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Cartografia de risco de incêndio no concelho de Valongo

4. Focos de incêndio e cartografia de áreas de risco em Valongo

4.4. Cartografia de risco de incêndio no concelho de Valongo

A identificação das áreas de risco de incêndio florestal no concelho de Valongo foi efetuada através da realização de dois mapas, o primeiro mapa é o de perigosidade onde identificaremos as áreas onde há maior perigo de eclosão e no segundo mapa serão identificadas as áreas onde existe prioridade de vigilância e deteção de ignições.

Para a realização do mapa de perigosidade utilizaram-se os focos de incêndio ocorridos em Valongo entre os anos 2008 e 2012 para calcular a probabilidade de ocorrência, assim como os declives e o uso e ocupação do solo do concelho para calcular a suscetibilidade.

Depois, através da observação deste mapa identificámos as áreas com prioridade de vigilância que serão as áreas com perigosidade de ocorrência de incêndios muito elevada, cartografando esta informação no segundo mapa.

De modo a identificar a perigosidade de incêndio florestal dividimos o território em cinco classes de perigosidade: muito baixa, baixa, média, alta e muito alta.

Observando o mapa de perigosidade de incêndio florestal (Fig. 30) podemos ver que as zonas de perigosidade muito alta estão localizadas no interface entre o espaço florestal e o espaço urbano (Fig. 32) indicando, assim, que a proximidade ao espaço urbano tem influência na ocorrência dos incêndios florestais, podendo-se explicar isto pela maior facilidade e rapidez de acesso aos locais.

Como zonas prioritárias de vigilância e deteção de ignições identificamos cinco sendo que duas se localizam na fronteira das freguesias de Ermesinde e Alfena, uma na freguesia de Sobrado, uma na freguesia de Valongo e uma na fronteira das freguesias de Valongo e Campo (Fig. 31). Todas estas zonas se localizam em espaço florestal muito próximo do espaço urbano.

As zonas com prioridade de vigilância que se localizam na fronteira de Ermesinde e Alfena optamos por identifica-las pois são espaços florestais que não sendo muito extensos estão quase na totalidade rodeados por zonas urbanas e agrícolas (Fig. 32) e registaram-se ignições em diferentes anos estando mesmo identificadas como áreas de recorrência de incêndios (Fig. 22). O fato de se localizarem perto de zonas agrícolas também pode estar associado ao número de ignições devido às queimadas.

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Fig. 30 – Mapa de perigosidade de incêndio florestal

Fonte: GTF Valongo; Instituto Geográfico Português; ASTER GDEM

Fig. 31 – Mapa de prioridade de vigilância

Fonte: GTF Valongo; Instituto Geográfico Português; ASTER GDEM

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Fig. 32 – Uso e Ocupação do Solo

Fonte: Instituto Geográfico Português

A área identificada na freguesia de Sobrado é, também, uma zona florestal próxima das zonas urbanas e agrícolas onde se registaram várias ignições entre 2008 e 2012, estando identificada como zona de recorrência (Fig. 22) e, por isso, consideramos ser uma área com prioridade de vigilância.

As restantes duas zonas identificadas localizam-se nas serras de Santa Justa e de Pias em zonas florestais muito próximas a zonas urbanas onde também foram registadas recorrências entre 2008 e 2012 (Fig. 22) sendo necessário haver mais vigilância nestes locais.

Podemos, assim, concluir que as zonas onde é necessária maior vigilância no concelho de Valongo são as zonas florestais próximas das zonas urbanas e agrícolas (Fot. 10).

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Fot. 10 – Fogo perto de habitações na freguesia de Valongo no concelho de Valongo (exercício de fogo controlado)

Fonte: Autoria Própria

A ANPC (2007) define a zona de interface urbano-florestal como a “zona onde as infraestruturas e outras áreas de desenvolvimento humano entram em contacto e se misturam com o espaço florestal”. Os incêndios nestas zonas têm como principais dificuldades o comportamento do incêndio, o ordenamento do território, a planificação e construção das habitações e as operações de combate, o que torna o combate a este tipo de incêndios mais complicado pois além da preocupação com a floresta e com as infraestruturas é necessário haver uma preocupação com as pessoas.

