Embora normatizada desde 19 de abril de 1994, pela portaria SAS/MS nº62, essa área teve um grande impulso em organização e consolidação de sua rede assistencial a partir de 1998. Como o tratamento das deformidades craniofaciais, por sua complexidade e especificidade, demanda serviços altamente especializados, equipes multiprofissionais, instalações e equipamentos bastante diferenciados, os Centros de Assistência têm uma abrangência bastante grande, macrorregional na maior parte dos casos, ou até mesmo nacional.
Essa área teve um incremento assistencial significativo com a normatização do implante coclear. Em outubro de 1999, foram estabelecidos os critérios de indicação e contra-indicação de implante coclear, e também as normas para cadastramento de Centros para a realização do procedimento. Terapia Renal Substitutiva
A Terapia Renal Substitutiva (TRS) compreende os procedimentos de hemodiálise, diálise peritoneal contínua e automática, bem como os procedimentos de preparação para o transplante renal, quando indicado. O serviço que é cadastrado no SUS recebe o paciente com indicação de
TRS e deve realizar todos os procedimentos de diagnose, implantação de cateteres, realização da terapia, acompanhamento do paciente. Deve garantir leitos para os casos que necessitam internações, bem como realizar os exames necessários para a manutenção do paciente na fila de receptor de rim para os casos que têm indicação para transplante renal.
A remuneração dos serviços é processada pela Autorização de Procedimento de Alta Complexidade (APAC) apresentada mensalmente ao gestor. Na APAC são lançados todos os procedimentos realizados para o paciente, conforme a tabela de procedimentos do SIA/SUS. Desde a publicação da portaria GM/MS nº 1.112, em 13 de junho de 2002, esses procedimentos são pagos pelo FAEC, e, para o caso específico da TRS, têm limite financeiro por Estado.
13.9 MUTIRÕES PARA REDUÇÃO DE DEMANDAS REPRIMIDAS
Com o objetivo de diminuir as demandas reprimidas de alguns procedimentos, foram implantados diversos mutirões de cirurgias eletivas. Essas demandas quase sempre têm como gerador a alta prevalência do problema e a baixa oferta de serviços. Desde 1999 foram organizados vários mutirões de cirurgia de cataratas, varizes, próstata e outros solicitados pelos gestores tendo em vista a necessidade específica do Estado ou município.
Os mutirões foram uma estratégia de estímulo aos serviços para o atendimento da população, tanto pelo pagamento diferenciado do valor normal de tabela, como pela concentração na realização dos procedimentos diagnósticos e terapêuticos. Todos os mutirões são pagos pelo ministério por meio do FAEC, portanto não onerando o teto financeiro de Estados e municípios.
13.10 SISTEMA NACIONAL DE TRANSPLANTES
Os transplantes de órgãos e tecidos são regulados pelo gestor estadual. Esse processo é normatizado a partir de 1997, com a edição da chamada Lei dos Transplantes (Lei n.º 9.434, de 4 de fevereiro de 1997) e do Decreto n.º 2.268, de 30 de junho de 1997, que a regulamentou. A partir dessas definições legais, começou um intenso trabalho no Ministério da Saúde para implementar as medidas preconizadas, organizar o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), implantar as Listas Únicas de Receptores, criar as Centrais Estaduais de Transplantes, normatizar complementarmente a atividade, cadastrar e autorizar serviços e equipes especializadas, estabelecer critérios de financiamento, impulsionar a realização dos procedimentos e ainda adotar uma série de medidas necessárias ao pleno funcionamento do Sistema.
Em agosto de 1998, foi implantada, no âmbito da Secretaria de Assistência à Saúde do MS, a Coordenação Nacional do SNT. Essa Coordenação é responsável pela normatização e regulamentação dos procedimentos relativos à captação, alocação e distribuição de órgãos. É também atribuição do órgão central do SNT credenciar centrais de notificação, captação e distribuição de órgãos e autorizar estabelecimentos de saúde e equipes especializadas a promover retiradas, transplantes ou enxertos de tecidos, órgãos e partes do corpo.
Para exercer a sua função reguladora, a Secretaria Estadual de Saúde ou órgão similar deve estruturar uma Coordenação Estadual de Transplantes. Essa Coordenação tem o papel de cadastrar os centros captadores de órgãos e tecidos, identificar e treinar as equipes de abordagem intra- hospitalar, supervisionar e avaliar o funcionamento das Centrais de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO), manter atualizadas as listas de receptores e enviar relatórios à Coordenação do Sistema Nacional de Transplantes.
Como a atividade das Centrais Estaduais se dá no âmbito estadual e com o desenvolvimento e incremento das atividades de transplante no País, surgiu a necessidade da criação de uma estrutura que articulasse as ações interestaduais. Assim, em 16 de agosto de 2000, foi criada a Central Nacional de Transplantes, que funciona 24 horas por dia no Aeroporto Juscelino Kubistchek, em Brasília (DF). A Central Nacional articula o trabalho das Centrais Estaduais e provê os meios para as transferências de órgãos entre Estados atendendo às situações de urgência e evitando o desperdício de órgãos sem condições de aproveitamento na sua origem.
Com o objetivo de aumentar a captação de órgãos e apoiar as atividades da CNCDO, foi estabelecida a obrigatoriedade da existência de Comissões Intra-Hospitalares de Transplantes nos hospitais com UTI do tipo II ou III, hospitais de referência para urgência e emergência e hospitais transplantadores. Essas comissões desenvolvem, em seus hospitais, o processo de identificação de potenciais doadores em morte encefálica, a abordagem familiar para autorização, além da triagem clínica e sorológica. Também articulam com a CNCDO estadual e/ou nacional a formalização da documentação necessária e o processo de retirada e transporte de órgãos e equipes.
Todos os transplantes são pagos pelo Ministério por meio do FAEC, não onerando, portanto, o teto financeiro de Estados e municípios.
13.11 PROGRAMA NACIONAL DE TRIAGEM NEONATAL
Considerando a necessidade de implantar medidas para a redução da morbi-mortalidade relacionadas às patologias congênitas no Brasil, o Ministério da Saúde instituiu pela portaria GM/MS
nº 822, de 6 de junho de 2001, o Programa Nacional de Triagem Neonatal. O programa tem por objetivo o desenvolvimento de ações de triagem neonatal em fase pré-sintomática, acompanhamento e tratamento das doenças congênitas detectadas. As seguintes doenças congênitas fazem parte do programa:
a) fenilcetonúria;
b) hipotireoidismo congênito;
c) doenças falciformes e outras hemoglobinopatias; d) fibrose cística.
Devido aos diferentes níveis de organização das redes assistenciais nos Estados o programa pode ser implantado nas fases I, II e III. A fase I compreende as ações para a identificação, acompanhamento e tratamento da Fenilcetonúria e Hipotireoidismo Congênito, na fase II acrescenta-se as doenças falciformes e na fase III a Fibrose Cística. As Secretarias Estaduais devem organizar os serviços para a coleta do exame do pezinho, definir os ambulatórios de referência, sendo que esses devem realizar os exames e o acompanhamento dos casos detectados.