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Seu conceito não difere fundamentalmente das ideias desenvolvidas desde 1798 por Domingos Alves Branco Moniz Barreto Veja-se nota 68.

S. convocar as Cortes, que desde 1689 não mais haviam sido convocadas, a fim de preparar uma Constituição

73 Seu conceito não difere fundamentalmente das ideias desenvolvidas desde 1798 por Domingos Alves Branco Moniz Barreto Veja-se nota 68.

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giosas para civilizar os índios ainda vivos, revela que as experiências adquiridas nos séculos XVII e XVIII deveriam ser aproveitadas no presente.75

Desde logo, em razão de sua q u an tid ad e e dispersão geográ­ fica, a atenção se voltou p ara os jesuítas. Gonçalves Dias propôs ao instituto, sob o p o n to de vista das vantagens p ara o progresso, com ­ parar os efeitos do esforço dos jesuítas no Brasil com os resultados da política antijesuítica de Pombal.

Nos basüdores, receava-se que o apoio aos jesuítas poderia, mais um a vez, levar a um a co n cen tração de p o d e r fora do co n tro le do Estado. No século XVIII, a O rdem controlava diversos assenta­ mentos transfronteiriços com mais de 100 mil habitantes, ig norando a separação de um a região colonial espanhola e portuguesa.

Em 1842, n um a edição da revista, foram descritos m inuciosa­ mente os problem as dos portugueses e dos espanhóis n a im plem en­ tação do T ratado de M adri de 1750 sobre a dem arcação das fro n ­ teiras duas áreas coloniais, co n tan d o com a resistência dos jesuítas. Relatórios e avaliações a respeito da vida social nas povoações dos jesuítas apareciam com freq u ên cia nas páginas da revista:

Pois que, ign oran do os miseráveis índios que havia na terra poder que fosse superior ao p od er dos padres, criam que estes eram soberanos despóticos dos seus corpos e almas; ignoran­ do que tinham Rei a quem obed ecer, criam que no m undo não havia vassalagem, mas que tudo nele era escravidão; e, ig­ n orando enfim que havia leis que não fossem da vontade dos seus Santos Padres (assim os d en om in am ), tinham p or certo e infalível que tudo o que eles lhes mandavam era indispensável para logo obed ecerem sem a m en or hesitação.

N um m o m en to em q u e o ainda jovem Estado se constituía, é evidente que os jesuítas, cujo trabalho se n o rte o u co n tra princípios

75 Revista d o lH G B , Rio de Janeiro, 6 (22), abr-jun/1844, p. 257. 75 Revista do IH G B , Rio de Janeiro, 4 (15), o u t/1 8 4 2 , pp. 265-83.

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nacionais e de Estado, tinham de, forçosam ente, ser vistos de modo críuco. Na ação de civilizar os índios, dever-se-ia dar precedência a m étodos religiosos ou seculares? O tratam en to dessa questão impu­ n h a ao instituto e à sua revista a tarefa de colocar à disposição o co­ n h ecim en to necessário para sua resposta.

Jo aq u im F ernandes P inheiro (1825-1876), para sua admissão no IHGB, preparou, em 1854, um artigo a respeito dos jesuítas, em q u e apresentava, na segunda parte, um a descrição de seu papel no Brasil.” O au to r criticava os jesuítas p o r causa de sua politização, afir­ m an d o que teria sido mais vantajoso p ara o Brasil se o Estado portu­ guês, em vez de expulsar os jesuítas, tivesse su b o rd in ad o seu trabalho

de assentam ento dos índios ao controle de u m a burocracia civil.77 78 79 No

final do trabalho, o au to r resum iu sua opinião d a seguinte maneira:

Hoje, porém , não desejamos a sua volta: ser-nos-ia danosa, um a vez que, se não despissem pisando as nossas fronteiras do m anto de políticos, o que seria talvez exigir deles o impossível. Cônscios de sua superioridade intelectual, querem dominar por ela; esquecem muitas vezes o lugar de modestos operários do Evangelho para se em aranharem no intrincado labirinto da política, e então tornam-se prejudiciais, deixam de ser uma congregação religiosa para se converterem em seita política,

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em carbonários da Igreja.

N um trabalho publicado em 1856, P in h eiro se ocupou, de for­ m a mais detalhada, do sistema jesuítico de cristianização.80 Segundo sua opinião, a C om panhia d e Jesus p erseg u ira no Novo M undo o

77 PINHEIRO, Joaquim Caetano Fernandes. “Ensaio sobre os Jesuítas”, R evista do IH G B, Rio de Janeiro, 18 (17), jan-m ar/1855, pp. 65-157.

70 Conforme nota 77, p. 154. 79 Conforme nota 77, p. 157.

80 PINHEIRO, Joaquim Caetano Fernandes. “Breves reflexões sobre o sistema de catequese seguido pelos jesuítas no Brasil”. Revista do IH G B , Rio de Janeiro, 19 (23), jul-set/1856, pp. 379-97.

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objetivo prim ordial de converter os indígenas incrédulos, até que, em 1581, Cláudio Acquaviva (1543-1615) assum iu sua direção. Sob o controle de Acquaviva, os interesses econôm icos assum iram tam an h a preponderância que o assentam ento dos índios passou a a te n d e r às metas econôm icas da C om panhia de Jesus:

A oligarquia entronizada no Gesu pedia ou ro, e mais ouro e sem pre ouro aos seus sátrapas do Brasil, e ei-los que, para cum ­ prir a santa obediência de que tinham feito voto, procuravam tirar do trabalho dos miseráveis índios as riquezas que tão so­ fregam ente lhes eram reclam adas.81

Eis p o r que P inheiro pleiteava reinvocar as tradições je su í­ ticas originais, que, segundo sua visão, n a época que se seguiu ao descobrim ento d a terra, haviam d esem p e n h ad o im p o rtan te papel n a cristianização dos indígenas. O au to r se referia, principalm ente, à atuação de jesuítas, tais com o A nchieta e N óbrega, q u e en tra ram n a

historiografia com o civilizadores d o Brasil.82 * * Ao analisar o passado do

processo de cristianização dos nativos, foi cada vez mais solidificada a ideia de que era preferível o m odo não religioso de civilizar os índios.

A atenção dispensada à problem ática indígena foi tam ­ bém ad q u irin d o relevância através de sua relação com a questão político-estratégica da segurança das fronteiras. A integração das parcelas de populações residentes nas regiões lim ítrofes significava m aior consolidação do Brasil, através do fo rtalecim ento das frontei­