Duarte (2005) considera que é usual a ocorrência de incêndios nas áreas de interface entre as áreas de habitações e a floresta e os danos podem ser significativamente maiores do que nos incêndios ocorridos só em áreas florestais defendendo que a informação e esclarecimento das populações que habitam nestes locais é muito urgente para evitar ao máximo que os incêndios florestais se aproximem das habitações. É deste modo necessário, na opinião do autor, que sejam realizadas ações de divulgação para a população e para os técnicos alertando para os problemas deste tipo de incêndios e também usar a comunicação social e folhetos informativos para transmitir e divulgar conselhos pois a falta de informação é a principal causa dos incêndios no interface urbano-florestal.

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Conclusão

“O fogo é um fenómeno natural nos países de clima mediterrâneo e é uma condição sine qua non para a sucessão natural de algumas plantas estando mesmo algumas espécies devidamente adaptadas ao fogo e que regeneram com maior intensidade após passagem do mesmo” (Duarte, 2005).

O mesmo autor considera que as caraterísticas climáticas mediterrâneas, com verões com temperaturas elevadas e precipitação reduzida, são um incentivo à ocorrências de fogos florestais pois devido à forte evaporação e à secura a vegetação fica facilmente inflamável.

Rebelo (2003, citado em Duarte, 2005) defende que o desenvolvimento do fogo na sequência de trovoadas, é possível mas raro, mas, desencadeado por ação humana, sendo um ato criminoso ou não, é frequente.

Bento-Gonçalves, 2006 considera que fogo é um elemento que está presente nos ecossistemas mediterrâneos desde sempre, constituindo uma ameaça e entrave ao desenvolvimento sustentável da floresta portuguesa quando é descontrolado. Os incêndios florestais acarretam enormes esforços financeiros, humanos e materiais todos os anos causando perdas humanas, ambientais, materiais e paisagísticas.

Em Portugal Continental os incêndios florestais são o mais relevante problema ambiental justificando-se isto pelas caraterísticas climáticas e meteorológicas do território pois estas afetam o desenvolvimento e a inflamabilidade dos combustíveis, mas isto não é suficiente para justificar o número elevado de ignições e área ardida (Nunes et al., 2013).

Entre 2001 e 2010 os distritos em Portugal Continental mais afetados pelos incêndios foram os do litoral norte do país sendo o distrito do Porto o que mais ocorrências apresentou com 54998, uma diferença de 23005 ocorrências para o concelho de Braga, segundo classificado com 31993 ocorrências. É precisamente no distrito do Porto que se localiza o concelho de Valongo, caso em análise neste estudo.

No distrito do Porto foi o concelho de Paredes que apresentou maior número de ocorrências entre 2001 e 2010 com 6673. Valongo está entre os distritos com menos ocorrências com 1650.

O concelho de Valongo foi afetado com 738 focos de incêndio entre os anos 2008 e 2012 (anos em estudo neste trabalho) com Alfena a ser a freguesia com o maior

71 número de casos com 189 ocorrências. O ano de 2010 foi o que teve maior número de ocorrências com um total de 221 focos de incêndio registados.

Dos 738 focos de incêndio ocorridos 87% não tiveram a sua causa investigada e sendo a causa investigada em 13%, 6% têm causa conhecida e 7% não se conhece a causa.

O risco de incêndio, entendido pela ANPC como a probabilidade de ocorrer um incêndio numa determinada zona, é maior, no concelho de Valongo, nas zonas florestais localizadas nas proximidades das zonas urbanas e agrícolas e, também, nas zonas com bons acessos. O acesso ao local contribui de forma negativa mas também positiva no que toca a incêndios florestais pois torna mais fácil a chegada ao local por parte dos causadores dos incêndios mas também facilita a chegada mais próxima dos bombeiros ao local do incêndio.

