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Caracterização do Programa

No documento barbaralimagiardini (páginas 98-110)

CAPÍTULO III UMA VISÃO DO PNAIC PELA ABORDAGEM DO CICLO

3.2 O PNAIC EM TEXTOS

3.2.1 Caracterização do Programa

O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pacto) foi instituído pelo Ministério da Educação no âmbito do PDE31, considerando, especialmente, o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação em sua segunda diretriz, que dispõe sobre “[...] alfabetizar as crianças até, no máximo, os oito anos de idade, aferindo os resultados por exame periódico específico”32

(BRASIL, 2007, p. 1). Nesse sentido, pode-se dizer que:

O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa é um compromisso formal assumido pelos governos federal, do Distrito Federal, dos estados e municípios de assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os oito anos de idade, ao final do 3º ano do ensino fundamental. (BRASIL, 2012e, p. 6)

Para atingir esse propósito, as ações do Pacto têm como objetivos:

I – garantir que todos os estudantes dos sistemas públicos de ensino estejam alfabetizados, em Língua Portuguesa e Matemática, até o final do 3º ano do ensino fundamental;

II – reduzir a distorção idade-série na Educação Básica;

III – melhorar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB);

IV – contribuir para o aperfeiçoamento da formação dos professores alfabetizadores; V – construir propostas para a definição dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento das crianças nos três primeiros anos do ensino fundamental (BRASIL, 2012g, p. 1)33.

31 O PDE faz parte do cenário de influência do PNAIC e também está presente nos textos do Programa. Esse é

um exemplo de que o ciclo de políticas não tem fases estanques: influência e produção de textos se misturam, sendo contextos imbricados.

32 Decreto n° 6.094/2007 , art. 2º, inciso II. 33 Art. 5º, Portaria MEC nº 867/2012.

Considerando-se os objetivos do Programa, sua estrutura se organiza em quatro eixos de atuação: Formação; Materiais Didáticos; Avaliação; Gestão, Mobilização e Controle Social, descritos a seguir.

A Formação Continuada de Professores Alfabetizadores visa a apoiar os docentes que atuam no ciclo inicial de alfabetização (1º, 2º, 3º ano escolar do ensino fundamental), no planejamento das aulas e na utilização dos materiais ofertados pelo Ministério da Educação (BRASIL, 2012f34; BRASIL, 2013c35). A Formação caracteriza-se por meio de dois processos: a formação dos professores alfabetizadores e a formação e construção de uma rede de professores orientadores de estudo (BRASIL, 2012g). Em ambos os momentos, ocorre de forma presencial e utiliza-se de materiais fornecidos pelo Ministério da Educação, elaborados pelas universidades parceiras.

O eixo dos Materiais Didáticos consiste na disponibilização, pelo MEC, de diversos tipos de materiais às escolas, quais sejam: livros didáticos e manuais do professor referentes ao ciclo inicial de alfabetização; obras pedagógicas; jogos pedagógicos e tecnologias educacionais destinados à alfabetização; obras de referência, de literatura e de pesquisa; obras de apoio pedagógico aos professores. A distribuição de alguns tipos desses materiais é feita a partir do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e do Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE)36.

O eixo da Avaliação, no âmbito das ações do Pacto, engloba as seguintes atividades: avaliação do nível de alfabetização dos estudantes do 2º ano escolar do ensino fundamental, no início e ao final do ano letivo, por meio da Provinha Brasil; disponibilização de sistema informatizado para inserção dos resultados da Provinha Brasil; análise amostral dos resultados da Provinha Brasil pelo INEP, ao final do ano; avaliação do nível de alfabetização dos estudantes do 3º ano escolar do ensino fundamental, de maneira censitária, aplicada pelo INEP (art. 9, inciso I a IV, Portaria nº 867/2012).

Faz-se oportuno destacar que a Provinha Brasil37, instituída pela Portaria Normativa nº 10, de 24 de abril de 2007, produzida e distribuída pelo INEP desde 2008, é um instrumento que visa a favorecer o diagnóstico da alfabetização das crianças que já vivenciaram o primeiro ano do ciclo de alfabetização e devem estar alfabetizadas ao final do terceiro ano. A utilização do instrumento pelas Secretarias de Educação é opcional, mas, ao que parece, a partir do

34 Art. 1º, Portaria MEC nº 1.458/2012. 35

Art. 2º, Resolução MEC/FNDE nº 4/2013.

