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6 - Cardiomiopatias e Doenças do Pericárdio

No documento CARD I OLO G I A P RÁ TI C A (páginas 133-140)

EP 102

CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E EXAMES COMPLEMENTARES EM UMA COORTE DE PACIENTE COM AMILOIDOSE.

ALENCAR NETO, A. C., CAFEZEIRO, C. R. F, BUENO, B. V. K., RISSATO, J. H., OLIVEIRA, F. C, ALENCAR FILHO, A. C., SOARES JR, J., ROCHITTE, C. E., MADY, C., FERNANDES. F

INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - SP - BRASIL

Introdução: Amiloidose Cardíaca é uma cardiomiopatia progressiva, diagnosticada tardiamente ou até mesmo não diagnosticada, resultando em disfunção orgânica avan-çada no momento em que se contempla tratamento. Objetivo: Apresentar as caracte-rísticas clínicas e os dados de exames complementares de pacientes com amiloidose cardíaca para melhorar a percepção dessa condição. Metodologia: Nesse estudo re-trospectivo coletamos e analisamos os dados clínicos, eletrocardiográficos, ecocardio-gráficos e de ressonância magnética de 82 pacientes com o diagnóstico confirmado de amiloidose em um hospital terciário no período de 1, janeiro de 2018 até 31, janeiro de 2020. Resultados: Do total, 49 pacientes (60%) eram homens, com idade média de 61 anos. O subtipo mais prevalente foi ATTR (74%) seguido por AL (25%) e AA (1%).

Nos pacientes com ATTR 75% apresentavam forma mutante e 20% forma selvagem.

A mutação genética mais frequente foi p. Val50Met (49%), seguida por p. Val142ile (37%) e p. T80A (12%). Quase metade dos pacientes (48%) apresentavam acometi-mento cardíaco definido como auacometi-mento da espessura septal (12mm) ou presença de realce tardio miocárdico característico em RNM com gadolínio. Os fenótipos foram classificados em acometimento cardíaco isolado (49%), neurológico isolado (17%) e misto (2%) e o tempo médio para o diagnóstico foi de 3,14 anos. Em paciente com acometimento cardíaco o valor médio da espessura do septo foi de 16,1 (± 3. 9) mm, e a média da fração de ejeção do ventrículo esquerdo foi 51 (±11) %. Observou-se pre-sença de fibrilação atrial no ECG em 20% dos pacientes, e por isso, nesses casos não foi possível a avaliação da função diastólica. Conclusão: O diagnóstico de amiloidose é feito quando as características clinicas e achados de exames de imagem são “típi-cos”, contudo parte dos casos ainda são diagnosticados tardiamente, especialmente em pacientes idosos, com outras doenças cardíacas associadas, quando não se tem informações sobre a diástole no ecocardiograma e quando se tem um espessamento sútil da parede ventricular. Em nossa coorte o diagnóstico desta doença está sendo feito tardiamente, assim como observado na literatura. O primeiro passo para aprimorar é conhecer melhor as características de nossos pacientes.

EP 103

ESTUDO PROSPECTIVO DA FUNÇÃO VENTRICULAR E SOBREVIDA NA FASE AGUDA DA DOENÇA DE CHAGAS EM MODELO EXPERIMENTAL ANIMAL ARTHUR L. VARGAS, BEATRIZ P. DIAS, HENRIQUE T. MOREIRA, MARCUS V. SIMÕES, DENISE M. TANAKA, JOSÉ A. MARIN-NETO, BENEDITO C. MA-CIEL, ANDRÉ SCHMIDT, MINNA M. D. ROMANO

FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO - RIBEIRÃO PRETO - SP - BRASIL Introdução: A doença de Chagas vem perdendo sua característica endêmica e tem sido reconhecida fora das Américas, devido aos movimentos migratórios. Sua fase aguda, embora muitas vezes subclínica, pode ser letal. Poucos estudos demonstraram a evo-lução da função ventricular na fase aguda da doença. Este estudo objetivou estudar, em modelo experimental animal, a sobrevida na fase aguda da doença e sua relação com parâmetros de função ventricular. Métodos: Hamsters sírias fêmeas (Mesocricetus auratus) (n=45) foram distribuídas em grupo controle (GC): 15 animais injetados com solução salina; e grupo infectado (GI): 30 animais inoculados com 35. 000 formas tripo-mastigotas da cepa Y do Trypanosoma cruzi. Foram prospectivamente acompanhados e avaliados por ecocardiografia sob sedação com equipamento dedicado a pequenos ani-mais (VisualSonic Vevo® 2100) em dois momentos: basal pré-infecção (T0) e 15 dias pós infecção (T1). Foram mensuradas fração de ejeção (FEVE) e a deformação miocár-dica longitudinal global (GLS - Global Longitudinal Strain) do ventrículo esquerdo. O GI foi subdividido entre animais que apresentaram no mínimo um dos sinais clínicos (SC+): perda de peso, lesões de mucosa, queda de pelos

