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Competêcias Empreendedoras

No documento E m p r e e n d e d o r i s m o (páginas 47-55)

Nesta aula você estudará a noção de empreendedor e as competências empreendedoras.

DISTINÇÃO DE COMPETÊNCIATINÇÃO DE COMPETÊNCIA

O termo competência é amplamente utilizado no nível organizacional, mas sempre temos sentido falta de uma definição rigorosa e cuidadosa. Por isso, temos feito um esforço especial em trazer um conceito claro e útil para o desenvolvimento do mesmo.d

O termo competência é amplamente utilizado, mas poucas vezes definido com o rigor necessário para que, além de esclarecer, também ofereça um caminho para a aprendizagem e o desenvolvimento. De forma genérica, este termo é utilizado para qualificar um indivíduo capaz de realizar um determinado trabalho ou, dito de outra maneira, mais empresarial, como a capacidade de uma pessoa de gerar resultados dentro dos objetivos organizacionais.

Dizemos que é competente, em alguma área específica, aquela pessoa que tenha não só as habilidades necessárias para desenvolver aquela atividade e o

conhecimento correspondente, mas as atitudes e valores coerentes com o sistema organizacional em que essas competências serão utilizadas. A título de exemplo, poderemos dizer que João é um gerente competente na empresa X, para a qual trabalha, se, além de ter as habilidades para se comunicar, planejar, “fazer acontecer”, além de ter o conhecimento do mercado e da organização para tomar decisões certas, ele também tiver a atitude cuidadosa dos seus compromissos com clientes, fornecedores, empregados e colegas, e

ser ambicioso (no sentido anglo-saxão de crescimento e expansão, e não no sentido ruim, pejorativo, predominante na comunidade latina e cristã), para atingir os objetivos que aceitou cumprir na empresa, e se for uma pessoa regida por princípios e valores éticos e cooperativos semelhantes aos da empresa X. Dizer que uma pessoa não é competente para desempenhar alguma função é tanto possível quanto necessário, fazendo também a indicação do que lhe falta para se tornar apto. Isto é de suma importância, pois, se temos alguém sem habilidades ou conhecimentos necessários, mas com uma atitude de disposição para aprender e com valores fortes e afinados com a organização, então esta pessoa poderia ser eleita, sob a condição de participar de um programa de treinamento e capacitação. Por outro lado, se temos uma pessoa com habilidades e conhecimentos sobressalentes, mas com uma atitude egoísta e interesseira, sabemos que vai precisar de muito trabalho para ganhar respeito e confiança da sua equipe. Contudo, ainda assim é possível, embora difícil, que esta pessoa consiga, através de processos de formação e desenvolvimento dos seus potenciais, identificar o conjunto de

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desonestidade, será o trabalho de uma vida inteira conseguir uma tomada de consciência e transformação, o que só poderá estar nas mãos da própria pessoa.

Definir estas quatro dimensões – habilidades, conhecimentos, atitudes e valores – nos facilita dois processos importantes, entre outros, dentro das organizações. Primeiro, definir o perfil do tipo de colaboradores que estamos querendo contratar, seja como empregado, consultor, fornecedor etc.; e, segundo, funcionar como uma ferramenta para o desenvolvimento dos talentos humanos já vinculados com a empresa, no sentido de que fornece um sistema de avaliação de competências e permite desenhar um plano de capacitação, treinamento e formação.

De tais dimensões, podemos dizer que, em geral, elas são interdependentes, são coerentes entre si, são desenvolvidas por meio da aprendizagem, tanto individual quanto coletiva. Alguns autores atribuem competências tanto a indivíduos quanto a equipes de trabalho. Neste último caso, principalmente as dimensões de atitudes e valores compartilhadas pela equipe têm uma alta influência na aprendizagem e no desempenho como um todo.

Competências para o Planejamento e Gestão

Esse é o primeiro de três grupos de competências do empreendedor. As competências para o planejamento e gestão referem-se à maneira como o empreendedor traça e cuida dos seus planos. Dizemos que os planos são trilhas e não trilhos que marcam o caminho para nossos objetivos e metas. Os planos não nos fazem rígidos, mas ágeis para adaptação a mudanças, porque os cenários e perspectivas já foram inicialmente pensados.

Neste grupo identificamos algumas competências genéricas e outras competências conversacionais

para serem desenvolvidas pelo empreendedor. Por competências genéricas, nos referimos àquelas relacionadas propriamente com o planejamento e gestão, como a aplicação de métodos de melhora, planejamento estratégico, elaboração de planos de negócios etc. Por competências conversacionais, compreendemos aquelas que se referem a processos relacionais, como o escutar clientes e assessores, dar e receber juízos, fazer declarações etc. Iremos abordando essas competências na medida em que se vão apresentando no texto.

Em resumo, neste grupo de competências vamos discutir sobre o sentido de estabelecer metas, ou seja,

de nos comprometer com o futuro, como empreendedores, e fazer a gestão respectiva desses

compromissos.

