Laurel
L
aurel acordou sentindo-se desorientada e, ao mesmo tempo, muito, muito bem. Por que diabos ela deveria se sentir tão bem?Ainda era ela mesma, ainda estava falida, ainda estava sem emprego... e, então, sentiu Kazim puxá-la para perto enquanto dormia, murmurando algo que não conseguia entender, quando a ficha caiu.
Oh... oh aquilo aconteceu mesmo...
Ela balançou a cabeça em descrença. Parecia estranho demais esta manhã, forasteiro demais. Era difícil imaginá-la acertando um homem com um vaso ou... ou indo para a cama com um homem como Kazim.
O corpo de Laurel ficou um pouco quente com a lembrança do que eles haviam feito juntos. Ao mesmo tempo, ela percebia o peso dele por trás dela, quão bom, quente e sólido parecia. Contra sua coxa, ela podia sentir...
Oh, eu preciso sair dessa cama...
O protesto que sentiu por essa declaração era intenso. Não era mais nada necessário para ficar, mas já havia se comportado de uma maneira tão diferente com a qual estava acostumada.
Precisava de tempo para pensar.
Com cuidado, como se estivesse cuidadosamente caminhando na beira de um penhasco estreito ou desarmando uma bomba, ela se desembaraçou do braço de Kazim, deixando-o em um sono profundo antes de ir ao banheiro. Um banho rápido não trazia respostas, embora agora se sentisse mais ela, e depois vestiu o
roupão novamente, porque não havia outras roupas no quarto e andar nua parecia uma ideia realmente terrível.
Laurel rastejou até a sala principal. Levou apenas alguns momentos até perceber que não estava realmente mais lúcida do que antes, apenas mais limpa. Procurando uma distração, pegou o controle remoto da televisão no sofá, sentando-se para assistir a qualquer coisa irracional que pudesse encontrar.
A TV ligou no que parecia ser um canal de notícias e ela se concentrava em entender o árabe que estava sendo falado.
Aparentemente, o sheik de Alwadi havia sido atacado na noite anterior, mas felizmente ele havia conseguido desacordar o atacante, deixando-o de presente para a polícia. Ela achou engraçado ouvir um apresentador fazer uma piada típica do Batman, quando eles exibiram uma foto do sheik.
Uma foto... do... sheik.
O homem na tela era muito familiar. Ela tinha passado uma boa parte da noite antes de perceber que ele era muito bonito, que havia terminado a noitada gemendo com o prazer que ele havia proporcionado só com os dedos. Ela pescou o nome, sheik Kazim Rahal, e a chance de ser algum tipo de coincidência estranha desapareceu.
Tinha acabado de dormir com o sheik de Alwadi, o Kazim Rahal.
Não, corrigindo, ela havia perdido a virgindade com o sheik Kazim Rahal.
"Isso, ah... eles poderiam ter usado uma foto melhor."
Ela virou-se e encontrou Kazim na porta atrás dela. Por um momento, achou que ele estava completamente nu e, para seu alívio, viu que estava usando uma boxer de seda preta. Não ajudava muita coisa. Aquilo grudava no corpo dele, deixando pouco a ser imaginado, e ela desviou o olhar de volta para o rosto dele.
Claro que ele estava sorrindo, sabendo exatamente o que ela estava pensando e isso não ajudava.
"Oh, Deus."
“Você está bem agora pela manhã? Você teve... umas últimas vinte e quatro horas bem impressionantes.”
"Sim, por um minuto inteiro, ontem eu achava que a coisa mais emocionante tinha sido descobrir que o meu trabalho não existia."
"A vida é cheia de surpresas. Você gosta de fruta?" manteremos de pé até que possamos descobrir algumas coisas.”
Ela começava a se perguntar o que diabos ele queria dizer com isso, mas havia frutas frescas na sua frente e não tinha interesse em desperdiçar isso.
Estava se sentindo um pouco mais saciada, quando Kazim sentou-se e olhou para ela com cuidado.
“Então... você é o sheik de Alwadi. Por quê?"
Ele pareceu um pouco assustado. "Você está pedindo uma explicação da minha linhagem ou?"
“Quero dizer, por que eu. Por que a noite passada? Por que tudo isso aconteceu?”
Ele a olhou com alegria nos olhos. Ela queria simplesmente que vê-lo sorrir não fizesse seu coração bater um pouco mais rápido.
Parecia uma vantagem injusta para um homem que já era inimaginavelmente rico e incrivelmente bonito.
