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COMUNIDADE DE PRÁTICA E O AMBIENTE DIGITAL VIRTUAL

No documento COMUNIDADE DE PRÁTICA DIGITAL (páginas 22-46)

“Prestamos atenção ao que esperamos ver, escutamos o que podemos situar em nosso entendimento e agimos de acordo com nossa visão de mundo”

(Étienne Wenger)

Esta seção foi estruturada em três momentos para a melhor compreensão de uma comunidade de prática. O primeiro momento aborda: conceitos basilares em que o termo foi cunhado e seus principais teóricos, levando em consideração variantes culturais, antropológicas e comunicacionais; categorias que articulam as relações humanas; os elementos que constituem uma comunidade de prática e, por fim, o ambiente virtual, discussão que emerge na atualidade como locus responsável por ampliar a socialização do conhecimento e do espaço colaborativo, online e off-line, síncrono ou assíncrono.

É importante frisar que a sociedade atual estabelece novos sistemas de relações sociais, organizacionais e educacionais que contribuem significativamente nos processos comunicativos estabelecidos por cada grupo social, conforme as características das relações espaço-tempo nas mais variadas escalas, ao interferir diretamente nos sistemas educativo, econômico, político, religioso e cultural. Essa realidade reporta o ser humano à um universo marcado pelas tecnologias, que modificam a vivência cotidiana e levam a repensar novos conceitos em um novo período histórico, no qual o homem (res)significa suas ações e sua própria identidade nos ambientes que circulam, sejam eles físicos ou virtuais.

No contexto de mudanças, o constructo social foi se moldando, a partir das últimas décadas do século XX para o início deste século, intensificando os aparatos tecnológicos, inovando as relações comunicativas, atualmente estabelecidas pelas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), ao passo que modificam os ambientes e as formas

habituais de interatividade e dialogicidade. A interação e o diálogo são características essenciais na dimensão humana, visto que são consideradas atemporais por se caracterizarem como uma forma privilegiada de acesso à informação e ao conhecimento, mediatizadas pelas diferentes situações de trocas entre as pessoas. Em Brandão (1981, p. 18), a perspectiva antropológica das categorias diálogo e interação são evidenciadas na medida em que as pessoas convivem umas com as outras, promovendo melhor disseminação do saber, pelos atos de quem sabe-e-faz, para quem não-sabe-e-aprende, tendo em vista que nem sempre diálogo e interação caminham de forma sincronizada.

As perspectivas atuais de inovações nas relações sociais inserem, não mais, a fixação de um espaço dialogal físico, onde as pessoas se reuniam para troca de experiências, de forma que as comunidades também se organizam em contextos virtuais, característica da era da informação, resultante da construção de uma nova identidade social e cultural, promovidas pelas atuais necessidades da sociedade mundial.

As interações dialogais, no ambiente social, emergem de uma pluralidade comunicacional e das tecnologias, mais especificamente as digitais, responsáveis por estabelecerem novas formas de sociabilidade.

Como revela Castells (2013), os grupos sociais e sociedades reorganizam seus significados em função das tendências sociais e projetos culturais, enraizados em sua estrutura social. Portanto, um processo de transição da construção de uma identidade de consciência coletiva para uma consciência crítica, marcada por incertezas e inseguranças, afirma a condição de uma temporalidade volátil referente ao ser, incapaz de parar e, menos ainda, capaz de ficar parado (BAUMAN, 2003).

A consolidação do cenário atual, em que as TICs transformam as relações interpessoais, reordenando um fluxo social caracterizado pelo individualismo, se insere em novos contextos marcados pela conectividade e mobilidade ao propiciar novas formas de sociabilidade. Nesse ambiente o indivíduo possibilita, por contribuição da tecnologia digital, a criação de comunidades virtuais. Essas comunidades, a priori, facilitam a comunicação

dos seus participantes ao potencializar o trabalho, as relações e a aprendizagem.

A sociedade vai se reorganizando, tanto no campo social como no cultural, modificando suas práticas alicerçadas nas tradições, mas ao mesmo tempo, se adaptando, ou melhor, construindo novas conexões com a prática cotidiana. “As mudanças nas práticas são processos culturais, coletivos e pessoais, situados e historicamente constituídos” (LAVE, 2015, p.39). Toma-se, portanto, esse fato como um ponto de partida para a análise das mudanças ocorridas tendo em vista a transmissão e a socialização cultural, mais especificamente, sob a ótica antropológica, pressupondo o entendimento do fenômeno das transformações, requerendo outros olhares, a saber: psicossocial e cultural.

