• Nenhum resultado encontrado

Queda e Vitória

No documento A VOLTA DO CANIBAL CEARÁ (páginas 54-78)

Isso estava indo longe demais. O crápula estava tentando se tornar o imperador de Pelotas. Não havia entendido o porquê dessa atitude dele se o alvo era eu. A cidade não tem culpa nenhuma se o maldito deseja vingança pelo que fiz com ele há quase vinte anos.

Como fui estúpido, meu deus!! Não quer somente acabar comigo, quer também acabar com o espírito da cidade para poder matar e canibalizar a vontade. E transformando os guardas municipais e todas as policias em esquadrões da morte poderia muito bem impor o terror e o medo á população ameaçando-os com o canibalismo bem como mandar executar minha família e meus amigos por suposta traição aos “interesses do povo”.

“Então era esse seu plano o tempo todo, filho da puta. Enganar uma cidade inteira.

Espere só até eu aparecer com o verdadeiro prefeito e a vice. Espere e verá” – pensei eu.

Estávamos quase chegando à cidade. Parecia bem calma para um local prestes a viver momentos turbulentos. Precisávamos chegar logo e acabar com essa loucura de uma vez por todas, antes que seja tarde demais. Minha única esperança de vitória estava nas mãos de duas pessoas eleitas democraticamente pelo povo.

Precisava protegê-los de qualquer maneira, custe o que custar.

* * *

- O local está pronto para a cerimônia, Leopoldo?

- Já, senhor. os operários fizeram um palanque em frente ao Chafariz das Nereidas, como pediu.

- Ótimo. Em breve está cidade voltará aos seus tempos de glória pelas minhas mãos.

A esta altura, todos da família do Nêmesis já devem estar mortos pelos meus mercenários e por este amado povo. E ele próprio sentirá minha fúria total em breve, isso se não estiver morto também.

A conversa foi interrompida por um de seus capangas que chegou esbaforido e receoso pelas más notícias que carregava.

- Senhor Luiz Otávio, é sobre o Sandro que quero falar.

- Porque aquele imbecil não voltou com você? Já deveria ter retornado e dado notícias da minha vitória há muito tempo.

- Senhor, lamento dizer isto, mas o ataque fracassou e o Sandro está morto. E para piorar a situação, o Mário Vianna voltou à cidade junto com aquele cara conhecido como

“Barba do Diabo”.

- Isso eu já esperava, seu idiota. Porque está tão apavorado?

- Porque o futuro prefeito e a vice estão com ele.

- O quê! Idiotas! Inúteis! Não conseguem nem matar um simples político inexperiente e uma mulher! Estou cercado de imbecis e incompetentes! Sabe o que acontece com quem falha comigo, seu merda? Merece mesmo morrer pelo seu fracasso!!

- Não! Por favor!

E levou uma pancada na cabeça tão forte que o matou. Ceará estava furioso pelo fracasso na tentativa de assassinar a família de Mário Vianna além do próprio bem como o prefeito eleito e a vice e pediu a Leopoldo que levasse o cadáver do capanga até o porão para usar sua carne no jantar.

Logo se recompôs de seu ataque de fúria e voltou a ser aquele psicopata calculista e sangue-frio de sempre.

- Ainda não terminou, Nêmesis. Embora tenhas conseguido escapar de meus mercenários e de sua família ter rechaçado o ataque deles, o destino de vocês está selado.

Logo serei Ceará I e minha primeira ordem será mandar executar a ti e a sua família e depois vou acabar com esta cidade até os alicerces e com esse povinho miserável como fiz com o prefeito e sua corja.

Deu uma gargalhada maquiavélica sem saber que um vulto misterioso havia gravado toda a conversa do lado de fora da mansão.

* * *

Novamente em casa. Mal pude conter minha emoção quando entrei e vi minha mãe, o Márcio e o Jean-Pierre. Dei um abraço apertado neles e fiquei surpreso ao ver Cristiane abraçada ao Márcio. Descobri então que tinha pedido a mão dela em namoro.

Não pude disfarçar meu sorriso maroto. O guri se tornou um homem de verdade.

- Olha só isso, José Davi. O menino finalmente virou homem. Até namorada arranjou. Que inveja temos dele, né?

- É. A gente ta ficando velho, Mário. A última vez que o vi era somente uma criança.

Márcio sorriu com esta afirmação do José Davi.

