I Norma geral
B. Classificação funcional Antecedentes
Em capítulo anterior, sobre a história do orçamento brasileiro,12 viu-se que, já em 1933, houve tentativa de introdução do critério funcional por meio de uma classificação ainda bastante embrionária. Com o Decreto-lei ne 1.804/39 e, espe cialmente, com o Decreto-lei ne 2.416/40, que padronizaram os orçamentos esta duais e municipais, foi adotada uma classificação por serviços e subserviços, que não deixava de ser a própria classificação funcional. Mais tarde, com a Lei ns 4.320/64, o critério foi definitivamente consagrado. Dez funções, cada uma subdividida em dez subfunções, foram então criadas. Procederam-se algumas alterações ao longo do tempo, mas a listagem das funções que mais tempo vigorou foi a seguinte:
0 - Governo e Administração Geral 1 - Administração Financeira 2 - Defesa e Segurança
3 - Recursos Naturais e Agropecuários 4 - Viação, Transportes e Comunicações 5 - Indústria e Comércio
6 - Educação e Cultura 7 - Saúde
8 - Bem-estar Social 9 - Serviços Urbanos
As subfunções tinham como objetivo tirar um pouco do caráter de agregação das funções. Exemplificando, as dez subfunções da Função 6 - Educação e Cultura - eram as seguintes:
6.0 -Adm inistração 6.1 - Ensino Primário
6.2 - Ensino Secundário e Normal 6.3 - Ensino Técnico-Profissional 6.4 - Ensino Superior
6.5 - Ensino e Cultura Artística 6.6 - Educação Física e Desportos
Classificação da Despesa 9 5
6.7 - Pesquisas, Orientação e Difusão Cultural 6.8 - Patrimônio Artístico e Histórico
6.9 -D iversos
Percebe-se que a classificação funcional tinha sua utilidade principal no plano sintético, isto é, propiciava informações sobre o volume das despesas num nível de agregação bastante alto. Assim, por exemplo, o orçamento da União mostrava, por intermédio da Subfunção 4.2 - Transportes Rodoviários que aí seria apli cado determinado volume de recursos, sem, no entanto, dar indicações sobre as realizações a serem efetivadas. Os outros critérios que se apresentavam, combi nados com a classificação funcional, não podiam auxiliar, pois tinham seus obje tivos próprios.
Consciente de que a trajetória do aperfeiçoamento orçamentário passaria pelo critério funcional, o Governo Federal deu o próximo passo, introduzindo, a partir de 1974, a classificação funcional-programática.13 Na realidade, o govem o apro veitou um dispositivo da Lei ne 4.320/64,14 que autoriza o Executivo a atualizar os anexos da mesma, e ampliou substancialmente a classificação funcional, além de desdobrá-la em maior número de categorias classificatórias. O critério ficou, en tão, assim estruturado: a categoria função foi mantida e teve seu número ampliado para 16. A categoria subfunção desapareceu e em seu lugar surgiram os programas, que se subdividem em subprogramas e estes em projetos e atividades.
A dassificação funcional associada à classificação por programas vigorou até o exercício de 1999, no caso dos orçamentos da União, dos Estados e do Distrito Federal, e até o exercício de 2001 nos orçamentos municipais. A partir dos referi dos exercidos, por determinação de portarias do Govemo Federal, retomou-se à dassificação por funções e subfunçoes separada da classificação por programas.15
Finalidade
Quais os montantes de recursos aplicados nas áreas de Educação, Saúde, Trans portes etc.? As aplicações dos Municípios no Ensino Fundamental vêm crescendo? Em que proporção? A finalidade principal da dassificação funcional é fornecer as bases para a apresentação de dados e estatísticas sobre os gastos públicos nos principais segmentos em que atuam as organizações do Estado. De acordo com Burkhead, a “classificação funcional pode ser chamada classificação para os cida
dãos, uma vez que proporciona informações gerais sobre as operações do Gover
13 Portaria ne 9, de 28-1-1974, do Ministério do Planejamento e Coordenação Geral. 14 Art. 113.
15 Portaria na 117, de 12-11-1998, substituída pela Portaria n- 42, de 14-4-1999, ambas do Minis tério do Orçamento e Gestão.
9 6 Orçam ento P úblico * G iacom oni
no, que podem ser apresentadas em uma espécie de orçamento resumido” . (Grifos do original)16
Categorias
O critério funcional de classificação da despesa possui duas categorias: função e subfunção, A função é entendida como “o maior nível de agregação das diver sas áreas de despesa que competem ao setor público” . Já a subfunção “ representa uma partição da função, visando agregar determinado subconjunto de despesa do setor público” .17
A nova classificação funcional compreende 28 funções e 109 subfunções.18 O aumento do número de funções em relação à classificação funcional-programática decorre, basicamente, da opção em transformar em duas o que era, antes, uma
função agrupada. Exemplo: na classificação funcional-programática, Educação e
Cultura formavam a Função 08; na nova classificação, passam a constituir as Fun ções 12 e 13, respectivamente.19 O classifícador apresenta igualmente novidades, visando destacar novas áreas em que ação do Estado passa a ter especial signifi cado. É o caso, por exemplo, das Funções 03 - Essencial à Justiça; 14 - Direitos da Cidadania; 19 - Gestão Ambiental; 21 - Organização Agrária; e 27 - Desporto e Lazer.
Do ponto de vista instrumental, o classifícador inova ao trazer a Função 28 - Encargos Especiais, que “engloba as despesas em relação às quais não se pos sa associar um bem ou serviço a ser gerado no processo produtivo corrente, tais como: dívidas, ressarcimentos, indenizações e outras afins, representando, portan to, uma agregação neutra” .20 Com essa medida, corrige-se importante deficiência das classificações anteriores que, na falta de classificação neutra ou compensató ria, ensejavam equívocos nas demonstrações e nos registros das transações.
Com relação às subfunções, as mesmas poderão ser combinadas com funções diferentes daquelas a que estejam vinculadas, na forma do Anexo à Portaria ns 42/99.21 Das 109 subfunções da nova classificação, mais da metade eram p ro
gramas ou subprogramas na classificação funcional-programática, o que reforça
16 BURKHEAD, J. Op. cit. p. 149.
17 Portaria ne 42, de 14-4-1999: art. l fi, §§ I a e 3a.
18 Ver, no final deste capítulo, o classifícador por funções e subfunções no Apêndice 6.1.
19 Outros exemplos: 05 - Defesa Nacional e 06 - Segurança Pública; 08 - Assistência Social e 09 - Previdência Social; 10 - Saúde e 17 - Saneamento; 15 - Urbanismo e 16 ~ Habitação; e 22 - In dústria e 23 - Comércio e Serviços.
20 Portaria na 42, de 14-4-1999: art. § 2a. 21 ídem, art. I a, § 4a.
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a crítica feita, muitas vezes, ao caráter tradicionalista do classificador aprovado pela Portaria na 9/74.22