A reflexão em torno do tema é importante, visto que possibilita uma retomada ao cerne das relações humanas, ou seja, em um processo de transmissão direto com o outro, denominado de formas de aprendizado, repassados conforme os interesses e as tradições culturais de cada época. A necessidade de aprender como mecanismo de subsistência, individual e coletiva, se constitui mediante práticas da transmissão cultural ou socialização, isto é, o conhecimento socializado e, implicitamente, a concretização da aprendizagem, considerando os interesses individuais e coletivos. Os estudos de Lave (1983, 1988) e de Lave e Wenger (1991) destacam que, na teoria da prática social, toda atividade é situada nas relações entre as pessoas, contextos e práticas, incluindo, portanto, a aprendizagem.

Cabe reforçar, a partir da antropóloga Jean Lave, que é necessária uma compreensão das noções de aprendizagem por se situar em complexas comunidades de práticas, se referindo à práticas culturais e mutantes, que fazem parte do processo histórico o qual se constitui na vida social, ou seja, produção cultural é aprendizagem que é produção cultural.

(LAVE, 2015). Do ponto de vista psicossocial, em especial Dreier (2008 apud LAVE, 2015, p. 42) afirma que “aprender envolve essencialmente movimento, através de contextos de nossa vida cotidiana, nos quais nos engajamos em

práticas com diversos outros que fazem parte daqueles engajamentos contextuais”.

Para movimentar o ato de aprender é necessária primeiramente uma motivação dominada por interesses particulares relacionados à vida cotidiana. Desse modo, qual o motivo que leva uma pessoa a aprender um ofício laboral?, uma criança a jogar futebol?, um grupo de pessoas a participarem de grupo de estudo sobre medicação alternativa ou natural?

Trata-se, por conseguinte, de interesses particulares, desejo em aprender algo que não sabem, ou, se já sabem, querem aperfeiçoar. Esse é um movimento que vai além de uma aprendizagem formal, sendo consideradas situações que fazem parte da condução da vida cotidiana, um caminho para as relações, movimento e práticas, onde os participantes se relacionam com seus respectivos grupos por afinidade ou motivação pessoal.

As relações se fortalecem a partir dos múltiplos contextos, participação e envolvimento nas práticas desenvolvidas pelos grupos dos quais participam como também vão se moldando, direta ou indiretamente, tendo em vista que elas envolvem os participantes, implicando numa concepção de mudança que possibilita compreender a mudança da vida social.

Compreender a estrutura relacional dos grupos nos quais os indivíduos se organizam é importante para o entendimento que a aprendizagem per si ocorre, prioritariamente, em contextos culturais, ou seja, tecer comentários sobre aprendizagem isoladamente da teia cultural seria desprezar as condições de cultura de cada grupo social e suas formas de aprender, que não são iguais a todos. Porém, os resultados revelam significados, conforme os interesses, coerentes com a prática exercida, livres de disputas, mesmo ofertando diferentes entendimentos, levando a condição de reflexão sobre a prática.

A teia cultural envolve as pessoas, grupos de interesses que se afinam por empenhos específicos e, dessa forma, são repassados na perspectiva de aprendizes, sobre o que necessitam conhecer. Não se trata, aqui, de explicitar como as pessoas aprendem, discorrer sobre as concepções de aprendizagem das teorias da aprendizagem, mas de evidenciar que

aprendizado é um processo cultural da própria humanidade, seja em pequenos grupos ou em grupos maiores, sendo denominados de interesses comuns de uma comunidade (LAVE, 2015).

Entende-se que é nessa perspectiva de interesses afins que as comunidades se formam para que possam discutir e desenvolver seus propósitos coletivamente, tendo a oportunidade de conhecer e refletir sobre suas crenças e práticas. Trata-se de um processo alimentado entre seus pares, aos quais são atribuídos, em seus repertórios, regras sociais, culturais, saberes, objetivos e motivações que se interligam e/ou distinguem entre o saber e o fazer, estabelecendo o círculo de teoria e prática.

