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CONTABILIDADE INTERNACIONAL

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Academic year: 2022

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Autoria: Eliete Menell

Programa de Pós-Graduação EAD

UNIASSELVI-PÓS

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Reitor: Prof. Hermínio Kloch

Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol

Coordenador da Pós-Graduação EAD: Profa. Cláudia Regina Pinto Michelli Equipe Multidisciplinar da

Pós-Graduação EAD: Prof.ª Bárbara Pricila Franz

Prof.ª Cláudia Regina Pinto Michelli Prof.ª Kelly Luana Molinari Corrêa Prof. Ivan Tesck

Revisão de Conteúdo: Fábio Darci Kowalski Revisão Gramatical: Iara de Oliveira

Revisão Pedagógica: Bárbara Pricila Franz Diagramação e Capa:

Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Copyright © UNIASSELVI 2016

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial.

657.8

M541c Menell, Eliete

Contabilidade Internacional / Eliete Menell. Indaial : Uniasselvi, 2016.

192 p. : il.

ISBN 978-85-69910-26-8 1. Contabilidade Mercantil.

I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.

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em Ciências Contábeis, Pós-graduada em Auditoria e Controladoria Contábil, Professora na Uniasselvi Fameblu, nas disciplinas de Contabilidade

Comercial, Sistemas de Informação Contábil, Teoria da Contabilidade e Tópicos Especiais.

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APRESENTAÇÃO ...7

CAPÍTuLo 1

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Caro (a) acadêmico (a)

A contabilidade, é uma ciência social que vem se desenvolvendo e acompanhando a evolução da própria sociedade. Com a abertura do comércio internacional e a globalização, as técnicas contábeis tornaram-se cada vez mais importantes para a transparência e confiança no mercado financeiro mundial. Foi pensando na confiabilidade das informações contábeis, que a partir da década de 70 os Estados Unidos e Europa criam importantes órgãos para atender a essas necessidades e também procuram padronizar os processos contábeis no mundo todo.

No Brasil, grandes mudanças acontecem a partir de 2005, com a criação do CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis, e posteriormente, em 2007, com a criação da lei 11.638/2007, que lança o país rumo à convergência aos padrões internacionais de contabilidade, que tem por objetivo harmonizar os processos contábeis a fim de serem compreendidos e aceitos por todos os países que adotarem esse padrão de contabilidade.

O objetivo desse caderno de estudos é permitir que você conheça as principais mudanças ocorridas na contabilidade ao longo da história, e principalmente sobre o processo de convergência às normas internacionais de contabilidade. Para isso, esse caderno está dividido em três capítulos, como segue:

Capítulo 1 – Está dividido em sete tópicos, onde são abordados temas como a evolução da contabilidade ao longo do tempo, princípios contábeis, fundamentos da contabilidade internacional. Nesse capítulo também é feito um comparativo entre a contabilidade Norte Americana e europeia, fazendo uma abordagem sobre a filosofia Commom Law e Code Law. Você terá a oportunidade de conhecer os principais organismos reguladores no ambiente internacional de contabilidade e fazer um comparativo entre padronização e harmonização contábil, e por fim conhecer o cenário do IASB, International Accounting Starndards Board, órgão responsável por elaborar as IFRS – Normas Internacionais de Contabilidade.

Capítulo 2 – Nesse capítulo foram abordados temas relativos a adoção dos padrões internacionais de contabilidade pelo Brasil. Para isso foram criados 4 tópicos, iniciando-se com a evolução da contabilidade no Brasil e os reflexos da lei 6.404/76, conhecida como lei das Sociedades por Ações. São tratados temas sobre as principais mudanças e dificuldades encontradas para a harmonização contábil brasileira de acordo com o que exige o cenário internacional e a

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Capítulo 3 – Por fim, este último capítulo está dividido em sete tópicos, onde foram abordados temas relacionadas as principais mudanças nas demonstrações contábeis no Brasil, em relação às Normas Brasileiras de Contabilidade e à estrutura conceitual da contabilidade. Atualmente o Brasil conta com 46 CPC revisados e normatizados pelos órgãos competentes, dentre eles foram abordados os CPC 26 que trata da apresentação das demonstrações contábeis, CPC 04 Ativo intangível, CPC 12 Ajuste a valor Presente, CPC 27 Ativo Imobilizado.

Ao final de cada capítulo deste caderno de estudos, acrescentamos um tema relacionado ao assunto estudado, para que o (a) acadêmico (a) possa usufruir de uma leitura complementar, a fim de enriquecer seus conhecimentos e ainda, alguns exercícios para uma auto avaliação do aprendizado.

Com isso espera-se ter contribuído para o conhecimento do (a) acadêmico (a) em relação ao tema, sempre lembrando que o assunto de contabilidade internacional é bastante amplo e exigirá muito estudo, visto que o Brasil se encontra em pleno processo de convergência às normas internacionais de contabilidade.

Prof.ª Eliete Menell

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C APÍTULO 1

E voLução dA C onTAbiLidAdE Ao L ongo

doS T EmPoS

A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem:

3 Conhecer o cenário e ambiente Internacional de Contabilidade.

3 Identificar os principais organismos envolvidos no processo de convergência para o padrão internacional de Contabilidade.

3 Comparar os modelos Contábeis Norte-americano e Europeu.

3 Interpretar as principais mudanças ocorridas na contabilidade nos últimos anos.

3 Avaliar a importância das IFRS na tomada de decisões pelos investidores.

3 Fazer a análise da Ciência da Religião e sua relação com a História.

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C onTExTuALizAção

A contabilidade avançou rapidamente ao longo dos tempos, acompanhando a evolução da humanidade. A partir do momento em que o homem passa a viver em sociedade, começa a acumular bens e riquezas, surgindo, aí, a necessidade de controle patrimonial.

As grandes navegações trouxeram novas perspectivas para a humanidade, encurtando distâncias e aprimorando a forma de comércio. Podemos nos arriscar em dizer que as grandes navegações eram uma forma primitiva da globalização que conhecemos hoje.

Os avanços tecnológicos conquistados nos últimos séculos contribuíram para a revolução industrial, que ganhou forças principalmente após o final da segunda guerra mundial. A globalização torna-se cada vez mais presente, e o crescimento acelerado das empresas chama a atenção de investidores de todas as partes do planeta.

A contabilidade, por sua vez, necessita acompanhar o ritmo de crescimento das empresas, fornecendo a seus investidores demonstrativos financeiros cada vez mais transparentes e confiáveis.

Neste capítulo, estudaremos os avanços ocorridos na Contabilidade Internacional nos últimos séculos. Conheceremos os principais órgãos envolvidos no processo de convergência aos padrões IFRS (International Financial Reporting Standards), e quais são os países que trabalham para que a harmonização contábil se torne uma realidade universal.

E voLução dA C onTAbiLidAdE

A contabilidade é uma técnica muito antiga de controle patrimonial, tão antiga que quase se confunde com a própria história da humanidade. Ambas praticamente caminharam juntas ao logo dos tempos. Fica muito difícil separar a evolução da contabilidade da evolução do próprio homem, pois, à medida que o homem começa a viver em sociedade, inicia o processo de acumulação de riquezas, como armas, mantimentos, animais, etc. Surge, então, a necessidade de contar e registrar os bens acumulados, como uma forma de controle.

Essas contagens e registros são as formas mais rudimentares de contabilidade. Quando o patriarca da família morria, todos os bens acumulados eram deixados aos filhos ou parentes mais próximos, como forma de herança, daí a origem da palavra patrimônio, ou seja, deixado pelo “patriarca”. Com o

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surgimento das grandes civilizações e impérios, a contabilidade tornou-se uma prática cada vez mais respeitada e essencial para o controle patrimonial, exigindo- se aperfeiçoamento das técnicas de controle.

