estes parâmetros hidrográficos mostraram-se muito sensíveis ao aumento do aporte de água atmosférico e de água fluvial relatado no capítulo anterior. os valo-res de temperatura, salinidade e densidade, de uma forma geral, foram reduzidos ao longo dos três anos.
a Figura 5 mostra a variação da temperatura da água, salinidade e densidade em sete estações de monitoramento de temperatura e cinco estações de moni-toramento de salinidade e densidade entre maio de 2012 e dezembro de 2015.
observa-se a existência de ciclos anuais bem-marcados dos três parâmetros, com valores mais elevados no verão e mais baixos no outono-inverno, em todas as esta-ções de monitoramento. devido aos pequenos valores de salinidade e densidade da estação #3, a escala gráfica foi ampliada e a presença destes ciclos torna-se me-nos evidente nesses dois gráficos.
a temperatura na Bts aumenta para o interior e alcança valores máximos em abril e mínimos em agosto (Figura 5a). a temperatura máxima registrada foi de 31,1 oC na estação #3, e a mínima de 24,6 oC na estação #1. a amplitude térmica anual aumentou para dentro da Baía, sendo de 4,1 oC, 4,7 oC, e 5.4 oC para as esta-ções #1, #2 (superfície e fundo) #3 respectivamente.
observa-se grandes variações de temperatura ao longo da Baía no verão (Figura 5a). a temperatura média da estação #1 fundo, a mais fria, para os três verões monitorados foi 26,7 oC. Já a média na estação #3, a mais quente, com 28,9 oC, gerando uma diferença de 2,2 oC. as diferenças de temperatura entre su-perfície e fundo em um mesmo local é, em geral, menor que 1 oC durante o verão, mas pode chegar a valores maiores que 2 oC na estação #1. a temperatura tende a ser a mesma em toda a Baía entre o outono e o inverno.
as maiores diferenças de temperatura entre a entrada e o interior da Baía ocorrem em fevereiro devido ao lento aquecimento das águas na estação #1, quan-do comparaquan-do às demais estações. isto ocorre deviquan-do a um processo de ressur-gência costeira que se estabelece na plataforma entre outubro e março, mas com maior intensidade em dezembro (santos, 2014), e que afeta preferencialmente a entrada da Bts. os eventos de ressurgência estão bem-marcados na Figura 5a por abruptas quedas de temperatura na estação #1 nos meses de verão.
a temperatura da água tendeu a cair entre 2012 e 2015 junto à diminuição do gradiente térmico (Quadro 1). a razão para o resfriamento está relacionada à maior precipitação acumulada nos anos hidrológicos de 2014 (1968 mm) e 2015 (1581 mm) em relação a 2013 (1262 mm) (Figura 3a) e provavelmente também a uma diminuição de respectivamente 10% e 7% no total de horas de insolação. Um sensível aumento da temperatura foi observado, entretanto, na estação #1 fundo, onde a temperatura média foi maior em 0,7 oC em 2014 e 0.5 oC em 2015 do que
o ano de 2013. este aumento da temperatura se relaciona à menor frequência de eventos de ressurgência, o que é explicado pela diminuição da frequência e inten-sidade dos ventos de ne, principal motor da ressurgência de acordo com santos (2014), nos verões de 2014 e 2015 quando comparados a 2013.
Figura 5. Séries temporais de parâmetros hidrográficos nota: registros de temperatura, salinidade e densidade da água nos locais de fundeio de sensores mostrados na Figura 2. as linhas cinza claro no fundo mostram a variação dos registros horários, enquanto as linhas coloridas representam as séries filtradas para remoção do sinal de maré, variações dos parâmetros sem a influência dos ciclos de maré diurnos e semidiunos.
Fonte: dados da pesquisa.
a salinidade alcançou valores máximos entre dezembro e março e mínimos em agosto (Figura 5b). os valores máximos e mínimos de salinidade registrados em todo o período foram de respectivamente 38,7 psu e 35 psu na estação #1, 39,3 psu e 32,3 psu na estação #2 e 38,1 psu e 16,3 psu na estação #3. a amplitude anual média de salinidade foi de 2,9 psu, 3,7psu, e 10,5 psu para as estações #1, #2 e #3 respectivamente. a salinidade tende a diminuir no outono/inverno devido à precipitação na zona costeira, e no verão devido à descarga do rio Paraguaçu, com efeito mais evidente na estação #3. É notável o efeito do aumento da descarga na segunda metade de dezembro de 2015, com pico de 644 m3/s (Figura 4b), causan-do uma redução imediata causan-dos valores de salinidade nesta estação. as descargas de cheia do rio Paraguaçu causam uma diminuição da salinidade na Baía, que alcança valores máximos no início do verão. no entanto, a ausência destas descargas em anos secos permite que um progressivo aumento da salinidade ocorra até o início do outono, como foi o caso do ano hidrológico de 2013. nesta ocasião, o balanço hí-drico extraordinariamente negativo na Bts gerou uma situação de hipersalinidade
c b a
no centro da Baía, quando foi registrado o maior valor de salinidade (39,3 psu) de todo o monitoramento na estação #2 superfície em abril de 2013 (Figura 5b).
assim como a salinidade, a densidade da água apresentou pouca diferença ao longo das estações no ano hidrológico de 2013 (Figura 5c), passando a mostrar maiores gradientes longitudinais com o retorno das chuvas em maio de 2013 e posteriormente com o aumento das descargas de Pedra do Cavalo em dezembro de 2013.
Quadro 1. Médias e desvios padrões anuais de temperatura e salinidade para os anos hidrológicos de 2012 a 2015 nas quatro estações de monitoramento
#1 (fundo) #2 (superfície) #2 (fundo) #3 (superfície)
Ano Temp.
a variação dos valores de temperatura e salinidade é fortemente modulada por fatores astronômicos como a maré (com correntes de enchente e vazante) e a sazonalidade climática. a extração das principais componentes harmônicas das os-cilações nas estações #1 fundo e #3 superfície, mostra que forçantes astronômicas tem maior controle sobre a salinidade do que sobre a temperatura. Fatores astro-nômicos explicam 53% da variabilidade da salinidade observada na estação #1 e 74% da variabilidade da salinidade observada na estação #3. Já no que se refere à temperatura, as forçantes astronômicas explicam apenas 24% e 13% da variabilida-de observada nas mesmas estações. a Figura 6 mostra as variações variabilida-de temperatura e salinidade para o ano hidrológico de 2014 com base nas forçantes astronômicas.
observa-se que a temperatura alcança valores mínimos no final do inverno e má-ximos no final do verão. em ambas as estações o resfriamento no inverno é mais rápido do que o aquecimento na primavera e verão, especialmente em salvador, onde a progressão do aquecimento é lenta entre outubro e dezembro, fato asso-ciado ao fenômeno de ressurgência costeira. a amplitude de salinidade anual no interior da Baía (30 psu a 35 psu) é superior à do Canal de salvador (36,1 psu a 37,8 psu), e apresenta duas oscilações de menor período associadas ao desencontro do período úmido no litoral (precipitação direta na Bts e descarga das bacias costeiras maior no outono) e no interior (descarga do rio Paraguaçu mais elevada no verão), que causa dois mínimos de salinidade em são roque ao longo do ano.