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1 A RESPONSABILIDADE CIVIL E A CONCESSÃO DE RODOVIAS COM

2.2 Dano ambiental e lesão individual

2.2.1 Dano patrimonial e extrapatrimonial ou moral

A partir da Constituição de 1988, foram estabelecidas duas esferas de

reparação, a patrimonial e a moral

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, criando a possibilidade do agente responder

pelo dano patrimonial que causou e, cumulativamente, ser responsabilizado pelo

dano moral. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça editou a súmula 37, que

pacificou o entendimento de que são cumuláveis as indenizações por dano material

e dano moral decorrentes do mesmo fato.

Os autores

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do artigo “O Dano Moral Ambiental e sua Reparação” referem:

Compete, pois, ao Poder Judiciário, a importante tarefa de transplantar para a prática o disposto na Constituição Federal e na legislação ordinária acerca do dano moral ambiental. Destarte, somente com a reiteração dos pronunciamentos dos Tribunais no tocante à responsabilização civil dos causadores de danos ao meio ambiente, é que se atingirá efetivamente aquilo que foi idealizado pelo legislador.

Na legislação infraconstitucional, a previsão legal do dano moral ambiental

foi inserida pela Lei 8.884/94

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, que introduziu alterações no sistema da Ação Civil

Pública.

Além disso, por ter o termo degradação um significado mais amplo que

poluição e pela análise do texto legal do art. 3° e seus incisos da Lei 6.938/81,

observa-se que o legislador escolheu uma visão abrangente de degradação no

sentido de proteger as lesões ambientais materiais e imateriais.

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Quando ao dano não corresponde as características do dano patrimonial, dizemos que estamos em presença do dano moral. A distinção, ao contrário do que parece, não decorre da natureza do direito, bem ou interesse lesado, mas do efeito da lesão, do caráter da sua repercussão sobre o lesado. De forma que tanto é possível ocorrer dano patrimonial em conseqüência de lesão a um bem não patrimonial como dano moral em resultado de ofensa a bem material. (DIAS, 2006. p.992).

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LEITE, José Rubens Morato; DANTAS, Marcelo Buzagalo; FERNANDES, Daniele Cana Verde. O dano moral ambiental e sua reparação. Revista de Direito Ambiental, São Paulo, v. 1, n. 4, p. 61-71, out./dez. 1996, p. 71.

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O art. 88 dessa Lei alterou o art. 1°, da Lei 7.34 7/85, que passou a ter a seguinte redação:”Art. 1° Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados:

Conforme Álvaro Luiz Valery Mirra

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, tanto os danos patrimoniais como os

morais têm a reparabilidade prevista na legislação brasileira:

Observe-se que o direito brasileiro admite, expressamente, a reparabilidade do dano moral ambiental, ao lado do dano causado à qualidade ambiental em si mesma considerada, conforme se verifica do disposto no art. 1°, caput e in. I, da Lei 7.347/85, com a redação dada pela Lei 8.884/94, segundo o qual: ´Regem-se pelas disposições desta lei, sem prejuízo da ação popular, as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados: I – ao meio ambiente; [...].

A indenização do dano ambiental deverá abranger tanto o dano material

efetivo sobre o ambiente como aqueles sofridos pelos indivíduos sejam eles de

natureza da saúde física ou psíquica e abrangendo o dano patrimonial e o dano

moral.

Os principais aspectos e particularidades do dano causado ao meio

ambiente e que gera um dano moral indenizável

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têm sido analisados,

ultimamente, pela doutrina e mais recentemente na jurisprudência

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, em face do

caráter novo na aplicação do instituto do dano moral em matéria ambiental.

O dano ambiental como fonte do dano moral

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e a justificativa de reparação

do dano moral originado de fato ambiental, no que concerne ao fundamento técnico-

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MIRRA, Álvaro Luiz Valery. Responsabilidade civil pelo dano ambiental e o princípio da reparação integral do dano. Revista de Direito Ambiental, São Paulo, v. 8, n. 32, p. 68-82, out./dez. 2003, p.71.