A prática de registar e controlar vem acompanhando toda essa evolução e se aperfeiçoando conforme vai se aprimorando o conhecimento humano. Nesse sentido, Rocha (2006, p. 15) afirma:

A contabilidade é uma ciência tão antiga como o próprio homem. Alguns historiadores e teóricos acreditam que a contabilidade existe há pelo menos 4.000 (quatro mil) anos A.C. No início definiam como sua única função a de avaliar a riqueza patrimonial do homem. A evolução da história nos mostra que a ciência da contabilidade ultrapassa, e muito, essa barreira.

Convidamos você a fazer uma viagem imaginária pelo tempo para tentar compreender o longo caminho percorrido entre a contabilidade rudimentar, que comentamos lá no início, passando por um período mais racional e lógico, até chegar na ciência propriamente dita. Somente no início do século XIV, após vários anos de teorias, métodos e práticas contábeis em busca da verdade é que a contabilidade se torna reconhecida como ciência, tendo o patrimônio como seu objeto de estudos.

Já no século XX, com o surgimento das grandes indústrias, a contabilidade, agora reconhecida como ciência social, revoluciona-se junto à grande revolução industrial. Nesse contexto, temos Marques (2010, p. 8) afirmando que: “O final do século XIV e início do século XX foi marcado por uma série de acontecimentos que deram origem a uma excepcional expansão da contabilidade”.

Mas você sabe por que a contabilidade é uma ciência social? Pois bem, vamos explicar: A contabilidade é uma ciência social, pois seu objeto de estudos é o patrimônio das entidades. É fácil imaginar que o patrimônio das empresas está diretamente ligado ao bem-estar de toda a sociedade.

Vamos pensar juntos: Se as empresas inseridas em determinada região estão evoluindo, com certeza, estas mesmas empresas gerarão mais empregos e melhorarão a qualidade de vida das pessoas, direta ou indiretamente ligadas a elas. A consequência é que novas empresas e investidores sejam atraídos para esta região, motivando o desenvolvimento socioeconômico regional. Podemos ousar dizer que, ao redor de uma empresa promissora, podem surgir grandes cidades. Nesse sentido, temos Iudícibus (2002 apud MARQUES 2010, p. 15), explicando que “[...] o grau de avanço da contabilidade está diretamente associado ao grau do progresso econômico, social e institucional de cada sociedade”.

Já no século XX, com o surgimento das grandes indústrias, a contabilidade, agora reconhecida como ciência social, revoluciona-se junto à grande revolução

industrial.

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de decisão principalmente por parte de investidores e credores. Boa parte das empresas trabalham com grande fluxo de capital de terceiros, ou seja, buscam junto às instituições financeiras ou a investidores os recursos necessários para financiar seus ativos.

Com essa conjectura de captar recursos, a contabilidade, por meio de seus demonstrativos financeiros, torna-se uma peça imprescindível na vida econômica das empresas, pois, através dela, a empresa poderá ganhar grande credibilidade e confiança, ou não, já que o inverso também é verdadeiro. Por esses motivos, é cada vez mais exigida pela sociedade e pelo mercado financeiro a transparência e a confiabilidade nos relatórios contábeis.

Para que você conheça um pouco mais sobre a evolução da contabilidade sugiro que assista ao vídeo disponível em: <https://

www.youtube.com/watch?v=Z0pR2_V-NT4>.

Como você pode acompanhar até aqui, a humanidade vem evoluindo num ritmo acelerado. Tudo isso é fruto da curiosidade e inquietação dos seres humanos.

No mesmo ritmo também crescem as indústrias, que se tornam cada vez mais dependentes do mercado financeiro, o qual, por sua vez, exige demonstrações contábeis fidedignas e transparentes.

Veremos a seguir alguns fatos que ocorreram já no século XX e que serviram para impulsionar a contabilidade como eficiente ferramenta, não apenas para o mercado financeiro, mas para toda a sociedade. Como você pode acompanhar até aqui, a humanidade vem evoluindo num ritmo acelerado. Tudo isso é fruto da curiosidade e inquietação dos seres humanos. No mesmo ritmo também crescem as indústrias, que se tornam cada vez mais dependentes do mercado financeiro, o qual, por sua vez, exige demonstrações contábeis fidedignas e transparentes.

P rinCÍPioS dE C onTAbiLidAdE

Caro(a) acadêmico(a), é importante que antes de falarmos dos princípios contábeis propriamente ditos, possamos entender o que são princípios contábeis e como eles surgiram, compreendendo sua finalidade e aplicação.

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De acordo com Ferreira (2014, p.433), “Os princípios são decorrentes da observância da aplicação das técnicas contábeis, da prática contábil, e têm como objetivo tornar as informações contábeis uniformes, confiáveis e úteis para o público nelas interessado”.

Portanto, podemos afirmar que os princípios contábeis são como o próprio nome sugere, o início de tudo, ou seja, de onde devemos começar a nos apoiar para que a contabilidade venha a atender às necessidades de seus usuários.

Até o início do século XX, apesar de toda a evolução das técnicas contábeis, ainda havia uma grande lacuna, que era exatamente um entendimento uniforme de como deveriam ser reconhecidos alguns importantes fatos contábeis. Assim, os contadores poderiam registrar os fatos conforme melhor conviesse e interessasse às empresas.

Foram os Estados Unidos da América os propulsores dos princípios contábeis que conhecemos hoje. Logo após a primeira guerra mundial, Estados Unidos, Europa e Japão, devastados e precisando de reconstrução, atravessam uma grande crise que atinge principalmente as indústrias.

Durante os anos 30, após os efeitos mais severos da crise, novas grandes corporações continuaram surgindo nos Estados Unidos. Diferenciavam-se, contudo, da maior parte das empresas que haviam prosperado nas décadas anteriores, nas mãos de famílias ou de indivíduos que se tornaram mundialmente conhecidos [...] (CVM, 2014, p. 160).

Como até então não haviam regras específicas para a divulgação das informações contábeis, as empresas começam a manipular seus balanços, a fim de atrair investidores. Tais fatos contribuíram para a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, e a criação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade, pelos Estados Unidos da América. Ainda, conforme a revista Mercado de Valores Mobiliários (2014), os executivos e conselheiros contratados pelos acionistas tenderiam a agir de forma a maximizar seus benefícios, agindo em interesse próprio, e não segundo os interesses da empresa e todos os acionistas e demais interessados.

As pressões colocadas pelos novos investidores, aliados ao grande desenvolvimento econômico que os Estados Unidos vinham experimentando, a partir do início do século XX contribuíram para que no ano de 1930 surgissem as primeiras discussões entre a bolsa de valores de Nova York e o Instituto Americano de Contadores Públicos, visando a promulgação dos princípios de contabilidade (MARQUES, 2010, p. 9).

Portanto, podemos afirmar que os princípios contábeis

são como o próprio nome sugere, o

início de tudo, ou seja, de onde devemos começar

a nos apoiar para que a contabilidade venha a atender às necessidades de

seus usuários.

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os US GAAP (United States Generally Accepted Accounting Principles), ou Princípios Contábeis Geralmente Aceitos Norte-Americanos.

Segundo Pederiva, Morgan e Niyama (2003, p. 3):

[...] os GAAP constituem termo técnico da contabilidade financeira, [...]. Eles abrangem as convenções, as regras e os procedimentos necessários para definir as práticas contábeis reconhecidas em certo tempo e espaço. Os GAAP incluem desde as orientações mais amplas, de aplicação geral, até as práticas e os procedimentos detalhados e específicos.

