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A cara A carac c-

No documento Voce S_A - 02_2019 (páginas 77-79)

 A carac-c-

terística

terística

crucial da

crucial da

concepção

concepção

de Smith

de Smith

sobre

sobre

nossas

nossas

paixões

paixões

é que

é que

elas são

elas são

míopes,

míopes,

ou seja, só

ou seja, só

enxergam

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por perto

por perto

Trecho do livro Trecho do livro

Força de

Força de

vontade?

vontade?

Não é

Não é

problema

problema

V O C Ê S / A V O C Ê S / A F E V E R E I R O D E 2 0 1 9F E V E R E I R O D E 2 0 1 9 77 77

terística crucial da concepção de terística crucial da concepção de Smith sobre nossas paixões é que Smith sobre nossas paixões é que elas são míopes, ou seja, só enxer- elas são míopes, ou seja, só enxer-

gam o que está pert

gam o que está pert o. Em sua colo-o. Em sua colo-

cação, o problema é que “o prazer cação, o problema é que “o prazer que poderemos desfrutar daqui a que poderemos desfrutar daqui a dez anos nos interessa muito pou- dez anos nos interessa muito pou- co quando comparado com o que co quando comparado com o que podemos desfrutar hoje”.

podemos desfrutar hoje”.

 Ada

 Ada m Smitm Smit h não foi o úh não foi o ú nico dnico den-en-

tre os economistas dos primeiros tre os economistas dos primeiros

tempos a intuir com sensatez sobre tempos a intuir com sensatez sobre

problemas de autocontrole. Con- problemas de autocontrole. Con- forme documentou o economista forme documentou o economista comportamental George Lowens- comportamental George Lowens- tein, outros tratamentos in tein, outros tratamentos in iciaisiciais da “escolha intertemporal” — isto da “escolha intertemporal” — isto é, escolhas que são feitas sobre o é, escolhas que são feitas sobre o momento do consumo — ta

momento do consumo — ta mbémmbém

ressaltara

ressaltara m a importância de con-m a importância de con-

ceitos tais como “força de vonta- ceitos tais como “força de vonta- de”

de”, uma expressão que não , uma expressão que não tintin haha signi

signi ficado na economia praticadaficado na economia praticada em 1980. Smith reconheceu que a em 1980. Smith reconheceu que a

força de vontade é necessária para força de vontade é necessária para

lidar com a miopia. lidar com a miopia.

Em 187

Em 1871, Willi1, Willi am Stanam Stanley Jevons,ley Jevons, outro luminar da economia, refinou outro luminar da economia, refinou

a observação de Smith sobre miopia, a observação de Smith sobre miopia,

observando que

observando que a preferência pora preferência por consumo presente sobre consumo consumo presente sobre consumo futuro diminui com o tempo. Pode- futuro diminui com o tempo. Pode- mos dar muita importância a tomar mos dar muita importância a tomar

aquela taça de sor

aquela taça de sor vete agora em vezvete agora em vez de amanhã,

de amanhã, porém nos incomporém nos incomodaría-odaría-

mos muito pouco em ter que escolher mos muito pouco em ter que escolher entre o dia anterior e o posterior de entre o dia anterior e o posterior de uma data a um ano de distância. uma data a um ano de distância.

 Al

 Al guguns ns economeconom istist as das dos pos priri mei-mei- ros tempos viam como erro qual- ros tempos viam como erro qual- quer desconto de consumo futuro quer desconto de consumo futuro — algum tipo de falha. Seria uma — algum tipo de falha. Seria uma

falha de força de vontade ou, como falha de força de vontade ou, como escreve

escreveu Aru Ar thur Pithur Pi gou em 1920 degou em 1920 de

forma notória, poderia ser uma falha forma notória, poderia ser uma falha

de imaginação: “Nossa capacidade de imaginação: “Nossa capacidade telescópica

telescópica é defeituosaé defeituosa , e , e ((...) nós,) nós, portanto, vemos prazeres futuros, portanto, vemos prazeres futuros,

por assim dizer, em escala reduzida.” por assim dizer, em escala reduzida.”

