Nesta aula apresentaremos as distinções básicas da ação. Você irá reconhecer a relação entre o observador e a ação humana e adquirir
as distinções de transparência e quiebre.
INTRODUÇÃO
A ação é tão importante quanto o observador e, nesta unidade de empreendedorismo, consideramos esta distinção fundamental para o futuro desenvolvimento de competências empreendedoras.
Temos apresentado aspectos que consideramos mais importantes no observador e, neste tópico, vamos iniciar a apresentação da noção de "ação" que consideramos igualmente importante à do observador. A importância da ação pode ser resumida em dois aspectos: primeiro, a ação determina os resultados que obtemos na vida e, segundo, que a ação depende do tipo de observador que somos. CHRIS ARGYRIS(1992) nos oferece uma maneira de entender a relação entre o observador, a ação e os resultados. Vejam figura a seguir:
Todo e qualquer resultado que obtenhamos na nossa vida, seja no trabalho ou no âmbito pessoal, é conseqüência das ações que realizamos. Por sua vez, toda ação realizada é feita por um observador.
A ação tem como efeito alterar o que é possível. A ação se realiza porque temos a expectativa de que algo novo aconteça. Fazer uma ligação, enviar uma mensagem, fazer um projeto, preparar uma comida, qualquer coisa que fazemos altera a realidade e faz com que outras coisas se tornem possíveis. Inclusive, não atuar pode ser uma ação que estamos realizando, mas com o mesmo interesse de provocar uma mudança. Nas ocasiões em que as mudanças esperadas não acontecem apesar de nossas ações, costumamos dizer que “não fizemos nada”.
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Dizemos que o atuar é o princípio ativo de nosso “ vir-a-ser”. Por um lado, nós atuamos conforme somos, ou seja, o ser precede à ação. Isto significa que se eu observo as ações de uma pessoa, poderei conhecê-la. Se eu participo de programas de beneficência, você poderá concluir que sou solidário; se você observa que mantenho uma rotina de trabalho bem estabelecida, você pode achar que sou disciplinado e, concluindo de outra forma, se você vir que sempre estou envolvido em atividades esportivas, você dificilmente vai considerar que sou sedentário.
Mas, por outro lado, também somos conforme atuamos, ou seja, mais precisamente, a ação gera o ser. Se mudarmos nossas ações, estaremos influindo no processo de geração de nosso ser, transformando-o; se mudo meus hábitos alimentícios e me alimento melhor e sou cuidadoso na preparação dos alimentos, necessariamente vou adquirir novas distinções, e
isso me fará diferente; se realizar esta disciplina desenvolvendo um rigoroso processo de aprendizagem, então vou me tornar especialista. A ação é um caminho para mudar o observador que somos.
Vamos abordar o observador e a ação a partir de uma perspectiva sistêmica. Como apresentamos em aula anterior, a teoria do observador está enquadrada numa corrente de pensamento chamada construtivista. Essa visão construtivista, por sua vez, surge numa linha de pensamento ainda maior, chamada sistêmica. Ou seja, o construtivismo é uma ramificação do pensamento sistêmico. Nosso propósito ao apresentar este conteúdo é que a teoria do observador seja compreendida num amplo contexto. Veremos, brevemente, alguns dos fundamentos da nova sistêmica, que consideramos relevantes para o estudo do empreendedorismo e, na seqüência, as reflexões que a nova sistêmica faz sobre o fenômeno da aprendizagem. Nessa reflexão, apresentam-se as distinções de aprendizagem de 1ª, 2ª e 3ª ordem, com as quais encerraremos o estudo da Teoria do Observador.
NOÇÃO DE PESSOA
A noção de pessoa considera com igual importância tanto o tipo de observador que somos quanto as nossas ações. Somos pessoas tanto pelos pensamentos e emoções quanto pelas ações que realizamos. Poderíamos pensar em alguém que só é o que pensa? Ou, de outra forma, poderia conhecer você sem conhecer sua maneira de pensar, de sentir e de atuar? Somos o observador que somos, somado às ações que realizamos.