- Márcio, desculpe a pergunta, mas tu mataste o Sandro por acaso para conseguir a mão dela em namoro? – perguntei eu.

- Não, mano. Apenas a protegi dos mercenários e ela quis ficar comigo. Mudando de assunto agora, tu disseste que tinha trazido mais duas pessoas contigo. Quais são? – perguntou Márcio.

Levantei-me solenemente e pedi para que o prefeito eleito e a vice viessem à sala.

Logicamente estavam um pouco nervosos, afinal, não é todo dia que duas pessoas importantes visitam sua casa.

Minha mãe gostou muito do prefeito eleito, embora o Jean Pierre ficasse um pouco enciumado com ele. Mesmo assim, não deixou de nos maravilhar com sua comida que só ele sabe fazer e em honra de nossos ilustres convidados, caprichou com tudo o que tinha direito.

Notei que Marcelo ainda não tinha regressado e fiquei preocupado com a falta de notícias dele. Pensei até que estava morto.

Quando ia perguntar pro Márcio sobre o paradeiro dele, ouvi batidas na porta.

Achei que o canalha tinha vindo pessoalmente para nos matar e me preparei para o pior já com a arma em punho. Meu medo era totalmente infundado. Era Marcelo.

Estava todo sorridente e arrebentado igual ao John McClane, do Duro de Matar.

Havia recebido cortes e hematomas por todo o corpo e suas roupas haviam sido rasgadas pelos golpes de Sandro. Não sei como conseguiu chegar até aqui todo quebrado desse jeito mas nem me importei com este detalhe.

O importante é que estava vivo e bem. Só o achei meio estranho quando falou comigo:

- Cara. Que bom que tu estás vivo. Eu estou numa boa, numa nice. Ele é que tá ferrado e acabado.

- Ele quem, Marcelo?

E exausto do combate e da caminhada, desmaiou antes de dizer quem era o cara que estava acabado.

* * *

Fiquei preocupado pelo o que aconteceu com o Marcelo e ao mesmo tempo feliz com a volta do Mário pra casa. E ainda trouxe com ele o futuro prefeito e a vice sãs e salvos. As coisas começaram a melhorar para nós.

Cris e eu estamos nos entendendo muito bem e descobrimos que temos o mesmo gosto pela leitura e estudos. Quando acabar essa loucura toda, sonho em me casar e montar uma família com ela. Uma flor de formosura que tirei das garras daquele traste que deve estar agora pagando seus pecados no inferno.

Depois do susto com o Marcelo, Mario e eu o colocamos na cama para descansar e resolvemos jantar mesmo assim em honra de nossos dois ilustres visitantes.

Já o José Davi quase não me reconheceu depois de tanto tempo. Pouco me lembro dele a não ser pelas histórias que meu irmão contava quando era criança. Agora entendo porque Mário o admira tanto. Um cara muito legal e bom de papo, além do tamanho que assusta todo mundo. Digo que se não fosse policial, seria um bom jogador de basquete que teria sucesso estrondoso na NBA com certeza.

Apesar do jantar estar bem delicioso, nossos semblantes estavam um pouco tensos talvez esperando que o Ceará mandasse alguns mercenários ou bandidos para nos matarem.

Felizmente, a noite foi bem calma. Pode ser pelo fato das preparações do bandido para a coroação. Nós tínhamos que preparar um plano para acabar com ele e garantir a posse do futuro prefeito.

- Parece loucura, como permitiram um golpe contra a democracia nesta cidade? – perguntou o futuro prefeito.

- Não foi culpa do povo nem do atual prefeito, Vossa Excelência, aquele crápula o enganou prometendo dar dinheiro para que a cidade crescesse, só que na verdade quis tomar o poder apenas para se vingar de mim – respondeu Mário.

- Isso pra mim é uma tentativa de golpe, mano. E o que me preocupa é o canalha poder usar os recursos da cidade para seu proveito próprio. – disse eu.

- Ou para enganar o povo com suas falsas benevolências enquanto mata pessoas às escondidas. Mas, Mário, não notaste algo estranho quando salvamos o prefeito e a vice daqueles pretensos ladrões? Pareciam que estavam atrás deles e não de nós.

- Sim, Davi. Poderiam ter me matado se quisessem para garantir os 6 bilhões de dólares. Aqueles não eram ladrões comuns. Eram mercenários contratados por aquele infeliz pra tentar matar os dois.

- Mas porque o idiota faria isso se tu é o alvo dele, Mário?