36

Art. 8º, inciso I a V, Portaria MEC nº 867/2012 (BRASIL, 2012f).

momento que é vinculada ao Pacto, torna-se obrigatória nas escolas participantes do Programa. Ou seja, a Provinha Brasil ficou condicionada ao PNAIC.

Para a avaliação do nível de alfabetização dos educandos no 3º ano do ensino fundamental, o INEP pretende aplicar, anualmente e de forma censitária, a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA). O instrumento de avaliação, além dos testes de desempenho em Língua Portuguesa e Matemática, conta com questionários contextuais. A correção e a análise dos instrumentos são feitas pelo INEP38.

Segundo Micarello (2015), a avaliação recebe centralidade nos processos que visam ao alcance de metas, como é o caso do PNAIC, pois

é instrumento fundamental para o monitoramento de metas educacionais, sejam aquelas estabelecidas pelo professor em relação aos seus alunos, sejam definidas no âmbito dos sistemas de ensino em relação a uma população mais ampla – de um município, de um estado, do país. (MICARELLO, 2015, p. 65)

O eixo da Gestão, Mobilização e Controle Social engloba um arranjo institucional para a gestão das ações do Pacto em diferentes instâncias e níveis de decisão. Conta com Comitê Gestor Nacional, Coordenação Institucional, Coordenação Estadual, Coordenação Municipal. Esta última deve envolver os conselhos escolares, os conselhos de acompanhamento e controle social da educação, a sociedade civil organizada e a mobilização da comunidade escolar (art. 10, inciso I, alíneas a, b, c, d, Portaria nº 867/2012) no gerenciamento das ações do Pacto o Conselho Municipal de Educação.

Acredita-se que a intenção de trazer a participação popular para o processo educacional tem a ver com a responsabilização pelos resultados. O vídeo39 institucional do PNAIC reafirma a necessidade de envolvimento de múltiplas ordens: “[...] Este desafio [superar o fracasso na alfabetização] exige soluções que ultrapassam os limites de um governo. Exige amplo pacto entre governantes, educadores, pais e toda sociedade: um Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa” (PACTO, 2012, [s.p.]). Ou seja, a responsabilidade por essa tarefa não é apenas do poder central e dos entes federativos subnacionais, como reafirmado em outro trecho: “[...] Este compromisso é do governo federal, dos estados e municípios. É dos professores, pais e gestores escolares. Este compromisso é do Brasil e de todos os brasileiros” (PACTO, 2012, [s.p.]). Coloca, assim, o

38 http://portal.inep.gov.br/web/saeb/ana

39 Vídeo Institucional PNAIC: <https://www.youtube.com/watch?time_continue=33&v=gAOoh9VmXd8>.

peso da responsabilização sobre todos. A esse respeito, assim expressa documento “Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa: o Brasil do futuro com o começo que ele merece”:

Sabemos que todas as crianças têm condições de aprender e se desenvolver. Um resultado que depende de muito trabalho, dedicação, cuidado, atenção, carinho e investimentos dos governos, escolas, professores, famílias, e a mobilização vigilante de toda a sociedade. É um direito de cada uma delas e um dever de todos nós (BRASIL, 2012e, p. 4)

A composição do Pacto por meio dos quatro eixos foi avaliada de maneira positiva por Cabral (2015) ao comparar o PNAIC com outros programas de formação de alfabetizadores do Ministério da Educação, o PROFA e o Pró-Letramento. Aponta, dessa forma, o Pacto como uma proposta mais robusta:

A diferença é que essa é uma política educacional mais aprofundada e sedimentada em quatro eixos que se complementam: o processo de formação, o de avaliação, a disponibilização de materiais didáticos nas escolas para uso do educador e do aluno e a mobilização e controle sociais. (CABRAL, 2015, p. 126)

No âmbito do Pacto, a estrutura da formação é composta pelos seguintes agentes: Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação; Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação; Instituições de Ensino Superior; Secretarias de Educação dos estados, do distrito federal e dos municípios. Algumas atribuições e responsabilidades desses órgãos estão descritas na Figura 1 a seguir:

Figura 1: Competência dos Agentes de Formação do Pacto

Fonte: elaboração Própria com base na Portaria 4/2013, art. 7º, incisos I a IV.

