RECONCILIAÇÃO E MEDO
Os amigos põem Mário a par do que descobriram sobre Celina. Mário planeja sua vingança. André e Celina conversam, fazem amor, brigam e acabam se reconciliando.
34 Quando tudo parece bem entre os dois, Mário surge inesperadamente.
— E então, o que descobriram? — indagou Mário, ansioso.
— O pai daquela garota é muito rico. É um industrial, pecuarista e advogado renomado. Mora no melhor bairro da cidade e tem uma casa com piscina e tudo — informou Tino.
— Então está tudo bem — disse Mário, apoiando-se nos cotovelos para se levantar.
— O que você está tramando? — perguntou Carlos.
— Um negócio aqui comigo. Aquela menina vai me pagar por essas férias forçadas. E não vai ser barato, garanto isso.
— Você não vai se meter em outra fria, vai? — indagou Tino.
— Que nada. Ela está ajudando um bocado. Imaginem vocês o que aquela garota fez?
— Se você vai dizer que ela se prontificou a pagar a despesa do hospital, já sabemos
— falou Carlos.
— Não é nada disso. Aquela maluca me convidou para passar uns dias na casa dela.
É doida varrida. Está se sentindo culpada e quer me compensar pelo que me fez passar.
— E você vai aproveitar a situação?
— É claro que sim. Vou dobrá-la direitinho, vocês vão ver. E lá em casa, você avisou Carlos?
— Sim, eu falei com seu pai. Deu aquela bronca de sempre. Queria vir até aqui buscá-lo, mas eu o convenci a não fazer isso. Ele vai depositar mil reais na sua conta. Você pode sacar com seu cartão.
— Peguem o cartão na minha carteira. Está aí, em cima dessa mesa. A senha é 2937.
Vão lá e saquem esse dinheiro para mim.
Carlos e Tino saíram para ir ao banco. André, que fora alertado por um enfermeiro, estava no corredor, à espera deles. Assim que os viu sair, foi conversar com os dois rapazes.
— Sou um conhecido do pai do Mário. Fiquei sabendo que ele estava hospitalizado e, como vou para Assis agora, gostaria de levar algumas informações para o pai dele. Como ele está?
— Está ótimo — informou Carlos.
— Não está precisando de nada?
— Não, ele está muito bem colocado agora — disse Tino.
— Bem colocado? Por quê? — perguntou André, interessado.
— Arranjou uma garota aí e parece que ela vai dar-lhe toda assistência, sabe como é?
— disse Carlos.
— Não, não entendi.
— A história é meio complicada, sabe? A garota foi á causadora do acidente que o trouxe ao hospital e agora pretende compensá-lo pelo sofrimento causado. Vai levá-lo para a casa dela e tratar dele... Sabe como são as mulheres, não é?
— Ela deve estar caidinha por ele — disse Tino.
— Deve ser isso. Mário sempre foi boa pinta. As garotas não resistem a ele — ajuntou Carlos.
— Então... Então está tudo bem com ele, não é?
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— Pode dizer ao pai dele para ficar tranquilo. Ele não poderia estar melhor — disse Carlos, afastando-se com o amigo.
André ficou parado, cheio de dúvidas. Seus pensamentos rodopiavam e o ciúme cegou-o mais uma vez. Celina o estava passando para trás por um menino bonito simplesmente. Precisava fazer alguma coisa ou a perderia para sempre.
Naquela noite, em casa de Celina, a atmosfera estava cheia de tensão. André foi recebido pelos pais da garota que demonstravam claramente o mal-estar que sentiam pela situação em que a filha os pusera. Não falaram nada, entretanto, a André, preferindo deixar que Celina lhe expusesse o assunto, sem saber que ele já tinha conhecimento do fato. Celina estava calada, cheia de reservas. A única que não perdera a espontaneidade era Zezé, alegre e brincalhona como sempre:
— Vai me levar ao circo hoje, André?
— Hoje não, Zezé. Vou sair com Celina.
— Não se esqueça de que você me prometeu levar-me ao circo.
