Estou agora preso, humilhado e sem nenhuma esperança de escapatória graças à burrice e a presunção deste ex-policial aqui que ainda acreditava na justiça.
Como fui cair numa armadilha tão óbvia. O calhorda facilitou a entrada de todos na casa me fazendo acreditar que o pegaria no melhor estilo Tom e Jerry. O que aconteceu, no entanto, foi que acabei fazendo o papel do Jerry na história.
Não conseguia acreditar que Marcelo tinha me traído. Logo ele que considerava tão irmão quanto o Márcio. Tudo o que queria saber agora era o porquê dessa traição.
O desgraçado estava feliz e radiante como uma criança que acabava de ganhar o brinquedo mais sofisticado do mundo. Sabia que minhas chances de derrubá-lo e sair correndo eram mínimas com todas aquelas armas apontadas para mim. Uma só bala poderia fazer a diferença.
Não tinha escolha senão se render e ser humilhado.
- Me mata logo, filho da puta!!! Faça isso enquanto tu tens chance.
- Tua carne não serve nem pra alimentar os cachorros, Nêmesis. Seu orgulho imbecil trouxe você direto para as minhas mãos.
- O que tu fizeste pros policiais estarem do teu lado? Deu a bunda pra eles?
- Não a bunda, meu caro Nêmesis, mas algo muito mais importante. Dinheiro. Em outras palavras, salários dignos para policiais dignos.
- Dignidade!! Tu os corrompeste. Isso é corrupção, seu miserável.
- Corrupção? Ora, deixe de tolice!!! Tu achas que os policiais com baixos salários e com pouca motivação pra trabalhar te ajudariam a prender a mim? Um empresário poderoso e rico? Os tempos são outros, Nêmesis. Bastou apenas uma ligação para alguns vereadores sensibilizarem ao prefeito a dar aumento a esses fiéis servidores da justiça. E o mesmo fiz com os deputados estaduais que sensibilizaram o governador na área estadual. Fiz minha parte também doando boa quantia do meu inesgotável dinheiro a estes valentes patrulheiros da segurança. Simples assim.
Agora entendi tudo. O Márcio estava certo mais uma vez. O miserável apenas usou o poder que o dinheiro tem para comprar os policiais e os juízes para se livrar das acusações de assassinato. Realmente tinha uma esperteza fora do comum, tenho que admitir.
- Aprendi com os meus erros, Nêmesis. Descobri que o dinheiro é a melhor arma contra oponentes que lutam por ideais. O dinheiro é tudo. Pode inclusive ajudar as pessoas a melhorar de vida e a ganhar poder!!! Isso é o certo!!!
- Então tu nunca quiseste ajudar a cidade de Pelotas a crescer. Na verdade, quer mesmo é se vingar de mim pelo que fiz há muitos anos atrás.
- Está enganado, Nêmesis. Também ajudarei minha cidade querida com meu inesgotável dinheiro. A vingança é um prato que deve ser servido bem gelado como cerveja e refinado como vinho. Não vou matá-lo de uma só vez, não. Farei isso aos poucos para que tu sofras como eu sofri nesses anos todos. Lamento informar, mas a era dos policiais brucutus acabou há muito tempo e você será em breve uma relíquia de um passado distante.
- Ora, seu...
Quando quis me mover para tentar acertá-lo, Sandro me acertou uma coronhada forte nas costas e caí de todo comprimento no chão. E como todo bom covarde que se preze, ainda me chutou duas vezes no peito e me agarrou pelo cabelo apontando a arma pra minha cabeça.
- Cala a boca, vagabundo!!! Logo tu vais pro Presídio Regional pra ser a mulher de todo mundo na cadeia. Vai ser uma beleza.
- Tu ta morrendo de inveja, sua bicha louca? São merdas como você que denigrem a polícia e envergonham uma nação inteira.
Levei então um chute dolorido no saco e outra coronhada nas costas. O Sandro já se preparava pra me levar para o carro da polícia quando o calhorda interveio.
- Ele fica aqui, senhor policial. Será meu brinquedinho favorito. Obrigado por impedir que esse marginal roubasse minha casa.
- Nós cumprimos nosso dever de proteger os cidadãos de bem. Agora vamos patrulhar a cidade, pessoal.
