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CLOVÍS BEVILÁQUA I 5

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Das pessoas

CLOVÍS BEVILÁQUA I 5

9.° A da Suissa. Ha, sem duvida, no direito suisso uma

incontestada inclinação pelo domicilio (x), mas, depois da

lei federal de 1881 e, especialmente, depois da adhesão da Suissa ás convenções de Haya, ao menos no que diz respeito á capacidade dos extrangeiros para contrahir casamento e, nas relações de íamilia, domina ajexpatrice (*). Depois, mesmo em geral, algumas legislações cantonaes, como o código civil deZurich, art. 1,'o de Genebra, art. 3, ai. 3, do dos Grisões, art. 1, ai. 1, eoutros dão preferencia á lei nacional. O projecto de código civil,

art. 5, fazdepen-deraapplicação daleiextrangeira

detractados concluídos pela Confederação. Alei federal, de 25 de Junho de 1891, art. 28, declara que os suissos domiciliados no extrangeiro são regidos pelo direito do cantão de origem, no art. 32, diz que aos extrangeiros domiciliados na Suissa se applicarão analogicamente as suas disposições, e no art. 33, volve-se para a reciproci- dade.

to. O código civil hespanhol, arts. 9. e i5.

11. Alei de introducção ao código civil allemão, art. 7: «A capacidade para contractar é julgada pela

lei do Estado a que a pessoa pertence» (3).

12. Na Áustria existe controvérsia acerca dos arts. 4 e 34 do ccdigo civil. O primeiro submette o austríaco á lei nacional ainda quando se ache ellc no extrangeiro e deixa em duvida até que ponto o extran geiro está obrigado pela lei austriaca; o segundo faz a lei nacional do extrangeiro subsidiaria da lei do

(1) MBILI,«Mitteilungen der Int. Vereinigung fuer vergl. Rechtwissen schaft, Janeiro de i()o5, pag. 494; SURVILLE et ARTHUYS,«op. cit.», n. i53

(3) O primeiro considerando de uma sentença do tribunal cantonal de Vaud assim se expressa: Em virtude da lei federal de 22 de Junho de 1881 sobre a capacidade civil, art. 10, 2." ai, confirmado pelo art. 54 da lei federal, de 25 de Junho de «891, sobre as relações de direito civil dos cidadãos estabelecidos ou residentes, a «capacidade civil dos extrangeiros é regida pelo direito do paiz a que elles pertencem» (CLUNBT,1895, png. 672). No mesmo sentido a corte de justiça

civil de Genebra (CLUNET,1899,

(3) Die Geschaeftfachigkeit einer Person wird nach den Gesetzen des Staats beurtheilt, dem die Person eingehoert.

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domicilio. É um systema compósito si não é a ausência de qualquer systema. Todavia, a jurispru-l dencia e a doutrina se têm ultimamente pronunciadd pela lei nacional (*). Ena Hungria, em matéria dei casamento, o estatuto pessoal é determinado pelo

principio da nacionalidade (2). n

I i3. O código civil mexicano, art. 12, segue o systema francez, dispondo somente a respeito dos mexicanos para os quaes declara obrigatórias as leis concernentes ao estado e á capacidade, ainda quando residam no extrangeiro.

14. O código civil venezuelano por sua vez consagra esse systema unilateral: as íeis que regulam o estado e a capacidade seguem o venezuelano pelos paizes extrangeiros.

II. O systema domiciliar é seguido:

i.° Pelo código civil argentino, art. 6: La capa-cidad ó incapacidad de las personas domiciliadas en el território de la Republica, sean nacionales ó estran-geras, será juzgada por las leys de este Código, aun quando se trate de actos ejecutados o de bienes existentes en pais estranjero;e art. 7: La capacidad ó incapacidad de las personas domiciliadas fuera dei território de la Republica, será juzgada por las leys de su respectivo domicilio, aun quando se trate de actos executados ó de bienes existentes en la Republica.

2.0 Pelo direito norte-americano (s).

3.°Pelo direito vigente no domínio do Canadá (*).

(T) SuHvnZÊ et AKTIIUVS,« op. cit. », n. 154; CLOHBT,1894, paga* 1074 -

1077; CLUNET, 1897, pag. 1067, julgado da Relação de vienna: em matéria de

casamento a capacidade é regulada pela lei nacional; CLUKVT,18981 paga. 179 e 942.