Isto parece evidente, mas nos comportamos no mundo observando as ações dos outros, e fazendo juízos sem nos deter a perguntar pelo observador que fez aquilo, como no caso de alguém que atua de uma maneira inesperada, reagindo com violência e batendo nas paredes. Julgamos precipitadamente as ações, as quais achamos erradas e, dificilmente, nos questionamos sobre a coerência que está por trás dessa pessoa, do observador que fez o que fez. Não estamos querendo legitimar as ações violentas, queremos observar o observador que somos, que só observa as ações dos outros, sem nos perguntarmos pelo que levou essa pessoa a atuar de determinada maneira.
Independente da resposta que você deu no exercício anterior, observe que a sua resposta está sendo gerada por você, está em você e não no Rubem. Nada pode nos dizer o que faz Rubem caminhar. O que realmente faz Rubem caminhar é algo que ele movimenta do fundo de sua alma, algo que nem ele mesmo é capaz de expressar com clareza. Esse “algo que nos move”, que nos faz agir e partir para a ação propriamente dita é o que chamamos de inquietude. Outra maneira de fazer a pergunta do exercício acima é: qual é a inquietude do Rubem, que o faz caminhar todo dia de manhã?
A inquietude é um tipo particular de distinção, porque ela é a única que relaciona diretamente o observador e a ação. Costumamos dizer que a inquietude é o cordão umbilical que nutre e mantém unidos a ação e o observador; ou também como vínculo entre o criador e a criatura: o observador é o criador que traz a inquietude, e a criatura é a ação que nasce dela. As outras distinções da linguagem (distinções, juízos e narrativas) não são suficientes para motivar a pessoa a atuar; é necessário que exista a inquietude para que os atos aconteçam.
Enquanto um observador não age, dizemos que a inquietude ainda não se manifestou. A noção de inquietude, mesmo que resida no observador, só se revela quando acontece uma ação. No caso do diálogo acima, Ruben tinha explicações e opiniões médicas sobre a importância de caminhar, mas algo acontecia até então, a inquietude não surgia para fazê-lo agir.
Nem sempre é possível desvendar a inquietude. Nem sempre temos uma resposta clara para dizer que a inquietude do Ruben era a preocupação com a saúde. No diálogo, ele mesmo não sabia. Neste sentido, como observadores, temos nossos limites. Como já sabemos, o máximo que podemos fazer é observar,
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Mas sabemos algumas coisas sobre as inquietudes. Sabemos que cada vez que uma inquietude surge, há por trás o juízo de que algo falta no mundo, de que há algo que desejamos e de que precisamos intervir, ou seja, de que é preciso atuar para que essa carência seja suprida, porque, no caso de não atuar, o mundo vai continuar do jeito que está. Para Ruben, está faltando saúde, juventude, beleza etc., não sabemos com certeza, mas algo falta no seu mundo e, se ele continuar agindo de forma sedentária, o que falta não vai acontecer.
Tipologias do Observador Segundo as Inquietudes que Promovem a Ação
• Característica 1 - Observador que atua em função das suas próprias inquietudes
Essa pessoa está interessada nos seus propósitos, sonhos ou desejos. Tem energia para batalhar pelos seus objetivos. Dificilmente percebe as inquietudes dos outros. Geralmente, não compreende porque o outro se interessa por coisas diferentes das dele.
• Característica 2 - Observador que atua em função das inquietudes do outro
Essa pessoa sempre pensa no que o outro deseja. É solidário, generoso e dificilmente se recusa a pedidos, mesmo quando não quer ou não pode realizá-los. Dificilmente percebe seus profundos desejos ou sonhos. Não compreende como há pessoas que só pensam em si mesmas.
• Característica empreendedora - O empreendedor constrói inquietudes compartilhadas
Essa pessoa consegue combinar as duas características de uma maneira equilibrada. Não se esquece dos seus sonhos e propósitos, mas constrói empreendimentos que vão ao encontro também das inquietudes dos outros. É uma característica fundamental para o trabalho em equipe.
Como Observamos o Empreendedor?
Conclusão: O empreendedor é consciente
do seu papel na comunidade à qual pertence e é protagonista da sua historia; por isso, as principais inquietudes do empreendedor o levam a realizar ações significativas e com responsabilidade social.
