EP 322
ANÁLISE DE SEGURANÇA RANDOMIZADA ENTRE PASSAGEM DE MARCAPASSO TRANSVENOSO GUIADA POR FLUOROSCOPIA VERSUS ELETROCARDIOGRAMA/ECOCARDIOGRAMA - EMERGE-TV-PAC TRIAL
ALEXANDRE DE MATOS SOEIRO, BISELLI B, LEAL TCAT, CEZAR MC, PEDREIRA FA, MOLETA DB, SOEIRO MCFA, FREIRE AFD, FILHO JBBB, OLIVEIRA JR MT
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - SP - BRASIL
Introdução: Não há comparação prospectiva na literatura entre o uso de fluoroscopia versus eletrocardiograma/ecocardiograma (ECG/ECO) em pacientes com bradicar-dias. Objetivo: Comparar as taxas de complicações entre dois métodos e avaliar o tempo para início da estimulação cardíaca transvenosa em pacientes com bradicardias comparando o uso de fluoroscopia versus ECG/ECO. Métodos: Estudo prospectivo, randomizado, cegado para desfechos e unicêntrico. Os pacientes foram divididos em dois grupos: fluoroscopia e ECG/ECO. Foram incluídos 108 pacientes (54 por grupo) entre fevereiro de 2. 017 e fevereiro de 2. 019. Os critérios de inclusão foram: homens adultos e mulheres com idade > 18 anos e presença de bradicardia sintomática. Os critérios de exclusão foram: gravidez, instabilidade hemodinâmica, índice de massa corporal superior a 40 kg/m2, uso de anticoagulação oral, síndromes coronarianas agu-das, fração de ejeção do ventrículo esquerdo < 45% e presença de qualquer tipo de dispositivo de estimulação cardíaca. Análise estatística: O desfecho primário foram resultados de segurança (infecção, hematoma > 5 cm, perfuração cardíaca, pneumo-tórax, taquicardia ventricular, morte, perda de captura, trombose venosa e qualquer complicação que atrase o marcapasso definitivo em mais de 48 horas). Os desfechos secundários foram: tempo médio para iniciar a estimulação cardíaca transvenosa e ta-xas de sucesso. A análise comparativa entre os métodos foi realizada usando teste-T e Q-quadrado, sendo considerado significativo p < 0,05. Resultados: Cerca de 64% dos pacientes incluídos eram do sexo masculino e o ritmo eletrocardiográfico mais comum foi bloqueio atrioventricular total (69,4%). Observaram-se diferenças significativas quanto aos desfechos combinados de segurança (29,6% vs. 11,1%, OR = 3,36, 95%
CI: 1,202 – 9,438, p = 0,017) nos grupos fluoroscopia e ECG/ECO, respectivamente, o que levou à interrupção do estudo. Houve somente um óbito relacionado à inserção no grupo fluoroscopia. A taxa de sucesso do procedimento foi de 98,1% em ambos os grupos. Os limiares de estimulação médios foram de 0,777 + 0,399 mA versus 0,551 + 0,171 mA (p = 0,001) nos grupos fluoroscopia e ECG/ECO, respectivamente. Os tempos médios entre a indicação e o início da estimulação transvenosa foram de 345,8 + 183,4 minutos versus 133,2 + 105,3 minutos (p < 0,0001) nos grupos fluoroscopia e ECG/ECO, respectivamente. Conclusão: A passagem de marcapasso transvenoso guiada por ECG/ECO mostrou segurança, e apresenta menor tempo até sua implemen-tação, além de melhor limiar de estimulação inicial.
