3 DE NOÇÕES DE IDENTIDADE PESSOAL-SOCIAL À IDENTIDADE
4.2 Escolha dos participantes e dos procedimentos da pesquisa
Os participantes da investigação foram estudantes de Licenciatura em História da UFPE, ingressantes a partir de 2012.1 e que se encontravam em períodos diversos. A escolha pelo referido semestre está assentada no fato da reforma curricular ter sido implementada a partir deste semestre letivo. A escolha de estudantes em períodos distintos do curso foi a partir da compreensão de que a construção da identidade profissional docente se dá em momentos distintos da formação, pois como defendido por Lopes (2001), a história de vida do sujeito é fundamental para tal construção. Em função disso, a pesquisa contou com a participação de estudantes do 1º ao 6º período e, também, com um grupo de desblocados, pertencentes a turmas que estavam em curso no primeiro semestre de 2015.
Apesar do contato recente com o curso, a opção por contemplar estudantes do 1º período teve como justificativa a compreensão de que o processo de construção identitária desenvolve-se antes do ingresso em um curso. Pois, conforme Lopes (2001), a experiência como discente na Educação Básica é um elemento determinante na identificação com a docência.
No caso dos demais períodos, para além da referida experiência e vivência nas unidades curriculares, a pertinência de contar com participantes dessa ordem foi no sentido de uma aproximação com influências da formação, em particular tendo por referência a compreensão de Dubar (1997) quando afirma que o processo formativo é fundamental para a construção da identidade profissional por se tratar da inserção no universo simbólico da profissão.
Essa pluralidade contribui para potencializar uma abordagem investigativa que investe na heterogeneidade dos participantes como determinante para a riqueza das interpretações e dos resultados. No caso, uma análise de dados referenciada nas noções de identidade adotadas nessa pesquisa considera as subjetividades, a história de vida e o processo de socialização vivenciado pelos diferentes participantes que serão considerados em suas singularidades.
Tal opção possibilitou-nos analisar elementos presentes em processos de construção identitária profissional docente de estudantes (futuros professores) de LH, principalmente no que se refere à escolha de procedimentos para ter acesso a depoimentos de participantes que se encontravam em diferentes momentos de experiência na graduação.
Nesse sentido, utilizamos como instrumentos de coleta de dados o questionário e a entrevista semiestruturada. A escolha do questionário deu-se por permitir atingir um quantitativo maior de estudantes, sem necessariamente haver contato direto entre o pesquisador e os participantes da pesquisa (AMARO et al., 2004-2005) e foi eleito com a finalidade de construir um perfil dos estudantes e identificar possíveis participantes da entrevista. A escolha do questionário ainda teve como suporte a compreensão de Boni e Quaresma (2005) quando, para além de realçarem o quantitativo de pessoas, ressaltam que esse instrumento contribui para a liberdade dos participantes, podendo diminuir a influência do pesquisador para com as respostas.
O questionário congregou7, entre abertas e fechadas, seis questões das quais quatro trataram de aspectos relacionados à biografia dos sujeitos. Esse instrumento foi aplicado nas salas de aulas do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) e do Centro de Educação (CE), nos turnos da tarde e da noite durante os meses de maio e junho de 2015.
A sistemática de aplicação congregou uma solicitação de permissão aos professores para ter acesso às salas, uma explicação da finalidade da pesquisa, a entrega do instrumento, espera e recolha do material. Contamos com a colaboração dos 133 discentes contatados, tendo sido demonstrado um maior interesse em participar da pesquisa por parte dos estudantes pertencentes ao 1º e 2º períodos do curso. Os professores também demonstraram solicitude ao cederem parte de sua aula para aplicação do instrumento. Inclusive vale ressaltar que os docentes mais jovens e/ou substitutos expressaram mais atenção à pesquisa, chegando a fazer questionamentos sobre a investigação.
A coordenação do curso de Licenciatura em História foi fundamental para esse contato por disponibilizar a localização dos estudantes licenciandos a partir de 2012.1, facilitando a coleta de dados.
Os dados advindos do questionário permitiram construir uma caracterização geral dos participantes bem como ter acesso a alguns elementos presentes em processos de construção da identidade profissional docente dos participantes.
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No rol dos 133 participantes da aplicação do questionário, 84 disponibilizaram-se para participar da entrevista. E para participar dessa segunda fase o critério adotado foi escolher dois estudantes por período: um que teve a Licenciatura em História como primeira opção e que tivesse ingressado na Licenciatura em História imediatamente após ter concluído o Ensino Médio e um que teve a Licenciatura em História como opção secundária e concluído há mais tempo o EM.
Esse critério de seleção para os entrevistados teve como objetivo ouvir sujeitos que se encontravam em diferentes momentos formativos, que supostamente identificaram-se com a docência tendo como 1ª ou opção secundária a Licenciatura em História e cuja trajetória formativa congregasse um percurso tanto sem interrupções como com interrupções nos estudos. Tal critério visou ampliar a heterogeneidade das informações acerca de processos identitários, no âmbito da compreensão de que por possuírem um caráter biográfico essas experiências possibilitam uma aproximação como processos plurais. E foram entrevistados 14 estudantes, dos quais 12 se encontravam no rol do 1º ao 6º período e 2 no grupo de estudantes desblocados.
Cabe explicitar que, tendo por base Minayo (2014, p. 261), recorremos à entrevista por compreender que se trata de uma “conversa a dois, ou entre vários interlocutores, feita por iniciativa do entrevistador, destinada a construir informações pertinentes para um objeto de pesquisa, e abordagem pelo entrevistador, de temas igualmente pertinentes tendo em vista este objetivo”. Dessa forma, elaboramos um roteiro de entrevista8
considerando a necessidade de alinhamento entre aspectos a aprofundar no âmbito dos objetivos da pesquisa.
Utilizamos a entrevista compreendendo os limites no âmbito daquilo que desejamos saber e aquilo que o entrevistado deseja comunicar. Nesse sentido, realçamos o alerta de Minayo (2014) quando faz referência à metáfora de sombras e luzes, em termos de que os participantes podem revelar ou esconder aspectos dependendo de seus interesses pessoais e coletivos. Nesse caso, a entrevista não é uma ação passiva e/ou absolutamente impessoal, pois tanto o entrevistado, quanto o entrevistador são sujeitos construídos e situados histórica e culturalmente.
Optamos pela entrevista semiestruturada por requerer um roteiro com perguntas pré- estabelecidas, assegurando a contemplação dos objetivos da pesquisa. E pela flexibilidade que permitiu aproveitar aspectos que surgiram ao longo do contato direto com os participantes. No que se refere ao roteiro da entrevista focamos: elementos que contribuíram para o ingresso na
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LH; contribuições da Licenciatura em História na trajetória formativa; elementos individuais e contextuais que contribuíram na identificação com a docência.
Assim como na aplicação do questionário, as entrevistas foram realizadas no CFCH e no CE, durante o mês de junho de 2015. Em geral, durante a entrevista, os estudantes explicitavam a relevância e a proximidade da pesquisa com suas vivências e até mesmo angústias cotidianas, no que se refere às dificuldades de formação ainda com inclinação bacharelesca.
As entrevistas foram gravadas em áudio, posteriormente transcritas e, juntamente com os dados advindos do questionário, foram analisadas a partir dos eixos temáticos segundo a Análise de Conteúdo de Bardin (2004).