Resolvi intervir na conversa e tentar entender o raciocínio do Ceará.

- Uma coisa que vocês precisam entender é como a mente de um assassino age.

Se conseguir o poder total nas mãos, não teríamos chance nem de enfrentá-lo tampouco

de vencê-lo por ser ele a parte mais forte. Na verdade, usou sua vingança contra ti, mano, para ocultar seu verdadeiro plano que consiste na tomada do poder. Um psicopata quando quer alguma coisa vai até o fim sem pensar nas consequências de seus atos e remove todos os obstáculos do caminho usando qualquer recurso. E vocês estão justamente no caminho desse maníaco.

- Espere um pouco, rapaz, está querendo dizer que esse cara mandou nos assassinar a sangue-frio em Porto Alegre para tomar o poder? – perguntou a vice.

- Exatamente, Vossa Iminência, e se não fosse pelo José Davi e pelo meu irmão, vocês estariam mortos a esta altura cuja carne virando alimento para ele e seus restos imersos em ácido assim como sua cabeça arrebentada com uma pancada – respondi eu.

Lamentei muito pelo fato de tê-la amedrontado. Mas a verdade é cruel e eu precisava falar isso.

Perguntei a Jean Pierre se tinha ainda o dossiê para mostrar aos dois e ele mesmo os entregou ao futuro prefeito que ficou estarrecido com o que viu. Ainda assim, estava um pouco descrente pela falta de provas concretas contra o Ceará até Marcelo aparecer na sala. Claramente desobedeceu as ordens da minha mãe de ficar na cama, mas queria participar da conversa de qualquer custo.

- Gente, estou dizendo que o canalha está liquidado e brevemente o amigo aqui irá assumir seu lugar.

- Como assim, Marcelo, nós não temos provas contra ele – disse eu.

- Aí é que tu te enganas, Márcio. Ouça isso.

Tirou o celular do bolso e o ligou. Ouvimos nitidamente a voz do bandido e suas verdadeiras intenções com a cidade. Tínhamos um trunfo na mão e isso nos encheu de esperança.

- Como conseguiu chegar até a mansão com estes ferimentos e também como adquiriu esse celular?

- Fácil. Primeiro surrupiei o celular do corpo do Sandro e depois caminhei bem devagar fazendo alguns curativos no corpo. Aí só fiquei quietinho no lado de fora da mansão e gravei tudo.

- E ninguém te viu assim?

- Ninguém me reconheceria com esses ferimentos e além disso os guardas estavam bêbados de tanto comemorar nossa suposta morte. Agora é só esperar o momento certo para liquidá-lo. Pena que não estarei lá pro linchamento dele.

- Marcelo, seu plano de escuta foi brilhante. Já fez seu papel e agora é nossa vez de agir.

- Certo. Com certeza deves ter um plano em mente, correto? – disse Mário.

- Isso mesmo. Amanhã será a coroação dele na Praça Coronel Pedro Osório e preciso que todos permaneçam escondidos nas árvores até meu sinal inclusive o senhor, Vossa Excelência. Mário, te dou as honras para ser nosso representante na festa.

- Com todo prazer, maninho. Eu só quero ver a cara daquele pústula quando nos encontrarmos frente a frente e desta vez não terá um Sandro para ajudá-lo.

- Só preciso fazer uma coisa. Tenho que testar a Gunblade para ver se a arma funciona.

Ele deu uma gargalhada.

- Não precisa disso. A arma foi testada, massacrada e aprovada. Porque acha que eu estou vivo?

- Mário. Você não existe mesmo!!! Agora tu tens condições de enfrentar aquele cara de igual pra igual.

Mas as surpresas não pararam por aí. Fiquei sabendo que o Marcelo deixou na porta da mansão a cabeça do Sandro embrulhada como um aviso do nosso retorno.

Nisso um mensageiro mandado pelo Ceará apareceu e entregou uma carta-convite para minha mãe.

Era para nós prestigiarmos o evento.

Nunca teríamos uma chance melhor do que essa para executar o plano.

* * *

O dia enfim tinha chegado. Seguindo o plano do Márcio, resolvi prestigiar a coroação do crápula. Assustei-me com o que vi no palanque. O desgraçado reproduziu a cena da Catedral de Notre-Dame em plena praça Coronel Pedro Osório e todos estavam presentes, desde os ricos até os mais humildes para a cerimônia. Havia bandas de música, diversos caminhões de TVs e rádios bem como vários jornalistas do mundo inteiro que vieram cobrir o evento.