EP 323
ASPECTOS ANGIOGRÁFICOS E PERFIL DE PACIENTES COM QUADRO DE SÍNDROME CORONÁRIA AGUDA EM IDADE INFERIOR A 55 ANOS (REGISTRO ROAD)
LUCAS SILVA DE MACEDO, RODRIGO BALADA, PEDRO SILVA, ALE-XANDRE SOEIRO, VALTER FURLAN, MÚCIO JUNIOR, RENATO LOPES, THIAGO MACEDO, MARIA CEZAR
HOSPITAL SAMARITANO PAULISTA - SÃO PAULO - SP - BRASIL, INCOR - SÃO PAULO - SP - BRASIL, HCFMUSP - SÃO PAULO - SP - BRASIL
Introdução: História familiar de doença coronária precoce é considerada quando evento ocorre abaixo de 55 anos. Há poucos dados de literatura sobre essa população no Brasil. Objetivo: Avaliar os aspectos clínicos e angiográficos de pacientes com sín-drome coronária aguda (SCA) em faixa etária prematura. Métodos: Estudo de coorte (registro ROAD) em que foram analisados os pacientes com diagnóstico de SCA e idade < 55 anos. Foram avaliadas características basais, evolução intra-hospitalar e ca-racterísticas angiográficas. Realizada análise multivariada para identificar os principais preditores de mortalidade nesta população. Resultados: De 4. 635 pacientes, o total de 1. 456 (31,4%) apresentavam idade <55 (média 48 anos). Em relação às características basais, três prevaleceram no grupo <55 anos quando comparados aos mais velhos: sexo masculino (72. 2% x 61,7%; P < 0,01), história familiar de DAC (20,4% x 12,1%; P<
0,01) e tabagismo (40. 2% x 22,6%; P<0,01). De acordo com dados do eletrocardio-grama, 79. 7% dos pacientes manifestaram supradesnivelamento do segmento ST, en-quanto 6. 1% evidenciaram infradesnivelamento. A tabela abaixo descreve as diferen-ças no padrão arterial. Dentre os eventos intra-hospitalares (complicações) observados
tivemos sangramento (2. 4%), reinternação (1. 2%), morte (1.
2%) e AVC (0. 4%). A análise a longo prazo, efetuada com média de 9 meses, eviden-ciou reintervenção (6. 7%), insuficiência cardíaca (14. 7%) e
morte (2. 7%). Em análise multivariada, o BNP se mostrou como melhor preditor de eventos nessa população, tendo OR= 1. 002 (IC= 1. 0-1. 004; p=0. 012). O ROC-AUC para o BNP foi de 0. 659 (0. 516- 0. 801) (sensibilidade=61. 9; especificidade=76%), em comparação ao ROC-AUC para troponina que foi de 0. 589 (0. 515-0. 663) (sen-sibilidade=62; especificidade 57%). Conclusão: a população analisada foi composta majoritariamente por homens (72. 2%), tendo como média de idade 48 anos e HAS como principal fator de risco. Cerca de 79. 7% dos pacientes apresentaram suprades-nivelamento de segmento ST e a principal artéria acometida foi a descendente anterior (DA), tendo trombo como principal etiologia. Quanto às complicações, teve destaque o sangramento, estando presente em 2. 4% dos pacientes. Já a longo prazo, a ocorrência de IC obteve ênfase. Na análise realizada, o BNP se mostrou como preditor de eventos.