“Eu acho que essa é uma pergunta muito fácil. Eu a vi, achei-a linda, queria fazer amor com você, que concordou. Ou não foi assim que aconteceu sob o seu ponto de vista?”
"Você... realmente me acha linda?"
"Eu não disse isso várias vezes?"
"Mas... você já deve ter ficado com algumas das mulheres mais lindas do mundo."
"Sim. E você é uma delas.”
Ele pegou a mão de Laurel, virando-a para poder beijar a palma.
Havia algo estranhamente humilde naquele gesto, algo que a atingia diretamente no coração. Ela não suportava pensar nisso naquele momento e puxou a mão de volta para si. Kazim pareceu surpreendentemente triste com o gesto, mas suavizou.
“Nós não temos que discutir sua beleza hoje, embora em qualquer outro momento eu ficaria feliz em continuar o assunto.
Hoje, devemos discutir o seu... status.”
“Olha, eu sinto muito. Eles disseram que estavam consertando tudo com meu visto para que eu pudesse trabalhar. Eu realmente não sabia...”
Ele piscou, dando um olhar estranho. "Não. Eu quero dizer sobre o fato de que você veio para a minha cama virgem e estará longe de ser uma quando sair.”
"Uh... não é assim que geralmente funciona?"
Kazim sorriu um pouco com a resposta dela, mas seu rosto ficou mais sério. “Você parece não entender. Tenho um dever sagrado com a minha terra e as tradições que ela preza. Você era virgem quando veio a mim e eu tirei isso de você. Portanto, você deve ser compensada.”
Laurel sentiu algo se apertar desde que ele começou a falar, mas até ouvir a palavra final – compensada – não havia percebido por que se sentia tão mal. Ela saltou do sofá, batendo o pé no pufe e caindo para trás. Laurel poderia ter se machucado seriamente se Kazim também não tivesse pulado, agarrando-a e colocando-a de pé antes que ela percebesse o que estava acontecendo.
"Tenha cuidado!"
"Não! Nós não estamos fazendo isso! Eu não sou uma... uma prostituta que você precise compensar o tempo que gastei na cama com você!”
"Se você fosse, isso seria muito mais fácil, porque teríamos feito nossa negociação de antemão", retrucou Kazim. "Estou tentando fazer a coisa certa!"
casa...”
“Eu tinha um apartamento eficiente em Atlanta antes de tudo isso acontecer. Nada disso funciona!”
“Mas somos uma nação moderna e eu acho que pagar uma taxa a você deve ser o mais apropriado. Que tal duzentos e cinquenta?”
“Oh meu Deus, duzentos e cinquenta dólares? Você vai me dar o valor de um Pontiac usado pela minha virgindade? Pensei que isso não pudesse ficar mais insultante.”
"Duzentos e cinquenta mil dólares, na verdade."
De repente, o apartamento ficou em silêncio. Laurel olhava para Kazim, como se tivesse crescido uma segunda cabeça nele.
"Duzentos e... você está avaliando em 250 mil dólares por ter cinquenta mil faria uma enorme diferença na forma como ela vivia a vida. Poderia ir para a faculdade. Poderia parar de aceitar empregos que odiava. Poderia, finalmente, sentir-se como se estivesse tomando a frente em vez da sensação de estar sempre para trás, tentando brincar de pega-pega em uma partida em que todos pareciam ter uma vantagem a mais.
Mas isso significaria que esse homem – Kazim – teria comprado tudo o que havia acontecido na noite passada.
A reação de Laurel a esse pensamento era visceral. Ela quase se inclinou para trás fisicamente.
"Não. Absolutamente, não."
Kazim franziu o cenho para ela. "Você quer mais..."
Ela olhou para ele horrorizada. “Meu Deus, não, eu não estou barganhando. Eu estou dizendo não.”
Laurel balançou a cabeça e se deu conta de que estava tremendo como se estivesse com frio. E não estava. Em vez disso, parecia que havia algo que estava sendo quebrado em pedaços e que era necessário se proteger. Imaginou-se desenhando um abrigo de aço sobre o núcleo trêmulo, o que permitiu que ela se sentasse ereta e olhasse Kazim nos olhos.
"Isso foi um erro", disse ela, orgulhosa de uma maneira obscura por sua voz não estar tremendo muito. “Eu tenho muito o que fazer hoje. Preciso encontrar um jeito de voltar para casa e começar a me recompor depois de todo o... desastre que as últimas quarenta e oito horas têm sido. Estou indo embora."
Ela começou a se levantar, mas Kazim estava lá, passando a mão em volta do punho dela, com os olhos escuros.
"Não."