- Quero que você e seu amigo fiquem. Serão minhas testemunhas do que farei com o Nêmesis.
Sandro dispensou seus colegas e permaneceu quieto em seu lugar. Já Marcelo estava envergonhado e cabisbaixo por sua traição. Estava chorando muito.
- Sabe, Nêmesis. O problema é que ainda existem pessoas idealistas como seu amigo chorão ali. Tive que convocá-lo por livre e espontânea pressão.
- Seu Canalha!!! Porco Imundo!!! Crápula!!! Tu quisesses jogar o Marcelo contra mim tentando corrompê-lo!!! Mas tu nunca vais conseguir isso!!!!
Pelo menos, a única coisa que me confortava é que Marcelo foi forçado a me trair devido a ameaças contra sua esposa. Eu sempre soube que nunca me trairia a não ser que fosse pressionado por aquele maldito.
Mas o pior ainda estava por vir. Leopoldo entregou uma bandeja para seu patrão onde nela havia maionese e um olho humano no prato. O patife então pegou um pouco da maionese e passou no olho antes de comê-lo. Aquilo era muito nojento. Sandro sorria e Marcelo vomitou de forma violenta.
- Que manjar delicioso. Não acha, Nêmesis?
Nem quis responder a essa horrível pergunta. Sandro estava ainda com a arma na mão e logo começou a me provocar.
- Elliot Ness de araque. Tu não passas de uma eterna piada. Agradeça a bondade do Luiz Otávio por não virar mulherzinha no Presídio ou na pior das hipóteses, um presunto.
- Melhor virar um presunto honesto do que um capacho sem honra. Não sinto mais raiva de ti, Sandro e sim com pena do teu mau-caratismo.
Aquilo o enfureceu tanto que me acertou mais uma coronhada nas costas. Desatei-me a rir e a seguir provocando-o apesar das fortes dores que sentia.
- Vou te matar, seu desgraçado!!! Juro que vou te matar!!!
- Só se for de prazer, meu bem!!
Outra pancada levei. Não sei nem de onde tirava forças para ainda provocá-lo, talvez pelo fato de que não tinha mais nada a perder. Continuei então a enfurecê-lo mesmo correndo risco de levar uma surra.
- Oh, Luiz Otávio, meu amor!!! Meu magnânimo chefinho!!! Chupe meu pau com gosto, por favor!!!
- Vai te fuder, sua merdinha insolente. Fique sabendo que sou macho e deixo minha namorada feliz na cama!!!
- Com uma arma dessas, Sandro, até o Clodovil vira macho. Tu és tão fraco que nem pra puto você presta. E te digo mais, cuidado com a cabeça senão tu acabas furando o teto com seus belos chifres.
Levei mais alguns chutes e coronhadas antes do desgraçado detê-lo com a mão. O estrupício me queria vivo de qualquer maneira.
Mal sabia eu que as surpresas apenas começavam. Estava tão grogue pelas pancadas que nem vi o crápula tirar a roupa e pegar alguma coisa dentro de um enorme armário. Só que essa “coisa” era o cadáver da socialite. Tinha ficado com ele para fazer
sexo á hora que quisesse. O posicionou de costas e a penetrou com ferocidade na minha frente, excitando-se com minha presença. Aquilo ultrapassava todos os conceitos de nojento.
Vestiu-se com um roupão branco trazido por Leopoldo e me viu de cima a baixo como se fosse uma mercadoria na prateleira de um supermercado. Agora entendi tudo. O objetivo dele era tentar me enlouquecer.
As coisas estavam ficando muito piores a cada dia. Pense você em todas as torturas possíveis e inimagináveis tanto físicas quanto mentais a uma pessoa. Passei por tudo isso e mais um pouco.
Obrigou-me a olhá-lo se masturbando na frente de seus troféus e rindo na minha cara todo o tempo. O pior foi quando sofri a humilhação de chupar aquele membro pegajoso numa dessas noites. Foi horrível demais pra mim e o canalha achou que eu não estava me divertindo. Vomitei tudo aquilo na minha cela.
Pelo menos, fiquei sabendo um pouco da história sórdida dele.