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“Na verdade, pretende-se considerar um dano que é totalmente desvinculado do tradicional, conforme anotado. Outrossim, a lesão ambiental direta não tem concepção de um direito individual e, sim, coletivo, difuso, imaterial e é um bem jurídico autônomo. O dano extrapatrimonial está muito vinculado ao direito da personalidade, mas não restringido, pois, este é conhecido tradicionalmente como atinente à pessoa física e no que concerne ao dano ambiental, abraçando uma caracterização mais abrangente e solidária, tratando-se, ao mesmo tempo, de um direito individual e um direito da coletividade. O direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado está ligado a um direito fundamental de todos e se reporta à qualidade de vida que se configura como valor imaterial da coletividade”. (LEITE, 2003, p.266-267).

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O Ministro Teori Albino Zavascki em seu voto vista referiu que: “O dano ambiental ou ecológico pode, em tese, acarretar também dano moral – como, por exemplo, na hipótese de destruição de árvore plantada por antepassado de determinado indivíduo, para quem a planta teria, por essa razão grande valor afetivo. (BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma. Recurso Especial n° 598.281-MG Relator para o acórdão Min. Teori Albino Zavascki. julgado em: 02 maio 2006. DJ 01.06.2006 Disponível em: <http://www.stj.gov.br> Acesso em: 19 jun. 2006)

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“Não é razão suficiente para não indenizar, e assim beneficiar o responsável, o fato de não ser possível estabelecer equivalente exato, porque, em matéria de dano moral, o arbitrário é até da essência das coisas. Aliás, os mais autorizados adversários da reparabilidade do dano moral não aludem apenas à dificuldade material da avaliação,porque percebem que a objeção é irrelevante, dada a ocorrência de fenômeno idêntico em relação ao dano patrimonial. Sua preferência se volta

jurídico, está embasado em que o direito não pode reduzir sua esfera de proteção

aos interesses patrimoniais tendo de ter um caráter de universalidade. Portanto, a

proteção jurídica do meio ambiente não se reduz ao âmbito da reparação in natura

ou sua indenização, mas abrange os danos causados à pessoa, incluindo os danos

que afetam seu patrimônio, sua integridade física, sua espiritualidade.

Assim, as limitações ou restrições ao pleno desenvolvimento das pessoas,

derivadas da contaminação ambiental causam por si mesmas a responsabilidade

civil de quem causou, desde que atendidos os pressupostos gerais da

responsabilidade civil ambiental. Nesse sentido, qualquer que seja a atividade

desenvolvida que vá contra a qualidade de vida das pessoas, tanto individualmente

como em forma grupal, originam um dever de reparação tanto na esfera patrimonial

como na esfera extra-patrimonial.

O dano moral

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ocasionado pelo dano ambiental e sua conseqüente

indenização requer que a vítima sofra dano em sua esfera espiritual.

Há dificuldades na valoração ou estimativa econômica do dano ambiental

para fins de indenização e, também, é, muitas vezes, difícil determinar quem sentiu

ou sente um sofrimento espiritual pelo dano causado ao ambiente, assim como,

limitar quando ocorre esse sofrimento e por quanto tempo.

para a consideração de que é repugnante à consciência jurídica atribuir equivalente pecuniário a um bem jurídico da magnitude dos que integram o patrimônio moral, operação que resulta em degradação daquilo que se tem em vista proteger. Esses argumentos deixam de atender a que nosso sentimento de justiça não se pode considerar satisfeito com a mera reparação dos prejuízos materiais, em face de ofensa à honra, ao sentimento de piedade, ao afeto, à integridade corpórea e à vida. A satisfação por que ansiamos quando animados pela reprovação à ofensa, não será completa se se resumir na indenização dos danos patrimoniais. O desgosto, a aflição, a humilhação sofridos pela vítima ficam sem compensação, sem satisfação, se nos limitamos a indenizar os danos meramente patrimoniais. E isso preocupa os que têm sentimento de justiça, fazendo com que se transija com a fórmula de reparação pecuniária, ao menos até que se estabeleça processo mais idôneo de reparar o dano moral, que lhe assegure equivalente adequado”. (DIAS, 2006, p. 1004-1005).