ou letargia. ANOVA para modelos mistos foi utilizada para comparar os índices de função ventricular entre os grupos ao longo do tempo. Análise de sobrevida foi estudada pela curva de Kaplan-Meier e teste logrank. Resultados: Os animais foram acompanhados por 60 dias. Aos 15 dias de evolução houve queda significativa da FEVE em relação ao valor basal (53,80 ± 4,95 para 43,55 ± 12,10%) no grupo GI comparado ao GC (57,86 ± 7,52 para 59,73 ± 5,87%) (p=0,002) (Figura 1). Houve também redução significativa do GLS (-18,97 ± 3,94 para -12,44 ± 4,79%) no grupo GI vs GC (-19,58 ± 4,03 para -19,67 ± 4,04%) (p=0,012) (Fi-gura 2). Doze animais do GI foram a óbito (40. 00%), ver-sus um animal do GC (6. 66%). No GI, 11 óbitos ocorreram no subgrupo que apresentou SC+. A sobrevida foi signifi-cativamente reduzida no GI vs GC ao longo do tempo de observação (p=0,02) (Figura 3). Conclusão: A sobrevida reduzida na fase aguda do modelo experimental da doença de Chagas está associada a redução significativa da função ventricular esquerda. A mortalidade no GI é maior naquele subgrupo que demonstra SC+.

MAGNÉTICA CARDÍACA E RISCO DE ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL EM PACIENTES COM CARDIOMIOPATIA CHAGÁSICA CRÔNICA HENRIQUE TURIN MOREIRA, GUSTAVO JARDIM VOLPE, MARIA FERNAN-DA BRAGGION SANTOS, JOSÉ ANTÔNIO MARIN-NETO, ANDRÉ SCHMIDT FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO - RIBEIRÃO PRETO - SP - BRASIL, HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE RIBEIRÃO PRETO - BRASIL Introdução: A cardiomiopatia chagásica crônica (CCC) é relacionada a eventos trom-boembólicos, particularmente em pacientes com fibrilação atrial (FA). Porém, fatores de risco associados a acidente vascular cerebral (AVC) em indivíduos com CCC mas sem FA não estão bem estabelecidos. Este estudo objetivou avaliar a relação entre parâ-metros morfofuncionais do ventrículo esquerdo (VE), avaliados pela ressonância mag-nética cardíaca (RMC), com a ocorrência de AVC em pacientes com CCC. Métodos:

Dados de 141 pacientes com CCC submetidos à RMC foram coletados prospectiva-mente de outubro de 2009 a dezembro de 2013. Critérios de exclusão foram história de AVC prévio, FA ou uso de anticoagulante oral no momento da RMC. Os parâme-tros derivados da RMC foram: fração de ejeção do VE (FEVE), extensão da fibrose miocárdica do VE avaliada por realce tardio pelo gadolínio, e presença de aneurisma apical do VE. A FEVE foi classificada como: (I) normal ≥ 55%; (II) intermediária < 55 e ≥ 40%; e (III) reduzida < 40%. O desfecho clínico foi a ocorrência de AVC durante o seguimento realizado em ambulatório especializado em doença de Chagas. Idade e gênero foram covariáveis nos modelos de risco proporcional de Cox.Resultados: Dos 141 participantes iniciais, 25 foram excluídos por AVC prévio (n=2), história de FA (n=11), ou uso de ACO (n=12). Os 116 indivíduos restantes mostraram idade média de 56 ± 14 anos, 51% mulheres. FEVE normal, intermediária e reduzida foram encontra-das em 48 (41%), 43 (37%) e 25 (22%) pacientes, respectivamente. Fibrose miocárdica foi detectada em 79 dos 111 (71%) participantes em que a sua análise foi exequível. A extensão mediana da fibrose do VE foi de 4,6% (intervalo interquartil: 0-10). Aneu-risma apical do VE foi identificado em 36 (31%) pacientes. Durante o seguimento (mediana: 6,8 anos), AVC foi relatado em 9 indivíduos. Na análise univariada, FEVE reduzida foi significativamente associada a maior risco de AVC em comparação com FEVE normal (HR 9,2; IC95% 1,8-48,4), enquanto não houve diferença significati-va entre FEVE intermediária e

FEVE normal (HR 1,2; IC95%

0,2-8,2), figura 1. A associação entre FEVE reduzida e AVC permaneceu significativa no mo-delo ajustado para idade e gênero (HR 12,6; IC95% 1,9-83,2). Não houve associação significativa entre risco de AVC e extensão da fibrose (HR 1,0; IC95% 0,9-1,1) ou presença de aneurisma apical (HR 1,9; IC95% 0,5-7,2).

