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3 DE NOÇÕES DE IDENTIDADE PESSOAL-SOCIAL À IDENTIDADE

4.3 Caracterizando os participantes da pesquisa

O estudo contou com 133 participantes que responderam ao questionário e, conforme já mencionado, esse instrumento serviu para delinear aspectos gerais dos participantes no sentido de situar características dos estudantes de Licenciatura em História da UFPE, cujos resultados encontram-se sistematizados no Quadro 14 a seguir apresentado.

Quadro 14 - Características dos participantes do questionário

Sexo Feminino Masculino

37,6% 62,4% Faixa Etária Abaixo de 20 anos Entre 20 e 25 anos

Entre 26 e 30 anos Entre 31 e 35 anos Acima de 35 anos 34,5% 46,6% 9,7% 3,0% 6,0% Quantas vezes fez vestibular e para quais cursos Quantidade de vestibulares

1 vez 2 vezes 3 vezes 4 vezes 5 vezes 6 vezes ou mais

36% 41,6% 12,8% 4,8% 3,2% 1,6%

Cursos do 1º vestibular História Direito Administ

ração Jornalismo Ciências Sociais Outros 37 cursos com 1% ou menos 52.5% 15% 2,9% 2,2% 2,2% 25,2% Ano de Ingresso no curso 2012 2013 2014 2015 15,7% 28,5% 44,3% 11,2% Sobre o número de candidatos a entrevistas por período Disponibilidade para

entrevista? Sim Não

1º Período 85,7% 14,3% 2º Período 51,5% 48,5% 3º Período 38,4% 61,6% 4º Período 60,8% 39,2% 5º Período 28,5% 71,5% 6º Período 38% 62% Desblocados 100% - Total: 50,3% 49,7%

Embora seja fato a feminilização do magistério nos anos iniciais do Ensino Fundamental (HYPOLITO, 1991; APPLE, 1995) e de uma crescente presença feminina na docência nas demais etapas da Educação Básica, esse quadro revela um predomínio de estudantes homens na LH.

Quanto à faixa etária, observamos um maior percentual de participantes com idade entre 20 e 25 anos, representando 46,6% dos discentes. Considerando que a idade média de ingresso em universidades através dos vestibulares é de 18 anos, pois o MEC institui como idade escolar o período entre 4 a 17 anos, através da Lei nº 12.796/2013, tal quantitativo de estudantes na faixa etária acima mencionada sinaliza um hiato entre a saída do Ensino Médio e o ingresso na LH.

Entendemos que uma das explicações possíveis a esse dado é o fato de cursos de licenciaturas muitas vezes serem a 2ª opção de graduação, conforme pontua Gatti et al (2011), principalmente em razão do baixo status social e da remuneração média do professor da Educação Básica. E ainda em razão do que nos diz Hargreaves (1994) no que diz respeito às crescentes responsabilidades acumuladas por esse profissional, que faz o trabalho docente burocratizado, oneroso e cansativo.

Essa realidade segundo Lopes (2001) influencia o processo relacional de construção das identidades profissionais docentes, haja vista que a identidade social docente passa a estar relacionada a desprestígio e excesso de trabalho, o que reverbera diretamente na identidade pessoal dos docentes, pois conforme explica Aguiar (2006) a identidade profissional é um importante elemento de construção da identidade pessoal.

No que concerne à quantidade de vestibulares realizados pelos participantes, temos que a maioria (41,6%) realizou o concurso por 2 vezes. Esse dado revela a razão da média de idade dos estudantes pesquisados ser maior do que a convencional. Vale destacar o alto percentual de pessoas que fizeram o vestibular de 3 a 6 vezes. Fazendo um somatório, temos um percentual de 22,4% do total de sujeitos.

Algo que chamou a atenção foi o caráter eclético das opções de curso dos sujeitos pesquisados, em termos de 42 cursos diferentes para os quais tentaram vestibular. Essa heterogeneidade demonstra a complexidade das relações que (re)constroem as identidades ao longo da história de vida dos sujeitos (LOPES, 2001), pois, nesse contexto, escolhas contraditórias e aparentemente incoerentes revelam-se uma característica do complexo processo inerente à constituição identitária profissional (MONTEIRO, 2004).