— Não me esqueci — garantiu o rapaz.
Pouco depois, já no carro, André percorria as ruas movimentadas e coloridas, acompanhado de Celina que então nada dissera. Precisava contar-lhe, mas ali, ao lado dele, vendo sua silhueta delinear-se contra o colorido das lojas, tudo aquilo perdia o sentido. Amava-o. O fato de haver feito aquele convite a Mário era uma grande tolice que ela não conseguia explicar. André sabia que Celina tinha algo a lhe contar e que contaria.
Apesar do ciúme que o dominava, precisava manter a calma. Os amigos do outro rapaz poderiam ter dito uma mentira.
Olhando Celina, no entanto, seu silêncio, a maneira como ela se portava, cada vez se convencia mais de que ela havia realmente feito aquele convite. Pouco depois chegaram à casa de André. O rapaz estacionou o carro na garagem, desligou as luzes e virou-se para a namorada. Olhou-a longamente, admirando-lhe os contornos, a suavidade das linhas de seu rosto, aquele narizinho arrebitado, os cabelos curtos e sedosos. Celina olhava-o também, cheia de ternura. Tudo ficou distante, quando ele se aproximou dela e enlaçou-a.
— Eu amo você, Celina. Amo demais.
— Eu também o amo, André — sussurrou ela, entregando seus lábios aos dele.
André percebeu o quanto ela era importante para ele. Seu braço passou pelo ombro de Celina, que se deixou atrair lentamente. Ele a olhou de perto, fascinado. Acariciou levemente as faces da garota, depois a segurou gentilmente pelo queixo, enquanto se debruçava para beijá-la. Seus lábios se colaram num beijo calmo, a princípio, crescendo em excitação a seguir. Sensações fortes invadiram o corpo de Celina, anestesiando-a, levando para longe todos os seus problemas e preocupações. Ela se entregou totalmente nos braços dele, retribuindo aquele beijo com toda a sua sinceridade.
Ele percebeu a entrega e empolgou-se. Suas mãos deslizaram pelo corpo dela, resvalando em seus seios, sentindo os contornos de seus quadris, descobrindo as formas rijas e sedutoras de suas coxas. Celina ofegou, as mãos enterrando-se nos cabelos dele, os lábios esmagando os lábios dele, sugando-os, mordiscando-os numa explosão de paixão.
As mãos de André subiram pelos quadris da garota, introduzindo-se por sua blusa,
36 tocando a maciez deliciosa e morna da pele acetinada e tentadora de seu colo.
Celina arrepiou-se e um calor intenso ardeu em seu ventre, enquanto as mãos fortes e carinhosas de André bolinavam seus seios. Apertou-se ainda mais a ele, deixou-se beijar no pescoço e nos ombros, ofegante, eletrizada, enquanto aquelas mãos descobriam sensações novas nos seios dela, enrijecendo os bicos jovens e tentadores. Era tudo que ela precisava para senti-lo seu de novo.
— Vamos subir para o meu quarto — disse ele, descendo do carro e indo esperá-la do outro lado.
Rapidamente entraram. A casa estava em silêncio. Os pais de André haviam saído para um jantar. Ele a levou para o seu quarto. Assim que se viram frente a frente, André abraçou-a com emoção, beijando-a nos cabelos, na testa, nos olhos, nas faces coradas, no canto dos lábios. O perfume da garota envolveu-o. Ele a apertou firme nos braços e seus lábios esmagaram os dela.
Apertou-a nos braços, enquanto a acomodava na cama. Seus lábios beijaram os dela com avidez e suas mãos deslizaram pelos contornos marcantes e sedutores dos quadris, avançaram pelas coxas esculturais, comprimindo as carnes rijas e inquietas. Beijou-a no pescoço, nos ombros, antes de avançar pelo decote da blusa e roçar com sua língua o vale perfumado dos seios perfeitos e tentadores.
