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Caçada e Tirania

No documento A VOLTA DO CANIBAL CEARÁ (páginas 40-54)

Depois de viajar duas horas e meia, onde estive pensando em tudo o que passei desde que o calhorda tinha voltado a Pelotas e não compreendendo direito esta súbita liberdade que me concedeu, cheguei a Porto Alegre com o objetivo de me preparar para a batalha que se seguiria.

Essa cidade é tão grande e bastante convidativa com suas praças e bairros. Porém, basta não ter um mínimo senso de direção para se perder facilmente neste labirinto de concreto. É um lugar ao mesmo tempo oportuno para pessoas que procuram emprego e ao mesmo tempo violenta em alguns lugares, chegando á beira do caos e do medo.

Seria um excelente lugar para caçar e prender vagabundos, mas não poderia perder tempo com isso. Teria pouco tempo para me restabelecer e precisava encontrar José Davi de qualquer jeito.

Só ele poderia me ajudar a combater aquele crápula. Para piorar as coisas, o infeliz contratou mercenários de diversas partes do mundo para me caçar até os confins do planeta. Isso é o que acontece quando se torna uma megasena ambulante.

O que me preocupa mais ainda é que além dos mercenários, há também os marginais locais que matariam a própria mãe por uns trocados ou até mesmo por um baseado e as pessoas mais ambiciosas e inescrupulosas que poderiam me perseguir e até mesmo me caçar assim que souberem que o “Homem de 6 Bilhões de Dólares” chegou a Porto Alegre.

Não demoraria muito para isso acontecer com certeza.

“Mande mais assassinos pra me matar, filho da puta. Quando voltar a Pelotas, irei acabar contigo e não vou precisar de uma segunda pessoa pra fazer isso”, pensei eu.

Só havia um único lugar onde poderia encontrar meu grande amigo.

Era no Lilliput.

***

Os dias passam tão rápido que nem percebemos. Não é fácil assumir a responsabilidade de proteger as pessoas que mais amo, mas não queria decepcionar Mário. Acredito que minha oportunidade de mostrar que sou tão forte e determinado quanto meu irmão havia chegado.

Ainda tinha que planejar todas as estratégias de defesa contra o ataque daquele cara e de seus mercenários. Pelo menos poderei utilizar tudo o que aprendi na História sobre guerras e táticas.

Minha mãe também guardou todo o suprimento necessário de comida para um eventual cerco e o Marcelo trouxe umas armas que tinha em casa. Confesso que arrepiei-me todo quando arrepiei-me entregou um AK-47. É uma das armas mais mortíferas do mundo que agora estava em minhas mãos.

A preocupação era evidente, contudo. Aquele cara poderia quebrar muito bem a promessa que fez ao Mário e nos atacar usando seus mercenários ou qualquer outra pessoa mais gananciosa.

Enquanto isso, aquele miserável do Ceará continuava matando e canibalizando as escondidas usando sua falsa imagem de homem benevolente com o povo enganando toda uma cidade no processo. “Que plano macabro” – pensei eu.

Minha mãe sabia que eu estava preocupado demais e quis falar comigo até para descontrair-me um pouco.

- Filho, fique tranquilo. Nós vamos sair dessa, eu tenho certeza.

- Sabe de uma coisa, mãe. Tu sempre me incentivaste a ser historiador, embora o Mário desejasse que fosse um policial como ele para honrar nosso pai. Por ironia do destino não pude negar o sangue da família, não é mesmo?

- Não se torture por isso, filho. Você e o Mário são um grande orgulho pra mim.

Cada um fez seu caminho e sempre lutam pela justiça. Seu pai estaria orgulhoso de vocês, sem dúvida nenhuma.

- Acho que sim. Mas me fala mãe, o que viu no Jean Pierre de tão especial?

Ficou corada com a pergunta, mas respondeu mesmo assim.

- Ele lembra muito seu pai. A sua força, coragem e a vontade de fazer justiça me cativaram. E é claro, o gosto pela cozinha.

A conversa me animou um pouco. Porém, a luta iria brevemente começar.

E nós tínhamos que estar preparados.

Espero que o Mário esteja se saindo bem em Porto Alegre.