Tem-se, aí, o início de uma nova era na contabilidade em busca de informações mais uniformes e transparentes, relatórios financeiros e contábeis mais confiáveis, tanto para aqueles que tenham interesse em investir nas companhias como para credores e outros usuários da contabilidade. Os princípios contábeis passam a ser obrigatórios nos Estados Unidos.

A partir daí outros países também criaram e editaram seus próprios princípios contábeis. Cada qual de acordo com suas necessidades e realidade econômica, porém com a mesma essência e objetivos deles, ou seja, a uniformidade, a transparência e a confiabilidade. Além disso, os aspectos políticos, econômicos, culturais e sociais de cada país têm grande influência nas práticas contábeis, remetendo-nos novamente ao campo social da contabilidade.

P rinCÍPioS dE C onTAbiLidAdE no b rASiL

No Brasil, a Lei n. 6.404/76 surgiu com o objetivo de oferecer diretrizes para a elaboração das demonstrações contábeis financeiras, porém sem ter o status de princípios contábeis. Somente com a resolução do CFC (Conselho Federal de Contabilidade) n. 750/93, o Brasil passou a adotar os Princípios Fundamentais de Contabilidade.

Assim, essa resolução reuniu os fundamentos que estavam contidos em Leis e criou, originalmente, sete Princípios Fundamentais de Contabilidade.

Mais tarde, em 2010, o CFC, por meio da Resolução n. 1.282/2010, fez algumas modificações, extinguindo o Princípio da Atualização Monetária e, também, dando nova denominação para os Princípios Fundamentais de Contabilidade, que agora passam a denominar-se Princípios de Contabilidade. Conforme Ferreira (2014,

Com isso, foram criados os primeiros

princípios de contabilidade, os US GAAP (United States Generally Accepted Accounting

Principles), ou Princípios Contábeis

Geralmente Aceitos Norte-Americanos.

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p. 431), “[...] essa denominação foi substituída por Princípios de Contabilidade, expressão que segundo o Conselho Federal de Contabilidade, é suficiente para o perfeito entendimento dos usuários [...]”.

Caro(a) acadêmico(a), acompanhe abaixo um quadro com os princípios de contabilidade, conforme a Resolução n.1.282/2010 do CFC:

Quadro 1 – Princípios de Contabilidade

Fonte: A autora.

Em especial atenção ao Princípio da Atualização Monetária, vale mencionar, aqui, que ele apenas perdeu o status de princípio, mas continua sendo aplicado dentro do princípio do Registro pelo Valor Original (FERREIRA, 2014).

Quanto à aplicação dos princípios de contabilidade, podemos dizer que são critérios obrigatórios a serem seguidos pelos profissionais de contabilidade, para que haja um padrão e entendimento por todos que se utilizam das informações contábeis. Em relação a esse entendimento, Ferreira (2014) nos dá um exemplo, no qual diz que se uma empresa adotasse o princípio da competência e outra o regime de caixa não teríamos como comparar os resultados entre as duas empresas, já que estariam completamente diferentes. Portanto, os princípios de contabilidade não são uma opção, mas, sim, uma obrigação na elaboração de qualquer peça contábil, sob pena de multa e de suspensão do exercício profissional.

Princípio da Entidade

Reconhece o Patrimônio como objeto da Contabili- dade e afirma que o patrimônio da entidade não se confunde com o dos sócios.

Princípio da Continuidade Pressupõe que toda entidade nasce para ter continui- dade, ou seja, não será extinta.

Princípio da Oportunidade

Exige que os registros de variação patrimonial devem ser reconhecidos no momento em que eles ocorrerem mesmo que os valores sejam estimados.

Princípio Registro Pelo Valor Original

Determina que sejam reconhecidos pelo valor original de todas as transações, permitindo que as variações posteriores sejam reconhecidas.

Princípio da Competência

As receitas e despesas devem ser reconhecidas na data a qual pertencem, independentemente de seu recebimento ou pagamento.

Princípio da Atualização Monetária Extinto pela Resolução n. 1.282/2010.

Princípio da Prudência

Deve ser adotado o menor valor para o Ativo e Maior valor para o Passivo, no caso de duas ou mais situa- ções que poderão vir a se concretizar.

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Atividades de Estudos:

1) O que são US GAAP e quais os principais acontecimentos que levaram a sua criação?

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2) Quais os principais acontecimentos que levaram à quebra da Bolsa de Nova York, em 1929?

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F undAmEnToS dA C onTAbiLidAdE

i nTErnACionAL

Para entendermos os fundamentos da contabilidade internacional, precisamos entender o processo da globalização.

Com o surgimento das grandes navegações, as transações comerciais deixaram de ser territoriais e se expandiram pelos diversos continentes. Podemos concluir que temos, desse modo, o início singelo da globalização. Com

a comercialização entre os povos de diversos continentes, cresce o consumo e as diversidades de produtos oferecidos no mercado.

Os países abrem suas fronteiras para o comércio internacional, alavancando o crescimento industrial. O avanço da tecnologia também é grande aliado para encurtar a distância entre os povos e contribuir para o acelerado processo de globalização.

Com o surgimento das grandes navegações, as transações comerciais deixaram

de ser territoriais e se expandiram pelos diversos

continentes.

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Além disso, é fácil de entendermos que, com a entrada de produtos estrangeiros nos países, as empresas locais se veem obrigadas a reduzir seus preços e melhorar suas estratégias comerciais. O crescimento e surgimento de grandes companhias se deu justamente pelo fortalecimento e melhorias na gestão devido à concorrência e, também, ao ingresso no universo do mercado internacional.

Você deve estar se perguntado: Como a globalização influenciou a contabilidade? Pois bem, podemos dizer que o processo de internacionalização da contabilidade se deu justamente quando os investidores começaram a observar com interesse o crescimento de algumas empresas, e viram nelas grande oportunidade de lucros. Em consonância com o afirmado, Eiteman, Stonehill e Moffett (2013 apud MORAES; MENGDEN, 2015) definiram globalização como:

produzir onde for mais eficiente em termos de custo, vender onde for mais lucrativo e obter capital onde for mais barato, sem se preocupar com fronteiras nacionais.

Como já estudamos anteriormente, sabe-se que, para atrair investidores, as empresas precisam demonstrar transparência e confiabilidade em seus resultados e é nesse momento que entram os órgãos responsáveis por regulamentar e normatizar as demonstrações contábeis e financeiras.

Cada país possui uma entidade responsável por normatizar e regular os investimentos no mercado financeiro. Essa entidade serve de ligação entre a empresa e o investidor, ou seja, é ela que repassa as informações sobre a movimentação no mercado financeiro, além de fiscalizar as ações e procedimentos a serem adotados pelas empresas a fim de proteger os investidores. No Brasil, temos a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que exerce a tarefa de fazer a ligação entre investidores e as empresas.

A CVM é uma entidade autárquica, em regime especial, vinculada ao Ministério da Fazenda, criada pela Lei n. 6.385, de 07 de dezembro de 1976, com finalidade de disciplinar, fiscalizar e desenvolver o mercado de valores mobiliário (CVM, 2016).

Ainda podemos citar a definição de Girotto (2016), em que a CVM tem a atribuição de acompanhar o trabalho dos auditores independentes, que são responsáveis pela validação das demonstrações contábeis, nas quais os investidores, credores e outros interessados movimentam grandes somas, comprando, vendendo ou mantendo valores mobiliários.

Para conceituar valores mobiliários, podemos dizer que existe uma relação que se estabelece no mercado de capitais, na qual os investidores emprestam seus recursos diretamente às empresas e adquirem títulos, que representam as condições estabelecidas no negócio. A essa operação chamamos de valores mobiliários.