Procura de Informações

Associamos esse comportamento com a competência que tem um observador para obter informações de pessoas, clientes, fornecedores, concorrentes, assessores etc. Uma maneira de se obter essas informações é perguntando e principalmente escutando a essas pessoas. Outra maneira de se obter

informações importantes é mudando o observador que somos, ampliando nossos conceitos e, com isto, ampliando as possibilidades de interpretar situações e pessoas.

O empreendedor é um observador aberto para ir ao encontro do novo, para se questionar por aquilo que não está evidente; dessa maneira, ele fareja informações, não se conformando com aquilo que já conhece. Quanto maior a quantidade e qualidade de distinções e maior a capacidade de escuta, maiores serão as informações de que ele vai dispor para tomar decisões, criar possibilidades, gerar empreendimentos. Na medida em que o empreendedor disponha de um universo rico de distinções, poderá observar coisas que outras pessoas não observam, e isto o torna mais poderoso.

Três exemplos de ações que o empreendedor competente em procurar informações realiza são: • Interessa-se por conversar e interagir com clientes, fornecedores ou concorrentes

Nesta ação, particularmente, conversar ou interagir tem a ver com o fenômeno do escutar. Escutar é um processo complexo que, contrariamente ao que se pensa comumente, não é passivo ou simplesmente acontece. Escutar conjuga duas ações, ouvir e interpretar. Ouvir é um fenômeno puramente biológico e interpretar é um fenômeno lingüístico. É por isso que não só escutamos sons e palavras: também escutamos silêncios, ausências, gestos etc.

Escutar é uma das pontes para se chegar ao mundo que o outro vê. Quando estamos escutando, deixamos um pouco de lado nossas opiniões, experiências e inquietudes, para nos abrirmos às opiniões, experiências e inquietudes do outro. Sabendo que somos diferentes e que construímos mundos diferentes, é errado pensar que o que você fala coincide com aquilo que eu escuto. Quantos conflitos existem em nossa vida devido a situações do tipo: aquilo que eu entendi não era aquilo que você queria dizer, ou vice-versa?

O empreendedor que tem competência para escutar o outro, seja cliente interno ou externo, seja o mercado ou o sistema financeiro, tem condições de indagar pelo que o outro deseja realmente, pelas inquietudes e vontades, pelos riscos e possibilidades e, com isto, desenhar o futuro para ir ao encontro de seus objetivos particulares, os de sua empresa e os de sua comunidade.

• Conversa com especialistas na procura das suas opiniões

Essa ação envolve novamente o escutar, mas não se refere a escutar qualquer coisa, mas opiniões de pessoas que achamos experts nas áreas do nosso interesse. Este é um tipo particular de escuta, porque de antemão temos conferido autoridade a essas pessoas para darem opiniões que, se viessem de outros, não escutaríamos com tanta atenção.

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têm dificuldade em atribuir autoridade a pessoas experientes, como se isso as deixasse numa posição vulnerável.

Há outras pessoas que, pelo contrário, atribuem autoridade a qualquer pessoa que passa pela frente, sem nenhum critério, como se qualquer um fosse mais expert que elas. Em ambos os casos, a pessoa está deslegitimando o outro e a si próprio. Você é legitimamente diferente dos outros, ninguém pode lhe tirar isso e, por isso mesmo, o outro também é legítimo e você está em condições de igualdade com ele. Escutar e conversar com experts e assessores requer uma postura digna e uma apreciação digna do outro. Só assim essas interações são frutíferas e enriquecedoras para ambas as partes. Pode-se estabelecer um diálogo em que se agregam novas distinções, há aprendizado conjunto e se expandem as possibilidades para todos.

• Permanentemente está ampliando suas distinções

Como competência genérica, o empreendedor é um aprendiz. Observa-se a si mesmo como um aprendiz e tem um permanente interesse por se qualificar, por estudar aquilo que não compreende, desenvolver habilidades e adquirir conhecimentos.

Estabelecimento de Metas

As metas são os resultados esperados pelas ações realizadas ou aquelas que planejamos realizar. Lembre-se do modelo do observador, ação e resultados no qual associamos os resultados às ações e, por sua vez, as ações ao tipo particular de observador que somos. Segundo esse modelo, as conseqüências da “falta de metas” é que as ações podem ficar sem um norte, ou simplesmente não acontecem. Sem resultados esperados, nosso atuar corre o risco de ser suspenso ou de ficar à deriva.

Três exemplos de ações que o empreendedor competente em estabelecer metas realiza são: • Estabelecer sua visão pessoal

No estabelecimento de metas, identificamos duas ações. Numa ação, o empreendedor define sua visão e, noutra ação, o empreendedor define as metas que pretende alcançar para

realizá-la. Desde o começo desta disciplina, estamos dizendo que o empreendedor é aquele que imagina e realiza suas visões. Onde quer que ele esteja ou trabalhe, o empreendedor sabe o porquê de estar nesse lugar, o propósito de fazer o que está fazendo num sentido maior, e os resultados que espera alcançar em função das suas ações.