Padrão arterial Idade <55 anos Idade> 55 anos p-valor
DA 42. 5% 50. 6% 0. 008
CX 18. 13% 29. 5% <0. 0001
CD 27. 9% 40. 9% <0. 0001
Triarterial 15. 2% 25. 7% <0. 001
Biarterial 13. 1% 19. 8% 0. 013
NETTI, THATIANE F. POLASTRI, PEDRO LEMOS, JOSÉ CARLOS NICO-LAU, MUCIO TAVARÉS DE OLIVEIRA JUNIOR, LUDHMILA A. HAJJAR, ROBERTO KALIL FILHO
INSTITUTO DO CORAÇÃO DO HCFMUSP - SP - BRASIL
Introdução: A hipotermia terapêutica endovascular (HTE) reduz os danos causados pela síndrome da lesão pós-isquemia-reperfusão (SPR) na parada cardiorrespiratória (PCR) e já estabeleceu seu papel em pacientes com morte súbita, porém seu papel no infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMSST) per-manece controverso. Objetivos: Os objetivos deste estudo foram investigar a segu-rança, viabilidade e eficácia em 30 dias da indução rápida de hipotermia terapêutica como terapia adjuvante à intervenção coronária percutânea (ICP) em pacientes com IAMSST anterior e inferior. Métodos: Estudo prospectivo, controlado, randomizado e intervencionista de pacientes com início da angina ou IAMSST anterior ou inferior elegível para ICP, até 6 horas. Os indivíduos foram randomizados para o grupo de hipotermia (ICP primária + HTE) ou para o grupo controle (ICP primária). A HTE foi induzida com 1L de solução salina fria (1-4 °C) associada a hipotermia endovascular, em até 18 minutos antes da reperfusão coronariana, com uma temperatura alvo de 32±1
°C. A manutenção da HTE foi realizada por 1-3 horas e reaquecimento ativo de 1ºC/h, por 4 horas. Resultados: Foram incluídos 50 pacientes, 35 (70%) randomizados para o grupo hipotermia e 15 (30%) para o grupo controle. A idade média foi de 58 ± 12 anos, 78% homens. A parede miocárdica comprometida era anterior em 38% e inferior em 62%. Todos os 35 pacientes no grupo ICP+HTE tiveram resfriamento bem-sucedido, com temperatura média de reperfusão coronariana endovascular de 33,1 °C ± 0,9 °C.
O tempo isquêmico médio foi de 375min ± 89,4min no grupo hipotermia e 359,5min
± 99,4min no grupo controle. O tempo porta-balão médio foi de 92,1 minutos ± 20,5 minutos no grupo hipotermia e 87 minutos ± 24,4 minutos no grupo controle. As taxas de eventos cardiovasculares foram semelhantes entre os dois grupos (21,7% vs 20%, respectivamente, p=0,237). Na comparação entre os grupos hipotermia e controle, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas em 30 dias entre o tamanho médio do infarto (13,9% ± 8% vs 13,8% ± 10,8%, respectivamente, p = 0,801) ou FEVE final média (43,3% ± 11,2% vs 48,3 ± 10,9%, respectivamente; p = 0,194).
Conclusões: A hipotermia como terapia adjuvante à ICP primária no IAMSST é viável e pode ser implementada sem demora na reperfusão coronariana. A hipotermia foi segura, sem aumento da mortalidade. Em relação à eficácia, não houve diferença no tamanho do infarto ou na FEVE aos 30 dias que sugerisse proteção miocárdica adi-cional com HTE.
SUPRADESNÍVEL DO SEGMENTO ST ATRAVÉS DE PLATAFORMA DE COMUNICAÇÃO DIGITAL (REDE SUPRA)
ALESSANDRA TEIXEIRA, LEONARDO F ZANCANER, FERNANDO F RI-BEIRO, ANDRÉ SCHMIDT, JOSÉ A MARIN-NETO, JOSÉ P PINTYÁ, BENE-DITO C MACIEL, CARLOS H MIRANDA
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE RIBEIRÃO PRETO - BRASIL
Introdução: Nas últimas décadas houve desenvolvimento das terapias de reperfusão com redução da morbimortalidade do infarto agudo do miocárdio com supradesnível do segmento ST (IAMCSST), contudo para atingir este benefício o paciente precisa chegar precocemente em um centro com capacidade de realização desta terapia. No serviço público ocorre atraso no encaminhamento destes pacientes, fazendo com que porcentagem significativa não receba a terapia de reperfusão. O objetivo foi avaliar a porcentagem de pacientes que recebeu a terapia de reperfusão e o tempo até o início da mesma antes e após a criação de uma rede de encaminhamento baseada em uma pla-taforma de comunicação digital (WhatsApp). Métodos: Foi organizada uma rede para envio do eletrocardiograma (ECG) via WhatsApp dos casos suspeitos de IAMCSST oriundos dos municípios constituintes da distrital regional de saúde XIII (DRS-XIII) que engloba 26 municípios para um telefone celular central exclusivo que foi alocado dentro da Unidade Coronariana da Unidade de Emergência de nossa instituição. Se o ECG preenchesse critérios para IAMCSST a transferência era autorizada através de mensagem pelo celular. Inicialmente, o município de Ribeirão Preto foi excluído desta rede por ter maior facilidade na transferência destes casos. Comparou-se a porcenta-gem de pacientes que recebeu terapia de reperfusão e o tempo para o início da terapia com a série histórica dos pacientes encaminhados por estes mesmos municípios no período de janeiro 2016 a dezembro de 2017, anterior a implantação da rede supra.
