2 REVISÃO DA LITERATURA
3 Grave inflamação, gengiva eritematosa, hipertrofiada e/ou
4.4.4 Coleta de sangue periférico e saliva não estimulada
Amostras de sangue periférico foram coletadas em dois momentos: 1. imediatamente antes do início da exodontia (pré-exodontia); 2. Uma hora após a exodontia (pós-exodontia). As amostras foram coletadas em tubos do tipo Vacuette Z de 8,0 mL com soro ativador de coágulo (Greiner Bio-One, Monroe, NC, EUA) e homogeneizadas após serem suavemente invertidas de cinco a dez vezes. Os tubos de coleta foram acondicionados em temperatura ambiente na posição vertical por 30 minutos antes de serem centrifugados a 3.000 rpm, a 4º C, durante dez minutos. O plasma obtido foi armazenado a -80ºC em alíquotas de 1,0 mL, em tubos do tipo Eppendorf® previamente identificados. A coleta do sangue periférico foi realizada pelo Serviço de Coleta de Sangue das instituições participantes, e seguiu as normas de segurança preconizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA (BRASIL, RDC nº 153, de 14 de junho de 2004).
Amostras de saliva não estimulada foram coletadas pré e pós-exodontia. Os participantes foram orientados a não ingerir líquidos ou alimentos, exceto água, a não fumar, não escovar os dentes e a não consumir gomas de mascar pelo período mínimo de uma hora antes da coleta (Flink et al, 2008). Conforme preconizado por Dawes (1997), os participantes ficaram sentados e foram orientados a deglutir toda a saliva contida na boca previamente ao início da coleta. Em intervalos regulares de 60 segundos, durante cinco minutos, a saliva não estimulada foi dispensada em um recipiente estéril previamente graduado. As amostras coletadas foram imediatamente
acondicionadas em gelo por 30 minutos e depois centrifugadas a 13.000 rpm, a 4ºC, durante cinco minutos. O sobrenadante (fase aquosa) obtido foi armazenado a -80ºC em alíquotas de 1 mL, em tubos do tipo Eppendorf® previamente identificados.
Após a coleta, centrifugação, identificação e estocagem das amostras de plasma e saliva, as mesmas foram transportadas para o centro coordenador do estudo para o prosseguimento da etapa de processamento laboratorial. O transporte de material biológico realizado neste estudo seguiu as normas de segurança preconizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA (BRASIL, RDC nº 153, de 14 de junho de 2004).
4.4.5 Exodontias
As exodontias foram realizadas respeitando-se os princípios fundamentais da cirurgia odontológica, sob técnica minimamente invasiva3. Foram indicados para
exodontia os dentes com as seguintes condições:
a) Cárie profunda, com envolvimento pulpar e sem possibilidade de tratamento endodôntico;
b) Doença periodontal avançada com perda óssea > 50%;
c) Fraturas coronárias, radiculares, ou corono-radiculares sem outra possibilidade de aproveitamento terapêutico;
d) Raízes residuais;
e) Terceiros molares (intraósseos, semi-erupcionados e/ou impactados);
f) Necessidade de extração para fins protéticos ou ortodônticos;
Passados 60 minutos da TRFC, foi recomendado um bochecho com 10 mL de solução não alcoólica de digluconato de clorexidina à 0,12% durante um minuto. Para a anestesia local foi utilizada uma solução de cloridrato de mepivacaína a 2% com epinefrina 1:100.000 (Mepiadre, DFL INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A., Rio de Janeiro, Brasil). Todos os procedimentos cirúrgicos foram realizados
ambulatoriamente, sem qualquer tipo de sedação farmacológica, apenas pelos pesquisadores-executantes das instituições participantes.
Após a anestesia, sindesmotomia e luxação, o dente foi removido do alvéolo dentário. Manobras hemostáticas locais foram empregadas com vistas a promover, sempre que possível, uma coaptação4 efetiva das margens cirúrgicas
através da manobra de Chompret5, além da confecção de suturas obliterativas (Figura 4).
Todos os participantes foram instruídos a manter uma compressa de gaze estéril sobre a ferida cirúrgica pelo período mínimo de 30 minutos após a(s)
4 Redução ou aproximação dos ossos deslocados. 5 Compressão bidigital alveolar pós-exodontia.
Figura 4 –
Fonte: Ambulatório de Odontologia do Hemocentro de Campinas/UNICAMP.