Irv

Irv ing Fisher forneceu a ing Fisher forneceu a primeiraprimeira

abordagem econômica de escolha abordagem econômica de escolha intertemporal que pode ser consi- intertemporal que pode ser consi- derada “moderna”. Em seu clássico derada “moderna”. Em seu clássico

de 1930,

de 1930, A Teoria do Juro A Teoria do Juro, ele usou, ele usou o que se tornou a ferramenta básica o que se tornou a ferramenta básica de ensino de microeconomia — cur- de ensino de microeconomia — cur-  vas de ind

 vas de ind iferençiferença — para demons-a — para demons- trar as escolha

trar as escolha s de consumo de ums de consumo de um

indivíduo em dois

indivíduo em dois momemomentos dife-ntos dife-

rentes no tempo, dada uma taxa de rentes no tempo, dada uma taxa de  juro do mercado. Sua teori

 juro do mercado. Sua teori a se qua-a se qua-

lifica como moderna devido às fer- lifica como moderna devido às fer- ramentas e por ser normativa. Ele ramentas e por ser normativa. Ele explica o que uma pessoa racional explica o que uma pessoa racional deveria fazer. Mas Fisher também deveria fazer. Mas Fisher também

deixa claro que não considerava sua deixa claro que não considerava sua

teoria um modelo descritivo satis- teoria um modelo descritivo satis- fatório porque omitia importantes fatório porque omitia importantes fatores comportamentais.

fatores comportamentais.

Para começar, Fisher acreditava Para começar, Fisher acreditava que a preferência no tempo depen- que a preferência no tempo depen- de do nível de renda do indivíduo, de do nível de renda do indivíduo, sendo o pobre mais impaciente do sendo o pobre mais impaciente do que pessoas bem-sucedidas. Além que pessoas bem-sucedidas. Além disso, Fisher enfatizava que enca- disso, Fisher enfatizava que enca- rava o comportamento impaciente rava o comportamento impaciente

exibido por trabalhadores de baixa exibido por trabalhadores de baixa

renda como parcialmente irracional, renda como parcialmente irracional, o que descreveu com exemplos ví- o que descreveu com exemplos ví-

 vidos: “Isto é ilus

 vidos: “Isto é ilus trado pela hitrado pela hi stóristóriaa do fazendeiro que nunca consertava do fazendeiro que nunca consertava

as goteiras de seu telhado. Quando as goteiras de seu telhado. Quando chovia, ele não conseguia fazer o chovia, ele não conseguia fazer o conserto; quando não chovia, não conserto; quando não chovia, não

havia goteira para consertar!” E fe- havia goteira para consertar!” E fe-

chava a cara pa

chava a cara pa ra “aquelera “aqueles trabalha-s trabalha- dores que, antes da proibição, não dores que, antes da proibição, não podiam resisti

podiam resisti r ao apelo do bar ar ao apelo do bar a

cami

cami nho de casa no sábanho de casa no sába do à noite”do à noite”,, que era dia de pagamento na época. que era dia de pagamento na época.

De forma clara, desde Adam De forma clara, desde Adam Smith

Smith, em 1776, até Irving Fisher,, em 1776, até Irving Fisher,

em 1930, os economistas pensavam em 1930, os economistas pensavam

sobre escolha intertemporal tendo sobre escolha intertemporal tendo em vista os Humanos. Os Econs em vista os Humanos. Os Econs com

começaram a se ineçaram a se in filtrar na filtrar na épocaépoca

de Fisher, quando ele começou com de Fisher, quando ele começou com

a teoria de como Econs devem se a teoria de como Econs devem se comportar. Mas coube a um rapaz comportar. Mas coube a um rapaz de 24 anos chamado Paul Samuel- de 24 anos chamado Paul Samuel- son, então um mestrando, termi- son, então um mestrando, termi-

nar a tarefa. Samuelson, que muitos nar a tarefa. Samuelson, que muitos

consideram o maior economista do consideram o maior economista do século 20, foi um prodígio que se século 20, foi um prodígio que se propôs a dar à economia um al

propôs a dar à economia um al icerceicerce matemático apropriado. Matriculou- matemático apropriado. Matriculou-