• Definir clara e especificamente metas e objetivos desafiantes que tenham a ver com sua visão Ao definir uma meta, o que o empreendedor está fazendo é uma declaração. Uma declaração é uma distinção das competências conversacionais, portanto, dizemos que é uma ação lingüística que tem o poder de mudar ou definir o futuro. Quando você decidiu fazer este curso de empreendedorismo, quando você falou que sim ante um juíz de paz e se casou, quando alguém lhe falou que era aceito num emprego, quando você declarou que seria um empresário etc., em qualquer desses casos, seu futuro e o das pessoas envolvidas com você mudou. Além disso, você teve autoridade para declarar e atuou em concordância com sua declaração.

Existem muitos tipos de declarações que vamos discutir, mas declarar uma meta tem características que a diferenciam das outras. Dizer: vou me formar em direito, vou trabalhar como terapeuta, vou fazer aquele concurso público, vou conquistar aquele mercado etc., tem características diferentes de outras declarações: elas são alcançáveis, ou seja, você tem condições mínimas para que essa meta possa ser alcançada, elas são importantes para nossas vidas, principalmente para nosso futuro; têm um prazo de tempo definido, em geral maior que um ano, e posso claramente saber onde estou e o momento em que as atingi, isto é, elas são mensuráveis.

• Estabelecer metas de curto prazo, tendo em vista os objetivos de longo prazo

O empreendedor tem consciência de que é tão importante ter clareza das metas quanto ter clareza do que falta no mundo. Sem ter clareza nesses dois aspectos, pode-se correr o risco de não se ter metas ou, o que é pior, ter uma meta e agir naquilo que não acrescenta nada para consegui-la. Quando isso acontece, ficamos cansados de fazer coisas e não avançar em nada em direção às metas.

Gestão

Quando falamos em gestão, estamos utilizando o conceito de FLORES (1995), e dizemos que o

empreendedor faz gestão dos compromissos que adquire consigo próprio, com clientes, fornecedores, o Estado etc. Os compromissos são estabelecidos através de pedidos, ofertas e promessas; dessas distinções falaremos mais adiante. Mas queremos destacar as características dos compromissos e as características da gestão de compromissos.

Os compromissos dizem respeito a prazos, condições para o cumprimento, critérios de satisfação, expectativas do cliente, das expectativas de lucro, benefícios e resultados positivos de ambas as partes. A gestão diz respeito a planejar, organizar, coordenar, lidar com situações onde se está em risco de não cumprir uma promessa, negociar, monitorar os avanços no cumprimento, etc. O empreendedor competente na gestão sabe desses conceitos, mas principalmente possui a atitude de quem cuida do cliente e também de quem constrói e cuida da sua imagem pública. Isto, desde já, sinaliza para o vínculo com as distinções diferenciadas do observador, às quais nos referimos anteriormente.

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Três exemplos de ações que o empreendedor competente para a gestão realiza são: • Fazer, cumprir e avaliar seus compromissos

Os compromissos são promessas que se realizam entre pessoas e/ou instituições. A promessa é outra das distinções das competências conversacionais. Em particular, a promessa é o ato lingüístico que nos une em nossas redes de relacionamentos. Costumamos dizer que as promessas são elos com que nos ligamos uns aos outros. Nossa vida está constituída de promessas. A você foi feita a promessa de que todo dia 30 sua organização deposita o pagamento de seu salário e, por isso, seus compromissos (outras promessas) com bancos, cartões, escola dos filhos, compras para a casa, prestação do carro etc., estão condicionados a essa promessa. Por sua vez, as pessoas se condicionam e planejam suas ações baseadas nas promessas que você faz com elas.

O gestor empreendedor conhece o poder de sua palavra e a responsabilidade que assume com as promessas que faz. Somos mais ou menos poderosos, de acordo com as promessas que estamos em condições de fazer e cumprir. As pessoas fazem promessas aos seus clientes, à sociedade, às instituições onde atuam. O empreendedor cumpre com suas promessas e as avalia, para se certificar de que foram satisfatórios seus resultados e para implementar melhoras e aprendizados. Em todos esses comportamentos, é nítida a presença das observações diferenciadas, das ações significativas e dos resultados conseqüentes.

• Planejar dividindo grandes compromissos em compromissos menores com prazos definidos O primeiro compromisso que o empreendedor tem é com sua visão e com as pessoas que estejam envolvidas nesse compromisso. Depois desse compromisso, ele analisa as etapas, define metas e objetivos; então constitui promessas menores, com prazos de entrega e condições de satisfação claramente definidas.

• Monitorar constantemente os resultados obtidos.

Após fazer as promessas pertinentes, o empreendedor implementa sistemas de monitoramento dos compromissos, ou seja, ele acompanha se foram concluídos, se estão em acordo com as condições acordadas, se houve adiamentos ou cancelamentos etc. O empreendedor avalia as circunstâncias que implicaram mudanças e o impacto das variações nos resultados finais. Existem tecnologias disponíveis que facilitam este trabalho de monitoramento, como o Project, as agendas eletrônicas etc.

Como Observamos o Empreendedor?

Conclusão:

O empreendedor é um agente de mudanças, mas essas mudanças só podem acontecer com resultados significativos se estão por trás delas uma visão de mundo e uma gestão de compromissos responsável

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