Em 3 de abril de 2002, o Ministério da Saúde publicou a portaria GM/MS nº 640 estabelecendo os mecanismos para a organização e implantação de Redes Estaduais de Assistência Cardiovascular. A Rede é constituída por:
• Hospital Geral;
• Hospital Geral com Implante de Marcapasso Cardíaco Permanente; • Centros de Referência I e II;
• Laboratório de Eletrofisiologia.
A portaria SAS/MS, nº 227, de 5 de abril de 2002, definiu os critérios e requisitos para a classificação e cadastramento dos novos serviços que constituem a rede, e deu prazos para os serviços já cadastrados atenderem às exigências da referida portaria. Os serviços de cirurgia cardíaca estão classificados em nível I e II. Foram também criados os Centros de Referência em Cirurgia Endovascular de Alta Complexidade, nível I e II, pela portaria SAS/MS nº 450, de 10 de julho de 2002.
Saúde do Idoso
A organização e implantação da Rede Estadual de Assistência à Saúde do Idoso estão definidas pela portaria GM/MS nº 702 de 12 de Abril de 2002. Constituem a rede: a) Hospitais Gerais; b)
Centros de Referência em Assistência à Saúde do Idoso. As normas de cadastramento dos Centros de Referência em Assistência do Idoso estão discriminadas na portaria SAS/MS nº 249 de 16 de Abril de 2002. De forma complementar a organização da rede foi criado o Programa de Assistência aos Portadores de Alzheimer, sendo que os Centros de Referência são os responsáveis pelo diagnóstico, acompanhamento e tratamento dos pacientes.
Saúde do Trabalhador
A portaria GM/MS n.º 1.679, de 19 de setembro de 2002, instituiu a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST). O Ministério da Saúde estabeleceu que cada Estado deverá elaborar o Plano Estadual de Saúde do Trabalhador, organizando a Rede Estadual de Atenção á Saúde do Trabalhador, de acordo com o Plano Diretor de Regionalização.
Serão organizados dois tipos de Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CRST): Centro de Referência Estadual e Centro de Referência Regional, definidos por ordem crescente de complexidade, com uma série de atribuições descritas no anexo II da portaria citada.
A implantação dos CRST estaduais e regionais implica no treinamento de equipes de saúde, na contratação de novos profissionais, na aquisição de novos equipamentos, entre outras medidas estratégicas. A portaria prevê o pagamento de um incentivo adicional, incorporado ao teto financeiro dos Estados para adequação dos CRST existentes e para a implantação dos novos, de acordo com a classificação e porte.
Foram estabelecidas as normas para o cadastramento e habilitação dos CRST pela portaria SAS/MS nº 656, de 20 de setembro de 2002, sendo indispensável a apresentação do Plano Estadual de Saúde do Trabalhador. O processo de cadastramento deve ser encaminhado ao Ministério da Saúde para análise e parecer.
Existem, ainda, alguns projetos especiais em desenvolvimento, como a vigilância em benzeno, cuidados integrais em lesões por esforço repetitivo (LER) e o rastreamento de pneumoconioses (doenças do pulmão provocadas pela inalação de poeira, como por exemplo, do carvão).
Saúde Mental
Em 2002, o Ministério da Saúde avançou no processo de implantação do modelo de atenção à saúde mental extra-hospitalar. Várias portarias foram publicadas com o objetivo de organizar o atendimento em Saúde Mental. A portaria GM/MS nº 251, de 31 de janeiro de 2002, estabeleceu as diretrizes e normas para a regulamentação da assistência hospitalar em psiquiatria e para reclassificação dos hospitais psiquiátricos.
A portaria GM/MS nº 336, de 19 de fevereiro de 2002, institui os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), com o objetivo de redirecionar o modelo assistencial em saúde mental. Os CAPS se classificam nas seguintes modalidades, definidos por ordem crescente de porte e complexidade e abrangência populacional.
• CAPS I: municípios com população entre 20 mil e 70 mil habitantes; • CAPS II: municípios com população entre 70 mil e 200 mil habitantes; • CAPS III: municípios com população acima de 200 mil habitantes;
• CAPSi : serviço de atenção psicossocial para crianças e adolescentes e referência para uma população de 200 mil habitantes;
• CAPSad : serviço de atenção psicossocial para atendimento de pacientes com transtornos decorrentes do uso e dependência de substâncias psicoativas, com implantação em municípios com população superior a 200 mil habitantes.
O Programa Nacional de Atenção Comunitária Integrada a Usuários de Álcool e outras Drogas foi instituído pela portaria GM/MS nº 816, de 30 de abril de 2002. O programa prevê a capacitação de recursos humanos da rede SUS e a implantação gradativa de 250 CAPSad em duas etapas, sendo 120 em 2002 e 130 em 2003. Os Estados e municípios que implantaram serviços novos nessa área ou adequaram os serviços existentes receberam um incentivo financeiro de R$ 50.000,00, após avaliação do MS. A portaria SAS/MS nº 305, de 30 de abril de 2002, publicou as normas para cadastramento e funcionamento para o CAPSad. Os procedimentos realizados pelos CAPS são processados pelo sistema APAC e financiados pelo FAEC.
Para receberem recursos do Ministério da Saúde os antigos CAPS e NAPS devem ser recadastrados nas modalidades descritas acima, pelo gestor estadual, após parecer técnico do Ministério da Saúde. O mesmo procedimento deve ser feito com os novos centros implantados. Cada centro implantado será financiado, por meio do sistema APAC/SIA, sendo incluídos na relação de procedimentos estratégicos do SUS e financiados com recursos do FAEC, ou seja, não impacta sobre o limite financeiro do Estado ou município em gestão plena do sistema.
13.8 SISTEMAS DE ALTA COMPLEXIDADE
Neurocirurgia
A neurocirurgia faz parte do elenco dos procedimentos de Alta Complexidade. Em 1998, foram estabelecidos pela portaria GM/MS nº 2.920, de 9 de junho, os critérios para a inclusão de hospitais no sistema de alta complexidade em neurocirurgia nos níveis I, II e III. No caso da neurocirurgia, o nível do serviço define o elenco de procedimentos que o serviço pode realizar. O nível I é o menos complexo e o nível III o mais complexo. Todo o serviço cadastrado deve ter UTI e serviço de tomografia computadorizada.
O gestor estadual deve realizar acompanhamento e avaliações periódicas desses serviços visando verificar a atuação dos mesmos. As solicitações de cadastramento de novos serviços devem ser encaminhadas ao Ministério da Saúde.