TÓPICO 1 – A ORIGEM DO PECADO
2.2 TEORIAS SOBRE O PECADO
Assim como em outras áreas da Teologia Cristã, sobre o pecado não é diferente, há muitas teorias. São especulações filosóficas que pretendem abrandar o verdadeiro significado da Bíblia da palavra pecado.
a) O ateísmo. A doutrina do ateísmo nega a existência de Deus e, por conseguinte, nega também a realidade do pecado, visto que o pecado é dirigido contra Deus.
b) O gnosticismo. Esta teoria nega o caráter ético do mal e, por isso, trata o pecado como algo puramente físico.
c) O determinismo. Os deterministas ensinam que tudo que acontece está condicionado ao meio e às circunstâncias. Então, negam o livre-arbítrio, por acharem que o homem é um ser desprovido de responsabilidade moral. Esta teoria argumenta que não há mérito em fazer o bem e quem faz o mal não pode ser punido.
d) O hedonismo. Os hedonistas não se preocupam com o certo e o errado. Pregam que não se deve reprimir os desejos físicos, porém dar vazão a eles.
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NOTA
HEDONISMO – (do gr. hedoné) – Doutrina filosófica, da época pós-socrática, segundo a qual o prazer individual e imediato é o supremo bem da vida humana. (ANDRADE, 1998, p. 172)
3 A ORIGEM DO PECADO NO MUNDO
Teologicamente, a essência do primeiro pecado, no Éden, está na desobediência à vontade de Deus. Deus havia dado a ordem a Adão, antes da criação da mulher. “Mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá” (Gênesis 2:17).
Portanto, o pecado de Adão e Eva foi uma transgressão deliberada ao limite que fora determinado por Deus.
NOTA
TRANSGRESSÃO – (do lat. Transgressio) – Infração premeditada e consciente de um preceito ou princípio. Assim é considerado o pecado em relação à Lei de Deus. (ANDRADE, 1998, p. 278).
3.1 TENTAÇÃO E QUEDA DO HOMEM
No caso da tentação específica de Eva, podemos afirmar que foi uma tentação tanto externa quanto interna, visto que passou pelo processo mental, pelo qual Adão não passou.
Desde o Éden, e através dos tempos, Satanás tem se utilizado de todos os meios para corromper a humanidade. No entanto, a Bíblia, para o nosso próprio bem, revela que ele usa um padrão em seu trabalho de tentar o homem, baseado nos três aspectos básicos. Veja isto em 1 João 2:16: “Pois tudo o que há no mundo, a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens não provém do Pai, mas do mundo”.
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3 A ORIGEM DO PECADO NO MUNDO
3.1 TENTAÇÃO E QUEDA DO HOMEM
“Cobiça” é a corrupção dos instintos naturais dados por Deus. Já “ostentação” é o orgulho resultante daquilo que se possui. Estes três aspectos podem ser identificados tanto na tentação do Éden como na de Jesus (Mateus 4), e um ou outro, nas demais ocorridas na Bíblia.
a) O tentador. O Novo Testamento apresenta o tentador como sendo Satanás, o qual se utilizou da serpente para tentar Eva. Em toda a Bíblia, a serpente é descrita como um animal perigoso, que possui um maligno e astuto veneno mortal. Ela é símbolo de Satanás (Gênesis 3:1; Provérbios 25:32; Isaías 59:5; 2 Coríntios 11:3; Apocalipse 12:9,13,15). À luz do relato de Gênesis 3, a serpente é a personificação do mal, com o qual o homem se defrontará em toda sua história.
b) A tentação. A tentação veio de fora, de Satanás, personificado na serpente, que instigou Eva a desobedecer ao mandamento de Deus. Convém ressaltar que Adão não foi tentado pela serpente, mas por Eva, que o seduziu.
Leia o seguinte trecho, para averiguar como Satanás agiu para induzir nossos primeiros pais ao pecado:
1 Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens
que o SENHOR Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: “Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’?” 2 Respondeu a mulher à serpente: “Podemos comer do
fruto das árvores do jardim, 3 mas Deus disse: ‘Não comam do fruto
da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão’ ”. 4 Disse a serpente à mulher: “Certamente não
morrerão! 5 Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos
se abrirão, e vocês, como Deus, serão conhecedores do bem e do mal”.
6 Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar,
era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também. (Gênesis 3.1-6).
Estando no “meio” do jardim (v. 3), a árvore proibida tornou-se um ponto de convergência, para onde se dirigiu a mulher quando pela primeira vez se viu sozinha. A tentação só existe em relação ao que prende a nossa atenção. A árvore do conhecimento estava no meio do jardim. A mesma coisa acontece com aquilo que nos é proibido: ele se torna o centro em torno do qual gravitam todos os nossos desejos e ideais. E, por isso, vai adquirindo qualidades ressaltadas pelo espírito maligno, sussurrando em nossos ouvidos, de tal forma que se transforma mais e mais no alvo de toda a nossa atenção.
Veja a sequência da ordem dada por Deus: “não comam do fruto”, “nem toquem nele”, “do contrário vocês morrerão”. Agora observe como Satanás torce as palavras de Deus, no versículo 4 e 5, de modo a confundir Eva: “certamente não morrerás”, “Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão”, “e vocês, como Deus, serão conhecedores do bem e do mal”.