* * *

Depois de muito andar e ser visto como um prêmio ambulante por algumas pessoas, finalmente consegui chegar ao Lilliput para procurar meu amigo José Davi e o encontrei servindo cerveja para dois clientes assíduos do local. Ele me explicou depois que os dois eram muito conhecidos na cidade sendo que um deles era o famoso Professor Juninho que sempre tinha um conselho amoroso para dar as mulheres carentes. O outro não consegui identificar, mas tinha toda pinta de jornalista muito aclamado por seus leitores.

Antes de continuar, falarei um pouco sobre meu grande amigo. Ele é um cara alto e forte como um touro, daqueles de amedrontar qualquer bandido metido a besta e cultivava uma barba estilo James Harden, que joga basquete na Liga Norte-Americana.

Era apelidado de “Barba do Diabo” pelos criminosos porque quando patrulhávamos a noite, ele se aproximava do marginal com aquela longa barba e o assustava, fazendo parecer que era um demônio. Os bandidos tremiam com nossa presença. Bons tempos eram aqueles. Para nós, missão dada era missão cumprida.

Dei um forte abraço nele e sentamos para conversar.

- É bom te ver de novo, cara, Já fazia muito tempo. Largasse da carreira policial?

- Mais ou menos. Saí de lá porque denunciei as bandalheiras todas. Imagine você que alguns policiais são coniventes com algumas rebeliões ou até mesmo permitem as fugas deles do presídio. Chegam até a receber dinheiro para que as drogas circulem livremente e matam os rivais deles á pedido desses bandidos. Desencantei-me com tudo e hoje estou feliz com meu trabalho aqui no Lilliput. Ainda combato o crime nas horas de folga, mas não é mais como antes. E tu, meu amigo, o que fazes em Porto Alegre?

- Fugindo e sendo caçado. Fui expulso de Pelotas e agora estou com a cabeça a prêmio. 6 bilhões de dólares para ser mais exato.

- Caramba! O que tu fizeste pra ser caçado? Por acaso envenenou a Cristina Kirchner ou assassinou o papa?

- Nem uma coisa nem outra. Foi ele, o calhorda do Ceará. Depois que saiu da cadeia, viajou pelo mundo e se tornou um empresário rico e poderoso. Não sei como enriqueceu, mas suspeito de que engambelou os velhos magnatas, casou com suas filhas e depois as matou ficando com todo o dinheiro.

- Então ele voltou mesmo. Mário, tu te lembras daquele caso da estudante catarinense que foi encontrada desmembrada embaixo de um trailer perto da Faculdade de Direito lá em Pelotas?

- Lembro sim. O assassino foi um ex-namorado dela.

- Na época, tivemos certeza absoluta de que foi esse desgraçado que a matou, devorou algumas partes dela e depois jogou os restos dentro de um saco de lixo deixando-o embaixdeixando-o ddeixando-o trailer. Mas ninguém acreditdeixando-ou na gente e prenderam um cdeixando-omerciante só por causa do sangue encontrado. Menos mal que o cara foi liberado depois. E enquanto isso o desgraçado continuou matando impunemente por mais três anos até nós conseguirmos capturá-lo lá em 1993.

- Agora voltou a Pelotas pra se vingar de mim e da minha família. Por um triz que não morri nas mãos dele e agora tenho que me defender de qualquer coisa que vier dele.

- E o Márcio, como ele está? A última vez que o vi era ainda criança.

- Está muito bem. Formou-se em História e se tornou um bom pesquisador e escritor.

- Gostaria de vê-lo novamente, Mário.

- Então tu vais ter essa oportunidade se lutar ao meu lado como nos velhos tempos.

Preciso muito de sua ajuda para derrotar aquele canalha.

- Só preciso terminar meu expediente. Logo me juntarei a ti para relembrar aqueles tempos. Confesso que sinto saudades das nossas perseguições e rondas.

- E quanto ao seu emprego no Lilliput?

- O chefe irá entender. Afinal, salvei este estabelecimento de várias tentativas de assalto e como gratidão ele me empregou aqui.

- Esse é o Davi que conheço. Nunca foge da luta.

- Uma última recomendação. Cuidado com as praças e parques. Os drogados e os marginais as ocupam a noite e são muito perigosos. Encontre-me na Avenida Farrapos. E lá onde eu moro.

Depois de ouvir o sábio aviso de meu amigo, saí satisfeito.

A Dupla Matadora logo seria reunida.

* * *

Parecia que nosso tempo tinha se esgotado depressa demais e para meu espanto, descobri que o Ceará quebrou a promessa e ordenou um ataque contra nós usando seus mercenários.