Conclusões: Em pacientes com CCC, a FEVE reduzida avaliada pela RMC, mas não a extensão da fibrose ou a presença de aneuris-ma apical do VE, associou-se a maior risco de AVC.

EP 106

EFICÁCIA DA ADMINISTRAÇÃO DE ANTIINFLAMATORIO NÃO ESTERIOIDAL COMPARADA À TERAPIA COM ANTIOXIDANTES EM MODELO EXPERIMENTAL DE DOENÇA DE CHAGAS

TÚLIO PEREIRA ALVARENGA E CASTRO, RÔMULO DIAS NOVAES, ELIZI-ÁRIA CARDOSO DOS SANTOS

UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI - DIAMANTINA - MINAS GERAIS - BRASIL

Introdução: Tem sido sistematicamente demonstrado que elementos reativos de oxi-gênio e nitrooxi-gênio (ERONs) estão diretamente relacionados com a fisiopatologia da doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi. A associação de agentes qui-mioterápicos, antiinflamatórios e antioxidantes apresenta controvérsias, embora seja benéfica para atenuar os danos causados pelos ERONs e o remodelamento patológico na cardiomiopatia chagásica. Assim, este estudo foi direcionado para comparar a re-levância do ibuprofeno, vitamina C e E no controle do estresse oxidativo/nitrosativo nas doenças cardíacas em camundongos infectados pelo T. cruzi. Métodos: Setenta ca-mundongos Swiss foram randomizados em cinco grupos experimentais: controle; não infectado; infectado sem tratamento; e infectados tratados com vitamina C, vitamina E e ibuprofeno. Quatro dias após a infeção por T. cruzi - 2000 parasitas tripomasti-gotas de cepa Y – os tratamentos foram administrados via intraperitonial. Após 20 dias, os animais foram eutanasiados e o coração foi coletado. Fragmentos ventrículo esquerdo foi seccionado e imersos em solução fixadora para análises morfológicas.

Outro fragmento de tecido cardíaco foi homogeneizado em solução tamponada e uti-lizado para análise de estresse oxidativo, citocinas e prostaglandinas. Resultados: Os animais infectados apresentaram miocardite intensa e dano ao tecido reativo, correla-cionado diretamente com a intensidade do infiltrado inflamatório e o grau patológico de remodelamento cardíaco. Os infectados e não tratados apresentaram níveis altos LANGERHANS

GABRIELA DA S. SCOPEL, MYLENA C. KORMANN-MOREIRA, FRANCISCO EBERTH M. MARQUES, AFONSO DALMAZIO S. MARIO, ARTHUR CICUPIRA R. DE ASSIS, TATIANA DE CARVALHO A. T. LEAL, PAULO ROGÉRIO SOA-RES, CARLOS E. ROCHITTE, ALEXANDRE DE MATOS SOEIRO

INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - SP - BRASIL

Introdução: Histiocitose de Células de Langerhans (HCL), doença com prevalên-cia de 1:50. 000 a 1:200. 000, corresponde a proliferação das células mononucleares dendríticas com infiltração local ou difusa nos órgãos. Não há descrição em literatura de acometimento cardíaco. Descrevemos a seguir caso de paciente que evoluiu com remodelamento ventricular reverso completo após tratamento de HCL pulmonar. Re-lato de caso: Paciente, masculino, 28 anos, iniciou quadro de dispneia progressiva há 10 meses, comparecendo à unidade de emergência em CF IV, referindo também dor torácica atípica e edema de MMII. Encontrava-se hemodinamicamente estável e ECOTT revelou disfunção biventricular importante às custas de hipocinesia difusa.