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A árvore proibida no Éden foi uma espécie de elemento de teste pelo qual o homem pudesse escolher, pelo amor, servir a Deus. Para aqueles que não entendem a razão de Deus assim o permitir, sugerimos a leitura da provação pela qual Jó passou (Jó 1), como um teste que se revelou em bênção pela sua aprovação. Infelizmente, tal não aconteceu com Adão e Eva.
c) A queda do homem. Gênesis 3:6 é chave para revelar o processo pelo qual o objetivo da tentação foi alcançado:
- “Quando a mulher viu” (cobiça dos olhos). - “Agradável ao paladar” (cobiça da carne).
- “Desejável para dar entendimento” (ostentação dos bens).
Agora, compare este mesmo processo com a tentação de Jesus no deserto, segundo o registro de Lucas 4:1-12:
- “Manda esta pedra transformar-se em pão”. (Cobiça da carne).
- “Mostrou-lhes num relance todos os reinos do mundo”. (Cobiça dos olhos).
- “Joga-te daqui para baixo”. (Ostentação dos bens).
Por que razão, Adão participou do fruto, quando aparentemente não havia sido tentado? Ora, a isso só se pode responder pelo processo denominado pela psicologia como identificação, quando alguém faz algo que viu outro fazer, pelos laços que os unem, sejam eles políticos, culturais ou afetivos. Não têm sido poucos os casos de esposas que levam seus maridos ao erro (e vice-versa), pelo simples fato de um não querer discordar do outro. Atos dos Apóstolos, capítulo 5, tem um desses tristes exemplos.
3.2 O JUÍZO DIVINO
A Bíblia diz, em Gênesis 3:7, que depois da queda, abriram-se os olhos de Adão e Eva. Esse abrir de olhos tem um sentido metafórico, eles não viram aquilo que Satanás havia dito que veriam. O que viram foi a expectativa de um juízo inevitável, a destruição de suas vidas. Aliás, Deus havia declarado que o juízo seria inevitável: “[...] mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá”. (Gênesis 2:17).
a) O juízo divino em relação ao homem. Ele passaria a arcar com trabalho penoso, morte física e espiritual (Gênesis 2:17; 3:17-19). E se ele persistir em seus delitos, haverá de experimentar a segunda morte: o lago de fogo (Apocalipse 21:8).
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3.2 O JUÍZO DIVINO
c) O juízo divino em relação à natureza. A Terra tornou-se maldita (Gênesis 3:17-18), pois seria tomada de espinhos e ervas daninhas. A Bíblia diz que a natureza geme em consequência da transgressão adâmica:
“20 Pois ela foi submetida à inutilidade, não pela sua própria escolha,
mas por causa da vontade daquele que a sujeitou, na esperança
21 de que a própria natureza criada será libertada da escravidão da
decadência em que se encontra, recebendo a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. 22 Sabemos que toda a natureza criada geme até agora,
como em dores de parto”. (Romanos 8.20-22).
d) O juízo divino em relação à serpente. Ela seria maldita entre os animais domésticos e selvagens. Passaria a rastejar sobre seu ventre, comendo pó. E, por fim, seria ferida pela semente da mulher, Jesus Cristo.
3.3 A CONSCIÊNCIA E CULPA
O pecado envolve culpa. Todavia, para a culpa vir à tona, é necessário a revelação da Lei. A Bíblia diz que “[...] onde não há lei, não há transgressão” (Romanos 4:15).
Essas leis foram reveladas aos homens, quer através de palavras, que hoje encontramos nas Escrituras (revelação especial), quer diretamente na própria consciência moral de cada um (revelação geral, Romanos 2:14-15). Sem a revelação, mesmo que algo contrário a Deus tenha havido, não poderia haver culpa. [...] uma vez dada a lei, cabe ao homem a responsabilidade de procurar conhecer e cumprir as determinações divinas (Deuteronômios 29:29). Se o indivíduo não procurar conhecer a vontade de Deus, sua ignorância não o isenta de culpa. E se sabia a vontade de Deus e não a cumpriu, sua culpa será maior do que a daquele que não sabia e por isto pecou, Lucas 12:47-48. (AGUIAR, 1999, p. 201).
Agora, leia Gênesis 3:7 a 10, para constatar que, ao pecarem, Adão e Eva se sentiram culpados diante de Deus.
7 Os olhos dos dois se abriram, e perceberam que estavam nus; então
juntaram folhas de figueira para cobrir-se. 8 Ouvindo o homem e sua
mulher os passos do SENHOR Deus que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do SENHOR Deus entre as árvores do jardim. 9 Mas o SENHOR Deus chamou o homem,
perguntando: “Onde está você?” 10 E ele respondeu: “Ouvi teus passos
no jardim e fiquei com medo, porque estava nu; por isso me escondi”.
Observe que eles perceberam sua nudez e sentiram vergonha. Por isso, esconderam--se de Deus, pois tiveram medo. O que houve foi consciência da transgressão, pois violaram um mandamento. Isto é chamado teologicamente de culpa legal.
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No tocante à nossa posição legal perante Deus, qualquer pecado, mesmo aquilo que nos pareça um pecado leve, torna-nos legalmente culpados perante Deus e, portanto, dignos de castigos eternos. Adão e Eva aprenderam isso no jardim do Éden, onde Deus lhes disse que um só ato de desobediência resultaria na pena de morte (Gênesis 2.17). E Paulo afirma que “[...] o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação” (Romanos 5.16). Esse único pecado tornou Adão e Eva pecadores perante Deus, já incapazes de permanecer na santa presen- ça divina (GRUDEN, 2006).