Esse dado revela, inclusive, que a construção identitária docente apresenta-se processual, pois a escolha pelo curso de Licenciatura em História pode ter sido resultado de

situações vivenciadas durante o momento de escolha de curso profissional, demonstrando que processos de socialização (DUBAR, 1997) e complexas relações interpessoais estão no cerne de tal construção identitária.

Percebemos que dentre as graduações escolhidas pelos participantes como outras opções de formação estavam cursos com grande prestígio social historicamente construído, a exemplo de Medicina, Engenharia e Direito.

Conforme visto em Dubar (1997), o nascimento das profissões reside na Idade Média, ainda com as corporações de ofício. Com o advento das universidades por volta do século XIII algumas atividades profissionais foram se estabelecendo como liberais por estarem assentadas em conhecimentos filosóficos e científicos adquiridos em instituições de ensino superior. Dentre as atividades profissionais que ocupam maior prestígio no mundo ocidental, estão a Medicina, a Engenharia e o Direito.

Tal característica é um elemento sedutor na escolha desses cursos para formação acadêmica, haja vista que o status e o modo de vida associada à determinada profissão influencia no processo de constituição das identidades pessoais dos profissionais, pois através das relações interpessoais, os sujeitos identificam-se levando em conta a identidade profissional assumida e seu prestígio social adquirido ao longo da história (AGUIAR, 2006).

Nesse quadro, o destaque observado através do questionário é o curso de Direito que ocupou o 2º lugar das opções, congregando um percentual de 15%. O curso de Administração ocupa o terceiro lugar, representando 2,9%, e, com 2,2%, o curso de Jornalismo em quarto lugar e em quinto o de Ciências Sociais, dentre os cursos mais escolhidos.

É de realçar que o curso de Direito possui uma grande proeminência em relação às demais opções dos participantes. Compreendemos que as relações sociais que interagem para o processo de construção da identidade profissional docente do futuro professor de História desenvolvem-se através de certa influência do curso de Direito, na medida em que esses campos muitas vezes são vistos com proximidade, conforme observado no contato com participantes da pesquisa no campo de investigação.

Nesse sentido, percebemos mais uma vez a complexidade observada na constituição identitária profissional, pois as opções profissionais feitas anteriormente à entrada na Licenciatura em História sinalizam que congregam aspectos processuais, contraditórios e ausentes de linearidade, em termos de contínuas rupturas e permanências.

Ainda quanto aos cursos escolhidos no vestibular, observamos que a opção pela Licenciatura em História ocupa a primeira posição com 52,5%, o que nos permite inferir que a maioria dos pesquisados optou por um curso de formação profissional docente.

Esse dado nos indica que mesmo diante de contexto que possa desestimular a busca pela atuação profissional docente (GATTI et al., 2011), mais da metade dos participantes sinaliza uma relação com a LH, e que tal relação pode residir em identificações primárias e/ou secundárias anteriores à escolha por essa graduação.

Outro dado importante é que desses 52,5% de estudantes que escolheram a Licenciatura em História como primeira opção de curso superior no ingresso do vestibular, 80% vieram direto do EM. Essa informação nos faz compreender que o índice de identificação com o ensino de História de estudantes egressos da educação básica é predominante.

Quanto à disponibilidade de participação na entrevista, dos 133 participantes que responderam ao questionário, 67 disponibilizaram-se a participar da entrevista. Nos 1º, 2º e o 4º períodos mais de 50% dos estudantes disseram desejar participar da 2ª fase. O destaque é para a empolgação observada nos primeiros períodos, uma tendência motivada pelas descobertas e novidades da inserção no mundo acadêmico. Em contrapartida, o 3º, 5º e 6º períodos demonstraram percentual abaixo de 50% para participação na 2ª fase, com destaque para os participantes do 5º e do 6º períodos.

Para garantir a confidencialidade dos participantes realizamos codificações considerando o período do qual fazem parte, portanto, 1º período P1, 2º período P2 e assim sucessivamente. Junto a isso, instituímos o código p1 participante número 1, p2 participante número 2 e assim por diante. No caso o código P1p1 refere-se ao participante número 1 do primeiro período, o P1p2 refere-se ao participante número 2 do primeiro período, P2p1 refere- se ao participante número 1 do segundo período, e assim sucessivamente. No que se refere aos participantes desblocados utilizamos PD para identificação do período e continuamos com a numeração, exemplo PDp1, participante número 1 do período desblocado.