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Até o momento da pesquisa, muito se falou da importância da competitividade e de todos os aspectos principais relacionados com a competição. Porém, o outro lado da interação competitiva entre dois ou mais agentes econômicos está na possibilidade da cooperação.

A idéia de competição está impregnada na ideologia e nos costumes de nossa época, Não existe praticamente um só aspecto da vida privada ou pública que não esteja afetado por esta idéia (BROCKWAY, 1995).

Como explica Brockway (1995):

O esperado é que os machos entrem em competição pelos favores das fêmeas e vice-versa – assim como se espera que os casais formados na

disputa anterior entrem em competição entre si para dominar os demais. Consequentemente, não ficamos surpresos ao ouvir que as crianças entrem em competição entre si pela atenção dos pais, ou que o complexo de Édipo seja uma forma de competição. Nós esperamos que crianças bem pequenas entrem em competição para serem os primeiros da classe, assim como esperamos que todas as crianças entrem em competição no esporte, que tem fama tanto de ajudar na formação do caráter, como de ser uma preparação essencial para as disputas que a vida traz.

A superação da competição se chama “cooperação”. Ela também está impregnada em nossa ideologia e folclore. Ainda no jardim de infância nós aprendemos a história dos dois asnos que tentavam cada um comer sozinho o seu monte de feno, e com isso nenhum deles alcançava a pilha; se com o outro, cooperasse e repartindo a pilha, cada qual, todos os dois teriam acesso a ambas as pilhas.

Nesse caso nem a competição nem sua imagem especular, a cooperação portanto, são um fim em si mesmas. A competição é um descendente depurado da "guerra de todos contra todos" de Thomas Hobbes; a cooperação, a prudente alternativa para aquela guerra. A teoria econômica supõe que a competição estimulará, por um lado os trabalhadores a terem uma maior produtividade e, por outro, os empresários a produzir bens mais baratos e mais abundantes (BROCKWAY, 1995).

Contudo, a cooperação entre empresas vem ganhando contornos mais amplos, tornando-se estratégica para o desenvolvimento de setores da economia e, portanto, uma questão de política pública.

Esses novos arranjos organizacionais de aglomerações industriais geográficas, envolvendo várias pequenas empresas organizadas em forma de redes, são uma opção à concentração da produção em grandes indústrias, (VIEIRA e OHAYON, 2002).

Esses são arranjos industriais cooperativos, como: distritos industriais, pólos de alta tecnologia e clusters (ROESE e GITAHY, 2003). Este enfoque prioriza a reorganização produtiva e ressalta a importância do ganho de agilidade e flexibilidade dos novos arranjos organizacionais.

Esta abordagem, segundo Roese e Gitahy (2003), está ligada a reestruturação produtiva e a teoria da especialização variável, que contribui com a percepção de que a configuração produtiva depende de arranjos políticos e sociais e não apenas econômicos e técnicos. Dentro desse contexto mais amplo, que estabelece a cooperação como uma política de desenvolvimento, as empresas já possuem como benefícios a proximidade das unidades de produção, o maior intercâmbio de informações e um melhor aproveitamento da infra-estrutura urbana (ROESE e GITAHY, 2003).

Nesse ambiente de cooperação, as alianças estratégicas são criadas por meio de um acordo entre atores distintos dentro da cadeia para a exploração de oportunidades conjuntas.

Dos tipos de cooperações entre empresas que são realizadas pelo mercado, pode-se destacar: aliança estratégica, consórcios, “joint venture”, “franchise”, representação de vendas, subcontratação, terceirização, entre outros (MERTENS e FAISST, 1995 apud CORRÊA, 1999). De acordo com (KAUFMAN et al., 1990 apud CORRÊA, 1999) a cooperação entre empresas pode ser analisada principalmente por três teorias básicas:

x a teoria dos custos de produção, que estuda o efeito da quantidade e envolve os conceitos sobre economia de escala e de escopo;

x a teoria dos custos de transação, que envolve de uma maneira geral a problemática da coordenação de atividades financeiras da cooperação, entre as quais podem ser citados os custos da transferência de informações, de negociações, de controle e de reorganização;

x a teoria do risco, que engloba a pesquisa sobre investimentos, especializações, segurança, custos de oportunidades de negócios e

preços.

O estudo de Vieira e Ohayon (2002) também suporta a importância da cooperação entre empresas ao destacar o papel das interações entre o mundo da ciência, da tecnologia e dos mercados no processo de inovação. Os autores definem essa dinâmica como rede, ou seja, um processo de colaboração entre atores heterogêneos (laboratórios públicos, centros de pesquisas tecnológicas, empresas industriais, usuários, fornecedores, etc.) que participam coletivamente do desenvolvimento e da difusão de inovações.

Lewis (1992) apresenta uma tipologia de cooperação e aliança, distinguindo as alianças em termos de volume de compromisso que representa e do grau de controle que confere a cada parceiro:

a) Cooperação informal: empresas trabalham em conjunto sem vínculo contratual, os compromissos mútuos são modestos, o controle está quase todo nas mãos de cada empresa, atuando separadamente;

b) Cooperação formal: contratos explícitos, oferecendo alguma oportunidade para a divisão do controle e importante divisão de riscos; c) Alianças de capital: investimentos minoritários, joint-ventures e

consórcios – propiciam a propriedade comum, estendendo ainda mais os compromissos mútuos e a divisão do controle;

d) Redes estratégicas: são compostas por qualquer um ou todos os tipos anteriores de alianças, provendo assim totais variados de compromisso e controle.

As Alianças Estratégicas no contexto mais amplo dos estudos organizacionais, são identificadas como relacionamentos interorganizacionais específicos. Hall (2004) compreende que programas conjuntos, joint-ventures e

alianças estratégicas podem ser conceituados como tipo especial de fluxos de recursos em que não há apenas relações de interdependência, mas também ações de cooperação e colaboração que se podem estender profundamente e para mais de uma área específica.

A introdução da tecnologia da informação nos negócios criou diversas oportunidades de utilizá-la estrategicamente em favor da competitividade empresarial. Torres (1995) destaca que um dos principais impactos da tecnologia da informação (TI) é sua capacidade de integração, tanto no nível interno da organização quanto à integração inter-organizacional. O autor apresenta diversas iniciativas nesse sentido, incluindo alguns exemplos de associações estratégicas entre empresas por meio da TI, entre eles:

x Aliança entre American Airlines e Citibank para que os usuários do banco passassem a ganhar milhas ao efetuarem compras em seus cartões de crédito;

x Projeto Prodigy, realizado entre a IBM e a Sears para oferecer mais de 400 serviços eletrônicos, considerando investimentos de quinhentos milhões de dólares;

x O caso do “Banco 24 horas” no Brasil, que permite criar estrutura e sistemas capazes de enfrentar os líderes do mercado;

x A utilização de EDI (Electronic Data Interchange), que permite a troca de informações entre empresas, viabilizando iniciativas que podem, por exemplo, integrar uma companhia ferroviária com outras empresas de transporte para o oferecimento de transporte intermodal.

Pitassi e Macedo-Soares (2003) analisaram as cooperações por meio da formação de comunidades. Observam os autores que com o desenvolvimento

exponencial das tecnologias digitais e com o crescimento da conectividade que elas proporcionam, as comunidades virtuais de empresas estão se tornando uma realidade. Eles consideram que uma comunidade virtual com objetivos estratégicos pode ser chamada de rede estratégica virtual, e a sua diferença entre as redes estratégicas tradicionais é a utilização da Internet em suas transações de negócios.