Com os focos de incêndio a serem mais frequentes no interface entre as zonas florestais e as zonas urbanas é necessário que haja maior vigilância nessas zonas com o objetivo de diminuir o número de focos de incêndio.

Fidalgo (2010) refere que as pessoas que habitam nas zonas de interface urbano- florestal apenas percebem a potencial destruição dos incêndios florestais quando já tenham sofrido os seus efeitos em experiencias do passado e como não há uma cultura de risco nem preparação ou sensibilização das populações para este tipo de fenómeno tem tendência a piorar.

Deste modo o autor sugere que é necessário conhecer os fatores que levam as habitações e outras infraestruturas a serem vulneráveis aos incêndios no interface urbano-florestal e tomar medidas de autoproteção como a melhor gestão de combustíveis através de atividades silviculturais recorrendo ao fogo controlado para a desmatação e desramação nas zonas próximas das habitações e infraestruturas. A construção de estradas em locais estratégicos também pode contribuir para a diminuição dos incêndios em espaços de interface urbano-florestal pois podem funcionar como quebra de combustível e facilitam o combate aos incêndios.

Podemos, então, concluir que Portugal ainda tem muitos aspetos que terão de ser trabalhados para minimizar os problemas relacionados com os incêndios que todos os anos afetam o país sendo um dos principais a sensibilização das populações sobre as adversidades causadas pelos incêndios florestais.

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82 Anexo 1 – Lista de ocorrências de incêndios no concelho de Valongo em 2008

DATA FREGUESIA TOPONIMO

AREA TOTAL AREA POV AREA MATO AREA AGRIC AREA IND AREA NUL CAUSA TIPO CAUSA

domingo, 6 de Abril de 2008 Alfena RUA CENTRAL LOMBELHO (ALFENA) 0.1 0 0.1 0 0 0

domingo, 29 de Junho de 2008 Alfena RUA DA FIDALGA (Rua das Tulipas) 0.02 0 0.02 0 0 0

domingo, 29 de Junho de 2008 Alfena RUA DA FIDALGA (Rua das Tulipas) 0.02 0 0.02 0 0 0

domingo, 29 de Junho de 2008 Alfena R. FIDALGA (ALFENA) 0.01 0 0.01 0 0 0

domingo, 6 de Julho de 2008 Alfena RUA DA FIDALGA (Rua das Tulipas) 0.15 0 0.15 0 0 0

domingo, 20 de Julho de 2008 Alfena RUA DAS PEREIRAS (Rua das Tulipas) 0.02 0 0.02 0 0 0

domingo, 20 de Julho de 2008 Alfena rua outeiro (ALFENA) 0.05 0 0.05 0 0 0

domingo, 20 de Julho de 2008 Alfena Lombelho 1.5 1.5 0 0 0 0

domingo, 20 de Julho de 2008 Alfena RUA DA RIBEIRA (Rua das Tulipas) 0.01 0 0.01 0 0 0

domingo, 3 de Agosto de 2008 Alfena R. FIDALGA (ALFENA) 0.3 0 0.3 0 0 0

domingo, 10 de Agosto de 2008 Alfena RUA FIDALGA (ALFENA) 0.02 0 0.02 0 0 0

domingo, 10 de Agosto de 2008 Alfena RUA DA FIDALGA (Rua das Tulipas) 0.02 0 0.02 0 0 0

domingo, 10 de Agosto de 2008 Alfena RUA DA FIDALGA (Rua das Tulipas) 0.005 0 0.005 0 0 0

domingo, 17 de Agosto de 2008 Alfena RUA DO MONTE (Rua do Maia Shopping) 0.03 0 0.03 0 0 0

domingo, 14 de Setembro de 2008 Alfena R DA FIDALGA (ALFENA) 0.005 0 0.005 0 0 0

domingo, 14 de Setembro de 2008 Alfena RUA PONTE DO ARQUINHO (Rua Ponte da Gandra) 0.005 0 0.005 0 0 0

