3 AGENDA AMBIENTAL NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (A)
3.3 Eixos temáticos da A3
3.3.5 Compras públicas sustentáveis
Compras públicas sustentáveis consistem naquelas em que se tomam atitudes para que o uso dos recursos materiais seja o mais eficiente possível, envolvendo e integrando os aspectos ambientais em todos os estágios do processo de compra, além de evitar compras desnecessárias. A administração pública deve promover a responsabilidade socioambiental
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nas suas compras, avaliando a melhor relação custo/benefício a médio e longo prazo. Desta forma, é necessário pensar no hoje e no amanhã, nas pessoas, na sociedade, e não somente na economia financeira (BRASIL, 2017).
A Constituição Federal, art. 37, inciso XXI, prevê, para a Administração Pública, a obrigatoriedade de licitar. Desta forma, diferentemente das empresas privadas, a regra para o poder público é adquirir ou contratar bens e serviços através de processo licitatório. A licitação é o procedimento administrativo formal em que a Administração Pública convoca, mediante condições estabelecidas em ato próprio, empresas interessadas na apresentação de propostas para o oferecimento de bens e serviços. Excepcionalmente, são admitidas as hipóteses de dispensa ou inexigibilidade de licitação (BIAGE; CALADO, 2015).
A licitação objetiva garantir a observância do princípio constitucional da isonomia e selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração. No entanto, atualmente, são cada vez maiores o apoio e o incentivo à compra pública sustentável, incorporando aos critérios tradicionais das licitações públicas, geralmente apoiados no menor preço, fatores socioambientais. A inserção desses critérios socioambientais possibilita alavancar e promover certos grupos sociais desfavorecidos ou que se diferenciam pelos critérios ambientais que envolvem o processo produtivo (OLIVEIRA; SANTOS, 2015).
No ano de 2010, a publicação da Instrução Normativa Nº 01/2010 representou o marco da inserção de critérios ambientais nas licitações públicas brasileiras. A referida instrução normativa dispõe sobre os critérios de sustentabilidade ambiental nos processos de extração e fabricação de produtos, na aquisição de bens e na contratação de serviços ou obras pela administração pública federal. Junto com a entrada da Lei Federal nº 12.349, em vigor desde 19 de janeiro de 2010, ela configurou um avanço acerca da antiga polêmica do crescimento nacional versus desenvolvimento sustentável (TEIXEIRA; AZEVEDO, 2013). A principal ferramenta na promoção do desenvolvimento sustentável na esfera pública é o edital de licitação, já que seus resultados refletem diretamente na iniciativa privada (BIAGE; CALADO, 2015).
Para Teixeira e Azevedo (2013), a Instrução Normativa Nº 01/2010 apresenta-se como um instrumento crucial de mudança institucional. A internalização das suas diretrizes pelos órgãos públicos vai depender de diversos aspectos para que não se torne apenas mais um componente na agenda ambiental da administração pública.
Assim, o quinto eixo temático da A3P, compras públicas sustentáveis, envolve a promoção da sustentabilidade nas aquisições realizadas pela administração pública. O conceito de compras sustentáveis busca incorporar simultaneamente critérios de eficiência
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econômica, social e ambiental, visando alinhar a necessidade de se avançar de uma perspectiva seccionada e reducionista para uma visão complexa (OLIVEIRA; SANTOS, 2015). Segundo o Art. 3º, da Lei Nº 8.666/1993, licitação sustentável é aquela que se destina a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável.
Destaca-se que a União Europeia é bastante atuante em se tratando de licitação sustentável, o que pôde ser verificado desde março de 2004, quando passou a adotar critérios ambientais em seus procedimentos licitatórios seguindo a recomendação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O órgão Local Governments for Sustainability - Iclei, conhecido no Brasil como Governos Locais pela Sustentabilidade, tem organizado seminários nacionais e internacionais, visando promover pesquisas e campanhas de sensibilização com municípios e estabelecer diretrizes para as compras públicas sustentáveis (OLIVEIRA; SANTOS, 2015).