■ (3) Lei húngara, de 9 de Dezembro de 1894, art. 108 c' segs. («Annuaire de legislalion étrangere*), lois de 1894, pag. 377.

(3) WHABTON,«Privateinternationallaw»,|8; MKII.I,«loc.cit.», pag.494.

(4) TASCHBBKAU, em CLUNBT, 1895, pag. 61: «o extrangeiro nlo domiciliado fica submettido á lei de seu paiz quanto ao seu estado e á sua capacidade; si e> domiciliado, está submetido inteiramente is leis

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4.0 Pelo código civil do Paraguay, que é o mesmo da

Republica Argentina (*).

5." Pelo direito dinamarquez (2).

6.° Na Inglaterra, não é propriamente o systema do

domicilio que prevalece, mas sim o territorial (8).

Todavia, é certo que, sob a influencia da doutrina, vae a jurisprudência ingleza acceitando o estatuto pessoal do extrangeiro atravez da lei de seu domicilio, e jité alguns jurisconsultos inglezes dos mais notáveis não escondem suas sympatnias pela lei nacional e desse

numero são WESTLAKE e PHII.IMORE.

III. O código civil do Chile, arts. 14 c i5, adoptou o systema também seguido pelos códigos civis da Colômbia, arts. 18 e 19 edoUru^uay, arts. 3 e 4, que consiste em estabelecer a territorialidade combinada com

a personalidade!4). Para os habitantes dessas republicas

vigoram, em todos os casos, as leis locaes; para os chilenos, colombianos e uru-guayanos domiciliados no extrangeiro vigem as respectivas leis nacionaes no que concerne á capacidade e ás relações familiares dos mesmos. A desigualdade com que este systema tracta os filhos do paiz e os forasteiros fal-o distanciar-se do espirito que preside ao direito internacional moderno e da communhão jurídica a que elle tende.

IV. Os Estados têm realisado tentativas diversas de codificação do direito internacional privado, sob

(1) ZBDALLOS, «Bulletin argentino, i8g3, pag. 0,3; CARLOS DE CARVALHO,

«Direito civil brasileiro», pag. XXX.

(a) A Dinamarca, tendo adhcrido ás Conferencias de Haya, delia» parece ter- se afastado por esse acto, acarretando forçosa modificação ao systema do domicilio. (Veja-se CLUNET, IJJO5,pag. Soo).

(3) MEILI,« loco citato »; SURVILI.F.et ARTHLYS,«Op. cit. », n. i55. H (4) Os

dispositivos do código civil chileno, que serviram de modelo aos dois outros códigos citados, são do teor seguinte: Art. 14: La ley es obligatoria para todos los habitantes de la Republica, inclusos los estranjeros. Art. i5 : A las leys pátrias que regulam las obligaciones i derechos civiles, permanecerán sujetos los chilenos, no obstante su residência ó domicilio cn pais estramero; 1.* En lo relativo ai estado de las personas i a su capacidad para ejecutar ciertos actos que hayan de tenet efecto cn Chile: 2." En las obligaciones i derechos que nacen de las relaciones de família; pêro solo respecto de sus cônjuges i parientes chilenos. £0

os auspícios ora de um ora de outro destes dois systemas, merecendo especial attenção o trabalho do Congresso de Montevideo, em 1888-1889, e as convenções a que as conferencias de Haya conduziram. Os paizes sul- americanos, reunidos em Montevideo, preferiram, em geral, a lei do domicilio, pelo que delles se destacou o

Brasil (1). As nações européas, congregadas em Haya,

acceitaram a bandeira nacionalista, embora forçando um

pouco a tendência de algumas legislações internas (2).

§ 28

DA NACIONALIDADE BRASILEIRA

Acceitando este compendio, de accordo com o direito brasileiro, a lei nacional para reguladora da capacidade das pessoas nas relações internacionaes

(1) Sobre o Congresso de Montevideo vejam-se : PRADIER FODERIS,«Revue de

droit international», 1889, pags. 217 e 56i ; TORRES CAMPOS, « Espana y los

tratados de Montevideo», e ZHBAI.LOS « Bulletin argentin de droit international

prive», igo5, pag. 5o5 e segs. Acide: «Actas de las sesiones dei congresso sud- ãmcricano» c «Annuaire de lcgislation étran-gere », lois de 1899, pags. 1002— ioo3.