Pensar processos que potencializem as práticas comunicativas em contextos formativos virtuais conduz ao constructo da aprendizagem colaborativa instituída, inicialmente, em uma comunidade cuja intenção e discussão teórica ajustam-se ao meio virtual e aos participantes. Cabe, assim, reforçar que o meio virtual está em constante atualização, não se limitando a coordenadas espaço-temporais (LÉVY, 2011, p.18)

A motivação que traz uma melhor compreensão dos processos formativos virtuais são os estudos desenvolvidos por Jean Lave2 e Ètienne Wenger3 (2010) sobre Comunidades de Prática (CoP)4, por se revelar um espaço propício para interações e troca de saberes. O conceito de Comunidades de Práticas, concebido por Wenger (1998, apud FERREIRA;

SILVA, 2014, p. 42), é um:

2 Jean Lave é Ph. D. em Antropologia Social pela Universidade de Harvard, 1968, atualmente é Professora Emérita da Universidade de Berkeley, Califórnia e desenvolveu uma extensa atividade de pesquisa de caráter transdisciplinar, especialmente sobre o tema da aprendizagem.

3 Etienne Wenger é um pesquisador reconhecido mundialmente no campo da Teoria do Aprendizado, e pioneiro na pesquisa sobre Comunidades de Prática. Além de pesquisador, é professor com PhD em inteligência artificial pela Universidade da Califórnia, em Irvine (EUA). É autor de diversos artigos e livros. Também atua como consultor independente, e comunicador, trabalhando com pessoas interessadas em desenvolver projetos organizacionais, tecnológicos e educacionais que ampliam a sinergia entre o aprendizado e a comunidade. Ele auxilia organizações a aplicar as ideias das Comunidades de Prática através de consultorias, workshops e palestras.

4 Utilizo a sigla CoP, neste capítulo para remeter ao termo original cunhado por Ètienne Wenger: Communities of practice.

[...] grupo de indivíduos que compartilham conhecimentos, habilidades e experiências, que participam de modo ativo em processos de colaboração compartilhando conhecimentos, interesses, recursos, perspectivas, atividades e, sobretudo, práticas para a produção de conhecimento, tanto pessoal quanto coletivo.

O conceito de CoP, permite a compreensão do processo de interação como viés condutor em um processo de participação coletiva, o qual se evidencia como espaço colaborativo e de troca de saberes e informações partilhadas que estimulam as práticas para construção do conhecimento coletivo. Na atualidade, passam a fazer parte deste cenário os meios tecnológicos, com ênfase nos recursos que são propiciados pela tecnologia, de modo que, em uma CoP, a internet se destaca como espaço de favorecimento à comunicação, permitindo o estabelecimento do processo comunicativo virtual e das condições dialogais por meios não mais habituais, contudo, sem perder o viés da comunicação, interação, diálogo, troca de saberes nas mais variadas dimensões.

Na formação de uma comunidade, os indivíduos criam e compartilham conhecimentos, contribuindo para a o fortalecimento das relações, as quais envolvem um processo de múltiplas etapas, por estar conectado aos interesses e compreensão da própria estrutura de formação, fato que permite o fortalecimento do constructo de comunidade de prática.

Não devendo, desse modo, ser posto como ideias que convergem, pois nem todos os grupos que se organizam com ideias afins podem ser denominados de comunidades, assim como nem todas as comunidades são Comunidades de Prática. (FERREIRA; SILVA, 2014). Na maioria dos casos, percebe-se que por meio da vivência em grupos é tratada como Comunidade de Prática (LAVE, 2004). O conceito de comunidade de prática implica em uma participação e engajamento social, exigindo, necessariamente, a participação ativa nos processos sociais, construindo e reconstruindo a ideia de pertencimento da comunidade.

A expressão Comunidade de Prática foi cunhada por Wenger em 1998, o qual descreve de forma clara em um dos seus trabalhos Communities of pratice: a brief introduction (2006):

As comunidades de práticas são formadas por pessoas que se envolvem em um processo de aprendizado coletivo em um domínio compartilhado do esforço humano: uma tribo aprendendo a sobreviver, um grupo de artistas buscando novas formas de expressão, um grupo de engenheiros trabalhando em problemas semelhantes, uma camarilha de alunos que definem sua identidade na escola, uma rede de cirurgiões que explora novas técnicas, uma reunião de gerentes iniciantes que se ajudam a lidar (WENGER, 2006).

