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3.3. Dimensionamento do tamanho dos pontos de pulmões e supermercados

3.3.2. Dimensionamento do tamanho dos pontos de supermercados

3.3.2.2. Calcular o TPT (“Toda Parte Toda ”) ou EPEI (“Every Part Every

Interval...” de cada loop

O TPT representa a freqüência com que o item pode ser produzido ou transportado/abastecido num determinado intervalo de tempo. Com isso, existem duas formas distintas de se obter o TPT, uma baseada em processos de abastecimento ou de transporte e a outra baseada em processos produtivos.

O TPT baseado em processos de abastecimento ou de transporte normalmente é utilizado nas situações (loops) em que o processo que fornecerá para supermercado é externo à planta da fábrica (fornecimento de matéria prima ou de produtos terceirizados), ou ainda nos casos de processos de transporte interno

(abastecimento de itens de almoxarifado ou de produtos em processo), via milk run, por exemplo.

O cálculo do TPT de transporte é relativamente simples. Ele pode ser definido com base nos seguintes fatores:

Janela de carregamento: representa a freqüência de coleta ou fornecimento do item. Se um fornecedor entregar um item semanalmente, então o TPT para esse supermercado será de 5 dias. O mesmo vale para recursos de transporte interno, como empilhadeiras. Capacidade de transporte: esse fator irá depender da capacidade do recurso de transporte. Uma carreta com capacidade de 25 toneladas resultaria num TPT de 5 dias para uma empresa cuja produção diária é de 5 toneladas.

Lote mínimo de fornecimento: representa as situações em que a maior restrição consiste num tamanho de lote mínimo imposto pelo fornecedor. Um fornecedor de peças tratadas termicamente pode amarrar o custo de seus serviços à capacidade de pelo menos um forno. Um forno com capacidade de 200 kg resultaria num TPT de 4 dias para uma empresa cuja produção diária dos itens que podem ser colocados numa mesma fornada é de 50 kg.

Já o TPT baseado em processos produtivos normalmente é utilizado nas situações (loops) em que o processo que fornecerá para supermercado é interno à planta da fábrica (estamparias, usinagens, etc.).

A figura 46 ilustra parte de um MFV com supermercados calculados com base nos dois tipos de TPT mencionados.

Figura 55: Corte de um MFV com supermercados calculados baseado nos dois tipos de TPT (transporte e produção)

No supermercado de itens comprados o TPT de transporte adotado é de 5 dias. Esta freqüência de entrega do fornecedor pode ter sido obtida a partir de uma janela de carregamento acordada previamente, da capacidade dos recursos de transporte (carreta, caminhão) ou ainda a partir de uma imposição de lote mínimo por parte do fornecedor externo. Logo em seguida, nota-se um sistema de dois kanbans (produção e transporte). Nele, no primeiro ponto de supermercado, calculou-se um TPT produtivo de 3 dias, com base na capacidade do processo produtivo de realizar

setup’s (Processo A). No segundo ponto novamente é utilizado um TPT de

transporte, definido a partir do intervalo de tempo que o milk run interno leva para passar novamente naquele ponto de abastecimento.

Para calcular o TPT de produção devem ser observadas duas coisas: primeiro se o processo possui capacidade suficiente para processar todas os itens que passam por ele. Segundo, caso haja capacidade, o quanto do tempo é gasto com

setup’s. Os principais passos para calcular o TPT de produção são:

1. Calcular o tempo disponível no processo gargalo

2. Calcular a demanda média de todos os itens que passam no processo gargalo

3. Levantar os tempos de ciclo e de setup de cada um dos itens que passam no processo gargalo

4. Calcular o tempo total de ciclo e o tempo total gasto com setup no recurso gargalo

5. Calcular o número de ciclos de setup possíveis dentro do tempo disponível para realizar setup’s

O cálculo parte de um intervalo de tempo estimado. Este intervalo de tempo pode ser chamado de TPT tentativa. Pode ser medido por turno, dia, semana, mês, etc. O mais importante é que o período escolhido seja grande o suficiente para englobar a produção do lote correspondente (diário, semanal, mensal, etc.) de todos os itens que passam no recurso gargalo. Baseado nisso, a equação para cálculo do tempo disponível é dada abaixo.

