TÓPICO 3 – OS PECADOS REAIS (PESSOAIS)
3.4 CLASSES DE PECADO
Do ponto de vista do perdão divino, o pecado não está dividido em classe. Porém, para facilitar nossa compreensão deste item, podemos apontar quatro tipos de pecados:
a) Pecados de presunção: são os que resultam da premeditação e de uma vontade a serviço da injustiça (Salmo 19:12-13; Isaías, 5:18; Mateus, 7:2-3; Efésios, 4:14).
b) Pecados de comissão e omissão: em Mateus, 25:31-46, no grande julgamento, são mencionados cinco pecados de omissão.
c) Pecados sociais: são pecados de infidelidade no cumprimento de nossas responsabilidades diante de Deus (Gênesis, 39:9; Êxodo, 23:7).
d) Pecados contra o Espírito Santo: são aqueles pecados que se atribui maliciosamente a poderes malignos, o que é realizado pelo poder do Espírito Santo (Mateus, 12:32; Lucas, 12:10).
Em suma, o teólogo Elliff (2004) elencou 35 razões para não pecar. Veja-as: 1. Porque um pequeno pecado leva a mais pecados.
2. Porque o meu pecado evoca a disciplina de Deus.
3. Porque o tempo gasto no pecado é desperdiçado para sempre.
4. Porque o meu pecado nunca agrada a Deus; pelo contrário, sempre O entristece.
5. Porque o meu pecado coloca um fardo imenso sobre os meus líderes espirituais.
6. Porque, no devido tempo, o meu pecado produz tristeza em meu coração. 7. Porque estou fazendo o que não devo fazer.
8. Porque o meu pecado sempre me torna menor do que eu poderia ser.
9. Porque os outros, incluindo a minha família, sofrem consequências por causa do meu pecado.
10. Porque o meu pecado entristece os santos.
11. Porque o meu pecado causa regozijo nos inimigos de Deus.
TÓPICO 3 | OS PECADOS REAIS (PESSOAIS)
3.4 CLASSES DE PECADO
13. Porque o pecado pode impedir que eu me qualifique para a liderança espiritual.
14. Porque os supostos benefícios de meu pecado nunca superam as consequências da desobediência.
15. Porque o arrepender-me do meu pecado é um processo doloroso, mas eu tenho que arrepender-me.
16. Porque o meu pecado pode influenciar outros em troca de uma perda eterna. 17. Porque o meu pecado pode influenciar outros a pecar.
18. Porque o meu pecado pode impedir que outros conheçam a Cristo.
19. Porque o pecado menospreza a cruz, sobre a qual Cristo morreu, com o objetivo específico de remover o meu pecado.
20. Porque é impossível pecar e seguir o Espírito Santo, ao mesmo tempo. 21. Porque Deus escolheu não ouvir as orações daqueles que cedem ao pecado. 22. Porque o pecado rouba a minha reputação e destrói o meu testemunho. 23. Porque outros, mais sinceros do que eu, são prejudicados por causa do meu
pecado.
24. Porque todos os habitantes do céu e do inferno testemunharão sobre a tolice deste pecado.
25. Porque a culpa e o pecado podem afligir minha mente e causar danos ao meu corpo.
26. Porque o pecado misturado com a adoração torna insípidas as coisas de Deus.
27. Porque o sofrer por causa do pecado não tem alegria nem recompensa, ao passo que sofrer por causa da justiça tem ambas as coisas.
28. Porque o meu pecado constitui adultério com o mundo.
29. Porque, embora perdoado, eu contemplarei novamente o pecado no Tribunal do Juízo, onde a perda e o ganho das recompensas eternas serão aplicados.
30. Porque eu nunca sei por antecipação quão severa poderá ser a disciplina para o meu pecado.
31. Porque o meu pecado pode indicar que ainda estou na condição de uma pessoa perdida.
32. Porque pecar significa não amar a Cristo.
33. Porque minha indisposição em rejeitar este pecado lhe dá autoridade sobre mim, mais do que estou disposto acreditar.
34. Porque o pecado glorifica a Deus somente quando Ele o julga e o transforma em uma coisa útil; nunca porque o pecado é digno em si mesmo.
35. Porque eu prometi a Deus que Ele seria o Senhor de minha vida. Renuncie seus direitos.
Rejeite o pecado. Renove sua mente.