Wenger denomina uma comunidade de prática no contexto de sua intencionalidade que, atualmente, vem sendo amplamente utilizada pelos grupos permitindo o aprendizado entre seus participantes. Em síntese,

“Comunidades de Prática são grupos de pessoas que compartilham uma preocupação ou uma paixão por algo que fazem e aprendem a fazê-lo melhor à medida que interagem regularmente.” (WENGER, 2006).

O objetivo deste capítulo é mostrar a Comunidade de Prática enquanto fenômeno social, a qual, apesar de surgir nas últimas décadas do século XX, vem se tornando cada vez mais presente na prática social. Assim, o conceito apresentado por Wenger e Lave destitui a conjectura do novo, priorizando as formas de contribuição para a difusão do termo comunidade de prática. Os estudos apontam que se trata de um fenômeno diretamente envolvido com as relações sociais, sendo a aprendizagem e o conhecimento categorias indissociáveis, ou melhor, um conjunto de envolvimento mútuo.

Não se trata de premissa, pois o ser humano é essencialmente social e a natureza de seu envolvimento permite o reconhecimento como partícipe dos grupos por interesses afins. Nas comunidades de prática sustenta-se o que naturalmente ocorre na vida cotidiana. Por meio dessa forma organizacional é possível estabelecer essas conexões dinâmicas, resultante em aprendizado contínuo, tanto no contexto formal como informal.

Gherardi e Nicolini (2000) afirmam que nas comunidades de prática são criadas relações em torno das atividades, e as atividades tomam formas através das relações sociais e experiências que permitem formá-los, para que o aprimoramento de seus conhecimentos e habilidades se torne parte dos indivíduos e os aloquem em suas respectivas comunidades. Essa é uma condição da comunidade, para a perpetuação e existência do

conhecimento prático, a partir da interação de seus membros. O processo de interação ocorre na mesma perspectiva que os homens se relacionam, criam e recriam suas culturas, à medida que partilham conhecimentos, experiências e práticas.

Em uma das versões mais completas de definição das Comunidades de Prática, Wenger escreve com McDermot e Snyder em 2002 as CoPs:

[...] são grupos de pessoas que compartilham um interesse, um problema em comum ou uma paixão sobre determinado assunto e que aprofundam seu conhecimento e expertise nesta área através da interação contínua numa mesma base... Estas pessoas não necessariamente trabalham juntas todos os dias, mas se encontram porque agregam valor em suas interações. Como passam algum tempo, juntas, elas compartilham informações, insights e conselhos.

Ajudam umas as outras a resolver problemas, discutem suas situações, aspirações e necessidades. Elas ponderam pontos de vista em comum, exploram ideias e ações, assim como sondam os limites.

Podem criar ferramentas, padrões, desenhos genéricos, manuais e outros documentos – ou podem simplesmente desenvolver uma tácita compreensão do que é compartilhado. Porém elas acumulam conhecimento, torna- se informalmente a fronteira (do conhecimento) pelo valor que agregam na aprendizagem que encontram juntas. Este valor não é meramente instrumental para o seu trabalho. Resulta também na satisfação pessoal de conhecer colegas que compreendem as perspectivas uns dos outros e de pertencer a um interessante grupo de pessoas. Com o passar do tempo, elas desenvolvem uma perspectiva única sobre seus tópicos bem como formam um corpo comum de conhecimento, práticas e teorias. Elas também desenvolvem relações pessoais e instituem formas de interação. Podem também desenvolver um senso comum de identidade. Elas tornam-se então uma Comunidade de Prática conhecimento e o desenvolvimento das ações, das partes envolvidas, ocorrem tanto na perspectiva individual como coletiva, ou seja, das relações interativas e dialogais entre seus participantes. Surgindo, portanto, o desafio de pensar em comunidade prática, buscando não a relacionar aos processos dialogais dos seus membros, mesmo que estes tenham apenas interesses afins, já fixados pelos próprios membros.