Pra piorar a situação, havia alguns policiais civis e militares ao norte e ao sul uma leva de bandidos e alguns gananciosos solitários. Todos armados até os dentes e querendo nossas cabeças. E no meio de tudo isso, estava Sandro, o traidor que comandava o ataque.

- Rendam-se todos agora. Não queremos maltratá-los. Desistam agora, estamos em maior número e vocês são apenas quatro.

Precisava pensar rápido em que atitude tomar e de comum acordo decidimos resistir até o fim não importando o que acontecesse. A estratégia foi armada e os planos estavam tudo correndo em ordem.

Bastava apenas que o Sandro cometesse a besteira de nos atacar frontalmente ao invés de tentar nos encurralar.

Marcelo ainda fez um pedido antes de tudo começar.

- Só quero o Sandro pra mim. Esse traidor quero matar pessoalmente. Pela minha mulher e meu filho que nem nasceu.

- À vontade. Agora vamos usar nossas táticas e vencer essa luta. Pelo bem da minha mãe e de meus amigos que aqui estão.

Carreguei minhas armas, preparei as armadilhas e rezei a meu pai, que nem o conheci direito, para me dar forças pra vencer.

Nós precisávamos resistir até o limite de nossas forças e lutar com tenacidade e garra. Era nossa única opção.

A onça foi beber água antes do previsto.

* * *

- Leopoldo, hoje será minha noite de glória. Em breve tomarei a prefeitura desta cidade e todos os meus inimigos estarão mortos. A que horas mesmo o prefeito chega para jantar em minha casa?

- As oito, senhor. E o vice-prefeito também virá com alguns vereadores.

- Ótimo. Meu plano terá sucesso dessa vez. Logo Pelotas será minha e o Nêmesis será executado ao voltar pra casa. Agora saia, Leopoldo. Preciso me preparar para o jantar.

Ceará então fechou a porta, tirou suas roupas e masturbou-se diante de seus

“troféus”, gargalhando bem alto a cada orgasmo.

Era um plano maquiavélico e cruel. Matar o prefeito e assumir o poder como um tirano.

Só de pensar nisso, ele se sentia mais satisfeito.

O poder estava próximo de suas mãos.

* * *

Um parque sempre é um local excelente pra caminhar, especialmente á noite para mim. Estava atravessando o Marinha do Brasil para encontrar meu amigo na Avenida Farrapos e ouvi gritos de socorro por entre as arvores. Resolvi verificar o que estava acontecendo e vi dois homens, um corpulento e o outro mais baixo, tentando violentar uma jovem. Aquilo me revoltou até a espinha.

O corpulento já tinha arrancado o vestido da moça e depois tirou suas próprias roupas para servir-se dela enquanto o outro a amarrava em uma árvore. Não deveria ter me metido naquilo. O mais baixo olhou-me com cobiça e tentou me atacar com uma faca Ginsu. O bandido era rápido com suas estocadas, porém era furioso demais e atacava sem direção alguma. Não foi difícil desarmá-lo e matá-lo com um golpe bem no meio do estômago fazendo-o grunhir como um porco antes de cair.

O outro estava ainda estuprando a mulher e nem viu quando apontei a arma na cabeça dele e o ameacei.

- E aí, já acabou com ele? A grana é nossa?

- Já, mulherzinha. Agora tu és o próximo!!! Desamarra a moça agora!!!

- Seu filho da puta, não se atreva a...

Nem teve tempo para falar. Mal contive meu espanto ao perceber que a arma tinha disparado uma lâmina que furou a testa dele e em seguida disparou um tiro que fez explodir sua cabeça igual a de um filme trash.

Ainda espantado com a arma, desamarrei-a da árvore. Ela estava em estado de choque e a segurei em meus braços, logo após vesti-la. Tentei levá-la para um hospital mais próximo, porém foi atingida por um tiro na cabeça e morreu. Para minha surpresa, estava cercado de inimigos fortemente armados.

Era os assassinos daquele calhorda.

Tinha quebrado nosso acordo de maneira covarde.

* * *

O ataque a nossa casa era forte demais, mas estávamos resistindo bravamente. No calor da luta, é que aparece quem somos realmente. Nunca vi tanto sangue e morte como naquele dia.