RM cardíaca mostrou FEVE=19%, FEVD=18% e realce tardio mesocárdico septal basal e juncional de VE, em via de saída de VD e em pericárdio, compatível com cardiomiopatia inflamatória. Indicada biópsia endomiocárdica (BEM) que não fechou critérios para miocardite em atividade. Devido alteração na propedêutica pulmonar, realizada TC de tórax com pneumopatia cística extensa bilateral, sendo confirmada em biópsia pulmonar a HCL. Paciente iniciou tratamento específico, cerca de 3 me-ses após diagnóstico, com oncologia e pneumologia, tendo recebido corticoterapia, C1 e Cladribina com excelente resposta clínica. Evoluiu também com remodelamento reverso completo biventricular pela RM (FEVE=54% e FEVD=44%), apresentando mínima fibrose juncional com redução importante em relação ao estudo de prévio.

Discussão: Neste caso, a BEM não confirmou miocardite em atividade e o uso tardio de corticoterapia plena talvez não justificasse a melhora da função ventricular. A HCL se caracteriza pela proliferação de histiócitos com características de células de Lan-gerhans. Esta doença não tem sido considerada doença neoplásica - análises indicam que as células permanecem altamente diferenciadas. Não há descrição em literatura, entretanto, de acometimento cardíaco. A negatividade em BEM não exclui infiltração cardíaca por não ter sido guiada por áreas de atividade de doença. A boa resposta com o tratamento quimioterápico da doença de base correspondeu a importante indício de que a HCL tenha sido responsável pela disfunção ventricular. Conclusão: Disfunção ventricular atribuída a atividade inflamatória pode ter diagnóstico etiológico definitivo difícil mesmo após investigação extensa. No caso acima, o tratamento da HCL con-tribuiu para melhora clínica e resolução da disfunção biventricular, apontando para possível acometimento cardíaco da doença e tornando esse caso único.

de TBARS, PCN e NO, enquanto foram reduzidos no grupo de animais tratados com ibuprofeno. As vitaminas C e E demonstraram um aumento da atividade antioxidante enzimática, enquanto o ibuprofeno reduziu a atividade de todas as enzimas. Somente o ibuprofeno foi efetivo na redução das citocinas IFN-γ, TNF-α, IL-10 e quimiocina CCL-2. O grupo infectado e não tratado apresentou redução dos níveis de vitaminas e aumento nos níveis cardíacos de PGF2α. Enquanto a suplementação de vitamina C e E preveniu a redução dessas, o ibuprofeno reduziu os níveis cardíacos de PGF2α nos animais infectados. CONCLUSÕES: Os resultados não suportam a aplicabilidade da suplementação de vitamina C e E no tratamento da cardiomiopatia chagásica aguda.

Contudo, com a análise do infiltrado inflamatório, a terapia antiinflamatória mostrou--se uma estratégia mais racional do que a terapia antioxidante direta na atenuação do estresse oxidativo / nitrosativo e do dano cardíaco nos animais experimentais.

ONCOLOGIA VINCULADO AO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE NO BRASIL BRUNO CESAR BACCHIEGA, HELOISA H. M. C. LOPES, FABIANO R. LUC-CHESI, CARLOS E. PAIVA, DOMICIO C. LACERDA, CRISTIANO P. SOUZA, ALAN F. B. SECCO, JOAO C. RESENDE, MARINA M. C. ZORZETTO HOSPITAL DE AMOR BARRETOS - BARRETOS - SP - BRASIL

Introdução: Os serviços de cardiologia especializados em complicações cardiovascu-lares em oncologia são importantes para melhorar o atendimento geral a pacientes com câncer. A realidade desses serviços no Brasil ainda é desconhecida. Métodos: Estudo prospectivo, observacional e transversal, realizado no Hospital de Amor de Barretos, no período de 1 de fevereiro de 2018 a 30 de maio de 2019, incluindo todos os pa-cientes avaliados no ambulatório de cardio-oncologia. Dados antropométricos, tipo de neoplasia, critérios de cardiomiopatia induzida por quimioterapia, classe funcional e terapias cardiovasculares foram avaliados. Resultados: Foram avaliados 112 pacientes do sistema público de saúde. Eram 76 (67,9%) mulheres, com idade média de 48 anos.

Tempo médio de espera pela consulta cardiológica: 20 dias. O câncer mais comum foi o adenocarcinoma de mama com 48 (42,86%) casos, dentre estes, 27 (24,1% do total) tinha receptor tipo 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2 +).

Cardiomiopatia induzida por quimioterapia foi observada em 49 (47,1%) indivíduos.