- Já que ficará muito tempo sendo humilhado por mim, Nêmesis, vou te dar uma aula de história. Deves com certeza saber do meu honrado avô que era um dos melhores cangaceiros de seu tempo e era tão bom no que fazia que até Lampião o reconhecia como um grande guerreiro. Até seu avô aparecer e o prender em uma emboscada armada pela Coluna Prestes para supostamente libertar o povo da tirania do governo. Não bastasse isso, acabou sendo executado barbaramente junto com minha avó na frente da minha mãe e de minhas tias e tios por supostos crimes contra os moradores das vilas próximas. Ela teve que se exilar para o sul do país e embarcou clandestinamente em um navio com destino a Pelotas, que era naqueles tempos uma cidade de destaque. Chegando lá, um comerciante teve piedade dela e a abrigou em sua casa. Com o tempo, se apaixonaram e alguns anos depois, se casaram na Igreja Cabeluda e logo nasci. Foi então que a vida de minha mãe se tornou um inferno. Meu pai chegava em casa embriagado e a agredia tanto fisicamente quanto moralmente xingando-a de tudo quanto é nome. E me forçava a assistir a tudo aquilo. Meu gosto pela morte começou quando tinha uns seis anos de idade e brincava com os ossinhos dos animais que morriam. Achava aquilo tudo bonito e quando fiz dez anos, matei minha primeira pessoa, que era um daqueles valentões de escola e transei com o cadáver dele. Mas meu pai não gostava dos barulhos que eu fazia e me expulsou de casa, matando minha mãe de desgosto nesse processo. Era cardíaca a coitada. Minha vingança não tardou a acontecer. Quando fiz dezesseis anos, o embosquei e o matei com sete tiros na cabeça. Depois o estripei e o devorei com gosto e vontade.
Comecei então a gostar daquilo tudo e segui matando todas as pessoas que cruzavam meu caminho. Alguns eu matei e comi com prazer e outros porque me faz lembrar meu pai que tanto detesto e desprezo. Estava indo muito bem até você aparecer e me trancafiar no presídio. Cada dia e cada noite eu pensava numa maneira de te humilhar, sabia disso, Nêmesis? Mas agora tu estás em minhas mãos. Durma bem com os anjinhos. Amanhã almoçarei com o prefeito e vou discutir com ele os novos caminhos do desenvolvimento de Pelotas. Quem sabe se tu te comportar bem, trarei algum restinho do almoço. Se estiver com fome, coma um pouco de carne humana. Faz bem pra saúde.
E saiu dando risada. Quanto a mim, estava perdido, humilhado e sem nenhuma possibilidade de sair daquele maldito porão.
Senti-me como um leão dentro do zoológico apenas esperando migalhas de comida de algum visitante bondoso. Precisava fazer alguma coisa. Mas como faria isso, eu não sabia.
* * *
Estava preocupado com Mário. Já fazia dias que tinha ido atrás daquele bandido e desde então não me deu notícias. Até pensei que tinha morrido. Não havia me preparado, no entanto, do baque que iria receber.
Marcelo bateu na minha porta e contou-me tudo o que aconteceu, até mesmo da pérfida traição dele e dos outros policiais. A raiva que tinha era tão grande que o agredi a socos e pontapés. Não podia perdoá-lo pela torpe atitude que fez com Mário, que o confiava como se fosse um irmão. Agora entendo porque Dante colocava a traição como o pecado mais terrível que existe na Terra.
Notei, entretanto, que Marcelo não reagia aos golpes. Entendi que se não reagiu, não poderia ter traído Mário. Muitas perguntas estavam ainda sem respostas e somente ele poderia elucidar tudo.
Parei de bater nele e o convidei a entrar para explicar melhor o que houve. Depois de ter falado tudo, compreendi que o plano do Mário estava errado desde o início e que Marcelo foi forçado pelos próprios policiais a entregá-lo para o Ceará.
- Agora entendi tudo. Se não fizesse o que aquele canalha pediu, certamente ele mataria sua esposa. Peço desculpas por ter te agredido dessa forma e isso me alivia o fato de tu não teres traído meu irmão.
- Está tudo bem. Tu nunca gostasses muito de mim porque sempre lutava ao lado do teu irmão, mas vejo agora o porquê dele gostar tanto de ti. Aquele palhaço do Sandro me enganou. Falou que iria ajudar a mim e ao Mário a pegar aquele assassino, mas não me disse que tinha já recebido o dinheiro do suborno que o Ceará tinha dado. E o safado falou ainda que todos receberiam um gordo aumento de salário se entregassem o Mário nas mãos dele.