Para a operacionalização da Formação Continuada de Professores Alfabetizadores, são utilizados recursos humanos no âmbito das IES e no âmbito dos estados, Distrito Federal e município, conforme demonstrado na Figura 2:

PNAIC

Secretaria de Educação Básica (SEB)

definir o conteúdo de formação, junto às IES; promover em parceria com as IES e os agentes envolvidos a formação dos orientadores de estudo e dos professores

alfabetizadores; instituir o gestor nacional

do Pacto, responsável pela interlocução com o

FNDE nos assuntos do pagamento das bolsas; conceder bolsas de estudo aos envolvidos

com o Programa; estabelecer os critérios de

seleção dos supervisores e formadores das IES; fornecer os materiais didáticos, literários, jogos

e tecnologias às redes de ensino participantes; elaborar e oferecer metodologia para monitoramento e avaliação da formação; manter em operação o Sistema Informatizado de Gestão e Monitoramento do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa – SisPacto. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) operacionalização de questões relacionadas à bolsa, tais como: abertura

de conta-benefício para cada um dos bolsistas; pagamento mensal das bolsas; monitoramento do

pagamento das bolsas pelo Banco do Brasil; elaboração de relatórios

sobre o pagamento das bolsas; prestação de informações à SEB/MEC. Instituições de Ensino Superior (IES) a gestão pedagógica e acadêmica do curso de formação; seleção dos formadores responsáveis pelo curso

de formação dos orientadores de estudo;

organização do espaço físico e de material para a

realização dos encontros presenciais com os orientadores de estudo; definição do coordenador geral e indicação de coordenador adjunto da formação na IES; realização do processo de

seleção dos supervisores e formadores; certificação

dos orientadores de estudo e dos professores

alfabetizadores concluintes dos cursos.

Secretarias de Educação dos Estados, Distrito Federal e dos Municípios

gerenciamento da formação em seu âmbito

de atuação; a definição do coordenador das ações do

Pacto no estado, Distrito Federal ou município;

a indicação dos orientadores de estudo e o custeio das despesas de

deslocamento, alimentação e hospedagem para os momentos de formação junto à IES; monitoramento das avaliações diagnósticas e externas; distribuição dos materiais

aos professores e às escolas; assistência técnica às escolas e ou municípios com dificuldades de implementação do Programa.

Figura 2: Recursos humanos para desenvolvimento do PNAIC

Fonte: elaboração própria.

Nota-se, pelo disposto nas Figuras 1 e 2, que o PNAIC engloba uma ampla e diversificada estrutura, em termos de órgãos e profissionais, para desenvolvimento do Programa. Observa-se, também, pela Figura 1 anterior e pelos Quadros 12 e 13 seguintes, que as responsabilidades sobre o Programa foram compartilhadas, em um regime de colaboração, assim como as decisões foram descentralizadas. Exemplo disso é a presença de um coordenador nos estados e municípios, ou seja, a gestão do Pacto mais próxima da realidade local.

No Quadro 12, estão descritas algumas funções de cada um dos atores do Programa no âmbito da IES, bem como está apresentada a forma de seleção dos mesmos e os valores das respectivas bolsas de apoio e estudo:

RECURSOS HUMANOS PARA DESENVOLVIMENTO DO PACTO IES Coordenador Geral Coordenador Adjunto Supervisor Formador Estado, Distrito Federal, Municípios

Coordenador das ações do Pacto

Orientadores de Estudo

Professores Alfabetizadores

Quadro 12: Detalhamento sobre atores do Programa no âmbito da IES (continua)

RECURSOS HUMANOS

ATRIBUIÇÕES FORMA DE SELEÇÃO VALOR DA

BOLSA

Coordenador geral Coordenação das ações pedagógicas, administrativas e financeiras; escolha do coordenador adjunto; processo de seleção dos supervisores e formadores; gestão do curso e o cumprimento das metas pactuadas com o MEC e com os sistemas de ensino; elaboração e envio de relatórios acerca da formação pelo SisPacto; coordenação do processo de certificação dos orientadores de estudo e dos professores alfabetizadores.

Indicado pelo dirigente máximo da IES, tendo em vista os seguintes critérios: ser professor efetivo, com experiência na área de formação continuada de profissionais da educação básica e titulação de mestrado ou doutorado.

R$ 2.000,00 (dois mil reais)

Coordenador adjunto da IES

Coordenação acadêmica da formação; organização dos encontros presenciais, das atividades pedagógicas, dos calendários acadêmicos e administrativo juntamente com as Secretarias de Educação e seus respectivos coordenadores; homologação dos cadastros dos orientadores de estudo e dos professores alfabetizadores; solicitação de pagamento mensal das bolsas; organização, juntamente com o coordenador geral da IES, do seminário final do estado; proposição, adequação, desenvolvimento e modificações na metodologia de ensino adotada e condução de estudos e análises sobre a implementação da formação, divulgando seus resultados.

