das Mercadorias Vendidas (-) Custo dos Serviços prestados
(=) Lucro Operacional Bruto (Margem ou Resultado) (-) Despesas Operacionais
(-) Despesas com vendas (-) Despesas Administrativas (-) Despesas Tributárias
(+/-) Receita e Despesas Operacionais (-) Despesas Financeiras
(+) Receitas Financeiras (+/-) Variações Cambiais
(+/-) outras receitas ou (despesas) financeira (=) Resultado Operacional
(-) Despesas não Operacionais (+) Receitas não Operacionais
(=) Lucro Líquido Antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social (-) Provisão para Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro (=) Lucro Líquido pós provisão e Antes das Participações
(-) Participações de Administradores, Empregados, Debêntures, Partes Beneficiárias, Contribuição Estatutária (=) Lucro Líquido do Exercício
Fonte: Elaboração da autora, adaptado de FIPECAFI (2013).
Quadro 16 - Demonstração do Resultado Lei n. 11.638/07 Receita Operacional Bruta
(-) Deduções e abatimentos da Receita bruta
(-) Devolução de vendas/ Impostos e Contribuições incidentes sobre venda (-) Descontos/abatimentos (-) Descontos/abatimentos
(=) Receita Operacional Líquida (-) Custos produtos vendidos (-) Custo das Mercadorias Vendidas
(-) Custo dos Serviços prestados
(=) Lucro Operacional Bruto (Margem ou Resultado) (-) Despesas Operacionais
(-) Despesas com vendas (-) Despesas Administrativas (-) Despesas Tributários
(+/-) Receita e Despesas Operacionais (-) Despesas Financeiras
(+) Receitas Financeiras (+/-) Variações Cambiais
(+/-) outras receitas ou (despesas) financeira
(=) Lucro Líquido Antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social (-) Provisão para Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro (=) Lucro Líquido pós provisão e Antes das
Participações
(-) Participações de Debêntures, Empregados, Administradores e Partes beneficiárias e Fundo de Assistência e Previdência de Empregados
(=) Lucro Líquido do Exercício
Fonte: Elaboração da autora, adaptado de FIPECAFI (2013).
Observe que os grupos de contas de receitas e despesas não operacionais deixaram de existir, portanto, as contas que serão utilizadas para classificar as receitas e despesas que não são pertinentes às atividades operacionais deverão
ser classificadas na conta Outras Receitas e Despesas.
Em relação às mudanças ocorridas nas demonstrações contábeis, uma das mais significantes foi a substituição do DOAR – Demonstrações de Origens e Aplicações de Recursos pela DFC – Demonstração de Fluxo de Caixa. Nesse contexto, temos FIPECAFI (2013, p. 5): “Há algum tempo já se percebia, no mundo, a tendência de substituição da Demonstração de origens e Aplicações de Recursos pela Demonstração de Fluxo de Caixa”.
Segundo o FIPECAFI (2013), uma importante modificação é em relação à desvinculação do fisco e à contabilidade, que se deu através da Lei n. 11.941/09, a qual criou o RTT – Regime Transitório Em relação às
fazer contabilidade no Brasil sem a influência do fisco. Com isso, as normas fiscais e as normas contábeis passam a trabalhar juntas, mas cada uma
fazer contabilidade no Brasil sem a influência do fisco. Com isso, as normas fiscais e as normas contábeis passam a trabalhar juntas, mas cada uma