NOÇÃO DE MAESTRIA
Trazemos a noção de maestria porque ela está intimamente relacionada com a ação. Chamamos mestre àquele que domina uma técnica ou é competente para fazer certas coisas. O regente de orquestra é aquele que consegue sintonizar e harmonizar um grupo de intérpretes junto com vários tipos de instrumentos conforme uma música escolhida. Não é uma tarefa fácil, mas ele tem conhecimentos, habilidades e atitudes para desempenhar essa coordenação de ações. O interesse em estudar esta noção consiste em reconhecer que existem alguns domínios nos quais somos mestres e em outros não.
Na teoria da maestria de HEIDEGGER (1971), ele postula que uma pessoa é mestre no momento em que seu ser é igual ao seu fazer. Para entender este postulado vamos destacar dois pontos. Primeiro, que ser mestre não é algo permanente. Eu não posso dizer que sou mestre em tudo, mas, sim, posso dizer que sou mestre em vendas. Ser mestre acontece em alguns momentos e em algumas ações em particular. Eu posso
ser mestre dançando forró, mas no tango não. Segundo, o ser mestre acontece quando atuamos e somos, ao mesmo tempo, sem esforço.
Ser mestre é quando entramos livremente em interação com uma situação; é esse momento em que o ser é igual ao atuar. Por exemplo, quando somos aprendizes de dirigir carro, não entramos livremente em interação com o trânsito. Estamos tensos, querendo antecipar movimentos e com medo de não ter a habilidade para atuar corretamente a qualquer momento. Mas, depois de uma prática contínua, a insegurança começa a desaparecer e, um dia, inesperadamente, percebemos que aquela tensão passou. A partir desse momento, dirigir não é mais algo que nos estressa, dirigir acontece simplesmente. Então, estamos interagindo livremente, nossa atenção não está no ato de dirigir, dirigir é “transparente” porque nossa atenção está no ato de interagir com o trânsito.
Noções de Transparência
Preste atenção à distinção de transparência, porque há duas noções associadas: uma associada à noção de maestria e outra à noção de ignorância pura.
• Transparência associada à noção de maestria
Dizemos que atuamos na transparência quando atuamos sem enfocar nossa atenção no processo de atuar. São estes os momentos em que somos mestres, porque são aqueles momentos em que não fazemos esforço algum para atuar. No exemplo do carro, quando entro nele e arranco, eu não penso na chave, na embreagem, na marcha etc. Quando escrevo no computador, minha atenção não está no teclado, ou no mouse. Minha atenção está posta na interação com aquilo que escrevo ou com o site que estou visitando.
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Dizemos que atuamos na transparência quando atuamos sem observar, ou seja, sem perceber nem distinguir a ação que estamos realizando. São estes momentos em que somos ignorantes, porque são aqueles momentos em que não temos consciência alguma ao atuar. Um exemplo disso é quando vamos a um concerto de música medieval do qual gostamos, mas fica transparente para nós a harmonia, a estrutura e até o contexto em que essa música foi composta, porque somos ignorantes nessa área.
A transparência, seja qual for, muitas vezes é percebida só quando é “quebrada”. Quando algo falta ou algo sobra, essa transparência é interrompida. A maneira como chamamos essa ruptura da transparência tem conservado seu nome em espanhol, em que costumamos chamá-la de quiebre. Esta é outra distinção importante. Quando não achamos a chave do carro, quando o pneu está furado, quando o mouse não responde, quando a água da torneira sai com muita força, quando alguém nos fala de música medieval e nos ensina a escutá-la, então percebemos que essas coisas existem. Dizemos que a transparência foi quebrada e que esses objetos saem da transparência.
