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Pescadores e marisqueiras: características e vulnerabilidades

No documento Baía de Todos os Santos (páginas 88-97)

Para melhor compreendermos as dimensões das vulnerabilidades na Bts apre-sentamos um perfil dos pescadores e marisqueiras, uma categoria de trabalhadores

altamente sensível às transformações nos ambientes marinhos e estuarinos das cidades e periferias urbanas dos municípios que compõem essa região. os dados quantitativos, elaborados a partir das carteiras ativas dos pescadores, foram obtidos na superintendência Federal da Pesca e aquicultura na Bahia, em 2013. os pesca-dores que apresentavam carteira ativa nesse ano de referência totalizaram 37.679, distribuídos por município: vera Cruz, 5.996; salvador, 5.925; salinas, 58,62; santo amaro, 4.046; saubara, 3.759; Maragogipe, 3.617; itaparica, 2.156; são Francisco do Conde, 1.660; Jaguaripe, 1.650; Cachoeira, 1.242; Madre de deus, 1.029; Candeias, 594; simões Filho, 94; e são Felix, 49.

destacam-se nessa distribuição três municípios: vera Cruz (5.996), com mais pescadores que salvador (5.925) e salinas da Margarida (5.862). Podemos obser-var um grupo intermediário de municípios, compreendendo santo amaro (4.046), saubara (3.759) e Maragogipe (3.617), itaparica (2.156), são Francisco do Conde (1.660), Jaguaripe (1.650), Cachoeira (1.242) e Madre de deus (1.029). Por fim, os mu-nicípios com menos pescadores são Candeias (594), simões Filho (94) e são Felix (49).

Foto 1. Pescadores em Santiago do Iguape, Cachoeira

Fonte: acervo observaBaía (2015).

enquanto categoria profissional, os pescadores e marisqueiras da Bts estão organizados em colônias de pescadores (20), associações de pescadores (65) e sin-dicatos (3). além das organizações profissionais, também encontramos as coope-rativas de pesca (12). o Gráfico 15 apresenta a distribuição das organizações por município.

em quase todos os municípios encontramos colônias de pescadores, com ex-ceção de simões Filho e são Felix, municípios que apresentam os menores regis-tros de pescadores, conforme indicado no Gráfico 16. vale também registrar dois municípios com mais de uma Colônia: salvador (6) e vera Cruz (3). Com relação às associações de pescadores, o destaque fica para salvador (com 15) e Maragogipe (com 11), seguido de vera Cruz (com 8), salinas da Margarida (com 7), são Francisco do Conde (com 6), santo amaro (com 4) e itaparica (com 3). Cachoeira, saubara e simões Filho apresentam, cada um, 2 associações; Candeias e Jaguaripe, uma associação por município. salvador e vera Cruz são os municípios com sindicato:

2 e 1, respectivamente. Quanto às cooperativas, encontramos 2 em cada um dos seguintes municípios: Maragogipe, salvador, santo amaro e são Francisco do Conde; já em Candeias, Madre de deus, salinas da Margarida e vera Cruz, temos 1 cooperativa por município.

Como se pode depreender das indicações acima, as associações se destacam quantitativamente em relação às colônias (simões Filho não apresenta Colônia, mas existem 2 associações). no entanto, embora em maior quantidade numéri-ca, ainda são as colônias que recebem o maior contingente de pescadores filiados (24.972, que corresponde a 66%), ficando as associações com um número bem me-nor de filiados (9.56, 26%). Por fim, também não é desprezível o número de pesca-dores não filiados a nenhuma das duas organizações: 3.146 (8%).

Para melhor visualização da distribuição etária dos pescadores organizamos quatro classes de idade: menor de 28 anos (5.858), entre 28 a 36 anos (8.423), de 37 a 45 anos (6.928) e maior de 45 anos (6.491).19 os valores entre parênteses indicam que uma grande segmentação de idade, com ligeira ênfase nos jovens adultos,

19 esses dados excluem os municípios de salinas da Margarida e santo amaro, que não apresentam essas informações nas fichas dos pescadores ativos. Por essa razão, o Gráfico 17 “Pescadores com carteira ativa por município e grupos de idade” não inclui esses municípios.

Gráfico 15. Organizações de pescadores por município da BTS Fonte: Projeto Geografar e observaBaía (2013).

mas sem desconsiderar a importância numérica dos pescadores mais velhos.

o Gráfico 16, apresenta a distribuição das classes de idade por município.

no Gráfico 16, a distribuição dos percentuais das classes de idade por municí-pio, possibilita observar algumas diferenças: Maragogipe e Jaguaripe apresentam os maiores percentuais de pescadores jovens (um pouco superior a 30%); em con-trapartida, em simões Filho temos o menor percentual de jovens pescadores (abai-xo do 10%); nos demais municípios (com exceção de salinas da Margarida e santo amaro, sem dados) os percentuais variam entre 10% e 30%. na outra ponta da distribuição etária, Madre de deus e salvador apresentam percentuais superiores a 30% de pescadores com mais de 45 anos; em todos os demais municípios esses percentuais variam entre 20% e 30%.

Gráfico 16. Pescadores com carteira ativa por município e grupos de idade

Fonte: elaborado pelo observaBaía a partir de dados disponibilizados pela superintendência Federal da Pesca e aquicultura na Bahia (2013).

apesar da distribuição entre as classes de idade ser acentuada em todos os municípios, o mesmo não se pode dizer em relação ao tempo de registro da car-teira profissional, que implica na oficialização da atividade, muito provavelmente estimulada pelas recentes conquistas de direitos (como o defeso) durante o gover-no lula. observando-se os dados analisados, constatamos que 95% da categoria obteve a carteira profissional nos anos da década de 2000, seguido de 3% e 1%

para as décadas de 1990 e 1980, respectivamente. Já a década de 1970 apresenta apenas 140 registros.

a distribuição por sexo dos 37.679 pescadores é de 63,25 de mulheres e 36,85 de homens, ou seja, dentre os que apresentam carteira ativa, temos um univer-so majoritariamente feminino. a distribuição por sexo varia conforme em que foi realizado o primeiro registro da carteira, confirmando a tendência de crescimento acentuado das mulheres nesse segmento profissional. na década de 1970 cerca de 10% eram mulheres, na década de 1980 este percentual chega a quase 20%, na década de 1990 temos mais de 40% de mulheres pescadoras.

além de apresentar uma configuração majoritariamente feminina, essa cate-goria profissional apresenta indicadores de escolaridade significativamente baixos.

a confluência de ambos os fatores sinaliza o alto grau de vulnerabilidade da cate-goria. os percentuais de escolaridade são: 24.403 pescadores se declararam analfa-betos (68% do total); concluíram o ensino básico 3.473 (10% do total); apenas 163 conseguiram concluir o fundamental; 148 registram o ensino médio incompleto; e, apenas 1 pescador indicou ter concluído o ensino médio. na distribuição da escola-ridade por tipo de organização (Quadro 1) não se observa alterações significativas entre os segmentos.

Quadro 1. Pescadores com carteira ativa por escolaridade e tipo de organização

Escolaridade Sem Entidade Associação Colônia

Analfabeto 2020 6134 16249

Básico incompleto 167 628 1482

Básico completo 250 936 2287

Fundamental incompleto 552 1438 3660

Fundamental completo 21 45 97

Médio incompleto 24 38 86

Médio completo 0 1 0

Fonte: elaborado pelo observaBaía a partir de dados disponibilizados pela superintendência Federal da Pesca e aquicultura na Bahia (2013).

Referências

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III

Pesca ar tesanal

No documento Baía de Todos os Santos (páginas 88-97)