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Portanto podem ser títulos de dívida, em que se estabelece uma relação de credito entre as partes tomadora e poupadora, como é o caso das debêntures, podem ainda ser títulos patrimoniais ou de capital, em que os investidores se tornam sócios do negócio, com todos os deveres e direitos inerentes como é o caso das ações (CVM, 2014).

As informações a seguir foram extraídas e poderão ser consultadas no site: <http://europa.eu/>.

Nos Estados Unidos, a Securities and Exchange Commission (SEC) é o órgão responsável por atuar junto ao mercado financeiro, e que tem o mesmo papel que a CVM no Brasil. Já na Europa, com o surgimento da União Europeia, criou- se recentemente a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA). Assim, cada país que atua no mercado financeiro possui um órgão responsável pela supervisão dos valores mobiliários e proteção aos investidores.

E para representar as Comissões de Valores Mobiliários do mundo todo, foi criada a IOSCO (International Organization of Securities Commissions and Similar Organization), uma associação interamericana que promove fóruns internacionais nos quais reúne representantes de todo o mundo ligado ao mercado de capitais e trata de assuntos relevantes à área financeira, sempre com o objetivo de proteger o investidor.

Sobre a IOSCO estudaremos com maior abordagem um pouco mais adiante.

É muito importante entender que a expansão dos mercados e avanços tecnológicos mudaram a conjuntura das organizações, que, por sua vez, têm interesse em publicar seus balanços em outros países e, assim, torna-se imprescindível que as práticas contábeis permitam uma análise e comparação de desempenho financeiro das organizações, contribuindo para o fortalecimento da transparência e da confiabilidade para seus usuários (NIYAMA, 2005 apud KAVESKI; CARPA; KLANN, 2015).

O mercado financeiro globalizado torna muito complexa a execução de relatórios financeiros comparáveis entre si e, principalmente, no que diz respeito à compressão e à transparência desses relatórios. Nesse sentido, Martins e Brasil (2008) afirmam que a difusão de princípios internacionais de contabilidade se deu, fundamentalmente, quando as multinacionais começaram a se instalar em diversos países e começaram a encontrar normas e princípios diferentes.

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Um exemplo disso é quando a matriz está instalada em determinado país e a filial está em outro, como no caso das multinacionais. A matriz pode ter seus estoques mensurados pelo custo histórico, enquanto a filial poderá estar avaliando os estoques pelo valor de mercado.

Outro exemplo seria uma das empresas gerar resultados diferentes: a matriz poderia estar com resultado positivo e a subsidiária indicar prejuízos, dependendo da lei de onde ambas as empresas estejam instaladas. Veja que existem diferenças impactantes nessa avaliação.

Nesse sentido, pode haver diversas distorções na comparabilidade das demonstrações contábeis. Isso levou as empresas a terem que gerar dois conjuntos de demonstrativos financeiros, para atender a duas autoridades regulamentadoras, gerando custos e muito mais trabalho para as multinacionais elaborarem seus demonstrativos contábeis (FLOWER, 2002 apud MARTINS;

BRASIL, 2008).

Os problemas citados seriam facilmente eliminados se as normas contábeis atendessem a um único padrão, e que fossem aceitas internacionalmente por todos do país. Segundo Martins e Brasil (2008), dessa forma, o que se convenciona adotar é um conjunto de normas padronizadas que seja flexível o suficiente e possa atingir as expectativas dos usuários da informação contábil em países diferentes.

No XV Congresso Mundial de Contadores (Paris, 1997), conforme afirma Franco (1999 apud MARTINS; BRASIL, 2008), o representante da Austrália, na ocasião, mencionou que pessoas bem informadas acreditavam que a globalização seria a base do futuro e que a ideia de economia nacional não teria mais sentido, assim como as ideias de empresas nacionais, capitais nacionais, produtos nacionais e tecnologias nacionais. Afirmou, ainda, que a globalização estava tornando irreversível o processo de uniformização contábil em todo o mundo.

Acrescentou, também, que, de acordo com sua experiência, os investidores eram atraídos para mercados nos quais eles confiavam e sobre os quais conheciam.

Com essas considerações, podemos concluir que a adoção de um padrão contábil reconhecido internacionalmente passa a ser uma exigência do mercado financeiro do mundo todo, não sendo mais viável que as empresas tenham que fazer demonstrações financeiras desiguais para atender a normas diferentes.

Isso, além de induzir ao erro, custo torna o custo bastante elevado e inviável para as companhias.

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Atividades de Estudos:

1) No seu entendimento, quais as funções e objetivos da CVM – Comissão de Valores Mobiliários?

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2) De acordo com o conteúdo estudado, diga quais as principais dificuldades das empresas que possuem filiais ou subsidiárias em países que adotam normas contábeis diferentes das normas do país onde está instalada a matriz dessas empresas?

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C onTAbiLidAdE n orTE -A mEriCAnA E E uroPEiA

Como vimos até aqui, desde o final dos anos 60 e início da década de 70, a globalização está mais presente, cresce o interesse de investidores nas companhias internacionais, além disso, essa forma de investimento passa a interessar não apenas aos grandes investidores, mas desperta o interesse daqueles que possuem pequenas economias para investir, esperando rendimentos melhores.

Vamos fazer aqui uma breve definição de quem são os investidores e quais suas reais preocupações:

Investidores são pessoas físicas ou jurídicas que possuem recursos para aplicar no mercado financeiro e mercado de ações, cujo objetivo final é o retorno do investimento em forma de lucros. Portanto, podemos dizer que a principal preocupação dos investidores é a veracidade das informações contábeis, que são a fonte de informações em que eles se apoiam para a tomada de decisão.

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Nesse sentido, Martins, Martins e Martins (2007), afirmam ser vital conseguir meios de dar a esses investidores informações que sejam confiáveis, a fim de que o mercado acionário possa crescer, os acionistas possam vender suas ações quando julgarem necessário, e onde possam as corporações obter novos recursos mediante venda de novas ações.

O mercado internacional, nesse contexto, encontra barreiras significativas, pois a contabilidade não possui uma linguagem universal. Cada país cria seus próprios princípios e normas de acordo com sua realidade econômica, cultural e jurídica.

Martins e Brasil (2008) parafraseiam o filósofo Pascal afirmando que “o que é verdade neste lado do Atlântico é um erro do outro lado”. Asseguram, ainda, que quando uma companhia cruza o atlântico contábil, seus resultados podem se transformar de lucro em prejuízo, o que é um tanto embaraçoso para o investidor.

Caro (a) acadêmico (a), a contabilidade, apesar de sua autonomia como ciência, sofre grandes impactos da filosofia do direito principalmente nos aspectos econômicos, jurídicos e culturais. Portanto, estudaremos, a seguir, duas grandes filosofias do Direito, a Common Law e Code Law, bem como veremos quais as consequências e influências que elas exercem sobre as práticas contábeis no mundo todo.

F iLoSoFiA C ommom L aw E C ode L aw

Como sabemos, a contabilidade é baseada em normas, regras, princípios e os sistemas jurídicos também têm um papel importante na ciência contábil. Nesse sentido, Ernest, Young e FIPECAFI (2008) esclarecem que há uma estreita relação entre a contabilidade e o ambiente em que ela se desenvolve e atua, sistema político, econômico e cultural, inclusive a forma de financiamento das empresas. Dentre os fatores institucionais, aquele que mais diretamente impacta a contabilidade é o sistema jurídico. Em relação ao aspecto jurídico, temos duas linhas filosófica, a saber, a Filosofia Common Law e Code Law, que veremos a seguir.

a) Filosofia Commom Law

Na filosofia Commom Law a norma é baseada na jurisprudência, costumes e tradição. A jurisprudência é um conjunto de casos julgados em que um juiz poderá aproveitar para sua decisão, baseando-se em determinações anteriores. Entre os países que seguem essa filosofia, podemos citar a Inglaterra, a Irlanda, a Escócia, a Austrália e os Estados Unidos da América.