Com base nas considerações iniciais sobre Comunidades de Prática, sabendo que são formadas por grupos de indivíduos, cabe, então, esclarecer o objetivo que a diferencia dos demais grupos, como o grupo de trabalho formal, ou uma rede informal. Para Wenger e Snyder (2000), as Comunidades de Prática tem por objetivo desenvolver as competências dos participantes e gerar troca de conhecimento; no grupo de trabalho formal, o objetivo é desenvolver um produto ou prestar um serviço; já na rede informal, o objetivo está direcionado a colher e transmitir informações. Outro ponto relevante apresentado por Wenger e Snyder (2000) se refere à duração, de modo que, na Comunidade de Prática a duração se dá enquanto houver interesse em manter o grupo. Nos demais grupos mencionados, fica restrito até a próxima reorganização, ou enquanto as pessoas apresentarem um motivo para manter contato.

Ao esclarecer o que diferencia Comunidades de Prática de outros grupos, se torna mais simples compreender sua criação e desenvolvimento.

CoP mostra como se dá a formação de uma Comunidade de Prática e seus elementos essenciais, tendo em vista que o Brasil ainda se mostra frágil e incipiente no tema. É importante ressaltar que o estudo só aprofunda suas discussões a partir dos anos noventa, com os estudos de Jean Lave e Étienne Wenger e, nesse contexto, busca-se considerar as contribuições antropológicas para o desenho da arquitetura atual das mais diversas comunidades de práticas utilizadas nas organizações de diferentes naturezas.

Uma comunidade de prática implica envolvimento e engajamento, nesse contexto, surge a pergunta: qual será o ponto de partida para participar de uma comunidade de prática? Para responder ao questionamento, Wenger utiliza o argumento seguinte:

[...] comunidades de prática não são um modismo de design, uma nova forma organizacional ou um conjunto de conselhos pedagógicos a serem implementados. Referem-se a conteúdo e não a forma. Para Wenger e Snyder (2001), comunidades de prática formam-se naturalmente e não são planejáveis, mas podem ser reconhecidas, apoiadas e nutridas (WENGER, 1998 apud SOUZA-SILVA; SCHOMMER, 2008, p. 120)

Souza-Silva e Schommer (2008, p. 120) afirmam que uma organização pode “definir políticas e procedimentos aos quais as comunidades de prática estejam sujeitas, mas não é possível prever que práticas vão emergir em resposta a esses sistemas institucionais”. Em uma comunidade prática, podem ser definido papeis, mas não pode-se definir as identidades que serão definidas a partir do desempenho dos papeis; podem ser definidas as condições para negociar o significado, mas não o significado em si; podem ser esboçados os processos de trabalho, mas não as práticas.

A partir dos estudos de Wenger e Snyder (2001) e de Pinheiro (2014), elaborou-se um esboço da implantação de como uma comunidade de prática se organiza em uma empresa. Na figura 1, pode ser observado o modelo delineado, onde seguem as etapas para implementação da CoP, partindo do eixo de organização, onde o primeiro passo é eleger os colaboradores; o segundo passo é identificar as redes existentes; o terceiro é identificar os participantes em potencial, e o quarto passo é reunir os participantes envolvidos. Os passos seguintes são sequenciais, após a comunidade já estar estruturada, caracterizando-se pelo próprio movimento e atividade desenvolvida no grupo e participantes envolvidos.

FIGURA 1. Organização de uma comunidade de prática.

FONTE: Criação da autora, baseada nos estudos de Wenger e Snyder (2001).

Em termos mais genéricos, a comunidade de prática considera o envolvimento e engajamento dos seus participantes, a potencialidade resulta da participação ao tornar uma comunidade de prática bem sucedida, tendo em vista que permitem aos praticantes gerenciar o conhecimento que precisam, ao criar uma conexão entre aprendizagem e desempenho das funções exercidas e, por fim, não se limitam, já que se criam conexões além da estrutura de organização e das restrições geográficas. O que se evidencia como foco é o que a pessoas aprendem e como aprendem, como as pessoas participam e compartilham no mundo social.

Elementos centrais da Comunidade de Prática

Compreender que as Comunidades de Prática, desde a essência da sua criação, requerem engajamento, envolvimento e paixão pelo tema que ela se constitui para ser, cada vez mais, efetiva a sua manutenção e sua estrutura de funcionamento, apresentando três características: o domínio, a

Compreender que as Comunidades de Prática, desde a essência da sua criação, requerem engajamento, envolvimento e paixão pelo tema que ela se constitui para ser, cada vez mais, efetiva a sua manutenção e sua estrutura de funcionamento, apresentando três características: o domínio, a

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