Resultados: No período de fevereiro de 2018 a dezembro de 2019 foram enviados 1447 ECGs pelo WhatsApp. Durante a primeira avaliação, 243 (17%) foi considerado como IAMCSST e a transferência para o hospital foi autorizada. Na avaliação durante admissão hospitalar confirmou-se este diagnóstico em 172 pacientes (12%). Destes 157/172 (91%) recebeu terapia de reperfusão comparado com 49/82 (60%) nos pacien-tes do período anpacien-tes da rede supra, p<0,0001. Observou-se uma diminuição do tempo entre o início da dor e a instituição do tratamento, com uma redução da mediana de 9,0hs (5,5-18,5) antes da rede supra para 3,0hs (1,0-5,0), p<0,0001 após a instituição da mesma. Conclusão: A organização de uma rede de envio de ECG via plataforma digital de comunicação (WhatsApp) de baixo custo operacional aumentou em 31% a porcentagem de pacientes que recebeu terapia de reperfusão e reduziu significativa-mente o tempo para a instituição deste tratamento.
EP 326
INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO SEM SUPRA DE ST: INTERNAÇÃO EM UTI PARA TODOS?
PATRÍCIA OLIVEIRA GUIMARÃES, MÁRCIO CAMPOS SAMPAIO, FE-LIPE LOPES MALAFAIA, RENATO DELASCIO LOPES, PEDRO GABRIEL MELO DE BARROS E SILVA, AMANDA RENNÓ EL MOUALLEM, MIGUEL DA SILVA DINIZ, JULIANO VALENTE CUSTÓDIO, JOSÉ T. GARCIA, VAL-TER FURLAN
HOSPITAL SAMARITANO PAULISTA - SÃO PAULO - SÃO PAULO - BRASIL Introdução: A decisão acerca de internar pacientes com infarto agudo do miocárdio sem supra de ST (IAMSSST) em unidades de terapia intensiva (UTI) leva em con-sideração diversos aspectos, incluindo as rotinas de cada hospital. O escore de risco
“The Acute Coronary Treatment and Intervention Outcomes Network” (ACTION) UTI foi desenvolvido nos Estados Unidos, utilizando variáveis clínicas, laboratoriais e eletrocardiográficas, para predizer complicações que levariam a uma necessidade de internação em UTI em pacientes com IAMSSST. Métodos: As características clínicas e os desfechos de 1263 pacientes com IAMSSST admitidos em um hospital privado referência em cardiologia, no período de 2014 a 2018, foram descritos. Uma análise retrospectiva foi realizada para o cálculo da acurácia do escore de risco ACTION UTI nessa população, visando identificar os pacientes que não necessitariam de admissão em UTI baseando-se nesse escore. As complicações que levariam a uma necessidade de UTI foram definidas como: parada cardiorrespiratória, choque cardiogênico, aci-dente vascular encefálico, morte, re-infarto, bloqueios cardíacos com necessidade de marcapasso, insuficiência respiratória e sepse. Análise estatística: A performance do escore de risco ACTION UTI para predizer essas complicações foi determinada como área sob a curva ROC baseando-se diretamente nas variáveis do escore. Resultados:
A idade média da população foi de 62,3 anos e 35,8% eram do sexo feminino. Um total de 94,6% dos pacientes foram admitidos em UTI, como se tratava de uma rotina hospitalar. A maioria dos pacientes (91,9%) foi submetida a cateterismo cardíaco, an-gioplastia coronária foi realizada em 47,1% e cirurgia de revascularização miocárdica em 10,3%. Complicações com necessidade de UTI ocorreram em 62 pacientes (4,9%) e a mortalidade intra-hospitalar foi de 1,3%. Um total de 70,4% tiveram escore AC-TION UTI ≤ 5. A estatística C para o escore na predição das complicações foi de 0,55 (intervalo de confiança 95% 0. 47 – 0. 63). Complicações foram mais frequentes em pacientes mais idosos e com níveis mais elevados de creatinine sérica. Conclusões:
Em pacientes com IAMSSST admitidos em um hospital privado no período de 4 anos, a ocorrência de complicações que levariam a necessidade de internação em UTI foi baixa. O escore de risco ACTION UTI apresentou baixa acurácia para predizer essas complicações na nossa população.