O método de avaliação da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE)foi preferen-cialmente: ventriculografia radioisotópica (MUGA)em 26 pacientes (53,1%) seguida pela ecocardiografia em 23 indivíduos (46,9%). Os estágios da classe funcional pela New York Heart Association (NYHA): I – 19 pacientes (38,8%). II – 25 (51%). III 4 (8,2%). IV – 1 (2%). Estadiamento da insuficiência cardíaca sistólica do ventrículo esquerdo: 18 pacientes com FEVE preservada (36,73%), 27 (55,1%) com FEVE in-termediária e FEVE reduzida em 4 (8,17%) indivíduos. Todos os pacientes com car-diomiopatia induzida por quimioterapia receberam carvedilol. Enalapril ou Losartana foram prescritos em 38 (79,2%). Espironolactona em 12 (24,44%) e estatina em 4 (8,16%). Nenhum paciente em uso de ivabradina, sacubitril/valsartana ou inibidores do cotransportador sódio-glicose2. Conclusão: A estruturação dos serviços de cardio--oncologia no Brasil é de suma importância frete ao grande número de casos de câncer e da elevada toxicidade do seu tratamento.

EP 109

CARDIOMIOPATIA HIPERTROFICA SECUNDÁRIA A MITOCONDRIOPATIA EM ADULTO JOVEM, COM EVOLUÇÃO RÁPIDA PARA DISFUNÇÃO SISTÓLICA

MATHEUS LUAN QUEIROZ ALVES DA CUNHA, JÚLIA MOGNOT ROCHA, PAULA ANANDA CHACON INES, CLÁUDIA SOBREIRA, MINNA MOREIRA DIAS ROMANO

FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO - RIBEIRÃO PRETO - SP - BRASIL R. A. G. E, 21 anos, masculino manifestou precordialgia típica e dispneia aos mo-derados esforços. Havia ainda história de morte súbita na família. Ao exame físico, notava-se um fenótipo leptossômico, ictus desviado a esquerda com impulsão precor-dial visível, turgência jugular a 90 graus e edema de MMII. O ecocardiograma tran-sorácico (ECOTT) inicial revelou hipertrofia concêntrica do VE de grau moderado, com septo de 14mm e de aspecto hiperrefringente; um discreto déficit sistólico do VE, com fração de ejeção (FEVE) de 44% e redução no “strain” (GLS=-13,6%) (Fi-gura 1). A ressonância magnética cardíaca (RMC) confirmou os achados da ECOTT e mostrou padrão de fibrose miocárdica sugestivo de doença infiltrava. Não havia lesões obstrutivas coronárias (CATE). A biópsia miocárdica revelou fibrose subendocárdica associada a alterações sarcoplasmáticas. A pesquisa para proteína amiloide foi negati-va, assim como para doença de Fabry. Paciente foi então acompanhado como provável cardiomioatia (CMP) hipertrófica sarcomérica embora teste genético não tenha sido realizado. Ao longo de 4 anos, evoluiu com perda de peso progressiva e piora da classe funcional. Novo ECOTT evidenciou piora da FEVE (27%). Clinicamente foi detectado déficit auditivo bilateral e perda de força muscular periférica. A biópsia de músculo esquelético demonstrou alterações típicas de mitocondriopatia e teste genético confir-mou mutação tipo 3242A>G . Paciente recebeu tratamento otimizado para ICFER e acompanhamento multidisciplinar com Neurologia, mantendo-se estável clinicamente.

DISCUSSÃO: As CMP hipertróficas são um grupo heterogêneo de doenças que se ca-racteriza pela presença de aumento da espessura miocárdica e frequentemente disfun-ção ventricular diastólica mas não sistólica. A etiologia, embora seja sarcomérica em cerca de 40% dos casos, pode ser secundária diversas outras doenças sistêmicas. Faz-se necessária a atenção do cardiologista para outras etiologias, especialmente em cenário clínico de doenças sistêmicas e na evolução para disfunção sistólica de VE, como no caso apresentado. Na suspeita de mitocondriopatias a investigação diagnóstica deve compreender exames de imagem cardiovascular

de multimodalidades, testes genéticos, biópsia de músculo periférico e a biópsia miocárdica pode ser necessária. Em pacientes com mitocon-driopatias, a prevalência do envolvimento car-díaco chega a 30% e a taxa de eventos adversos cardiovasculares é estimada em até 10% em 7 anos, sendo a presença de hipetrofia miocárdica

EP 110

TUMOR MOFIBROBLÁSTICO CARDÍACO: FOLLOW-UP DE 3 ANOS:

RELATO DE CASO

GABRIELA CAROLINA SANTAMARÍA NARANJO, EILEIDE DE BARROS CORREIA, FRANC JORGE SAMPAIO SANTOS PEREIRA, PAMELA OLIVIÉRI VALELONGO, WILLIASMIN BATISTA DE SOUZA, MARÍLIA PRUDENTE ME-NEZES, LUÍS AUGUSTO SOUZA DE CARVALHO

INSTITUTO DANTE PAZZANESE DE CARDIOLOGIA - SP - BRASIL

INTRODUÇÃO: O tumor miofibroblástico é um tipo pouco frequente de neoplasia, pode se apresentar em qualquer órgão geralmente pulmão e abdômen sendo especial-mente rara a localização cardíaca. Têm maior prevalência em crianças e jovens. Des-crevemos um caso em paciente idosa detectado na investigação etiológica de derrame pericárdico. RELATO DE CASO: L. L. Z, mulher, 70 anos, portadora de Hipertensão Arterial Sistêmica, Dislipidemia e Hipotireoidismo, apresentou, em 12/2015, dispneia aos médios esforços. Foi diagnosticada derrame pericárdico volumoso, sendo subme-tida à drenagem de Marfan. A Ressonância Magnética Cardíaca, evidenciou uma mas-sa na junção atrioventricular direita, envolvendo átrio direito com perfusão periférica e realce tardio heterogêneo. Após toracotomia exploradora observou-se uma grande massa tumoral aderida à superfície subepicárdica, com infiltração em átrio e ventrículo direito, sendo impossível sua ressecção. O estudo histopatológico foi compatível com pseudotumor inflamatório. No pôs operatório, evoluiu com fibrilação atrial de baixa resposta, sendo necessário implante de marcapasso bicameral, com boa evolução, e sem outra intercorrência nos três anos seguintes. Atualmente a paciente queixa-se de adinamia e fadiga, o exame físico revelou apenas hipertensão arterial mal controlada.

O ecocardiograma mostrou um átrio esquerdo de 51ml/m2, fração de ejeção ventri-cular de 64% e uma massa epicárdica heterogênea, adjacente ás cavidades direitas com restrição ao enchimento do ventrículo direito e a presença de derrame pericárdico homogêneo com lâmina de 11mm. DISCUSSÃO: Os pseudotumores inflamatórios são lesões caraterizadas histológicamente por processos fibroinflamatórios reativos que podem envolver a maioria dos órgãos e tecidos do corpo, porém a localização cardíaca não e frequente. A patogênese permanece desconhecida e controvertida porém e considerado de caráter benigno pelo infiltrado inflamatório misto, sem mitose ou ple-omorfismo. O melhor tratamento também permanece controverso, uma vez que, sejam em geral considerados de bom prognóstico, pelo que a ressecção cirúrgica é reservada só em caso de crescimento acelerado, sintomas sistémicos importantes e ausência de diagnóstico por biopsia. No caso de nossa paciente optou-se pelo tratamento conserva-dor não tendo mudanças significativas em relação a estudos iniciais. CONCLUSÕES:

Descrevemos caso de de não ter sido feito tra-HOSPEDEIRO DO TRYPANOSOMA CRUZI

ANTUNES, G.C., MENDONÇA, A.A.S., SILVA, T.G.S., GONÇALVES, R.V., INNECCO, P.L.R., CASTRO, T.P.A., GONÇALVES, G.L.C., SANTOS, E.C., NOVAES, R.D.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS (UNIFAL), UNIVERSIDADE FEDE-RAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI (UFVJM)

Introdução: A doença de Chagas, uma infecção tropical negligenciada, tem como tratamento etiológico consagrado a utilização de benznidazol (Bz) e nifurtimox, me-dicamentos com alta toxicidade e limitação de eficácia em infecções crônicas. Nesse contexto, como estratégia complementar, o treinamento físico emergiu nas últimas dé-cadas com o objetivo de melhorar a resistência do hospedeiro à infecção. No entanto, a relevância dessa combinação no estágio infeccioso agudo ainda não foi investigada e, devido a isso, comparamos os efeitos isolados e concomitantes do exercício e da tera-pia baseada em Bz em um modelo murino da doença de Chagas. METODOLOGIA:

Ratos Wistar com oito semanas de idade foram randomicamente divididos em cinco

Ratos Wistar com oito semanas de idade foram randomicamente divididos em cinco

No documento CARD I OLO G I A P RÁ TI C A (páginas 133-140)