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Classificação segundo as fontes de recursos

No documento 2010 Orçamento Público (páginas 162-165)

Classificação da Receita

D. Classificação segundo as fontes de recursos

Como o anterior, este é um critério que adquire maior importância nos orça­ mentos maiores. A Lei ne 4.320/64 não prevê a classificação porfontes de recursos cuja adoção decorre da necessidade de melhor acompanhamento e controle do grande número de vinculações existentes entre receitas e despesas. Com a classifi­ cação, demonstram-se as parcelas de recursos comprometidos com o atendimento de determinadas finalidades e aqueles que podem ser livremente alocados a cada elaboração orçamentária.

No âmbito federal, o critério está representado pela classificação por fontes

de recursos, cuja principal base legal reside em dispositivos das Leis de Diretrizes

Orçamentárias.

A classificação por fontes de recursos é dividida inicialmente em cinco grupos, a seguir descritos:

15 Na Lei Orçamentária da União para 2009, por exemplo, a receita total, excluídos os valores do refinanciamento da dívida pública, está estimada em R$ 1.056 bilhões, dos quais 99% são Receitas do Tesouro e 1% receitas próprias de entidades da administração pública federai indireta, inclusive fundos e fundações públicas. Ver BRASIL. Lei ne 11.897, 30 dez 2008. Estima a receita e fixa a des­ pesa da União para o exercício financeiro de 2009. Diário Oficial [da República Federativa do Brasil], Brasília, suplemento, 31 dez. 2008.

C lassificação da Receita 1 5 1

1. Recursos do Tesouro - Exercício Corrente. Reúne a maior parte e as principais fontes de recursos. Compreende os impostos, as taxas, as con­ tribuições parafiscais (sociais e econômicas), os recursos de operações de crédito, a receita de alienação patrimonial etc. Os recursos diretamente arrecadados por órgãos e unidades da administração indireta, aludidos na seção anterior (C - Classificação Institucional), aparecem também nesta classificação, constituindo a Fonte 150.

2. Recursos de outras Fontes - Exercício Corrente. Envolve os vários ti­ pos de receitas próprias de fundos e das entidades dotadas de autonomia financeira que integram o orçamento federal: autarquias, fundações e empresas públicas.

3. Recursos do Tesouro - Exercícios Anteriores. 6. Recursos de outras Fontes - Exercícios Anteriores. 9. Recursos condicionados.

Diferentemente dos grupos 1 e 2 que são constituídos de recursos ingressados no exercício corrente, os grupos 3 e 6 compreendem os recursos provenientes de exercícios anteriores ao do orçamento em execução. Criados em 2001, os grupos 3 e 6 são particularmente úteis quando de alterações realizadas, durante o exer­ cício, na programação da despesa, oportunidade em que se utilizam como fontes de recursos receitas transferidas de exercícios encerrados.

O grupo 9 reúne fontes condicionadas, ou seja, recursos que estão na depen­ dência de aprovação legal. A inclusão desses recursos nos projetos de lei orçamen­ tária vem sendo autorizada nas LDOs. Nos exercícios anteriores a 2002, as fontes condicionadas faziam parte do grupo 1 - Recursos do Tesouro.

O código da classificação por fontes de recursos é formado por três dígitos: o primeiro refere-se ao grupo - 1, 2, 3 ou 6 ou 9 - e os outros dois identificam a

fonte propriamente dita. Ver no Apêndice 7.2, apresentado no final deste capítulo,

o classificador por fontes de recursos empregado no orçamento da União devida­ mente atualizado.

A expressão fontes de recursos não é certamente a mais apropriada, pois produz

dúvida e confusão com a outra classificação por fontes, já analisada. Como essas denominações estão consagradas, pode-se distingui-las rotulando uma de fonte de

receita e a outra de fonte de recurso. Mais importante é saber exatamente que in­

formações trazem uma e outra. A estimativa de arrecadação (na lei orçamentária) ou a arrecadação efetiva de determinado imposto ou contribuição, por exemplo, é fornecida pela fonte de receita. Já a parcela ou mesmo a totalidade de receitas que se vinculam a determinadas despesas são demonstradas pelas fontes de recursos. Tome-se, como exemplo, a fonte de receita 1.1.1.2.01.00 Imposto Territorial Rural - ITR; essa rubrica da lei orçamentária traz o total estimado de arrecadação do imposto, bem como o montante arrecadado durante o exercício. Por seu turno, a

1 5 2 O r ç a m e n t o P ú b lic o ♦ G ia c o m o n i

fonte de recurso 102 Imposto Territorial Rural computa apenas o correspondente

a 50% da receita do imposto, ou seja, a parcela que, por disposição constitucio­ nal, é devida aos Municípios. Dessa forma, no orçamento de despesa da União,' os 50% da receita arrecadada do ITR não transferidos aos Municípios integram a

fonte de recurso 100 Recursos Ordinários, e os outros 50% -fo n te de recursos 102

- aparecem ao lado do crédito orçamentário que a cada ano consigna os recursos; transferidos, sob supervisão do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, aos Municípios beneficiados.

Outro exemplo que esclarece a finalidade e o mecanismo das fontes de recursos

é a fonte 102 Imposto sobre a Renda - IR e sobre Produtos Industrializados - IPI,

Na referida fonte estão computadas apenas a parcela de 47% do IR e de 57% d o: IPI que se destinam, igualmente, por mandamento constitucional, a constituir os Fundos de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) e dos Municípios (FPM ), os Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro-Oeste (FCO), o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), e a cota-parte dos Estados e DF exportadores na arrecadação do IPI. As parcelas restantes da arreca­ dação dos mencionados impostos fazem parte da fonte 100 Recursos Ordinários.

Outra conhecida vinculação estabelecida na Constituição Federal é a que tor­ na obrigatória a aplicação de no mínimo 18% (na União) e 25% (nos Estados, no Distrito Federal e nos Municípios) da receita resultante de impostos na manuten­ ção e desenvolvimento do ensino. Entre as fontes de recu rsoso acompanhamento dessa vinculação se dá por meio da fonte 112.

Além das citadas vinculações constitucionais, inúmeras outras disposições le­ gais estabelecem vínculos entre outros tipos de receitas, que não os impostos, e despesas determinadas. É o caso, principalmente, das contribuições parafiscais, das quais as Contribuições para os Programas PIS/Pasep (fonte 140), para o Financia­ mento da Seguridade Social (fonte 153), dos Empregadores e dos Trabalhadores para Seguridade Social (fonte 154) e Provisória sobre Movimentação Financeira

(fonte 155) são bons exemplos. Diferentemente dos impostos, as contribuições so­

ciais ou econômicas são criadas para atender a determinadas finalidades, sendo o produto de sua arrecadação vinculado ao atendimento de despesas específicas. Neste caso, o montante de cada rubrica integrante das fontes de receita tende a ser o mesmo da correspondente fonte de recurso.

As receitas de algumas taxas, de multas, de cotas-partes de adicionais etc., por estarem, também, comprometidas com certos gastos, engrossam o quadro de fo n ­

tes de recursos. Não se deve esquecer das receitas de operações de crédito que, por

C i a s s i f i c a ç i o da R e c e ita 1 5 3

Apêndice 7.1

No documento 2010 Orçamento Público (páginas 162-165)