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anglo-saxônicos adotam a filosofia Common Law, que segue os costumes, na qual se escreve o mínimo possível na lei e deixa-se aos julgadores a aplicação dessa lei, baseando-se nas tradições e na jurisprudência. Não há preocupação em seguir os pormenores da lei, os julgadores é que devem estar preparados para definir o que é justo perante a sociedade.

Não só nos parâmetros do Common Law, mas ainda nos sistemas jurídicos de Direito codificado, o ponto central de gravitação de toda criação judicial incide na decisão de casos particulares, e não na formulação de regras gerais e abstratas, pois a criação judicial expressada por sentenças dos juízes nos tribunais representa a fonte autêntica do Direito objetivado (FRAGA, 2012, p. 1).

Você pode verificar que nesse sistema, cada situação ou cada caso, é julgado levando-se em consideração suas particularidades, não existem regras específicas a serem seguidas e, muito menos, generalização dos fatos.

Você deve estar se perguntando: Como essa filosofia do direito interfere na norma contábil? Pois bem, interfere muito, se partirmos do princípio de que se nesse sistema o que prevalece é o julgamento do que é justo, e o profissional que lida diretamente com as demonstrações contábeis é o contador, com isso, afirmamos que, no sistema common law, é o contador que define como devem ser as informações contábeis, segundo o que ele julgar ser correto.

Surge, desse modo, um grande problema: a desconfiança dos investidores.

Ora, se o contador é o responsável por julgar como devem ser as demonstrações contábeis e financeiras, corre-se o risco de ele favorecer o empresário, que é quem paga seu salário.

Martins, Martins e Martins (2007) definem bem essa ideia quando dizem que se criam associações de contadores para que eles digam como se deve atuar na contabilidade. Afirmam, ainda, que é daí que surge a famosa expressão

“princípios contábeis geralmente aceitos”, e perguntam: Aceitos por quem? Pelos próprios contadores.

Na mesma linha de pensamento, temos Souza et al. (2015, p. 16) que afirmam: “[...] sistema common law, que é o direito que se desenvolveu por meio das decisões dos tribunais e, não, mediante atos Legislativos ou Executivos. [...]

o direito é criado ou aperfeiçoado pelos juízes, portanto não é necessário detalhar as regras a serem aplicadas”.

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b) Filosofia Code Law

O sistema Code Law segue a filosofia do direito Romano, que é bastante conservadora e exige-se que a Lei seja cumprida em toda sua essência e forma, não dando margens para interpretações se não aquela definida em Lei ou Norma.

O Brasil, assim como outros países latinos, adota o sistema Code Law, como grande maioria dos países da Europa e Japão.

No Direito Romano, a Lei é soberana e todos devem seguir exatamente o que por ela está determinado. Os julgamentos não são baseados em costumes, como na filosofia common law, e seguem rigorosamente o que determina a Norma. No Brasil, por exemplo, também temos as jurisprudências, que podem ser consultadas pelos magistrados, porém elas servem apenas como uma direção, já que o juiz, ao fazer um julgamento, deverá seguir apenas o que determina a Lei. Por isso, nos países que seguem essa filosofia, o que determina os métodos contábeis, assim como seus demonstrativos, sempre será a Lei.

A contabilidade no Brasil, inicialmente, foi direcionada pela Lei das Sociedades por Ações n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e teve como objetivo principal a proteção aos acionistas minoritários.

O projeto visa, basicamente, a criar a estrutura jurídica necessária ao fortalecimento do mercado de capitais de risco no País, imprescindível à sobrevivência da empresa privada na fase atual da economia brasileira. [...] os setores empresariais exigem, contudo, o estabelecimento de uma sistemática que assegure ao acionista minoritário o respeito a regras definidas [...] (BRASIL, 1976).

Apesar de a Lei n. 6.404/76 trazer grandes avanços para a contabilidade no Brasil, ela não traz progressos no que se refere ao acesso à informação contábil voltada a investidores, mantendo seu foco apenas nos credores (Bancos) e no fisco. Portanto, no Brasil e nos países que seguem a filosofia Code Law, os Poderes Legislativo e Executivo são as entidades responsáveis por criar as Leis que normatizam a contabilidade. Nesse sentido, temos a contabilidade muito inclinada a atender aos interesses fiscais.

Como sabemos, o objetivo da contabilidade é fornecer informações confiáveis para a tomada de decisão de seus usuários. Porém, se fizermos uma comparação entre as duas filosofias do direito que servem de base para as informações contábeis, veremos que ambas trazem características bem distintas, o que dificulta ainda mais a elaboração dos balanços consolidados para as multinacionais. Pois uma é muito conservadora, como é o caso do Code Law e a outra, o Commom Law, deixa muitas aberturas para a decisão baseada

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entre as duas filosofias.

C omPArATivoS E nTrE C onTAbiLidAdE n orTE - A mEriCAnA E E uroPEiA

Você pode verificar que temos dois grandes sistemas ou filosofias em que se apoia a contabilidade, o Commom Law e o Code Law, e que cada país tem sua maneira de ver e fazer contabilidade de acordo com suas práticas jurídicas.

Para entendermos as mudanças ocorridas nas últimas décadas na contabilidade, é preciso que conheçamos as consequências e a visão sistemática de cada uma dessas filosofias.

Pois bem, vamos pensar em como o mundo evoluiu nas últimas décadas, principalmente após o término da segunda guerra mundial. Os países diretamente envolvidos ficaram completamente devastados, necessitando de reconstrução em grandes escalas. O governo por si só não teria como arcar com todos os custos. É, nesse momento, que nascem as grandes companhias, as quais ficam responsáveis por reconstruir estradas, ferrovias, prédios públicos, enfim, reconstruir o país. E esse é o cenário mundial. Americanos, europeus, japoneses, russos, enfim, todos tinham uma grande missão pela frente.

Viu-se, aí, uma grande oportunidade de investimentos, tanto para pessoas físicas como para pessoas jurídicas: investir nas empresas envolvidas nessa reconstrução e que necessitavam de capital para ampliar sua linha de produção.

Os investidores passam a ser as pessoas mais interessadas nos resultados das empresas, afinal de contas, é preciso acompanhar e medir os riscos de seus investimentos. Você pode imaginar que, de repente, a contabilidade tem novos interessados, que não são apenas os bancos e o governo?

Com isso, é preciso que se repense a maneira de se fazer contabilidade no mundo todo para manter a confiança desses investidores, fazendo com que eles continuem a depositar seus recursos nas companhias e elas prossigam no crescimento.

E, nesse contexto, surge a figura de um novo investidor, que é o investidor minoritário, aquele que possui pequenas economias e que, porém, faz grande diferença nos resultados das companhias. Em comentário a essa questão, Martins, Martins e Martins (2007) apontam que o investidor minoritário em ações,

Os investidores passam a ser as

pessoas mais interessadas nos

resultados das empresas, afinal de

contas, é preciso acompanhar e medir

os riscos de seus investimentos.

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não pode, assim como os credores, ter acesso diretamente às informações das empresas, ou seja, o investidor minoritário não tem o mesmo poder dos credores em exigir informações adicionais que lhe permitam avaliar melhor a evolução do patrimônio da empresa.