- O poder do dinheiro. Devo discordar de ti nesse aspecto, Marcelo, ele não corrompeu os policiais. Aproveitou-se de uma situação real, que é a dos baixos salários e os converteu a sua causa prometendo dar um salário digno a eles. E foi exatamente o que aconteceu. Abriu mão de um pouco de sua fortuna e cedeu esse dinheiro tornando-se um herói pros policiais. Um plano perfeito, admito.
- E em troca, o silencio e o arquivamento dos assassinatos. Que rato miserável!!!
- E ele veio na verdade pra se vingar do Mário, mas também da minha família devido ao assassinato do avô dele feito pelo nosso lá no sertão do Ceará.
- Por deus!!! Parece aquelas vendettas familiares. Mas não temos muito tempo.
Precisamos libertar logo o Mário antes que o Ceará o mate!!!
- Ele não fará isso, Marcelo. Com certeza o desgraçado vai torturá-lo de todas as maneiras possíveis até o enlouquecer. Quer destruir o espírito dele e não somente o corpo.
Esse é o plano!!!
- Sei onde ele se encontra, Márcio. Está trancafiado no porão da mansão do Laranjal e existe uma entrada onde nós podemos passar facilmente. Então libertaremos o Mário e capturaremos aquele filho da mãe do Ceará finalmente.
- É. Quer ser preso como o Mário? Com certeza o Ceará vai contratar guardas fortemente armados pra proteger a mansão e cães farejadores para nos localizar. E além do mais, a polícia está quase toda do lado dele.
- Me desculpe. Estou muito nervoso.
- Tudo bem. Tenho um plano já em mente.
Marcelo estava certo, tínhamos mesmo que agir. Mas sem um plano de ação, de nada adiantaria nossa valentia. Espero que não seja tarde demais.
* * *
- Onde está me levando, desgraçado?
- A um lugar memorável, Nêmesis. Lembra daquela casa do Fragata? O local onde me capturou e trancafiou? Agora a readquiri e mandei construir uma masmorra especialmente pra ti. Desculpe pelo exagero do John e do Terry, mas se tu não fosses tão rebelde isso não aconteceria.
Depois de 20 anos, voltei para aquela casa. Mudou muito desde então. O calhorda a ampliou com muitas salas, mas o porão continuava o mesmo daqueles tempos. Feio, sujo e pútrido.
A masmorra não era exatamente um luxo. Pelo menos, tinha uma cama mais decente para poder deitar meu corpo todo arrebentado.
John e Terry. Belos nomes desses caras. Ambos eram antigos lutadores de MMA que foram expulsos da liga por serem truculentos ao extremo e o canalha os contratou lá no Texas para serem seus guarda-costas pessoais. Eles sabiam bater como ninguém.
O Ceará me atirou na masmorra e saiu para matar mais vítimas. Algum tempo depois, tinha voltado com uma mulher que estava inconsciente. Era alta e loura e tinha sinais nítidos de gravidez. Entrei em desespero quando vi que era Mariana, a esposa de Marcelo.
Isso era apenas um tétrico prelúdio do que ia acontecer. Vi tudo de perto e com um horror indescritível. O miserável do Ceará fez o mesmo procedimento das outras vítimas com a única diferença de abrir a barriga para tirar o feto de dentro e cortá-lo em pedacinhos. Leopoldo fotografou tudo como sempre e o ajudou a coletar a carne para seu almoço. Não poderia fazer nada para salvá-la, nem se tivesse um fuzil AR-15 pra dar um tiro na cabeça do maldito. Pobre Marcelo. Ficará arrasado quando souber disso.
- Essa é a minha resposta pra traidores como seu amigo. Mas não se preocupe com isso, logo terás a companhia de sua mãe e de seu querido irmãozinho. Mandarei Jean-Pierre capturá-los e os matarei bem na sua frente assim como o teu avô fez com o meu há muitos anos atrás. Será meu convidado de honra para o jantar que farei com as carnes deles.
- Minha família, não!!! Seu maldito!!!