UNIDADE 3 | DOUTRINA BÍBLICA DO PECADO (HAMARTIOLOGIA)
LEITURA COMPLEMENTAR
ALGUMAS APLICAÇÕES PRÁTICAS DA DOUTRINA DO PECADO Franklin Ferreira
Alan Myatt Em primeiro lugar, o pecado é o mal sem par, não existe nada mais nocivo do que o pecado. O pecado é errar o alvo estabelecido pela lei de Deus, é infidelidade, desvio do caminho, saída do aprisco, cegueira e surdez, transgressão e incapacidade. “pecado é uma fera rosnando à porta”. Por isso, concordamos com o que escreveu Ralph Venning; “O mal do pecado é pior do que qualquer outra perturbação e aflição, pior que a morte, pior que o próprio diabo, pior que o inferno. Essas quatro coisas são verdadeiramente terríveis: oramos pedindo a Deus que nos livre delas. Todavia, nem todas elas juntas são tão nocivas para nós quanto um estilo de vida pecaminoso”. Isto porque “pode-se sofrer e não pecar; mas é impossível pecar não sofrer. O pecado tem poder de desfigurar e perverter tudo que foi criado bom por Deus. Seu poder é caricatural e parasitário, uma anomalia, loucura e vício. Por isto, devemos odiar o pecado, fugindo dele em direção ao Deus santo, em humildade, contrição, lágrimas e arrependimento contínuo.
Em segundo lugar, a doutrina do pecado é importante para a formulação da doutrina da salvação. O pecador, por ser incapaz de se voltar para Deus, depende de uma intervenção radical em sua vida, para ser salvo. Ele não consegue se tornar cristão por força de sua própria decisão. Estando preso ao seu pecado, a única escolha que ele fará, ao ouvir o chamado, é rejeitar a Jesus. Por isso, é preciso que o espírito Santo intervenha para capacitar o pecador a receber a Cristo. Assim, não cabe aos pregadores e evangelistas a tarefa de converter as pessoas, por meio de métodos humanos de persuasão. O resultado da evangelização é determinado pelo Senhor. E ele promete que sua Palavra cumprirá o seu propósito.
Em terceiro lugar, a doutrina do pecado revela uma realidade que é absolutamente necessária encarar para ser salvo. No dia do juízo final, muitos que acham que são cristãos descobrirão que não são. Eles podem até ter tido uma experiência religiosa, mas nunca se arrependeram de verdade. Muitas vezes isso pode ser por não entender quão grave é o pecado. Não basta ter um folheto, recitar uma oração escrita ou levantar a mão durante o apelo, para alcançar a vida eterna. É preciso chegar a um arrependimento profundo, e isso não acontece sem que a pessoa conheça a depravação e o estado de desamparo total no qual o pecador vive. Por isso, o evangelista deve pregar sobre o pecado e mostrar ao pecador o horror do estado de sua existência. O pecador deve entender a natureza da sujeira e maldade que poluem o seu coração. Somente assim, ele deve confessar sua incapacidade de se salvar, e confiar totalmente na graça infinita do Senhor. O
TÓPICO 3 | OS PECADOS REAIS (PESSOAIS) Em quarto lugar, o fato de Deus não derramar sua ira e juízo sobre os pecados ao nosso redor não deve nos levar a uma atitude cínica ou descuidada. Temos a tendência de pensar que Deus ignora o pecado, porque os seus juízos não são imediatos. Porém, se Deus fosse trazer juízos tão logo quanto os homens e mulheres pecassem, em pouco tempo não haveria mais nenhuma pessoa sobre a face da Terra! Todavia, o pecado será finalmente punido, ainda quando não seja punido imediatamente. Que a longanimidade de Deus seja ocasião de ainda encontrá-lo!
Uma última aplicação tem a ver com nossos relacionamentos uns com os outros. Francis Schaeffer disse que, em toda interação com outras pessoas, devemos sempre lembrar duas coisas. Por um lado, o outro é criado à imagem de Deus, e assim merece ser tratado com toda dignidade, que reflita o valor infinito que ele recebeu de Deus. Por outro, o outro é pecador, carente do amor e da justiça de Deus, assim como de nossa paciência, amor e perdão. Nunca devemos nos enganar, achando que somente o outro que pode cair e não nós mesmos. A doutrina do pecado deve manter-nos vigilantes, e em dependência total de Deus, em nossa luta para vencer o pecador.
FONTE: FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2007. p.477-479.
Neste tópico você viu que:
Todos somos pecadores diante de Deus.
Deus é infinitamente misericordioso para perdoar nossos pecados. Podemos dividir os pecados em classes para melhor compreensão.
AUTOATIVIDADE
1 Na sua perspectiva, qual é a diferença entre “pecado original” e “pecados atuais?”
2 Estabeleça um contraste entre Adão e Cristo.
3 Quais são as três analogias que Agostinho utilizou para explicar o pecado original?
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