Sorri com toda a extensão da boca. Era a oportunidade de desmascará-lo para o mundo inteiro e cumprir minha própria vingança. Só bastaria esperar o momento certo para não cometer o mesmo erro que fiz na mansão dele ao atacá-lo de frente.

Fiquei discretamente na última fila de cadeiras e presenciei sua entrada triunfante ao palanque junto com o fiel Leopoldo. Vestia um terno preto e cheio de medalhas no paletó. Envergando também uma capa de peles branca e um cetro na mão esquerda.

Parecia confiante e auto-suficiente.

“Sua sorte está prestes a mudar, filho da mãe.” – pensei eu.

O discurso que deu no palanque fez o de Hitler na Convenção Nazista em Nuremberg parecer um mero monólogo de consultório psiquiátrico. Se o cara tem cabeça fraca, certamente acreditará em tudo o que falou e abraçará a causa dele.

- Meu povo desta cidade, hoje é o dia de nosso despertar de épocas de atraso e tristeza. Pelotas voltará a ser pujante com as nossas mãos. Todos precisam esquecer suas divergências e pensarem no futuro para nosso império. Um futuro de paz, justiça e prosperidade. Todos terão um salário justo e uma vida saudável. Os anos de marasmo, de indiferença e de retrocesso chegarão ao fim. Eu, Ceará I, serei um imperador digno do povo que o escolheu sendo generoso com eles e implacável com os opositores dessa cidade. Quem estiver do meu lado terá felicidade eterna. Hoje daremos um grande passo para o império que é agora e para sempre nosso. Nós tornamos um só com esta cidade.

Viva Pelotas!! Viva Nossa Poderosa Princesa do Sul!!!

Aplausos e gritos se sucederam. O nome do infeliz era aclamado por todos os convidados. Apesar de odiá-lo, tenho que reconhecer que sua bela oratória é capaz de hipnotizar qualquer platéia.

Chegou o momento da coroação. Meu coração estava batendo a mil e a adrenalina estava a altas doses. Era a oportunidade que esperei após muitos anos.

Vi o escroto se apossar da coroa e preparar-se para colocá-la na própria cabeça exatamente como Napoleão fez no século 18. Seguia com seu discurso para o povo, me dando tempo suficiente para fazer minha deixa.

- Nada pode nos deter agora, meu povo. Seremos a cidade mais poderosa deste planeta!!!

- Espere um momento, canalha!!!!

Todos pararam de gritar e somente alguns cochichos ocorriam entre a multidão.

Quem seria louco o bastante para enfrentar o poderoso Ceará I - todo mundo dizia.

Não queria ser o astro da TV naquele momento, mas era o único jeito de acabar com toda aquela palhaçada.

- Ora, Nemêsis!! Chegou tarde demais. Mas parabenizo por sua ousadia em vir aqui prestigiar minha vitória. O jogo terminou pra você pela segunda vez. Está derrotado e irá ajoelhar-se diante de mim como um servo fiel do imperador Ceará I.

- Eu lhe obedecerei, escroto, se por acaso você tentar me transformar em carne moída como tu fizeste com tantas pessoas inocentes desta cidade.

Deixei-o nervoso e estupefato. Márcio estava aliviado ao saber que continuei seguindo o plano e teve que abafar sua boca para não rir.

- Olhe bem isso, meu povo!!! Eis aqui o símbolo dos anos de atraso desta cidade e truculência policial. Quantas viúvas tu fez? Quantos órfãos tu fizestes com sua justiça ultrapassada usando força bruta? Quantas mães fez chorar com seu método truculento de assassinato? Você é tão sujo e cruel que nem os defensores dos Direitos Humanos te toleram mais.

- Eu poderia fazer as mesmas perguntas, seu filho da puta. Terei tempo pra isso quando te prender de novo. Mas primeiro tenho um comunicado a fazer ao povo de Pelotas. Antes disso, aproveito para apresentar meus amigos Jean Pierre, que conhece todas as canalhices e safadezas deste pústula tendo a irmã dele sido uma das vítimas em Mônaco e José Davi, meu parceiro de luta contra o crime e que juntos o prendemos em 1993 aqui nesta mesma cidade. Eles estão distribuindo a cada um de vocês um dossiê com todos os crimes que Vossa Majestade cometeu em sua vida. E agora peço atenção de todos pelo que vou falar.