Dependendo de como seja interpretado o quiebre, este poderá ser um problema ou uma oportunidade. Temos falado várias vezes que o observador dá sentido às coisas que acontecem no mundo. Muitas vezes, o que observamos no mundo são precisamente quiebres. Dependendo do estado de ânimo em que nos encontremos e dos juízos que tenhamos do quiebre, este poderá se constituir em problema ou oportunidade. Por exemplo, se tiver planejado um vôo, para mim são transparentes os procedimentos de segurança e manutenção do avião; mas, com certeza será um quiebre se o vôo atrasar. Ficar no aeroporto por duas horas pode ser um problema enorme e algo muito desgastante se eu estiver ansioso e tiver o juízo de que o aeroporto é muito chato e não oferece nada para fazer. Por outro lado, pode ser uma oportunidade, se eu estiver tranqüilo e tiver o juízo de que nesse tempo posso fazer muitas coisas, ver lojas de livros, procurar um presente que tinha esquecido, ou ler aquele artigo de revista que sempre estou adiando.
Diante dessas novas distinções, podemos nos perguntar: que postura típica tem um empreendedor frente aos quiebres? Frente aos quiebres, posso ter uma postura empreendedora, me perguntando pelo que falta ou sobra para que eles voltem à transparência. Com esta postura, estarei sendo responsável e estarei abrindo possibilidades para a mudança. Observo muitos quiebres no mundo, no Brasil, na universidade, no trabalho, em casa, em mim mesmo. O que fazer com esses quiebres? Se no ambiente de trabalho um quiebre que temos observado é a falta de maiores oportunidades de negócios, uma postura empreendedora ou pró-ativa frente a esse quiebre é responder à pergunta: o que falta ou o que sobra nesta empresa para ter maiores oportunidades de negócio? Ou, o que poderíamos fazer para que as oportunidades de negócios fossem transparentes e elas sempre estivessem ali?
Como Observamos o Empreendedor?
Conclusão: O empreendedor tem
competências tanto para declarar quiebres que já existem, quanto para se antecipar a eles. Por isso, suas ações significativas vão ao encontro do que falta o do que sobra no mundo para muda-lo. Ele é um agente de mudanças e transformações que procura resultados conseqüentes.
TIPOLOGIA DE AÇÕES
Você já pensou no que você faz quando age? Geralmente, quando penso no que faço, penso nas ações mesmas que executo, por exemplo, escrever neste momento, marcar uma reunião com um colega, ligar para o banco para resolver um problema ou avaliar os resultados de uma prova.
Tarefa Individual
Caracteriza-se pela presença de procedimentos que orientam as ações da pessoa. A flexibilidade determina se a tarefa individual é rotineira, contingente ou inovadora. Pode ser tanto uma atividade manual como uma atividade não manual. A tarefa individual se fundamenta no que chamamos de competências genéricas. Essas competências são aquelas requeridas para a realização e cumprimento dos compromissos assumidos com outras pessoas. Por exemplo, elaborar um projeto ou fazer um plano de negócios. Essas tarefas requerem conhecimentos específicos necessários para cumprir com esse pedido. Sobre a tarefa individual, vários pensadores têm refletido, como no caso de Marx, Taylor, Ford e outros mais contemporâneos, como Drucker. Disciplinas organizacionais, como organização e métodos, reengenharia ou redesenho de processos, costumam refletir e implementar mudanças neste particular tipo de ação.
Coordenação de Ações.
A linguagem é a principal ferramenta desta ação. O espaço compartilhado de inquietudes e o nível de confiança construído entre as pessoas ou instituições é que determina se a coordenação de ações é um
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com clareza a ação a ser realizada, o motivo e o resultado esperado, gerando o interesse de todos por alcançá-los, e, se têm a confiança uns nos outros, a respeito de competências, responsabilidade e sinceridade para executar o trabalho, o que tornará a coordenação de ações muito simples. Mas se alguma dessas características não estiver presente, então o processo será complexo e vulnerável às dificuldades e problemas.
Ela se fundamenta no que chamamos de competências conversacionais. Essas competências conversacionais são aquelas requeridas para fazer pedidos, ofertas e promessas. Esta ação não está interessada, sem deixar de reconhecer sua importância, na realização das tarefas individuais, e, sim, nos pontos de contato entre as tarefas individuais. Noutras palavras, este tipo de ação se interessa em observar os relacionamentos, as interfases entre as pessoas, como elas se articulam, negociam, chegam a acordos, em suma, como realizam e cumprem suas promessas.