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“ O dano moral consiste nos reflexos negativos das lesões a um bem integrante da personalidade, tal como a honra, a liberdade, a saúde, a integridade física e psíquica, a imagem, o nome, a intimidade, a privacidade. Carece de dimensão econômica, estando vinculado ao plano subjetivo, à dignidade pessoal e a outros atributos ligados à personalidade.

[...]

Ora, o direito ao meio ambiente saudável e equilibrado é essencial a sadia qualidade de vida, vale dizer, representa um valor indispensável à personalidade humana”. (MONTENEGRO, Magda. Meio

Porém, o judiciário, para cumprir com o princípio que não admite a

denegação da justiça, não podendo deixar de julgar com base na justificativa da

ausência de norma aplicável, precisa primar pela satisfação ou compensação

jurídica do interesse jurídico lesionado em prol de uma reparação plena. Para isso,

há que avaliar o fato danoso, suas conseqüências, fazendo uma análise crítica

racional e, quantificando-o da forma mais adequada ao caso concreto.

Para poder estabelecer um justo valor dessa indenização, a sua estimativa

terá de ser realizada para cada caso em particular, valendo-se o julgador dos

elementos constantes do processo e da análise da diversidade de fatores que tenha

a disposição para ponderar.

É complexa a questão de valoração do dano ambiental por ser difícil de

apurar o seu quantum, assim como, muitas vezes, não há como restaurar o status

quo ante, mesmo com a interrupção da causa degradadora.

2.3 Dano ambiental e responsabilidade civil no ordenamento jurídico brasileiro

Ainda a conscientização da importância de proteção do meio ambiente como

forma de preservação da própria vida é muito deficiente, sendo que, muitas vezes, a

pessoa só atenta para o cuidado com o meio ambiente quando coagido por

imposição de sanção.

No entendimento de Norberto Bobbio

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, “o que comumente chamamos de

Direito é mais uma característica de certos ordenamentos normativos que de certas

normas”.

Assim, há que se analisar e interpretar coerentemente as normas, sejam

elas princípios ou regras, de forma a imprimir caráter concretizador do sentido da

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BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico. 10. ed. Brasília: Universidade de Brasília- UNB, 1999, p. 28.

norma jurídica ambiental, destacando-se que ela normatiza a tensão que há entre a

apropriação e a conservação dos recursos naturais.

Mesmo sendo a finalidade da sanção civil a reparação e compensação do

dano ambiental, há inserido o efeito preventivo, na medida em que as medidas

judiciais desestimulam as práticas danosas em face dos ônus que poderão arcar, ou

seja, a punição funciona como uma forma de educação.

Conforme explanado, a responsabilidade civil se constitui em regra básica

do equilíbrio social, ou seja, aquele que age ou se omite, causando dano a outrem,

terá de suportar as conseqüências do seu procedimento.

Atualmente, os danos causados ao meio ambiente passaram a ser tratados

de maneira mais intensa na doutrina e na jurisprudência brasileira e estrangeira.

As disposições relativas à proteção do meio ambiente, previstas na Lei n°

6.938/81 - Lei de Política Nacional do Meio Ambiente, foram precursoras no sentido

de responsabilizar os agentes causadores do dano ambiental, sendo que a

responsabilidade por danos ao meio ambiente seguiu um longo percurso evolutivo,

até chegar ao estágio atual.

A sociedade passou a ter uma consciência mais nítida do problema

ambiental a partir da segunda guerra mundial, época em que começou a exigir-se

um tratamento jurídico voltado para essa problemática.

Em 1978, foi publicado um artigo de autoria do Procurador do Estado Sérgio

Ferraz

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que os doutrinadores reconhecem como um marco e referência

importantíssima na esfera da responsabilidade civil por dano ambiental. Sergio

Ferraz deu enfoque em seu artigo destacando que desde a Constituição de 1946, no

seu art. 107, a responsabilidade do Estado era objetiva. Porém, para os danos

ambientais causados por pessoas físicas ou jurídicas a responsabilidade civil era

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FERRAZ, Sérgio. Responsabilidade civil pelo dano ecológico. Revista da Consultoria-Geral do

regida pelo Código Civil e era subjetiva, o que se traduzia numa quebra da isonomia.

Em face disso, defendeu que fosse adotada a responsabilidade civil objetiva para os

casos de dano ambiental.