Como vimos, para os norte-americanos, bem como alguns outros países que adotam a filosofia Commom Law, praticamente não existe normatização da contabilidade, cabendo ao profissional de contabilidade fazer o julgamento do que é certo ou errado. Como já citamos anteriormente, surge, a partir daí, a desconfiança por parte dos investidores, e agora, também, dos investidores minoritários, sugerindo-se que essa filosofia não é confiável, já que as informações contábeis podem facilmente serem manipuladas para atender aos interesses das companhias.

Conforme afirmam Souza et al. (2015, p. 16): “A profissão contábil é autorregulamentada e responsável pela edição de normas contábeis, padrões de auditoria, [...]. Assim, o Commom Law tem pouca influência do Governo”.

Na filosofia Code Law, adotada por diversos países da Europa, Japão e Brasil, a contabilidade é conservadora e totalmente voltada ao cumprimento da Lei. Acredita-se, com isso, que está se protegendo as companhias e, também, os profissionais de contabilidade de possíveis ações judiciais por parte de usuários da contabilidade. Em relação a essa filosofia, Martins, Martins e Martins (2007) definem-na muito bem ao dizer que Leis determinam as normas contábeis propriamente ditas ou determinam quais órgãos governamentais têm o poder para tanto. O Estado é quase que absoluto nesse processo.

Ora, novamente temos aqui um impasse bastante preocupante, se na filosofia Common Law, menos conservadora, a preocupação e a desconfiança dos investidores são a possibilidade de os interessados conseguirem manipular as informações contábeis, atendendo aos interesses das companhias, o mesmo acontece na filosofia Code law, apenas mudando o foco do interessado, que aqui passa a ser o próprio governo, ente tributante, e, também, os grandes credores, que são os bancos.

Para concluir essa seção, vamos fazer uma reflexão? O mundo dos negócios pede com urgência uma solução para as diferenças nas normas contábeis dos países. A solução seria a contabilidade ter uma linguagem universal, ou seja, um padrão que seja reconhecido internacionalmente. Mas temos dificultadores: a guerra pelo poder e a soberania de cada país. Temos dois grandes interessados nesse processo, Estados Unidos, com sua filosofia Common Law, e países da Europa, com a filosofia Code law, cada qual com seus interesses políticos.

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Atividades de Estudos:

1) Dentre os fatores institucionais, aquele que mais diretamente impacta a contabilidade é o sistema jurídico. Em relação ao aspecto jurídico, temos duas linhas filosófica, a Filosofia Common Law e Code Law. Assim sendo, classifique as alternativas abaixo em Verdadeiras (V) ou Falsas (F):

( ) O sistema Code Law segue a filosofia do direito Romano, que é bastante conservadora e exige-se que a Lei seja cumprida em toda sua essência e forma.

( ) No Direito Romano a Lei é soberana e todos devem seguir exatamente o que por ela está determinado, essa é a filosofia Common Law.

( ) No Brasil, e nos países que seguem a filosofia Common Law, os Poderes Legislativo e Executivo são as entidades responsáveis poder criar as Leis que normatizam a contabilidade. Nesses países, a contabilidade é mais inclinada a atender aos interesses fiscais.

( ) Os países anglo-saxônicos adotam a filosofia Common Law, que segue os costumes, na qual se escreve o mínimo possível na lei e deixa-se aos julgadores a aplicação dessa lei, baseando-se nas tradições e na jurisprudência.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de respostas.

a) ( ) V – F – F – V.

b) ( ) V – V – F – V.

c) ( ) F – F – V – F.

d) ( ) F – F – F – V.

e) ( ) V – F – F – F.

2) Baseando-se no conteúdo estudado, descreva a principal característica que diferencia a contabilidade Norte-Americana da Europeia.

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o rgAniSmoS r EguLAdorES E A mbiEnTE i nTErnACionAL

Caro (a) acadêmico (a), você pode observar que, no início da década de 70, a contabilidade passa por uma fase de grande turbulência, devido ao crescimento das indústrias, forte interesse de investidores e um cenário onde é preciso muita transparência e confiança nos demonstrativos contábeis.

Ainda, aliada a toda essa insegurança do mercado internacional, havia outra questão bastante incômoda, principalmente para as empresas multinacionais que possuíam filiais espalhadas por diversos países: a execução do balanço consolidado. Ora, é fácil de concluir que com princípios e normas diferentes entre dois ou mais países, os resultados seriam diferentes.

Compartilhando dessa ideia, temos Martins e Brasil (2008) afirmando que as normas contábeis de um país estão restritas à conjuntura econômica deste, submissas a sua legislação, estrutura societária e tradições culturais. Nesse contexto, os autores afirmam, ainda, que isso levou as empresas a terem que elaborar dois conjuntos de demonstrativos financeiros: um atenderia as normas adotadas pelo país da matriz e o outro obedecendo as exigências das autoridades reguladoras do país da subsidiária o que acaba por criar dois problemas para a gerência dessas multinacionais, os quais Flower (2002, p. 218) explica:

1. Consistência: Os dois relatórios podem gerar mensagens completamente diferentes (por exemplo, que à matriz indica uma perda e, que de acordo com a lei local, um lucro) que podem conduzir à confusão e à incerteza excedentes, ao medir o desempenho da subsidiária estrangeira. A gerência do grupo pode exigir que o desempenho esteja medido de acordo com seus princípios padrões. Entretanto, isto não impede que o feeling da gerência local seja tratado injustamente e, que seu desempenho seja medido de acordo com os princípios não aceitos localmente.

2. Custo: É caro manter um sistema de contabilidade que prepare duas demonstrações financeiras diferentes.

Diante desse cenário, surge a discussão da necessidade de se criar um padrão de contabilidade que pudesse ser adotado por todos os países, pelo menos era isso que o mercado internacional almejava naquele momento. O primeiro passo para que a linguagem contábil tenha um padrão universal foi dado pelos Estados Unidos, contudo, com a visão de que o mundo deveria adotar a linguagem contábil americana.

Porém, o próprio governo americano não tinha interesse em assumir o papel de reescrever a forma como deveriam ser elaboradas as peças contábeis.

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ser reescritas apenas por contadores, já que a tendência seria sempre de favorecimento próprio. Era preciso neutralidade nessa tarefa e delegou-se a missão a especialistas e estudiosos da área, que seriam indicados pelo AICPA (American Institute of Certified Public Accountants) Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados.

Nesse sentido Martins, Martins e Martins (2007) descrevem que não mais apenas contadores seriam responsáveis por normatizar a contabilidade, mas sim um grupo mais amplo, no qual estivessem representados os que produzem os balanços (as companhias abertas), os auditores independentes, os usuários e a academia.

Diante dessa inquietação do mercado, é criado nos Estados Unidos, em 1973, o FASB - Financial Accounting Standards Board, órgão privado responsável por emitir pronunciamentos contábeis americanos, de acordo com o US GAAP (United States Generally Accepted Accounting Principles) ou Princípios Contábeis Geralmente Aceitos Norte-Americano. Conforme bem define Castro (2001), os pronunciamentos contábeis emitidos pelo FASB têm como missão estabelecer e aperfeiçoar os padrões contábeis, e servem de guia para o público e legisladores da matéria contábil, auditores e usuários da contabilidade.

A estrutura do FASB é assim conceituada:

O Financial Accounting Standards Board, FASB (Comitê de Normas de Contabilidade) é composto por sete membros indicados por uma junta de curadores (indicados pelo AICPA) para prestação de serviços em tempo integral. O FASB é um órgão independente, reconhecido pela SEC, com o objetivo de determinar e aperfeiçoar os procedimentos, conceitos e normas contábeis. Os recursos do FASB são providos por uma fundação contábil/financeira independente, a qual é responsável pela indicação dos seus sete membros (TAVARES, 2007 apud MACIEL; VIDAL; VIDAL, 2016, p. 3).