O coordenador adjunto é indicado pelo coordenador geral da IES, respeitando-se os seguintes critérios: ser professor efetivo da IES, com experiência na área de formação de professores alfabetizadores, e titulação de mestrado ou doutorado R$ 1.400,00 (mil e quatrocentos reais)

Supervisor Oferece suporte ao coordenador adjunto no que se refere à coordenação acadêmica da formação. Dessa forma, atua na coordenação e acompanhamento da formação dos orientadores de estudo e realiza sistematicamente reuniões com os coordenadores das ações do Pacto dos estados, do Distrito Federal e dos municípios a fim de monitorar a assiduidade aos encontros presenciais dos orientadores de estudo e dos professores alfabetizadores.

A escolha do supervisor ocorre por meio de processo de seleção pública, considerando-se os requisitos de experiência na área de formação de alfabetizadores e titulação de especialização, mestrado ou doutorado. R$ 1.200,00 (mil e duzentos reais)

Quadro 12: Detalhamento sobre atores do Programa no âmbito da IES (conclusão) Formador da IES Planejamento, desenvolvimento e

avaliação das atividades de formação dos orientadores de estudo; acompanhamento do trabalho do orientador de estudo junto aos professores alfabetizadores; organização dos seminários ou encontros com os orientadores de estudo a fim de acompanhar e avaliar a formação, entre outras atribuições.

A seleção dos formadores é realizada pelo coordenador geral, em processo seletivo, considerando-se os critérios de experiência na formação de professores alfabetizadores; a atuação nessa função ou como professor alfabetizador por pelo menos dois anos; formação em Pedagogia, áreas afins, ou Licenciatura; titulação de especialista, mestre, doutor ou estar cursando pós-graduação na área da Educação.

R$ 1.1100,00 (mil e cem reais)

Fonte: elaborado com base na Portaria n° 1458/2012; Portaria nº 90/2013; Resolução nº 4/2013.

No Quadro 13, estão descritas algumas funções de cada um dos atores do Programa no âmbito dos estados, Distrito Federal e municípios, assim como a forma de seleção dos mesmos e os valores das respectivas bolsas de apoio e estudo:

Quadro 13: Detalhamento sobre atores do Programa no âmbito dos estados, Distrito Federal e municípios (continua)

RECURSOS HUMANOS

ATRIBUIÇÕES FORMA DE SELEÇÃO VALOR DA

BOLSA Coordenador das ações do Pacto nos estados, no Distrito Federal e nos municípios

Responsabiliza-se por realizar o cadastramento dos orientadores de estudo e dos professores alfabetizadores no SisPacto e no SGB; monitorar a realização dos encontros presenciais no seu campo de atuação; assegurar junto à SME as condições de deslocamento e hospedagem dos orientadores de estudo e dos professores alfabetizadores para participação nos encontros presenciais; organizar e coordenar o seminário de socialização de experiências em seu lócus de atuação; monitorar o recebimento e a utilização correta dos materiais pedagógicos; acompanhar as ações da SME no que se refere à avaliação interna (Provinha Brasil) e externa; dialogar com os órgãos colegiados da educação, como o Conselho Estadual ou Municipal e os Conselhos Escolares.

Sua participação no Programa é indicada pela Secretaria de Educação, considerando as seguintes características cumulativas: ser servidor efetivo da SME; possuir experiência na coordenação de projetos ou programas federais; possuir amplo conhecimento acerca das escolas e profissionais que atendem ao ciclo inicial de alfabetização; ter capacidade de comunicação e mobilização dos atores locais envolvidos com o ciclo de alfabetização; possuir familiaridade com meios de comunicação virtuais. R$ 765,00 (setecentos e sessenta e cinco reais)

Quadro 13: Detalhamento sobre atores do Programa no âmbito dos estados, Distrito Federal e municípios (conclusão)

Orientador de estudo

Participar dos encontros presenciais junto à IES formadora com mínimo de 75% de frequência; ministrar o curso aos professores alfabetizadores em seu município ou polo de formação; acompanhar a prática pedagógica dos cursistas; registrar no SisPacto a avaliação dos cursistas referente à frequência, participação e as atividades desenvolvidas; apresentar relatórios pedagógico e gerencial sobre a formação dos professores alfabetizadores à universidade.

