Classificação da Receita
D. Classificação segundo as fontes de recursos
Como o anterior, este é um critério que adquire maior importância nos orça mentos maiores. A Lei ne 4.320/64 não prevê a classificação porfontes de recursos cuja adoção decorre da necessidade de melhor acompanhamento e controle do grande número de vinculações existentes entre receitas e despesas. Com a classifi cação, demonstram-se as parcelas de recursos comprometidos com o atendimento de determinadas finalidades e aqueles que podem ser livremente alocados a cada elaboração orçamentária.
No âmbito federal, o critério está representado pela classificação por fontes
de recursos, cuja principal base legal reside em dispositivos das Leis de Diretrizes
Orçamentárias.
A classificação por fontes de recursos é dividida inicialmente em cinco grupos, a seguir descritos:
15 Na Lei Orçamentária da União para 2009, por exemplo, a receita total, excluídos os valores do refinanciamento da dívida pública, está estimada em R$ 1.056 bilhões, dos quais 99% são Receitas do Tesouro e 1% receitas próprias de entidades da administração pública federai indireta, inclusive fundos e fundações públicas. Ver BRASIL. Lei ne 11.897, 30 dez 2008. Estima a receita e fixa a des pesa da União para o exercício financeiro de 2009. Diário Oficial [da República Federativa do Brasil], Brasília, suplemento, 31 dez. 2008.
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1. Recursos do Tesouro - Exercício Corrente. Reúne a maior parte e as principais fontes de recursos. Compreende os impostos, as taxas, as con tribuições parafiscais (sociais e econômicas), os recursos de operações de crédito, a receita de alienação patrimonial etc. Os recursos diretamente arrecadados por órgãos e unidades da administração indireta, aludidos na seção anterior (C - Classificação Institucional), aparecem também nesta classificação, constituindo a Fonte 150.
2. Recursos de outras Fontes - Exercício Corrente. Envolve os vários ti pos de receitas próprias de fundos e das entidades dotadas de autonomia financeira que integram o orçamento federal: autarquias, fundações e empresas públicas.
3. Recursos do Tesouro - Exercícios Anteriores. 6. Recursos de outras Fontes - Exercícios Anteriores. 9. Recursos condicionados.
Diferentemente dos grupos 1 e 2 que são constituídos de recursos ingressados no exercício corrente, os grupos 3 e 6 compreendem os recursos provenientes de exercícios anteriores ao do orçamento em execução. Criados em 2001, os grupos 3 e 6 são particularmente úteis quando de alterações realizadas, durante o exer cício, na programação da despesa, oportunidade em que se utilizam como fontes de recursos receitas transferidas de exercícios encerrados.
O grupo 9 reúne fontes condicionadas, ou seja, recursos que estão na depen dência de aprovação legal. A inclusão desses recursos nos projetos de lei orçamen tária vem sendo autorizada nas LDOs. Nos exercícios anteriores a 2002, as fontes condicionadas faziam parte do grupo 1 - Recursos do Tesouro.
O código da classificação por fontes de recursos é formado por três dígitos: o primeiro refere-se ao grupo - 1, 2, 3 ou 6 ou 9 - e os outros dois identificam a
fonte propriamente dita. Ver no Apêndice 7.2, apresentado no final deste capítulo,
o classificador por fontes de recursos empregado no orçamento da União devida mente atualizado.
A expressão fontes de recursos não é certamente a mais apropriada, pois produz
dúvida e confusão com a outra classificação por fontes, já analisada. Como essas denominações estão consagradas, pode-se distingui-las rotulando uma de fonte de
receita e a outra de fonte de recurso. Mais importante é saber exatamente que in
formações trazem uma e outra. A estimativa de arrecadação (na lei orçamentária) ou a arrecadação efetiva de determinado imposto ou contribuição, por exemplo, é fornecida pela fonte de receita. Já a parcela ou mesmo a totalidade de receitas que se vinculam a determinadas despesas são demonstradas pelas fontes de recursos. Tome-se, como exemplo, a fonte de receita 1.1.1.2.01.00 Imposto Territorial Rural - ITR; essa rubrica da lei orçamentária traz o total estimado de arrecadação do imposto, bem como o montante arrecadado durante o exercício. Por seu turno, a
1 5 2 O r ç a m e n t o P ú b lic o ♦ G ia c o m o n i
fonte de recurso 102 Imposto Territorial Rural computa apenas o correspondente
a 50% da receita do imposto, ou seja, a parcela que, por disposição constitucio nal, é devida aos Municípios. Dessa forma, no orçamento de despesa da União,' os 50% da receita arrecadada do ITR não transferidos aos Municípios integram a
fonte de recurso 100 Recursos Ordinários, e os outros 50% -fo n te de recursos 102
- aparecem ao lado do crédito orçamentário que a cada ano consigna os recursos; transferidos, sob supervisão do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, aos Municípios beneficiados.
Outro exemplo que esclarece a finalidade e o mecanismo das fontes de recursos
é a fonte 102 Imposto sobre a Renda - IR e sobre Produtos Industrializados - IPI,
Na referida fonte estão computadas apenas a parcela de 47% do IR e de 57% d o: IPI que se destinam, igualmente, por mandamento constitucional, a constituir os Fundos de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) e dos Municípios (FPM ), os Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro-Oeste (FCO), o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), e a cota-parte dos Estados e DF exportadores na arrecadação do IPI. As parcelas restantes da arreca dação dos mencionados impostos fazem parte da fonte 100 Recursos Ordinários.
Outra conhecida vinculação estabelecida na Constituição Federal é a que tor na obrigatória a aplicação de no mínimo 18% (na União) e 25% (nos Estados, no Distrito Federal e nos Municípios) da receita resultante de impostos na manuten ção e desenvolvimento do ensino. Entre as fontes de recu rsoso acompanhamento dessa vinculação se dá por meio da fonte 112.
Além das citadas vinculações constitucionais, inúmeras outras disposições le gais estabelecem vínculos entre outros tipos de receitas, que não os impostos, e despesas determinadas. É o caso, principalmente, das contribuições parafiscais, das quais as Contribuições para os Programas PIS/Pasep (fonte 140), para o Financia mento da Seguridade Social (fonte 153), dos Empregadores e dos Trabalhadores para Seguridade Social (fonte 154) e Provisória sobre Movimentação Financeira
(fonte 155) são bons exemplos. Diferentemente dos impostos, as contribuições so
ciais ou econômicas são criadas para atender a determinadas finalidades, sendo o produto de sua arrecadação vinculado ao atendimento de despesas específicas. Neste caso, o montante de cada rubrica integrante das fontes de receita tende a ser o mesmo da correspondente fonte de recurso.
As receitas de algumas taxas, de multas, de cotas-partes de adicionais etc., por estarem, também, comprometidas com certos gastos, engrossam o quadro de fo n
tes de recursos. Não se deve esquecer das receitas de operações de crédito que, por
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