Os pronunciamentos emitidos pelo FASB são denominados SFAC e servem como uma estrutura conceitual básica a ser utilizada pelo conselho para o estabelecimento de padrões Contábeis, conforme afirmado por Schimdt (apud MACIEL; VIDAL; VIDAL, 2016).

A partir de então, todas as empresas que desejassem negociar suas ações, na bolsa de valores americana, deveriam ter seus balanços publicados, conforme as normas e padrões do FASB. Não podemos nos esquecer de que o maior mercado de capitais do mundo é o americano, o que torna a adoção dos SFAC (Statement of Financia Accounting Concepts) quase obrigatória por outros países cujas ações são negociadas na bolsa de valores americana.

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Pois bem, ocorre que os europeus, temendo que as práticas contábeis americanas se tornem obrigatórias por todos devido à grande influência do mercado, decidem, no mesmo ano, em 1973, criar um Comitê Internacional de Contabilidade, ao qual denominam de IASC - International Accounting Standards Committee, e que mais tarde, em 2001, torna-se a IASB – International Accounting Standards Board, a qual estudaremos um pouco mais a frente.

O IASC é um órgão independente, sem fins lucrativos e mantido por seus membros. Conforme afirmam Niyama e Schimdt (apud MACIEL; VIDAL; VIDAL, 2016), tem sua sede em Londres e foi criado por representantes de nove países, sendo eles: Austrália, Canadá, França, Alemanha, Japão, México, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos

Podemos nos arriscar em dizer que é nesse momento que nascem os padrões internacionais de contabilidade que conhecemos hoje. Nesse sentido, Iudícibus (2014) afirma que, a partir de 1973, FASB e IASB irrompem no cenário contábil americano e mundial, justamente no momento em que a globalização avança de forma avassaladora, aumentando a importância dos órgãos reguladores contábeis.

O argumento principal foi o de se atingir um dos ideais de que a contabilidade se transforme numa linguagem universal dos negócios.

O objetivo principal da IASC foi criar padrões de contabilidade que pudessem ser observados por todos os países do mundo, e que tivesse a aceitação pública com a intenção de derrubar as barreiras até aqui citadas. Além disso, a finalidade principal do IASC é a convergência das normas nacionais e internacionais de contabilidade com padrões rigorosos e de altíssima qualidade, em que todos tivessem a mesma linguagem contábil. Simplificando essa ideia, as demonstrações contábeis elaboradas em um determinado país seriam as mesmas que as produzidas em outro país com filosofia completamente diferente, ou seja, seria compreensível em qualquer lugar onde fosse publicada.

Caro (a) acadêmico (a), diante do exposto, você deve estar se perguntando:

por que os países da filosofia Commom Law, como os Estados Unidos, Irlanda e Austrália, entram inicialmente como representantes da IASC se até agora deu-se a entender que havia uma rivalidade entre Europa, que segue a filosofia Code law? Pois bem, para que isso fique bem claro, temos que analisar os interesses políticos por trás dessa questão.

Sugerimos a leitura do artigo Os Interesses por detrás do IASC, do autor Valério Nepomuceno, publicado na Revista Mineira de Contabilidade n. 42 (2011, p. 20-27), disponível em: <http://goo.

gl/mdBoqJ>.

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enfrentar interesses políticos, culturais e econômicos dos mais variados e também fazer com que países do mundo inteiro adotassem um único padrão de contabilidade sem ferir a soberania de cada país. Isso é um desafio enorme a se vencer. Logicamente que esse processo de convergência das normas contábeis para um único padrão tem sido longo e de muitos obstáculos.

Inicialmente, os membros do IASC, representantes dos países apoiadores, eram auditores, executivos, membros de academias e sócios de empresas de auditoria independente, que trabalhavam em tempo parcial. Cada país participante se fazia representar por três membros no grupo de discussão e elaboração das IAS. Em 1975 foi publicado o primeiro pronunciamento emitido pelo IASC, chamado de IAS ou International Accounting Standards.

A seguir, conheceremos alguns dos principais órgãos internacionais envolvidos no processo de normatização e padronização da contabilidade pelos Estados Unidos e países europeus.

a) INTERNATIONAL ORGANIZATION OF SECURITIES COMMISSIONS – (IOSCO)

Segundo informações do portal da organização, a IOSCO é uma organização internacional de comissão de valores que reúne comissões de valores mobiliários de mais de100 países. Seu objetivo principal é proteger os investidores do mercado de capitais, além de promover a adesão a padrões internacionalmente reconhecidos para a regulamentação de valores mobiliários. Em 1996, foi criado o fórum da IOSCO, que se reúne com seus membros três vezes ao ano para discutir questões comuns aos bancários, títulos e setores de seguros, incluindo a regulamentação dos conglomerados financeiros e avaliação dos riscos do mercado.

b) SECURITIES EXCHANGE COMMISSION - COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (SEC)

A SEC Securities Exchange Commission, semelhante a Comissão de Valores Mobiliários no Brasil, foi criada nos Estados Unidos, em 1934, após a quebra da bolsa de valores de Nova York, com o objetivo de regular o mercado de ações e evitar uma nova depressão. Segundo dados da CVM, a SEC, assim como a CVM, tem por objetivo principal fiscalizar as ações negociadas na bolsa de valores para proteger os investidores e diminuir os riscos do mercado.

c) EUROPEAN UNION – UNIÃO EUROPEIA (EU)

A criação da união europeia teve início com o fim da segunda guerra, com o objetivo de unir esforços para a reconstrução de uma Europa devastada e

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promover a integração dos países da Europa. Porém só foi totalmente realizada, segundo Castro (2001), com o Tratado de Masstricht em 1991, que estabeleceu os planos para sua implantação e conta com 15 países membros.

Ainda conforme Castro (2001), o Tratado de Masstricht estabeleceu planos e datas para sua implantação, conforme quadro abaixo:

Quadro 2 - Cronograma da Criação da União Europeia

Fonte: Extraído e adaptado de Castro (2001).

Conforme define Oliveira (2008), a integração dos países da Europa traz grandes benefícios. Um bom exemplo é o mercado comum e a zona de livre comércio entre os países membros, que reduz ou até mesmo isenta as taxas de importação e exportação, facilitando o desembaraço aduaneiro, visando incrementar as relações comerciais entre os países signatários.

Ano Acontecimento

1958 Criação da Comunidade Econômica Europeia por seis estados-membros: Alema- nha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo.

1968 Os países do Reino Unido postulam entrar para a União Europeia e são rejeitados.

1962 A Comissão Europeia propõe, pela primeira vez, a criação da moeda única.

1970 Divulgação do Plano Werner para uma União Monetária Europeia.

1972 Instituição do ecu com funções de regular a taxa de câmbio, logo após o colapso do sistema monetário de paridades fixas de Bretton Woods.

1973 Dinamarca, Irlanda e os países do Reino Unido entram para a União Europeia.

1979 Fundado o sistema monetário europeu, incluindo o mecanismo de câmbio (ERM).

1981 A Grécia foi admitida na União Europeia.

1986 O Single European Act lança as bases de um mercado único e Portugal e Espanha são admitidos na União.

1991

O Tratado de Maastricht é assinado, levando ao estabelecimento da União Euro- peia, e são lançados planos para a implantação da Unidade Monetária e Econômi- ca (MEU).