A principal contribuição no estudo desta ação é de Flores, que não só se interessou pelo desenvolvimento das competências conversacionais, mas que está desenvolvendo tecnologias chamadas “workflow”, as quais se utilizam de programas computacionais para executar atividades de coordenação de ações.
Trabalho Reflexivo
A principal ferramenta desta ação é questionar a maneira como atuamos, como fazemos as coisas que fazemos. É característica da linguagem humana voltar-se sobre si mesma e se perguntar, por exemplo, sobre a maneira como formulamos nossas perguntas. Esses tipos de questionamentos pertencem ao domínio da linguagem e podem ser feitos através de reflexões individuais ou através de conversações de equipes de trabalho.
A realização dessa ação tem um caráter preventivo e busca garantir que a nossa capacidade de atuação continue a ser efetiva no futuro. Num presente de mudanças permanentes, se faz necessário aprender com a maior rapidez. De forma resumida, podemos dizer que é uma “reflexão na ação”, não sendo necessário parar de agir para pensar e refletir sobre os resultados que se têm obtido ou que se gostaria de obter. A reflexão tem um movimento em espiral, voltando sobre si mesmo, ou seja, atua e reflete sobre a ação.
Aportes como os de PETER SENGE (1999) e sua equipe de pesquisa, no âmbito da Aprendizagem
Organizacional, vão ao encontro deste tipo de ações nas empresas. No passado, quando se falava em aprender, referia-se a “algo que identificávamos” para ser aprendido. Hoje, o aprender é inerente à ação. Aprender não é mais questão de “o quê” aprender, mas de como somos competentes para aprender.
Tipologias do observador segundo a ação que o orienta
Essa pessoa procura resultados concretos. Sua estratégia para obter esses resultados é realizar e executar as tarefas conforme planejado, produzindo de maneira sistemática. Não atuar é pôr em risco o resultado esperado.
• Característica 2 - Observador orientado para a coordenação de ações
Essa pessoa procura garantir os resultados coordenando ações com os outros. Sua estratégia para obter resultados é estabelecer redes de apoio e evitar conflitos. Não se relacionar é pôr em risco o resultado esperado.
• Característica Empreendedora - O empreendedor orientado para a ação coordenada de equipes
O empreendedor é orientado para os resultados e sabe obtê-los com trabalho conjunto. Essa pessoa consegue combinar as duas características de uma maneira equilibrada. É fortemente orientado para a ação, mas igualmente tem competências para criar redes de apoio.
O OBSERVADOR DENTRO DA VISÃO DA NOVA SISTÊMICA
A nova sistêmica surge com o reconhecimento da dinâmica relacional entre os seres humanos e o reconhecimento da coexistência de múltiplos observadores e modelos de mundo. Sobre este último, já vimos discorrendo ao longo de toda a disciplina, e estaremos conversando neste item sobre a dinâmica relacional mencionada acima.
Bertalanffy, (1968) autor da Teoria Geral de Sistemas, define sistemas como entidades mantidas pela
interação mútua de suas partes, do átomo ao cosmos. Exemplos comuns de sistemas incluem o
telefone, os correios e os sistemas de trânsito. Um sistema pode ser físico como um aparelho de TV, biológico como um cão cocker spaniel, psicológico como uma personalidade, sociológico como um sindicato de trabalhadores, ou simbólico como um conjunto de leis. Um sistema pode ser composto de sistemas menores e pode também ser parte de um sistema mais amplo, como um Estado, que é composto de cidades e faz parte de uma nação. Conseqüentemente, a mesma entidade pode ser encarada como um sistema ou como um subsistema, dependendo do foco de interesse do observador. Segundo Bertalanffy, os grupos sociais são sistemas abertos, ou seja, sistemas vivos que estão interagindo continuamente com o seu ambiente. Esta interação é o que, no parágrafo anterior, chamamos de dinâmica relacional.
A respeito da dinâmica relacional entre os seres humanos, a perspectiva predominante, e que todo mundo provavelmente já sabe, é que somos parte de um sistema que nos condiciona. Podemos falar de diversos tipos de sistemas como, por exemplo, sistema de Governo, sistema familiar, sistema comercial,