domingo, 28 de Setembro de 2008 Alfena RUA REAL (ALFENA) 0.01 0 0.01 0 0 0

domingo, 5 de Outubro de 2008 Alfena R. LOMBELHE (ALFENA) 0.02 0 0.02 0 0 0

segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008 Alfena R.RIBEIRA (Ribeira) 0.35 0 0.35 0 0 0

segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008 Alfena R. ALTO DO REGENGO (ALFENA) 0.01 0 0.01 0 0 0

segunda-feira, 3 de Março de 2008 Alfena RUA DA SAUDADE (Rua das Tulipas) 0.01 0 0.01 0 0 0

segunda-feira, 31 de Março de 2008 Alfena RUA CENTRAL DE LOMBELHO (ALFENA) 0.02 0 0.02 0 0 0

segunda-feira, 23 de Junho de 2008 Alfena RUA FIDALGA (ALFENA) 0.05 0 0.05 0 0 0

segunda-feira, 7 de Julho de 2008 Alfena RUA FIDALGA (ALFENA) 0.02 0 0.02 0 0 0

segunda-feira, 21 de Julho de 2008 Alfena RUA DA FIDALGA (Rua das Tulipas) 0.2 0 0.2 0 0 0

segunda-feira, 21 de Julho de 2008 Alfena RUA DA FIDALGA (Rua das Tulipas) 0.05 0 0.05 0 0 0

segunda-feira, 21 de Julho de 2008 Alfena RUA DA FIDALGA (Rua das Tulipas) 0.005 0 0.005 0 0 0

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segunda-feira, 21 de Julho de 2008 Alfena L.REGUENGO (Costa do Reguengo) 0.6 0.6 0 0 0 0

segunda-feira, 4 de Agosto de 2008 Campo R. CESÁRIO VERDE (CAMPO) 1 0 1 0 0 0

segunda-feira, 18 de Agosto de 2008 Campo POVOAS (Póvoas) 0.01 0 0.01 0 0 0

segunda-feira, 25 de Agosto de 2008 Campo R. NEGRAL (CAMPO) 0.01 0 0.01 0 0 0

segunda-feira, 25 de Agosto de 2008 Campo RUA DO NEGRAL (Rua do Apeadeiro) 0.005 0 0.005 0 0 0

segunda-feira, 1 de Setembro de 2008 Campo RUA PADRE AMERICO (Rua Pomar do Leça) 0.0005 0 0.0005 0 0 0

segunda-feira, 29 de Setembro de 2008 Campo RUA CENTRAL DAS PÓVOAS (CAMPO) 0.03 0 0.03 0 0 0

terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008 Campo PÓVOAS (Póvoa) 0.01 0 0.01 0 0 0

terça-feira, 4 de Março de 2008 Campo RUA CENTRAL DE CAMPO (CAMPO) 0.02 0 0.02 0 0 0

terça-feira, 6 de Maio de 2008 Campo TRAVESSA DA JUSTOSA (Travessa do Apeadeiro) 0.05 0 0.05 0 0 0

terça-feira, 10 de Junho de 2008 Campo RUA DA MARGINAL (Rua das Tulipas) 0.02 0 0.02 0 0 0

terça-feira, 8 de Julho de 2008 Campo RUA ALTO DA MINA (Rua Armandino da Silva Moutinho) 2 0 2 0 0 0

terça-feira, 8 de Julho de 2008 Campo RUA CENTRAL VINHAS (CAMPO) 0.01 0 0.01 0 0 0

terça-feira, 15 de Julho de 2008 Campo RUA DE NEGRAL (Rua de Vilar) 0.5 0 0.5 0 0 0

terça-feira, 15 de Julho de 2008 Campo PÓVOAS (Póvoa) 0.05 0 0.05 0 0 0

terça-feira, 15 de Julho de 2008 Campo TRAVESSA PONTE FERREIRA (Travessa do Apeadeiro) 0.005 0 0.005 0 0 0

terça-feira, 15 de Julho de 2008 Campo R. LOURIZ (CAMPO) 0.1 0 0.1 0 0 0

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