Senti um pouco de tensão ao pedir isso. Sabe aquele frio na barriga? Foi exatamente o que senti ao me deparar com microfones e câmeras do mundo inteiro. Não poderia voltar atrás e dar vitória ao patife. Teria que ir até o fim.

- Há quase 20 anos eu o prendi por assassinar e canibalizar pessoas inocentes e devido a esta justiça branda desse país ele foi libertado. E voltou aqui fingindo ser um empresário rico, poderoso e benevolente enquanto seguia matando e canibalizando impunemente. Tentou assassinar várias vezes a mim e minha família e não tenho dúvidas que foi o responsável pelo desaparecimento e provável assassinato do prefeito, do vice e alguns vereadores bem como o mandante da tentativa de matar o prefeito eleito e da futura vice. E de crimes tão horrendos que precisaria ficar aqui uma tarde inteira para contar a vocês inclusive como os enganaram com esta história de imperador e de monarquia.

- Mentira dele, meu povo!!! Não tem nenhuma prova para essa calúnia que ele está dizendo a vocês. Em quem confiarão? No poderoso imperador Ceará I ou num

policial fracassado de araque? Vamos, Nemêsis, mostre sua tal prova a fim de que o povo te desmoralize para sempre.

- Com muito prazer, miserável. Ouça isso.

Tirei o celular do bolso e o liguei em alto e bom som para que todos ouvissem.

Alguns acreditaram que a gravação era forjada, mas a grande maioria dos convidados reagiu indignada com tudo isso. Gritos de assassino e mentiroso foram bradados pela multidão além dos impropérios de sempre e os mais exaltados atiraram pedras e cadeiras nele. Senti-me satisfeito ao desmoralizá-lo diante do mundo inteiro e faltava apenas uma coisa a fazer.

- E o prefeito, como ele está? – disse uma das senhoras da alta sociedade.

- Está muito bem, minha senhora. E estará agora ao lado de vocês. Não tenho mais nada a dizer.

Então Márcio introduziu o prefeito eleito a multidão que o acolheu entusiasticamente. Tínhamos conseguido enfim trazer o futuro prefeito para os braços do povo que o elegeu e agora só faltava uma tarefa.

A de eliminar o canalha de uma vez por todas.

* * *

Mas aquele bandido do Ceará ainda tinha um trunfo na manga. Ele simplesmente capturou minha mãe e Cris e as colocaram dependuradas no alto da Biblioteca Pública Pelotense. Tinha o controle nas mãos e poderia jogá-las contra o chão se desejasse. Não tínhamos escolha a não ser nos rendermos.

Mário me disse tempos atrás que um policial nunca deveria se render mesmo com a derrota próxima. O medo me paralisou ao ver minha mãe e Cris dependuradas lá no alto. O mano tentou ainda reagir, mas o Ceará tinha um revólver no bolso do paletó e apontou para ele.

- Pensei que tu não gostavas de revólver, canalha. Mudou de idéia? – disse o Mário.

- Eu menti, Nêmesis. Nossa luta ainda não terminou – disse o bandido

Depois, se virou e atirou no peito de Jean Pierre. O desespero tomou conta da gente. Gritos e correria na multidão devido ao disparo. Vi finalmente aquele sorriso psicótico dele e entendi o porquê de ser o grande adversário de meu irmão.

- Porque fez isso com o Jean Pierre e com elas, seu demente? Deixa-as fora disso.

- Isso é o que faço com traidores. E elas serão minha barganha pra um acordo. Me entregue o prefeito e a vice agora. Caso contrário, as duas virarão panquecas lá embaixo.

Como as prendi? Simples. Mandei o John e o Terry atacarem sua casa durante esse lamentável circo que vocês armaram e eles espancaram seu amigo quase até a morte. Daí foi fácil capturá-las. Embora meu plano de dominar Pelotas tenha sido um fracasso, ainda estou com a vantagem. Sabe de uma coisa, acho que estou com fome. Vou jogar elas lá

Como as prendi? Simples. Mandei o John e o Terry atacarem sua casa durante esse lamentável circo que vocês armaram e eles espancaram seu amigo quase até a morte. Daí foi fácil capturá-las. Embora meu plano de dominar Pelotas tenha sido um fracasso, ainda estou com a vantagem. Sabe de uma coisa, acho que estou com fome. Vou jogar elas lá

No documento A VOLTA DO CANIBAL CEARÁ (páginas 54-78)

Documentos relacionados