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1 A RESPONSABILIDADE CIVIL E A CONCESSÃO DE RODOVIAS COM

2.1 Dano ambiental

2.1.3 Características e pressupostos do dano ambiental

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LEITE, José Rubens Morato. Dano ambiental: do individual ao coletivo extrapatrimonial. 2. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003, p. 104.

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Feita a análise genérica do dano ambiental e sua classificação, é ocasião de se verificar como as normas ambientais brasileiras o identificam. A definição jurídica de dano ambiental apresenta relevância especial, na medida em que será útil para determinar o tipo e o âmbirto das ações de reparação necessárias e, por conseguinte, os custos que devem ser reparados mediante o recurso à responsabilidade civil. O legislador brasileiro apesar de não definir expressamente o dano ambiental, elucidou as suas características básicas, pois, conforme já foi exposto, definiu o conceito de meio ambiente (art. 3°, inciso I, da Lei 6.938, 1981) e disse que o poluidor (aquele que provoca poluição) é obrigado a reparar o dano causado ao meio ambiente e a terceiro (art. 14, § 1°, da Lei 6.938, 1981), ou seja, em sua dupla valência na proteção do bem jurídico de sua versão de macrobem e em vista dos interesses pessoal e particular no microbem ambiental. (LEITE, 2003, p. 101.)

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Ibid., p. 101-102.

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A doutrina considera que há requisitos básicos que devem estar presentes

para configurar hipótese de dano ambiental e que faça surgir o dever de reparação,

quais sejam, a anormalidade, a periodicidade e a gravidade do prejuízo

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.

Para configurar o prejuízo, deve-se levar em conta a normalidade

considerada na atividade do agente causador do dano. A anormalidade ocorre,

quando se verifica que, a modificação das propriedades físicas e químicas dos

elementos naturais, causem a perda parcial ou total de suas condições de uso. A

gravidade ocorre quando é ultrapassado o limite máximo de absorção de agressão

tolerada pelos seres humanos e a natureza.

Quanto à periodicidade é que a emissão poluidora não pode ser eventual,

tem de ocorrer durante um tempo suficiente para produzir um dano substancial.

Resta clara a interdependência entre esses três pressupostos.

Analisando a lesão ao meio ambiente em termos jurídicos, Ricardo Luiz

Lorenzetti

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entende que há dois aspectos:

O primeiro é que a ação deve ter como conseqüência a alteração do princípio organizativo; isto é, alterar o conjunto. De tal maneira excluem-se aquelas modificações ao ambiente, que não têm tal efeito substantivo. Este critério serve para delimitar aqueles casos em que a atividade produtiva, transformando o meio ambiente, não resulta lesiva. Desta forma, a ação lesiva comporta uma “desorganização” da lei da natureza.

O segundo aspecto é que essa modificação substancial do princípio organizativo repercute naqueles pressupostos do desenvolvimento da vida. O meio ambiente relaciona-se então com a vida, em sentido amplo, compreendendo os bens naturais e culturais indispensáveis para a sua subsistência.

O dano ambiental deve ser certo quanto a sua existência, ou seja, não pode

ser hipotético. Essa certeza do dano ambiental se refere tanto ao dano atual como

ao futuro.

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LUCARELLI, Fábio Dutra. Responsabilidade civil por dano ecológico. Revista dos Tribunais, São Paulo, v. 83, n. 700, p. 7-26, fev. 1994, p. 10.

122

LORENZETTI, Ricardo Luiz. 6° Congresso Internacion al de Direito Ambiental – 10 anos da Eco- 92: o direito e o desenvolvimento sustentável – teoria geral do dano ambiental moral. Revista de

Nesse sentido de reconhecer o dano ambiental futuro, há inúmeras decisões

judiciais, considerando que mesmo as medidas e soluções que venham a ser

tomadas não afastam as conseqüências jurídicas relativas ao período entre a

produção/origem do dano até a sua cessação.

Para Álvaro Luiz Valery Mirra

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com relação às condições do dano

ambiental:

É importante frisar, por fim, que a certeza do dano ao meio ambiente dependerá invariavelmente de um limite de tolerabilidade no tocante à agressão sofrida, que fixará o momento a partir do qual se terá como caracterizado o dano, levando em conta a capacidade de reciclagem do meio afetado. Sempre que o meio ambiente não conseguir absorver sem degradação as agressões que sofrer, o dano será considerado como certo; do contrário, ou dano não estará configurado ou ele será eventual e insuscetível de reparação.

O dano ambiental também tem de ser um prejuízo direto que atinja o meio

ambiente que é um bem protegido juridicamente.

Mesmo que os prejuízos ocorram em cascata, decorrentes de um mesmo

fato danoso, ou seja, a agressão a um bem ambiental, como por exemplo, a

derrubada de árvores nativas em áreas de preservação permanente que

freqüentemente altera o equilíbrio natural entre os vários ecossistemas, podendo

ocorrer reações em cadeia afetando outros bens ambientais, teremos um único dano

ambiental que deverá ser reparado em toda a sua extensão.

Outra particularidade do dano ambiental, diferente da concepção clássica de

dano é de que tem caráter não-pessoal. O dano causado ao meio ambiente é

essencialmente coletivo e difuso por ser patrimônio coletivo de uso comum do povo.

Daí a legitimidade das associações de defesa do meio ambiente para representar os

interesses da coletividade em caso de dano ambiental, assim como, a União, os

Estados e os Municípios e o Ministério Público para promover a tutela judicial do

meio ambiente.

123

As características do dano ambiental são próprias como a pulverização de

vítimas, a difícil reparação e a difícil valoração

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.

O dano ambiental afeta uma pluralidade difusa de sujeitos, mesmo que, em

determinados casos o dano atinja individualmente certos sujeitos.

A dificuldade para reparar o dano ambiental decorre, na maioria dos casos,

da impossibilidade da reparação retornar ao ‘status quo’ anterior a sua ocorrência.

Tal circunstância também dificulta o estabelecimento de parâmetros econômicos de

reparação.

A legislação citada previu duas modalidades de dano ambiental

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: o dano

causado ao meio ambiente, denominado dano ambiental coletivo e o dano causado

a terceiros, também, denominado dano ambiental individual ou dano ambiental

privado.