As compras governamentais, no Brasil, movimentam cerca de 10% a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional (BARKI, 2012). Nesse sentido, é enorme a responsabilidade do gestor público encarregado de promover os procedimentos licitatórios para assegurar a livre concorrência, sem perder de vista o interesse do governante em dispor do melhor produto ou serviço pelo menor preço possível. Nesse contexto, a utilização do poder de compra do Estado para incentivar novos mercados sustentáveis é exemplo de opção política relevante. Estes fatos corroboram o poder de compra do governo e, ao mesmo tempo, demonstra a necessidade de que nos processos de aquisições públicas estejam presentes os princípios da sustentabilidade (SILVA; BARKI, 2012; OLIVEIRA; SANTOS, 2015).
Através das compras sustentáveis, as instituições públicas poderiam usar de seu poder de compra para dar um sinal ao mercado a favor da gestão socioambiental, passando a escolher bens e serviços pelos seguintes critérios (OLIVEIRA; SANTOS, 2015):
a) Razões econômicas: a melhor relação custo-benefício, preço, qualidade, disponibilidade, funcionalidade;
b) Aspectos ambientais, contratos públicos ecológicos, ou seja: os impactos do produto e/ou serviço em seu ciclo de vida, produção ou descarte sobre o meio ambiente;
c) Aspectos sociais: efeitos de decisões de compra em questões como erradicação da pobreza, equidade internacional na distribuição dos recursos, condições de trabalho, direitos humanos.
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exigem medidas ambientalmente sustentáveis tais como: comprar equipamentos ajustados às diretrizes do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (PROCEL); comprar papel não-clorado ou reciclado, especificar nos termos de referência a exigência de impressoras que imprimam frente e verso; incluir no contrato de serviço de copa e limpeza a adoção de procedimentos que promovam o uso racional dos recursos e a capacitação dos funcionários de acordo com as regras da A3P (ARAUJO, 2018).
No entanto, observa-se a importância da capacitação das instituições para que, dentro da lei, utilizem o seu poder de compra como instrumento de fomento ao desenvolvimento sustentável. Assim, os servidores exerceram seu trabalho de forma inovadora, atendendo expectativas das partes interessadas, garantindo melhor desempenho e incorporando a sustentabilidade e a responsabilidade socioambiental (COGO; OLIVEIRA; TESSER, 2012).
Os órgãos precisam de um modelo eficiente de desenvolvimento organizacional para a melhoria dos processos internos de gestão, visando aperfeiçoar os processos e procedimentos relativos às compras realizadas (COGO; OLIVEIRA; TESSER, 2012). Para as universidades avançarem nas contratações públicas sustentáveis, é preciso que os editais sejam realizados a inserção dos critérios de sustentabilidade (BRASIL, 2017).
3.3.6 Construções sustentáveis
O setor da construção civil é um dos principais indutores do ciclo de crescimento nacional. Sua cadeia produtiva inclui a construção de edificações, obras viárias, entre outros. Devido ao crescimento tecnológico e industrial, a demanda desse setor por recursos naturais tem sido elevada, já que a construção civil é responsável por grandes volumes de resíduos (BOCASANTA; PFITSCHER; BORGERT, 2016).
Construção sustentável é um conceito que denomina um conjunto de medidas adotadas durante todas as etapas da obra para alcançar a sustentabilidade das edificações. Uma obra sustentável leva em consideração todo o projeto da obra desde a sua pré-construção, considerando a análise do ciclo de vida do empreendimento, até o tempo de vida útil da obra e a sua devida utilização. Na administração pública, poucas foram as edificações projetadas de maneira sustentável, já que os prédios públicos não foram desenvolvidos de forma sustentável com aproveitamento dos recursos naturais como, por exemplo, o uso de energia solar ou das correntes de vento. Porém, mesmo em um prédio já construído, é possível realizar adequações que visem a eficiência dos recursos naturais (MMA, 2018).