Tomaram parte no Congresso: o Uruguay, a Argentina, a Bolívia, o Brasil, o Pcrii e o Chile. Destes, o Brasil e o Chile foram divergentes cm alguns pontos. Os tractados ahi preparados foram oito e tiveram por objecto: 1.° «Direito civil internacional», cujo art. 1 é assim redigido: La capacidad de las personas se rige por las leys de su domicilio. El cambio de domicilio, accrcsccnta o art. -\ no altera a capacidad adquirida por emancipacion, mayor cdad ó habitacion judicial. 2.* « Direito processual; 3." «Direitopenal internacional»; 4.* «Propriedade literária e artística»; 5." «Marcas de commercio e de fabrica»; b." «Patentes de invenção-v; 7.0

« Direito commercial internacional »; S.° «Profissões liberaes». Nenhum desses tractados foi ractificatlo pelo governo brasileiro. Outro congresso anteriormente reunido em Lima pronunciára-se pela lei nacional (1878). (2) Sobre as conferencias de Haya, vejam-se: LAINK,em CI.UNBT,1894,

ags. 5 e236, 1893, pags. 4630734; iqoi, pães. 5, 231 0918; igo5, pag. 797; _JutAui/r»«Le8 conventions de La fíayc»; ZHBAI.T.OS, « Bulletin argentin », fascículos, VI—VII; CONTUZZI, aCommentairc theorique et pratique des

Conventions de la Haye ».

Em 18940 Japão adheriu ás Conferencias de Haya, fazendo o seu delegado uma longa exposição na qual declarou que o Japão aspirava a desenvolver-se conforme a civilisação-europca e que considerava os trabalhos da Conferencia como tendendo á

consagração de princípios uni-versaes do direito internacional privado._ As divergências entre o direito da família observado 110 Japão e o contido nas legislações européas não lhe parecia embaraço para um accordo. («Apud» LAINIÍ,

em GLUKKT, IQO5,pags. 801—802).

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de ordem privada, é necessário pedir ao direito con- stitucional brasileiro as regras determinantes da na- cionalidade.

A Constituição federal declara, em seu art. 69: São cidadãos brasileiros:

1." Os nascidos no Brasil, ainda que de pae ex- trangeiro, não residindo este a serviço de sua nação;

2.0 Os filhos de pães brasileiros e os illegítimos de mãe brasileira, nascidos em paiz extrangeiro, si es- tabelecerem domicilio na Republica;

3." Os filhos de pae brasileiro, que estiver noutro paiz ao serviço da Republica, embora nella não venha domiciliar-se;

4.0 Os extrangeiros que, achando-se no Brazil aos i5

de Novembro de 1889, não declararem, dentro em seis mezes depois de entrar em vigor a Constituição, o animo de conservar a nacionalidade de origem ;

5." Os extrangeiros que possuírem bens immoveis no Brasil, e forem casados com brasileiras, ou tiverem filhos brasileiros, contanto que residam no Brasil, salvo se manifestarem a intenção de não mudar de nacionalidade;

6." Os extrangeiros por outro modo naturalisados. Não cabe aqui a discussão do systema adoptado pela Constituição brasileira e sim apenas observar, porque interessa ao direito internacional privado, que o casamento da brasileira com extrangeiro não acarreta perda de sua qualidade de brasileira, não só porque não está esse modo de desnacionalisação contemplado no art. 71 (*), como porque o n. 5. do art. 69, acima transcripto, fala de extrangeiros casados com brasileiras. Assim a lei de 10 de Setembro de 1860 não tem mais applicação entre nós.

A naturalisação normal está hoje regulada pela lei n. 904, de 12 de Novembro de 1902.