1994 Fundado o Instituto Monetário Europeu (EMI).

1995 Áustria, Finlândia e Suécia são admitidas na União.

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entre si. Além disso, os países membros optam por adotar políticas harmoniosas para tratar questões econômicas, fiscais e financeiras, sendo seu ápice a utilização de uma política única para tal fim, porém respeitando a soberania de seus membros.

d) INTERNATIONAL FEDERATION OF ACCOUNTANTS – Federação Internacional dos Contabilistas – IFAC

A IFAC foi fundada em 7 de outubro de 1977, em Munique, na Alemanha, com o objetivo de fortalecer a profissão contábil em todo o mundo, no interesse pelo desenvolvimento de normas internacionais de alta qualidade em auditoria e segurança, contabilidade pública, ética e educação para os profissionais contabilistas, e apoiar a sua adoção e utilização. Também é interesse do IFAC facilitar a colaboração entre seus membros e organizações internacionais, servindo, principalmente, de porta voz internacional para a profissão contábil.

A IFAC iniciou em 1977 com 63 membros, de 51 países, e, atualmente, são 175 membros, de 130 países e jurisdições de todo o mundo. Ainda como comentado em CFC (2010), ela contribui para o funcionamento eficiente da economia internacional da seguinte forma:

• Melhorando a confiança e qualidade das demonstrações contábeis.

• Estimulando a produção de informações (financeiras e não financeiras) de alta qualidade sobre o desempenho das organizações.

• Promovendo a prestação de serviços de alta qualidade por todos os membros da profissão contábil ao redor do mundo.

• Promovendo a importância da adesão ao Código de Ética para Contadores Profissionais por todos os membros da profissão contábil, inclusive membros na indústria, comércio, setor público, setor sem fins lucrativos, setor acadêmico e prática pública.

As informações citadas foram extraídas e poderão ser consultadas no site: <www.ifac.org>.

A IFAC, ainda segundo CFC (2010), tem forte posição política sobre temas que necessitam de conhecimento especializado da profissão com alto grau de relevância, e seu ponto forte está no apoio e no desenvolvimento de seus entes,

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os quais são dedicados a promover integridade, transparência, além do apoio a órgãos contábeis regionais.

e) MERCOSUL – MERCADO COMUM DO SUL

Em 26 de março de 1991, assinaram o Tratado de Assunção, Argentina, Brasil e Uruguai com o objetivo de integração dos Estados Partes por meio de livre circulação de bens e serviços e fatores produtivos, além da adoção de políticas comerciais comuns, da coordenação política macroeconômica e setoriais e da harmonização de legislação nas áreas pertinentes.

O Mercosul caracteriza-se, ademais, pelo regionalismo aberto, ou seja, tem por objetivo não só o aumento do comércio, mas também o estímulo ao intercâmbio com outros parceiros comerciais. A composição atual do bloco está assim definida:

• Todos os países da América do Sul participam do MERCOSUL, seja como Estado parte, seja como estado Associado.

• Estados Partes: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai (desde 26 de março de 1991) e Venezuela (desde 12 de agosto de 2012).

• Estado Parte em Processo de Adesão: Bolívia (desde de dezembro de 2012).

• Estados Associados: Chile (desde 1996), Peru (desde 2003), Colômbia, Equador (desde 2004), Guiana e Suriname (ambos desde 2013).

Os princípios do MERCOSUL visam à formação de mercado comum entre seus Estados partes. De acordo com o art. 1º do Tratado de Assunção, a criação de um mercado comum implica:

• Livre circulação de bens e serviços e fatores de produção entre os países do bloco.

• Estabelecimento de uma tarifa externa comum e a adoção de uma política comercial conjunta em relação a terceiros Estados ou agrupamentos de estados e a coordenação de posições em foros econômicos-comerciais regionais e internacionais.

• Coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais entre Estados Partes.

• Compromisso dos Estados Parte em harmonizar a legislação nas áreas pertinentes, a fim de fortalecer o processo de integração.

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Atividades de Estudos:

1) É uma organização internacional de comissão de valores que reúne comissões de valores mobiliários de mais de 100 países. Seu objetivo principal é proteger os investidores do mercado de capitais, além de promover a adesão a padrões internacionalmente reconhecidos pera a regulamentação de valores mobiliários.

Diante do exposto, assinale a alternativa que corresponda ao órgão descrito acima:

a) ( ) IASB.

b) ( ) IASC.

c) ( ) IOSCO.

d) ( ) MERCOSUL.

e) ( ) IFAC.

2) Em 1973 foi criado, na Europa, um comitê que tinha por objetivo principal a convergência das normas nacionais e internacionais de contabilidade com padrões rigorosos e de altíssima qualidade, em que todos tivessem a mesma linguagem contábil.

A afirmação acima está se referindo a que órgão? Assinale a alternativa CORRETA

a) ( ) IASC - International Accounting Standards Committee.

b) ( ) FASB - Financial Accounting Standards Board.

c) ( ) SEC - Securities Exchange Commission.

d) ( ) AICPA - American Institute of Certified Public Accountants.

e) ( ) CMV. – Comitê Valores Mobiliários.

P AdronizAção x H ArmonizAção C onTábiL

Você pode acompanhar até aqui que o mundo dos negócios, através da globalização, tornou-se bastante complexo, no sentido de fornecer transparência e confiabilidade nas negociações do mercado de capitais. Chegou-se num ponto em que é preciso que se encontre um denominador comum, em que todos falem

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a mesma linguagem. Não é mais possível que haja duplas interpretações nas demonstrações contábeis. É preciso, também, que as demonstrações contábeis sejam fidedignas, mostrando a realidade econômica e financeira da entidade.

Sobre esse mesmo conceito, temos Castro (2001, p. 2) afirmando que:

Interpretações diferentes dos mesmos eventos e transações levam à falta de comparabilidade das demonstrações contábeis, o que pode fazer com que a informação contábil perca credibilidade no cenário mundial. Tem-se apontado como um dos caminhos para elevar a contabilidade como uma das ciências imprescindíveis para as unidades de negócios, a unificação dos padrões contábeis internacionais, [...].

Ainda, segundo Castro (2001), a pressão da sociedade, de forma ampla e precisa, faz com que estudiosos e profissionais se preocupem em encontrar, de forma prática e objetiva, os princípios que regem a Ciência Contábil, bem como definir normas e regras para sua aplicação.

Como já estudamos anteriormente, pudemos ver que existem vários órgãos e entidades de diversos países preocupados em encontrar uma forma de resolver essas diferenças nas demonstrações contábeis e conseguir uma forma de harmonizar esses debates. Porém esse é um caminho muito difícil, pois não é somente o sistema contábil que se discute nesse momento, mas, também, o sistema político, de poder e soberania dos países.

Caro (a) acadêmico (a), nesse momento, antes de continuarmos, é preciso que possamos entender as diferenças entre harmonização e padronização, já que são termos bem distintos em sua prática, porém facilmente confundidos teoricamente.

A padronização é o conceito de que todos devam usar o mesmo procedimento contábil, não sendo possível nenhum tipo de mudança. Portanto, a padronização, conforme entende Niyama (2005 apud MATOS et al., 2013, p. 70), trata-se de um “processo de uniformização de critérios, não admitindo flexibilização”. A padronização seria muito difícil de ser adotada por muitos países, pois sabemos que o mercado de capitais é fortemente influenciado pelos aspectos políticos, culturais e regionais de cada país.

Quanto à harmonização, Weffor (2005 apud MATOS et al., 2013, p. 70) classifica como “a busca da acomodação das diferenças locais, reconhecendo que a abordagem one size fits all pode não ser a mais adequada. A convergência

Referências

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