Quadro 20: Cálculo do tempo disponível

No caso de uma empresa que trabalhe 1 turno, 20 dias úteis por mês, que possua apenas uma máquina realizando a operação gargalo e que tenha uma eficiência de aproximadamente 90%, o tempo disponível seria de 8640 minutos.

Quadro 21: Cálculo ilustrativo do tempo disponível

O próximo passo é levantar a demanda mensal média de todos os itens que são produzidos no recurso gargalo. Para a demanda média, recomenda-se utilizar

um intervalo de tempo de três meses, embora possa ser utilizado um período mais longo ou mais curto, dependendo da sazonalidade e/ou de mudanças decorrentes das condições de mercado.

O ideal seria trabalhar sobre a previsão de uma carteira relativamente firme. Porém, caso a carteira de pedidos não esteja confiável pode-se trabalhar com o histórico da demanda. Neste caso, considerar:

i) histórico da demanda dos três últimos meses, ou

j) histórico da demanda dos três meses correspondentes ao mesmo período do ano anterior adotado para o cálculo do supermercado, ou

k) a média ponderada dos dois.

Baseado nisso, deve-se calcular a demanda mensal média para o período adotado.

Quadro 22: Calculo do TPT/EPEI – Cáculo da demanda mensal média

O próximo passo é levantar o tempo de ciclo e de setup de cada item no recurso gargalo.

Quadro 23: Calculo do TPT/EPEI – Tempos de Ciclo e Setup dos itens na operação gargalo

Em seguida, calcula-se o tempo de ciclo do lote mensal.

Quadro 24: Calculo do TPT/EPEI – Tempos de ciclo total para os lotes mensais de produção

Somam-se os tempos de ciclo do lote mensal e o de setup de todos os itens.

Quadro 25: Calculo do TPT/EPEI – Tempo total gasto com setup e produção

O tempo restante é o tempo disponível para a realização de setup.

Quadro 26: Calculo do TPT/EPEI – Cálculo do tempo disponível para setup

Em seguida, devem-se somar todos os tempos de setup de todos os itens. 2 3 * 2 4 5 63 7 ! 7 6 ! 7 ! $ ( " ' " " $ (& '&# $ $ #'$ $# ( ( '## $ &$" 4 ( % % " ' 8 $ ( " " - ( % ( $ $#" $ '$ 0 $ ( " $ " 9 " ( ' '"" $ '"" " ( $" $ # : $ " """ ( ' . ' $' ( $ " ' #

Quadro 27: Calculo do TPT/EPEI – Tempo total de setup para produzir todos os itens

Caso a soma dos tempos de setup no processo em questão seja maior que o tempo disponível para setup seria necessário a aplicação de técnicas como o SMED para reduzir setup’s. Uma outra solução, mais de curto prazo, seria aumentar o tempo disponível através da utilização de um intervalo de tempo maior, ou de maior quantidades de turnos ou maior quantidade de máquinas.

O próximo passo é calcular o número de ciclos de setup possíveis dentro do tempo disponível para realizar setup’s. Para isso, basta dividir o tempo total restante para realizar setup pelo tempo total de setup necessário para produzir todos os itens.

Quadro 28: Calculo do TPT/EPEI

No exemplo acima, são possíveis 4 ciclos de setup por mês. Isso significa que todos os itens poderiam ser produzidos 4 vezes por mês. Para converter o TPT em dias basta dividir a quantidade de dias úteis no mês por esse valor. Para uma empresa que trabalha em média 20 dias úteis por mês teríamos um TPT de aproximadamente 5 dias, ou seja, Toda Parte Todo - ou a cada - 5 dias.

Com base na seqüência de cálculos supracitada, foi possível deduzir a seguinte fórmula para cálculo do TPT:

Quadro 29: Fórmula de cálculo do TPT

Agora que se tem calculado a freqüência com que os itens podem ser feitos, é possível dimensionar o tamanho do supermercado.

No exemplo adotado, o tamanho do supermercado para cada um dos itens é calculado na figura abaixo:

Quadro 30: Dimensionamento do tamanho do supermercado para cada item

Outro ponto importante, diz respeito aos itens de baixo volume e baixo custo. A idéia é adotar TPT’s maiores para os itens que apresentam estas características de demanda, conforme será comentado no tópico a seguir.