Em seguida, suas mãos subiram avidamente pelo corpo dela, penetrando pela blusa, empurrando-a para cima, despindo os seios da garota. Por instantes ele contemplou aquelas formas, perfeitas arredondadas e deliciosas. Suas mãos pousaram sobre as tentadoras elevações. Celina fechou os olhos e arqueou o corpo, suspirando delicada.
André beijou-a novamente. Sua língua penetrou entre os lábios dela, oferecendo-lhe sensações fortes e íntimas. Celina estava atordoada, presa daquela seqüência crescente de emoções que punha seu corpo febril e excitado.
Suas mãos deslizaram pelas coxas de André, enterraram-se nos cabelos dele, desnudaram seu corpo. Contagiado, André procurou o fecho da calça comprida de Celina, soltando-o e empurrando-a para baixo. Com movimentos graciosos e sensuais ela o ajudou na tarefa. Os sentidos do jovem se confundiram ao fitar demoradamente as formas irreparáveis dos quadris e das coxas de Celina, o triângulo sedoso que se insinuava por sob a calcinha transparente. Suas mãos escorregaram avidamente pelas coxas rijas e torneadas, indo até o ventre achatado, descendo depois enrascadas no elástico da peça íntima. Celina arfou apaixonadamente, o corpo nu entregue às cadeias hábeis. André esfregou seu corpo ao dela, oferecendo a Celina novas sensações que a fizeram sentir-se extremamente mulher, desejada e possuída. Ele a abraçou freneticamente, roçando suas peles. Seus lábios se buscaram tocados pela mesma volúpia. Carícias cresceram em impaciência.
Arrepios de puro prazer percorriam o corpo da garota, eletrizando-a e fazendo-a ofegar. Seus pensamentos se confundiam, seu corpo ganhava uma inquietação crescente e deliciosamente insuportável, o ar parecia faltar em seus pulmões. Procurou retribuir todas aquelas cadeias, acariciando o corpo de André com suas mãos femininas e suaves que se contagiavam na paixão e apertavam as carnes dele, procurando senti-lo ao máximo. André dedicou toda a sua paixão a cada carícia, a cada beijo.
37 Seus lábios e suas mãos caminharam apaixonadamente pelos seios tentadores de Celina, pelo seu ventre, por seu quadril, em suas coxas.
A garota ardia de tesão. Gemidos brotavam de sua garganta, enquanto mais e mais André a brindava com sensações descontroladas e fortes. Aquela tensão interior cresceu dentro de Celina, fazendo-a extravasar em suspiros e gemidos, enquanto o mordia e arranhava com inquietação. Ela suplicou por ele, flexionando os joelhos e afastando-os, facilitando-lhe os movimentos. André vestiu uma camisinha e encaixou-se nela, roçando as carnes úmidas e ardentes da garota. Ela vibrou o quadril com impaciência, jogando-o contra o de André, que se sentiu deslizar para dentro dela.
Tremores e convulsões mais fortes tomaram conta do corpo da jovem, quando André iniciou seus movimentos, golpeando-a vigorosamente. O clímax se aproximou rapidamente, com uma força avassaladora. Celina mordeu os lábios para não gritar de prazer, quando o corpo de André se retesou sobre o dela, num último e pesado arranco.
Ele a apertou com todas as suas forças, beijando-a com a violência, libertando-a daquela tensão que se esvaía dentro de si. Seu corpo pendeu para o lado e rolou extenuado sobre o leito.
Haviam tomado um banho. André enxugara sensualmente o corpo da namorada, depois se abraçaram e beijaram-se intensamente, esquecendo-se novamente dos problemas, da cidade que fervilhava lá fora, dos acontecimentos passados, concentrando-se no preconcentrando-sente que concentrando-se resumia na união de concentrando-seus lábios apaixonados. André estivera tentando se controlar todo o tempo, mas aquela dúvida dentro dele era por demais incômoda.
— Ele a beijou assim? — indagou numa pausa, ofegante.
— O que você está dizendo, André? — Quis ela saber.
— Estou falando dele, daquele palhaço que você convidou para ir até sua casa, que ficou com você naquela barraca, sabe qual é?
— André, eu pensei que tivesse entendido.