(1) Art. 71 da Constituição federal: Os direitos de cidadão brasileiro só se suspendem ou perdem nos casos aqui particuls risados. g i. Perdem-se: « a » por naturalisação em paiz extrangeiro ; « b » por acceitacão de emprego ou pensão de governo extrangeiro, sem licença do poder executivo federal.

i56 DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO

O extrangeiro que se quizer naturalísar brasileiro dirigirá uma petição ao Governo Federal declarando a sua filiação, naturalidade, estado, profissão, especificação da prole, si a tiver de legitimo consorcio, e domicilio. Deverá provar a identidade pessoal, maioridade legal, residência no Brasil pelo tempo de dois annos no minímo, bom procedimento moral e civil, provado por documento official (lei cit., art. 5). O requisito da residência será dispensado: ao extrangeiro casado com brasileira; ao que possuir bens immoveis no Brasil; ao que tiver parte em algum estabelecimento industrial ou fôr inventor ou intro- ductor de um género de industria utiJ ao paiz ; ao que se recommendar por seus talentos e letras ou por sua aptidão profissional em qualquer ramo de industria; ao filho do extrangeiro naturalisado, nascido fora do Brasil antes da naturalisação do pae (art. 6).

Os extrangeiros residentes nos Estados poderão dirigir as suas petições directamente ao Governo federal ou por intermédio do governo do Estado onde residir ou ainda por intermédio do governo municipal (arts. ge 12). Os papeis referentes á naturalisação de extrangeiros estão isemptos de quaesquer custas, sellos ou emolumentos (art. 14).

Os extrangeiros naturalisados gozarão de todos os direitos civis e políticos e poderão desempenhar quaes- quer cargos ou funcções publicas, excepto: as de pre- sidente ou více-presidente da Republica ; de senador ou deputado ao Congresso nacional, sem que tenham, para a funcção de senador, mais de seis annos de nacionalisados e para a de deputado, mais de quatro.

Esta lei que devera ser regulamentada para facilidade de seu funccionamento, não o tem podido ser por embaraços resultantes de algumas de suas disposições, aliás, secundarias. Tem sido executada a lei independentemente de taes prescripções ( *).

{1 ) Veja-se o « Relatório » do Ministro da Justiça, Dr. J. J. Seabra, apresentado cm Abril de igo3, pags. 143-145,

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§ 29

INFLUENCIA DA MUDANÇA DE NACIONALIDADE SOBRE A LEI PESSOAL

Si a nacionalidade determina a lei pessoal do individuo, desde que elle se naturalisa em outro paiz, submette-se a outra lei pessoal. Para saber, em relação a um acto qualquer, si a pessoa é capaz ou incapaz, deve ter-se em vista a lei sob o império da qual o acto foi.praticado. Applicam-se aqui os princípios da efficacia da lei no tempo. Sendo assim, a questão de saber si uma pessoa, capaz em virtude de sua lei nacional, pode volver á incapacidade por se ter naturalisado, deve ser

respondida, em geral, pela aflirmativa ( l ). Todavia, em

relação á maioridade fazem alguns auctores uma excepção que me parece justa. O brasileiro, por exemplo, que, aos vinte e dois annos, se naturahsa chileno, muito embora, pelo art. 266 do código civil do Chile, somente aos vinte e cinco annos o individuo attinja á maioridade, não deve regressar á menoridade, porque se o Estado, para cujo grémio elle entrou o reconheceu capaz para um acto de tal magnitude, qual é a mudança de nacionalidade, deve manter-lhe a aptidão juridica para

negócios de menor gravidade (2):E' uma espécie de

emancipação ou declaração de maioridade

implicitamente concedida pelo poder publico.

Os actos jurídicos perfeitos e os direitos legitima- mente adquiridos são respeitados enenhuma alteração

(1 ) DESPAGNET,«Précis », n. 227 ; SURVII.I.E et ARTHUYS,«op. cu.», n. 156 ; ILACRENT,« Droit civil internaiional ». III, n. 287. _ ....

( a.) BAR,«LEHRBUCII»,| IG; lei de introducção ao código civil allemao, art. 7 : « Quando um extrangei 10 maior ou tendo a situação de nviior adquire a nacionalidade allemã, conserva a situação de maior ainda que pelas leis do império não a pudesse ter ». O Congresso de Montevideo acceitou o mesmo principio em relação ao domicilio, declarando que a capacidade adquirida por emancipação, maioridade ou habilitação judicial nao se altera pela mudança do domicilio. Contra: os auctores citados na nota anterior e FEDRO LESSA,« Direito », vol. Q3,

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