Tentei atacá-lo desesperadamente. Mas os guarda-costas eram mais eficientes do que imaginei. John aparou meu soco e o contra-atacou com outro na cabeça seguido de uma joelhada no estômago e Terry me agarrou pelo pescoço e jogou-me no chão feito um saco de tomates. Ainda me deu cinco socos na cara. Foi á última coisa que vi antes de ficar inconsciente.
Porém, não queria que eu desmaiasse e me reanimou com dois baldes de água gelada. Deu mais uma de suas risadas maquiavélicas e falou:
- É tão chato ter que te deixar sozinho, Nêmesis, mas amanhã tenho um pronunciamento pra dizer ao meu povo querido que a cidade onde nasci irá prosperar com minha fortuna inesgotável e todos serão felizes. Pena que tu não estarás aqui para ver esse belo paraíso pelotense!! Curta minhas obras de arte!!!
Ele, Leopoldo e seus dois guarda-costas saíram me deixando preso e encarcerado nessa masmorra mal-cheirosa e horrível. Gritei desesperadamente, mas ninguém iria ouvir. Estava sem saída e sem esperanças de uma reviravolta nessa guerra.
* * *
O plano não tinha como dar errado. Além de estudar minuciosamente cada canto da casa aproveitando a visita que eu, minha mãe e o Mário fizemos a ele, o Marcelo ainda me deu informações importantes de como entrar sem ser percebido pelo forte esquema de segurança que, com certeza, iríamos encontrar ali.
Diferentemente de meu irmão, prefiro agir com cautela e seguir um plano estratégico bem definido, pois acredito que isso leva a vitória. Tudo bem que em algumas vezes isso não funciona, todavia, pelo que li sobre as guerras ao redor do mundo esses planos quase sempre dão certo.
Marcelo e eu fomos então para a mansão do Ceará no Laranjal e a adentramos seguindo o plano como combinado. Pra minha surpresa, não havia guardas armados e nem cães farejadores. Tampouco vimos Leopoldo dentro da mansão, o que seria uma vantagem pra gente.
O lugar era limpo e bem arrumado. Nunca deixei minhas emoções aflorarem, porém nunca me senti tão nervoso e embaraçado ao fazer isso. Minha mãe dizia sempre que invadir a casa dos outros é feio e condenável. Mas nesses momentos teria que abrir uma exceção pra isso. Afinal, a vida do Mário estava em jogo e precisávamos resgatá-lo das mãos indignas do Luiz Otavio. Os fins justificam os meios, esta é minha frase preferida.
Fomos investigar no porão da casa e eu quase vomitei com aquele cheiro de cadáver pútrido que emanava no local. Na parede havia várias espadas da era Azuchi-Momoyama e identifiquei uma delas como a Nodachi usada pelo samurai Ranmaru Mori, que era um dos guerreiros mais fiéis a Oda Nobunaga. Dizem que morreu junto com seu
senhor no incidente de Honnoji, onde o general Akechi Mitsuhide se rebelou contra ele e o fez cometer suicídio em 1582, acabando com isso, o sonho de Nobunaga de unificar o Japão.
“Uma espada tão bela usada para atos tão perversos” - pensei eu.
Saí de meus devaneios logo. Marcelo encontrou a masmorra em que meu irmão foi preso. Estava ensangüentada e havia restos de carne humana. Gelei-me ao pensar que Mário tivesse morrido, mas botei na cabeça de que aquele bandido não o mataria assim tão facilmente.
- Muito estranho. Tenho a sensação de que aquele calhorda está aqui nos observando e esperando nos emboscar. – disse Marcelo.
Averiguamos em todos os cantos do porão e vasculhamos inclusive o trono onde o Ceará estava sentado na hora em que Mário caiu nas mãos dele. Nada foi encontrado.
- Marcelo, este lugar está vazio. Eles não estão aqui.
- Mas eu estou.
Surgiram de repente dezenas de homens armados na nossa frente e um deles se destacou dos demais. Era Sandro, o desprezível.
Percebi também que tínhamos caído em uma emboscada muito bem preparada.
Era algo que não tinha previsto. Os guardas estavam do lado de dentro da casa esperando pela gente.
- Ora, ora. Traindo de novo? Já enganou o Mário e agora trouxe o irmão dele pras
- Ora, ora. Traindo de novo? Já enganou o Mário e agora trouxe o irmão dele pras