EP 327
ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO DE ACORDO COM O GÊNERO E FAIXA ETÁRIA EM PACIENTES ATENDIDOS PELO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE NO PERÍODO DE 2009 A 2018
MACHADO LO, NASCIMENTO GG, MARTINS MER, MACHADO MN, NAKAZONE MA, MAIA LN, PINOTTI JDB
FACULDADE CERES - FACERES - SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SÃO PAULO - BRASIL, FACULDADE MEDICINA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – FA-MERP - SP - BRASIL
Introdução: O acidente vascular encefálico (AVE) tem alta prevalência, produz altas taxas de incapacidade funcional e tem mortalidade elevada, sendo uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo. Objetivos: Avaliar informações de acordo com o gênero e faixa etária em pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com diagnóstico de AVE utilizando informações recuperadas no site de domínio público do Departamento de Informática do SUS – DATASUS (www2. datasus. gov. br/DATA-SUS). Pacientes e Métodos: Utilizando o site do DATASUS, recuperamos informa-ções sobre o número e valor total das internainforma-ções (em Reais), média de permanência, número total de óbitos e taxa de mortalidade de todos os pacientes atendidos pelo SUS em um intervalo de 10 anos (janeiro de 2009 a dezembro de 2018). As informações foram divididas de acordo com o gênero (masculino e feminino) e em 7 estratos de faixa etária (20 a < 30 anos; 30 a < 40 anos; 40 a < 50 anos; 50 a < 60 anos; 60 a <
70 anos; 70 a < 80 anos e ≥ 80 anos). Resultados: Nestes 10 anos houve 1. 350. 009 internações por AVE no Brasil sendo 699. 397 homens (51,8%) e 650. 612 mulheres (48,2%) com gastos de mais de 2 bilhões de reais em valores corrigidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA). A média de permanência hospitalar foi de 7,5 dias. A mortalidade global foi de 16,2% ficando abaixo de 10% apenas entre os indivíduos na faixa etária de 20 a < 30 anos (9,3%) e atingido seu maior valor naqueles com 80 anos ou mais (22,9%). Apesar do crescimento populacional de 7,0% nestes 10 anos (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), houve um aumento de 43% nas internações por AVE no Brasil no mesmo período. Houve queda temporal da mortali-dade de 13% para homens (2009 [16,9%] – 2018 [14,8%]; P < 0,001) e de 11% para mulheres (2009 [17,5%] – 2018 [15,6%]; P < 0,001) sendo a mortalidade feminina 3,4% a 5,9% maior que a masculina nesse período. Na faixa etária dos 20 a < 50 anos, a mortalidade feminina foi de 11,7% a 20,1% menor que a masculina (P < 0,001), entre 50 a < 60 anos não houve diferença estatística na mortalidade (12,8% vs 12,9%; P = 0,605) e à partir dos 60 anos, a mortalidade feminina foi de 4,8% a 5,5% maior que a masculina (P < 0,001). Conclusão: Na população brasileira atendida pelo Sistema Único de Saúde no período de 2009 a 2018, houve queda temporal significativa na mortalidade tanto de homens quanto de mulheres. As mulheres mais jovens (< 50 anos) tiveram mortalidade menor que os homens enquanto nas mais velhas (≥ 60 anos) a mortalidade foi cerca de 5% maior que a masculina.
ESSENCIAIS OU CRITÉRIOS CLÍNICOS SÃO SUFICIENTES?