Marcelo seguia atacando e matando dezenas deles. Mercenários, populares gananciosos e bandidos. Todos caindo feito moscas.

No meio do combate, três marginais me cercaram e tentaram derrubar-me a socos.

Nem sei como consegui me escapar daquilo. Era soco e chute pra todo lado. As balas continuavam a passar por minha cabeça e corri de volta pra casa feito um louco sem ser atingido, o que foi um milagre. Alguns bandidos correram atrás de mim e tentaram me capturar. Foi o suficiente para acionar a armadilha de lanças e empalá-los como picanha em um churrasco.

Dava gosto de ver o Jean Pierre lutando. Não errava um tiro e ainda atraía mais gente pra armadilha. Clausewitz certamente aplaudiria minha tática.

O lado sul estava cedendo e nós estávamos ganhando terreno. Mesmo assim algo estava me preocupando. Os policiais estavam quase conseguindo romper nossas defesas e estávamos praticamente sem munição. Se isto acontecesse, tudo estaria perdido e seríamos massacrados sem piedade.

Precisávamos de um milagre para sobreviver.

Nem consegui pensar num plano. Um dos policiais tinha conseguido entrar e me agarrou pelo pescoço. Tentei dar socos e pontapés nele, porém era como se estivesse batendo em uma bigorna. Acertou-me uma cabeçada que deixou-me tonto e estive próximo de cair nas lanças, porém o grandalhão me largou no chão e começou a dançar pela casa antes de cair feito um bêbado direto na minha armadilha.

Fora atingido por um tiro na cabeça pela minha mãe.

“Valeu, mãe. Te devo uma” – pensei eu.

A situação ainda estava desesperadora, mesmo assim seguíamos lutando e combatendo até o limite das nossas forças enquanto as balas zuniam sobre nossas cabeças e esperando que alguma ideia nos salvasse da morte certa.

Felizmente, ela veio graças ao Marcelo.

- Márcio, eu não sou um expert em História, mas li em um livro que se o chefe fosse morto o combate acabaria, correto?

- Bem, isto era assim nos tempos antigos, mas o que tu planejas fazer?

- Você me prometeu que o Sandro seria meu, certo? Simplesmente vou forçar o covarde a me desafiar em um duelo. Se eu vencer, o combate termina e o pessoal sobrevivente passa pro nosso lado.

- Não vai dar muito certo, Marcelo. Mesmo que tu o mate, teríamos que convencê-los que foram enganados pelo Ceará.

- É aí que você entra. Com sua brilhante oratória, vai ser fácil conseguir isso. A parte mais difícil é a minha. Torça por mim.

- Tome cuidado. Aquele cara não é flor que se cheire. Com certeza, vai montar uma armadilha covarde contra ti. Só pra garantir, vou junto contigo nessa.

Era uma ideia muito arriscada e temerária. Mas se tudo corresse bem, nós sobreviveríamos e a vitória seria nossa.

Tudo dependia do Marcelo agora.

* * *

O jantar estava correndo normalmente na mansão de Luiz Otávio e todos estavam presentes, incluindo o prefeito e o vice de Pelotas. Mal sabiam eles que teriam um cruel destino nas mãos do calhorda.

- O que acha de ajudá-los com meus recursos para que a cidade prospere, vossa Excelência?

- Bom, poderá sugerir isso para o próximo prefeito. Estou o ajudando na transição colocando a par de nossas realizações e metas para o próximo mandato e dentro de poucos dias, passarei o cargo a ele.

- Prefeito eleito? Oh sim, que desinformado eu sou. Fiquei tanto tempo no exterior que nem sabia que este ano era de eleições. E como foi?

- Foi acirrada, mas nosso candidato venceu. Prova que nosso governo foi aprovado pelo povo.

- Que ótimo. Agora vamos dar um passeio pela casa? É a primeira vez que os recebo em minha humilde residência e é obrigação do anfitrião fazer isso.

- Ótima ideia. Será bom conhecermos sua mansão. Por onde começaremos?

- Que tal pelo porão? Vocês ficariam surpresos com o que tenho lá dentro.

Subitamente, o vice passou mal e vomitou no chão mesmo. O calhorda nem disfarçou sua preocupação.

- Alguma coisa errada?

- Desculpe-me, mas é esse cheiro de podre que me fez passar mal.

- Deve ser o problema de lixo acumulado.