— Como entender, Celina? Acho que estou ficando maluco. Sim, estou sim. Como você acha que devo ficar sabendo que a mulher que amo aceita qualquer um em sua companhia?
— Você está sendo injusto.
— Acha que poderá me dar explicações convincentes?
— Eu... — gaguejou ela, sem encontrar uma boa explicação.
— Eu não disse? E eu que pretendia ficar noivo de você — disse ele, acendendo a luz do quarto e exibindo para ela as alianças.
Celina apanhou-as com as mãos tremendo. Seus olhos se encheram de lágrimas felizes.
— Oh, André... — exclamou ela, abraçando-o e beijando-o.
O rapaz permaneceu indiferente, como que petrificado.
— O que houve? — a indagou.
— Celina, pelo amor de Deus, ajude-me a compreendê-la.
— Compreender-me? Compreender-me por quê?
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— Você faz coisas que não consigo entender. Aquele rapaz...
— Aquele rapaz? O fato é que você não crê em mim. Não acreditou em uma palavra do que eu disse. Acha que me comportei como uma... Como uma...
— Sim, isso mesmo! — explodiu ele, incapaz de controlar por mais tempo suas emoções.
— Se você acha assim, vai ouvir o que deseja ouvir — gritou ela em seus ouvidos. — Aconteceu tudo como você está pensando. Ele apareceu em minha barraca, eu o deixei entrar como teria deixado qualquer outro. Nós nos divertimos bastante, até que aconteceu um lamentável acidente que interrompeu nossa noitada. Está satisfeito agora? — concluiu ela, exaltada.
— Não, ainda não. Falta uma coisa.
— O quê? — a indagou, sem fôlego.
— Isto — disse ele fora de si, abraçando-a e beijando-a com violência, ao mesmo tempo em que procurava penetrá-la novamente.
Celina percebeu que ele perdia o controle, por isso esbofeteou-o fortemente. Após a bofetada, André imobilizou-se, abobalhado, recobrando a razão. Depois debruçou a cabeça no ombro dela e chorou não sabendo se de raiva ou de dor, ódio ou amor. Celina afastou-o gentilmente, depois apanhou suas roupas e começou a se vestir. Depois, penalizada, abraçou-o e acariciou-lhe os cabelos, até que ele se acalmou.
— Perdoe-me — disse ele, envergonhado. — Vou levá-la para casa. Creio que é o fim para nós dois, não é?
— Não, — protestou ela. — Eu amo você, André.
— Mas Celina, tudo que está acontecendo...
— Você precisa pensar melhor, André. Tudo é tão confuso para mim às vezes. Eu sou impulsiva, você sabe. Troco os pés pelas mãos, mas não faço as coisas por mal...
— Você tem razão. Deixei-me levar pelo ciúme — declarou ele, após observá-la fixamente por algum tempo. — Eu deveria ter sido mais compreensivo e mais calmo.
— Para ser sincera á você André, eu estou arrependida de ter feito o convite. Na verdade, nem sei ao certo por que o fiz.
— Então o cancele. Diga a ele que desista, que suma de sua vida. Já bastam os problemas que ele causou.
— Vou fazer isso. Amanhã cedo eu irei ao hospital e direi a ele que tudo foi um engano. Agora vamos voltar para a cama. Preciso que me ame de novo, meu querido, para me convencer de que não perdi você — pediu ela, cheia de ternura e paixão.
No dia seguinte, antes que Celina fosse ao hospital, Mário recebeu alta e, juntamente com os dois amigos, tomou um táxi e rumou para a casa da jovem, disposto a lhe fazer uma surpresa.
— É uma bela casa — comentou Mário, assim que chegaram. — Eu os vejo depois — disse, preparando-se para cruzar o portão.
— Espere um pouco aí, Mário — interrompeu-o Carlos.
— Eu e Tino precisamos acertar umas coisas com você.
— O que vocês querem?
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— Sabe como é você é rico, boa pinta, mas nós não somos nada. Estamos na pior.