MORITZ MA, COSTA ALBS, BARRETO VJO, KLAUTAU PBRN, BATISTA EP, GONÇALVES JR I, MORAES PIM, BARBOSA AHP, STEFANINI E, MOI-SES VA
UNIFESP - UNIVERS. FEDERAL DE SÃO PAULO - SÃO PAULO - SP - BRASIL Introdução: Os escores de risco (ER) tradicionais para predição de desfechos car-diovasculares em pacientes com síndrome coronariana aguda, como Thrombolysis in Myocardial Infarction (TIMI) e Global Registry of Acute Coronary Events (GRACE), incluem variáveis clínicas, eletrocardiográficas e dosagem de biomarcadores (troponi-na). Mais recentemente, dois escores prognósticos foram propostos baseados exclusi-vamente em dados clínicos: Canada Acute Coronary Syndrome (C-ACS) e Portuguese Registry on Acute Coronary Syndrome (ProACS). Objetivo: Avaliar o desempenho dos ER na predição de mortalidade hospitalar em pacientes atendidos em uma rede municipal para tratamento do infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST). Métodos: Foram analisados 2723 pacientes (pts) con-secutivos com IAMCSST de março-2010 a dezembro-2019 atendidos em hospitais primários e referenciados ao centro terciário, sendo 96,4% (2625 pts) submetidos à fibrinólise seguida de cateterismo cardíaco (estratégia fármaco-invasiva) e 3,6% (98 pts) à angioplastia primária. A acurácia na predição de morte hospitalar entre os es-cores foi comparada pela área sob a curva (ASC) após construção da curva Receiver Operating Characteristic (ROC). Resultados: A média de idade foi 58,4 anos, sendo 29,8% (811 pts) mulheres, antecedente de hipertensão arterial em 60,2% (1640 pts) e diabetes mellitus em 30,8% (838 pts). A mediana e intervalo interquartil (IIQ) dos ER foram: TIMI 3 (2-5), GRACE 109 (90-136), C-ACS 0,7 (0-1) e ProACS 3 (2-4). A mortalidade hospitalar global ocorreu em 5,8% (157 pts), com ASC ROC dos escores:
TIMI 0,83 (0,79-0,86), GRACE 0,87 (0,83-0,90), C-ACS 0,84 (0,79-0,85) e ProACS 0,86 (0,82-0,89), sendo p < 0,01 para todos os modelos. Conclusão: Os ER analisados têm acurácia elevada e são equivalentes entre si na predição de mortalidade hospita-lar em pacientes com IAMCSST atendidos em uma rede estruturada majoritariamente pela estratégia fármaco-invasiva. Os escores recentes que utilizam parâmetros clínicos combinados se mostraram tão eficientes quanto os escores tradicionais na predição de risco de morte hospitalar.
SAÚDE NO PERÍODO DE 2009 A 2018
MACHADO LO, SICCHIERI BN, CELLA GM, MACHADO MN, NAKAZONE MA, MAIA LN, PINOTTI JDB
FACULDADE CERES - FACERES - SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SÃO PAULO - BRASIL, FACULDADE MEDICINA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – FA-MERP - SP - BRASIL
Introdução: As doenças do sistema cardiovascular causam 1/3 de todas as mortes no Brasil e no mundo. Dados epidemiológicos sugerem que o infarto do miocárdio (IM) tem maior mortalidade nas mulheres por diversos fatores. Objetivos: Avaliar informações de acordo com o gênero e faixa etária em pacientes atendidos pelo Siste-ma Único de Saúde (SUS) com diagnóstico de IM utilizando inforSiste-mações recuperadas no site de domínio público do Departamento de Informática do SUS – DATASUS (www2. datasus. gov. br/DATASUS). Pacientes e Métodos: Utilizando o site do DATASUS, recuperamos informações sobre o número e valor total das internações (em Reais), média de permanência, número total de óbitos e taxa de mortalidade de todos os pacientes atendidos pelo SUS em um intervalo de 10 anos (janeiro de 2009 a dezembro de 2018). As informações foram divididas de acordo com o gênero (mas-culino e feminino) e em 7 estratos de faixa etária (20 a < 30 anos; 30 a < 40 anos; 40 a < 50 anos; 50 a < 60 anos; 60 a < 70 anos; 70 a < 80 anos e ≥ 80 anos). Resultados:
Nesse intervalo de 10 anos houve 927. 630 internações por IM no Brasil sendo 588.