A seleção do orientador de estudo é feita pela Secretaria de Educação, tendo em vista os requisitos estabelecidos pelo Ministério da Educação: ser professor efetivo da rede de ensino, ter atuado como tutor no Pró-Letramento e possuir disponibilidade para dedicar-se às atividades de formação e à multiplicação junto aos professores alfabetizadores (art. 10, inciso I a III, Portaria nº 1458/2012; art. 13, inciso I a III, Resolução MEC/FNDE nº 4/2013). Caso não seja possível contar com os tutores do Pró-Letramento para a orientação dos estudos, a seleção deve recair sobre profissional do magistério efetivo da rede, com formação em Pedagogia ou Licenciatura, que atue como docente ou coordenador pedagógico do ciclo inicial de alfabetização com, no mínimo, três anos de experiência ou experiência comprovada na formação de professores alfabetizadores. R$ 765,00 (setecentos e sessenta e cinco reais) Professor alfabetizador

Dedicar-se ao objetivo de alfabetizar todas as crianças de sua(s) turma(s) até os oito anos de idade; participar dos encontros presenciais com frequência igual ou superior a 75%; aplicar em sala de aula as atividades propostas nos encontros de formação, procedendo ao registro das dificuldades para posterior discussão nos encontros presenciais; utilizar os recursos didáticos oferecidos pelo MEC no planejamento do ensino; aplicar avaliação diagnóstica e registrar os resultados dos estudantes no SisPacto; participar do seminário final da formação e apresentar relato de sua experiência.

Para participação no Pacto, o professor alfabetizador deve ter lecionado em qualquer turma do ensino fundamental em 2012 – dessa forma, seu nome constar no censo daquele ano – e ser professor de alguma turma do ciclo de alfabetização em 2013.

R$ 200,00 (duzentos reais)

Os quadros 12 e 13 revelam que os profissionais participantes do PNAIC possuem atribuições definidas, claras e coerentes com as funções a serem exercidas. Além disso, a forma de seleção dos envolvidos apresenta interessantes critérios, que valorizam formação, conhecimento e experiência. Porém, repousam sobre a seleção do professor alfabetizador algumas discussões. Há autores (AQUINO; ARANDA, 2014; RODRIGUES, 2015) e profissionais (professores participantes desta pesquisa) que defendem uma ampliação do público-alvo do Programa, que não recaia apenas sobre os docentes em exercício no ciclo de alfabetização que consta no censo escolar, mas que envolva todos aqueles que lidam com a alfabetização, independentemente do cadastro, dentre eles coordenadores pedagógicos e diretores escolares. Outro aspecto que merece ser discutido é a valorização dos professores alfabetizadores por meio de concessão de bolsas, demonstrando, assim, o ineditismo com relação a outras iniciativas do Governo federal, como exemplo, o Pró-Letramento. É a primeira vez que o professor cursista recebe auxílio financeiro para participação em momentos de formação continuada, o que revela, de certa forma, valorização e reconhecimento do docente. No Pró-Letramento, os tutores recebiam bolsa, mas os cursistas não obtinham apoio financeiro.

Tomando-se emprestados elementos associados ao sucesso de três programas de iniciação à docência investigados por André (2015), pode-se afirmar que o PNAIC contempla, em sua estrutura, vários aspectos, conforme descreve a autora:

 o incentivo financeiro sob a forma de bolsas foi indubitavelmente um fator de atração para o ingresso de estudantes e professores nos programas, mesmo que após o momento inicial as motivações tenham se transformado;

 a formalização dos programas sob a forma de portarias e regulamentos, com respaldo de órgãos governamentais, foi também um elemento importante para dar-lhes credibilidade e obter adesão;

 o fato de terem uma estrutura bem definida, com princípios orientadores, objetivos claros e descrição pormenorizada das atribuições dos participantes sem dúvida contribuiu para um olhar de respeito e de acolhimento aos programas;

 os mecanismos de controle e de cobrança dos resultados embutidos nos programas também são elementos que contam positivamente para sua respeitabilidade;

 além de todos esses fatores formais, pode-se dizer que sem a dedicação e o trabalho dos vários grupos participantes, que mobilizaram seus conhecimentos específicos, seus afetos, suas disposições e seu compromisso político e social, não haveria sucesso. (ANDRÉ, 2015, p. 115)

Observa-se, pelo estudo dos textos do PNAIC, a presença dos fatores formais apontados por André (2015), quais sejam: incentivo financeiro em forma de bolsa; formalização do programa por meio de documentos; estrutura bem definida; mecanismos de cobrança e resultados. Há uma clareza quanto ao fato de que o objeto de análise da autora não foi programa de formação continuada de professores, e sim programa de iniciação à docência. Todavia, acredita-se que esses elementos sejam importantes para se pensar quaisquer programas que envolvam formação docente.

No documento barbaralimagiardini (páginas 98-110)