Você quer a garota, nós queremos e precisamos de outra coisa. O pai dela é rico, deve ter alguma coisa de valor. Não será difícil você afanar umas coisinhas e passar para nós.
Ninguém suspeitará, já que não serão encontradas com você.
— Espere aí, eu já paguei o trabalho de vocês. Dei-lhes quinhentos reais, metade do meu dinheiro.
— Isso não é nada, Mário — falou Carlos.
— E depois, se o seu dinheiro acabar, basta você ligar para seu pai que ele lhe manda mais. Nós não podemos fazer isso.
— E se eles descobrirem?
— Não descobrirão. Você é muito esperto e já fez isso antes.
Mário pensou por alguns instantes. Sabia que não podia facilitar com aqueles dois.
Poderia complicar sua situação por nada.
— Está bem, eu faço isso. Vou ver o que se pode pegar.
— Está legal. Mais tarde nós telefonaremos. Se conseguir alguma coisa, coloque numa sacola plástica e deixe na lata de lixo. Já conhece o nosso esquema. Quanto tempo você pretende ficar aí?
— Ainda não sei. Tudo vai depender de como eles me aceitarem. Se eu precisar de vocês, onde poderei encontrá-los?
— Nós nos mudamos para uma pensão perto da rodoviária.
— Tem telefone lá?
— Mais tarde lhe daremos o número — finalizou Carlos.
— Até mais tarde, então — despediu-se Mário, entrando.
Apertou a campainha e esperou. Ainda era cedo, mas a cidade se movimentava.
Colegiais passavam vestidos a rigor para o desfile. Um e outro carro alegórico, cheio de estudantes, buzinava rua acima, rumo ao ponto de concentração. Os ônibus percorriam as ruas, carregando alunos barulhentos. Zezé, vestindo seu traje de baiana, apareceu à porta.
— Por favor, é aqui que mora a Celina?
— É minha irmã — respondeu a garota, olhando com curiosidade para o rosto do rapaz, coberto por curativos nos pontos onde as queimaduras precisavam ser protegidas.
— Posso falar com ela?
— Espere que eu vá chamar. Ela está dormindo ainda.
— Está bem, eu espero.
Zezé foi ao quarto da irmã. Celina dormia ainda. Havia ficado com André até de madrugada, fazendo amor no quarto dele, confirmando o amor que os unia. Concordaram em ficarem noivos no dia que amanhecia naquele momento. André iria à hora do almoço até sua casa e juntos comunicariam a decisão aos pais da garota.
Ela estava feliz. Mário fora um pesadelo que passaria, ou pelo menos era o que pensava. Á noite com André servira para clarear-lhe a mente. Os beijos que trocaram foram promessas de felicidade.
— Acorde Tatá — disse Zezé, empurrando-a na cama.
40 Celina espreguiçou-se e, ainda sonolenta, olhou para a irmã.
— Bom dia, Zezé. Você está bonita hoje.
— Tem um moço aí fora querendo falar com você.
— Não é o André?
— Não, não é. Não o conheço.
— Como ele é?
— Não sei, está com o rosto todo machucado.
Celina sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha, amolecendo seu corpo. Mário se antecipara a ela, vindo logo cedo para sua casa. Ficou sem saber o que fazer olhando espantada para a irmã.
— Quem é ele, Celina? — indagou Zezé, impressionada com a expressão no rosto da irmã.
— Meu maior pesadelo — desabafou Celina, angustiada.
Não sabia o que fazer. A fatalidade batia a sua porta naquele começo de dia, atormentando-a. Tudo que ela e André haviam combinado na noite anterior poderia ser prejudicado com aquela visita. Pensou em mil coisas que poderia fazer, mas, de repente, voltando à realidade, respirou fundo e olhou demoradamente a fotografia de André, na mesinha de cabeceira ao lado da cama.
Depois, resoluta, apanhou o telefone e ligou para ele.
Como reagirá André a essa nova ameaça ao seu relacionamento? De que Mário será capaz para garantir sua vingança contra Celina? A paz que o jovem casal havia selado poderá ter fim com essa aparição inesperada de Mário?