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2. Contextualização e Dinâmicas

2.1. Enquadramento Biográfico

2.2.1. Caracterização do Contexto do Estágio Profissional (Macro

É, atualmente, unânime que deve ser corrigido o papel redutor da educação física na vida da criança e adolescente e ser encarado como um fator de desenvolvimento, papel esse que ainda está longe de esgotar as suas virtualidades, como refere Faria (1969, p. 39), que “(…) a atividade física é uma

qualidade substancial do ser humano que apresenta um teor que ultrapassa o que o biológico e o funcional comummente lhe conferem. A atividade física é fonte de conhecimento e comunicação, de sentimentos e emoções, de prazer estético, de promoção da saúde e fator de desenvolvimento filogenético e ontológico.”.

Tem sido um desafio alterar a visão de uma disciplina meramente recreativa, visão contrária à proposta desenvolvimentista, para que se reconheça o seu valor enquanto área disciplinar autónoma.

Suscitar uma dinâmica de desenvolvimento do currículo real da disciplina é cada vez mais a questão central à qual o programa procura responder, no sentido de que possam ser criadas, em todas as escolas, as condições materiais e pedagógicas para que cada aluno possa usufruir dos benefícios da educação física. O currículo nacional do ensino básico (CNEB) corrobora esta ideia referindo “O essencial do valor pedagógico dessas

relações reside nos aspetos particulares da Educação Física, materializado no conjunto de contributos e de riquezas patrimoniais específicas, que não podem ser promovidas por qualquer outra área ou disciplina do currículo escolar.”.

A educação física faz parte de um restrito número de disciplinas que acompanha o currículo escolar dos alunos desde o primeiro ao décimo segundo ano de escolaridade. Aqui já conseguimos identificar algum reconhecimento e valorização para com esta disciplina.

Sistematizando os benefícios da educação física, centramo-nos no valor educativo da atividade física eclética, pedagogicamente orientada para o desenvolvimento multilateral e harmonioso do aluno (Portugal. Ministério de Educação. Departamento da Educação Básica, 2010).

Bento (1987) citado por Matos (1993, p. 471) indica que “o processo de

ensino em EF é sempre um processo integral, complexo e unitário”. Os

argumentos valorativos da EF podem ser de natureza variada, tal como decorre de Peter Klein, citado por Bento e Bento (2010, p. 21): “A escola deveria ser a

melhor festa da cidade”. Continuando: “Isto lembrou-nos que a necessidade de renovar a escola, de recriar e tornar mais atraentes as formas de realizar a

desportiva. Com efeito a escola carece de riso, de entusiasmo, de dinamismo, de palmas, de alegria e animação; precisa que se goste dela. Ora o desporto é um meio primordial de revigorar a educação, de lhe emprestar uma cara de festa e euforia, de apego e empatia, de quebrar a rotina escolar com competições internas e externas. Trata-se, enfim, de demonstrar coerência, de consumar o desiderato de desportificar a escola e escolarizar o desporto.” … “E é também sabida a conexão entre estes aspetos, a obesidade e as doenças cárdio-vasculares. Daqui decorre uma séria ameaça não somente à saúde, mas igualmente à realização de valores educativos e sociais. Com efeito a condição corporal cumpre um papel instrumental ao serviço de outras condições e aceções (psicológica, afetiva, cognitiva, social) da pessoa e da sua vida.”

Assim, esta conceção concretiza-se na apropriação das habilidades e conhecimentos, na elevação das capacidades do aluno e na formação das aptidões, atitudes e valores (bens de personalidade que representam o rendimento educativo), proporcionadas pela exploração das suas possibilidades de atividade física adequada: intensa, saudável, gratificante e culturalmente significativa.

Os seus benefícios são reconhecidos por diferentes autores. Como exemplos podemos observar que:

a) Matos e Graça (1990, p. 311), referem que “a associação da atividade

física ao bem-estar e à saúde, quer como sintoma, quer como fator, está por demais reconhecida. A promoção de hábitos de vida saudável impôs-se como meta de qualquer sistema educativo. À disciplina de Educação Física é reconhecido um papel privilegiado e insubstituível na realização desse objetivo superior, já que muitas crianças não terão, na sua vida, mais nenhuma experiencia de atividade física organizada e regular além da proporcionada pelas aulas de Educação Física.” numa perspetiva de relacionamento de

disciplina de Educação Física com a promoção da saúde e bem-estar e da qualidade de vida.

b) Já Vilma e Wagner defendem que a Educação Física servirá para que, através do conhecimento e da prática de atividade física e desportiva, o

ser humano reconheça-se como tal numa relação de interação com o meio ambiente (Moreira & Nista-Piccolo, 2010, p. 20). Esta compreensão, numa visão ecológica, permite o conhecimento e a relação da dependência ser humano/cosmos, permite lembrar de como os seres vivos deste planeta dependem da biosfera terrestre. Assim, será reconhecida a nossa identidade terrena, física, psíquica e biológica, como condição necessária para o nosso processo de humanização.

Sendo o ser humano constituído por um princípio biofísico e um princípio psicossocio-cultural, ambos interdependentes, estes devem orientar as aulas de Educação Física na escola.

c) Mota por sua vez, menciona que a sociedade contemporânea caracteriza-se por ser uma sociedade de mudança, de tal forma que, provocou alterações ao nível do contexto social. Referindo-se à atividade física, refere que “O desporto (atividade física) é percebido frequentemente como um campo

onde os malefícios dos nossos comportamentos e atitudes podem ser minorados, o local onde é possível valorizar o nosso “eu” (corpo) tão mitigado pelos problemas do quotidiano. Não se pode desprezar, assim, o papel e o significado das atividades físicas, no contexto escolar e no domínio das atividades de lazer e tempos livres.” (1993, p. 64).

d) A educação física e desportiva na escola é a única disciplina que visa preferencialmente a corporalidade, Bento e Bento (2010, p. 20) corroboram esta afirmação e ainda acrescenta que ela constitui “(…) uma forma especifica

da relação do sistema educativo com o corpo.”, “Logo a educação física e desportiva distingue-se de outras áreas, no concernente à sua tarefa educativa primordial, pelo facto de educar, formar, socializar e possibilitar experiências a partir do corpo.”

Com estes apontamentos bibliográficos ficamos com a perceção de que a disciplina de EF, apesar de ter ainda um longo caminho para percorrer, já conquistou o seu lugar de importância fundamental na formação do Homem. Concluo que contribui para o bem-estar físico, mental, social, de recreação e prazer do indivíduo, para a melhoria da saúde, para a fomentação do trabalho

vida saudável, colaborando no crescimento e desenvolvimento harmonioso do corpo e da personalidade do ser humano e para o alívio do stress, com repercussões desejáveis a nível individual e coletivo.