746 homens (63,5%) e 338. 884 mulheres (36,5%) com gastos de quase 4 bilhões de reais em valores corrigidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA). A média de permanência hospitalar foi de 7,4 dias para homens e 7,5 dias para mulheres (média geral – 7,4 dias). A mortalidade global foi de 11,8% e apesar da estimativa de crescimento populacional ter sido de 7,0% neste intervalo de 10 anos (Instituto Brasi-leiro de Geografia e Estatística [IBGE]), houve um aumento de 73% nas internações por IM no Brasil no mesmo período. Houve queda temporal da mortalidade de 20%
para homens (2009 [11,5%] – 2018 [9,1%]; P < 0,001) e de 17% para mulheres (2009 [15,5%] – 2018 [12,8%]; P < 0,001) sendo a mortalidade feminina 35 a 40% maior que a masculina nesse período. Em média, as mulheres tiveram mortalidade 38% maior que os homens (14,3% vs. 10,4%; P < 0,001). Analisando os estratos de idade, as mulheres jovens (20 a < 30 anos) tiveram o dobro da mortalidade dos homens (9,4% vs. 4,7%; P
< 0,001) sendo a menor diferença (10%) encontrada entre os pacientes com 80 anos ou mais (28,2% vs. 25,5%; P < 0,001). Conclusão: Na população brasileira atendida pelo Sistema Único de Saúde no período de 2009 a 2018, houve queda temporal na morta-lidade tanto de homens quanto de mulheres, porém as taxas de óbito por IM foram sig-nificativamente maiores nas mulheres em todos os períodos e faixas etárias analisados.
EP 330
SOBREVIDA APÓS PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA EM PACIENTES COM INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO SUBMETIDOS À ANGIOPLASTIA PRIMÁRIA
SOARES VL, SOUZA JG, TAVARES ACM, TERENCIO AS, COELHO GMM, MELO ESA, GALHARDO A, GONÇALVES JR I, MORAES PIM, BARBOSA AHP UNIFESP - UNIVERS. FEDERAL DE SÃO PAULO - SÃO PAULO - SP - BRASIL Introdução: A parada cardiorrespiratória (PCR) é um fator de pior prognóstico nos casos de infarto agudo do miocárdio (IAM) e contribui significativamente em mode-los preditivos de óbito e eventos cardiovasculares precoces, como no escoreGlobal Registry of Acute Coronary Events (GRACE). Objetivo: Avaliar as características clínicas e a sobrevida em pacientes com IAM com supradesnivelamento do segmen-to ST (IAMCSST) que apresentaram PCR na admissão hospitalar. Mésegmen-todos: Foram analisados todos os pacientes com diagnóstico de IAMCSST atendidos em hospital terciário “porta-aberta” habilitado para angioplastia primária entre janeiro-2016 e
SOARES VL, SOUZA JG, TAVARES ACM, TERENCIO AS, COELHO GMM, MELO ESA, GALHARDO A, GONÇALVES JR I, MORAES PIM, BARBOSA AHP UNIFESP - UNIVERS. FEDERAL DE SÃO PAULO - SÃO PAULO - SP - BRASIL Introdução: A parada cardiorrespiratória (PCR) é um fator de pior prognóstico nos casos de infarto agudo do miocárdio (IAM) e contribui significativamente em mode-los preditivos de óbito e eventos cardiovasculares precoces, como no escoreGlobal Registry of Acute Coronary Events (GRACE). Objetivo: Avaliar as características clínicas e a sobrevida em pacientes com IAM com supradesnivelamento do segmen-to ST (IAMCSST) que apresentaram PCR na admissão hospitalar. Mésegmen-todos: Foram analisados todos os pacientes com diagnóstico de IAMCSST atendidos em hospital terciário “porta-aberta” habilitado para angioplastia primária entre janeiro-2016 e