-se na Universidade de Chicago aos -se na Universidade de Chicago aos

16 anos e logo foi para Harvard, para 16 anos e logo foi para Harvard, para o mestrado. Sua tese

o mestrado. Sua tese de doutoradode doutorado tem um título audacioso, mas pre- tem um título audacioso, mas pre-

ciso: “Fundações da análise econô- ciso: “Fundações da análise econô- mica” [

mica” [“Foundations of economic“Foundations of economic

analysis”, no original

analysis”, no original]. Sua tese]. Sua tese refez a economia por inteiro com refez a economia por inteiro com o que ele considerava ser um rigor o que ele considerava ser um rigor matemático apropriado.

matemático apropriado. (...)

(...)  A

 A ideiidei a ba b ásiási ca ca é é que que o o concon susu momo  va

 vale le mama is is papara ra você você agoagora ra do do queque mais tarde. Dada a escolha entre mais tarde. Dada a escolha entre um belo jantar nesta semana e ou- um belo jantar nesta semana e ou- tro daqui a um ano, a maioria de tro daqui a um ano, a maioria de nós prefe

nós preferiririri a o jantar quaa o jantar qua nto antes.nto antes. Usando a formulação de Sa

Usando a formulação de Sa muelsonmuelson,, dizemos que é “descontada” alguma dizemos que é “descontada” alguma taxa sobre o consumo futuro. Se taxa sobre o consumo futuro. Se

L I V R O L I V R O

o jantar daqui a um ano for con- o jantar daqui a um ano for con-

siderado como apenas 90% de u siderado como apenas 90% de u mm  jan

 jantar atar a gora, dgora, d izemizemos que estos que estamoamoss descon

descontando do jantar fututando do jantar futu ro umaro uma taxa anual de cerca de 10%.

taxa anual de cerca de 10%.  A teor

 A teor ia de ia de SamuelSamuel son nãson nã o tio ti nhanha nada de pai

nada de pai xões ou telescópios de-xões ou telescópios de- feituosos, apenas descontos cons- feituosos, apenas descontos cons-

tantes e metódicos. O modelo era tantes e metódicos. O modelo era

tão fácil de usa

tão fácil de usa r que até mesmo eco-r que até mesmo eco- nomistas daquela geração podiam nomistas daquela geração podiam lidar faci

lidar faci lmente com a matemática.lmente com a matemática. E continua sendo a

E continua sendo a formulaçãoformulação -pa--pa-

drão até hoje. Isso não quer dizer drão até hoje. Isso não quer dizer

que Samuelson acreditasse que sua que Samuelson acreditasse que sua teoria era necessariamente uma boa teoria era necessariamente uma boa

descrição do comportamento. As descrição do comportamento. As

duas últimas páginas de seu breve duas últimas páginas de seu breve

artigo são dedicadas a discutir o que artigo são dedicadas a discutir o que ele chamou de “sérias limitações” ele chamou de “sérias limitações”

do modelo. Algumas delas são de do modelo. Algumas delas são de

aspecto técnico, mas uma merece aspecto técnico, mas uma merece

um escrutínio ma

um escrutínio ma is profundois profundo. Sa-. Sa-

muelson observa correta

muelson observa corretamente que,mente que,

se as pessoas descontam do futu- se as pessoas descontam do futu-

ro taxas que va

ro taxas que va riam riam com o tempo,com o tempo,

então pode ser que os indivíduos então pode ser que os indivíduos não se comportem de forma con- não se comportem de forma con-

sistente, ou seja, podem mudar de sistente, ou seja, podem mudar de ideia à medida que o tempo avança. ideia à medida que o tempo avança. O caso especí

O caso especí fico com o qual ele sefico com o qual ele se preocupa é o mesmo que i

preocupa é o mesmo que i ncomodoncomodouu Jevons, Pigou e outros economistas Jevons, Pigou e outros economistas anteriores, tais como, a saber, o caso anteriores, tais como, a saber, o caso

em que ficamos mai

em que ficamos mai s impacientess impacientes

por uma recompensa imediata. por uma recompensa imediata.

 A

No documento Voce S_A - 02_2019 (páginas 77-79)