Sutura obliterativa do alvéolo dental no pós- cirúrgico imediato.
Fonte: Ambulatório de Odontologia do Hemocentro de Campinas/UNICAMP.
Figura 5 – a) Gel bucal bioadesivo de ATX a 8% disposto em gaze estéril; b) Aplicação
tópica do gel de ATX sobre a ferida cirúrgica pós-exodontia.
exodontia(s). Instruções pós-operatórias específicas foram fornecidas verbalmente e através de material informativo impresso (Apêndice 3).
Para os procedimentos cirúrgicos alocados no grupo experimental, foi aplicado o gel bucal bioadesivo de ATX a 8% (Kin Exogel®, PharmaKIN Com. Cosm. Ltda., São Paulo, SP, Brasil) em quantidade suficiente para cobrir toda a extensão da ferida cirúrgica (Figura 5) imediatamente após a confecção das suturas. Foram distribuídas, para os participantes que tiveram suas exodontias alocadas no grupo experimental, sete unidades previamente identificadas de tubos plásticos individuais contendo cinco gramas do gel bucal bioadesivo de ATX a 8% para aplicação domiciliar. Estes mesmos participantes foram orientados a reaplicar o gel de ATX sobre a ferida cirúrgica três vezes ao dia, durante sete dias. Instruções específicas sobre a aplicação tópica do gel de ATX foram fornecidas verbalmente e através de material impresso (Apêndice 4). Adicionalmente, foi solicitado que, na consulta de retorno no dia D+7, estes participantes retornassem os tubos utilizados contendo o gel de ATX aos pesquisadores-executantes.
4.4.5.1 Estratificação do grau de complexidade da exodontia
Ao término da realização da exodontia, cada procedimento cirúrgico foi classificado de acordo com o grau de complexidade exigido pela técnica operatória, de acordo com Ardekian et al. (2000) (Tabela 3).
Tabela 3 - Classificação da complexidade dos procedimentos cirúrgicos de
exodontia.
Grau de
complexidade Técnica operatória
I
Exodontia simples incluindo a remoção de 01 (um) dente, sem a necessidade de confecção de retalho gengival e/ou osteotomia.
II
Exodontia de 02 (dois) ou mais dentes do mesmo quadrante, sem a necessidade de confecção de retalho gengival e/ou osteotomia.
III Exodontia complexa, com a necessidade de confecção de
retalho gengival e osteotomia. Fonte: Adaptado de Ardekian et al., 2000.
4.4.5.2 Medidas de segurança e monitoramento
Todos os participantes foram orientados a permanecer em sua respectiva unidade de atendimento pelo período mínimo de 02 horas após a(s) exodontia(s) para verificação clínica da hemostasia pelos pesquisadores-executantes. Uma terceira consulta foi agendada no período pós-cirúrgico, no dia D+7, para a remoção das suturas, avaliação clínica do processo de cicatrização da ferida cirúrgica e coleta de dados adicionais.
Como estratégia de lembrete para uso do ATX no período pós-cirúrgico, os pesquisadores-executantes realizaram o cadastro do número de telefone móvel dos
participantes que concordaram em receber mensagens de texto automáticas através de um aplicativo de celular (SMS Scheduler, versão 1.9, lylynx.com). Foi também solicitada a permissão para contato via telefone com os participantes, em até 48 horas após a exodontia, com o intuito de obter informações clínicas relativas ao controle local da hemostasia da ferida cirúrgica.
Em caso de relato de episódios hemorrágicos e/ou de eventos adversos, os participantes foram orientados a entrar em contato com os pesquisadores- executantes para uma nova avaliação clínica de urgência. Na impossibilidade do contato, os participantes foram orientados a procurar atendimento médico nas unidades de pronto atendimento das instituições participantes, além de retorno clínico para avaliação com os pesquisadores-executantes do estudo, dentro das primeiras 24 horas do episódio de sangramento e/ou evento adverso ocorrido.
A perda de seguimento clínico foi considerada na presença de abandono ao estudo, com ausência de contato no período pós-cirúrgico e/ou não aderência ao tratamento farmacológico proposto.