- É triste ver isso, mas toda vez que nós mandamos limpar o lixo, as pessoas colocam novamente no mesmo lugar. Nosso povo precisa de educação. Será uma prioridade para o próximo prefeito.

- Resolveremos isso em breve. Vamos lá conhecer o subsolo. Leopoldo está levando os vereadores para conhecer outros cantos da mansão e se juntarão a nós muito em breve.

Todos desceram até o subsolo. O cheiro estava ficando cada vez mais forte e insuportável, mas mesmo assim se maravilharam com o local secreto do Ceará.

Foi á última coisa que o prefeito e o vice testemunharam antes de ambos levarem uma pancada na cabeça.

* * *

Uma coisa que minha mãe me ensinou era nunca desistir de lutar mesmo que a causa esteja quase perdida. Sempre há possibilidade de vitória em um descuido do adversário.

Não tinha mais nada a perder e estava furioso pelo fato de matarem uma jovem inocente. Aquele canalha iria pagar por tudo.

A arma estranha que o Márcio criou era uma beleza. Era ao mesmo tempo cortante e de fogo e podia matar até dois de uma vez.

Já havia liquidado onze deles e mais vieram depois. Meu braço estava um pouco dormente, mas a raiva era mais forte que tudo e eu continuava degolando, cortando, atirando e matando.

Parecia um Deus da Guerra em combate e me sentia orgulhoso disso. Porém, mesmo este pretenso Deus tinha limites e agora estava cercado por assassinos, ladrões e drogados. Todos querendo 6 bilhões de dólares.

Depois de chutar um ladrão e trespassar a cabeça de um traficante com a arma esquisita, comecei a correr pelo parque até não poder mais passando pelo mini-zoológico e playgrounds. Cheguei á pista de skate e tentei parar para um fôlego extra, porém os assassinos e vagabundos mais uma vez me cercaram e tive que seguir lutando igual ao que o Jaspion fazia contra os soldados do MacGaren.

Um deles me acertou no peito e estive mesmo próximo de morrer. Pensei que iria já me encontrar com meu pai no outro mundo quando de repente, alguns tinham se assustado com um vulto e fugiram de medo. Outros três estavam mortos com tiros na cabeça.

Era minha salvação.

A Dupla Matadora havia sido reunida novamente.

* * *

- Tu não queres um bilhão de dólares, Sandro? Se quiser ganhar esse dinheiro, terá que lutar contra mim. Eu te desafio para um duelo, seu traidor de merda. Vai lutar ou chamará seus machos pra lutarem por você?

- Eu aceito seu desafio, Marcelo. Vou te contar um segredinho. Estuprei tua mulher com gosto e cada vez que ela gritava, ficava mais extasiado. Sabe de uma coisa, abrir as pernas de uma mulher grávida é como invadir uma propriedade alheia. É muito prazeroso com certeza. O tiro que dei nela foi apenas o grand finale da história.

Aquilo foi demais pro Marcelo. Aquele demente tinha estuprado e assassinado a mulher dele. Agora entendo o porquê de querer acabar com o Sandro pessoalmente.

Resolvi não intervir e voltei pra casa para ver como a mãe e o Jean Pierre estavam. No meio do caminho, senti que uma arma havia apontado sobre minha cabeça e estaquei. Era Cristiane, a namorada de Sandro. Estava confusa e desesperada pela revelação de Sandro e seria mais fácil de persuadi-la a ficar do nosso lado.

- Ouviste o que ele falou? Esse cara te traiu com uma mulher grávida e a matou.

Vou te dar duas escolhas: ou morres hoje com ele ou ficas do meu lado. Desculpe minha franqueza, mas não queria que uma bela flor se murchasse ao lado de um espinho sem coração. Tu não mereces isso.

Largou a arma e começou a chorar. Abracei-a e a levei pra casa para cuidá-la junto com a mãe e o Jean Pierre. Pra minha surpresa, todos tinham fugido e desistido de nos matar. Fiquei feliz por saber que estavam bem e preocupado com o semblante apreensivo dos dois.

Era mesmo pra estar preocupado.

O Jean-Pierre ficou sabendo que o prefeito, o vice-prefeito e alguns vereadores de

O Jean-Pierre ficou sabendo que o prefeito, o vice-prefeito e alguns vereadores de

No documento A VOLTA DO CANIBAL CEARÁ (páginas 40-54)

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