1.1 - O QUE É INTELIGÊNCIA?
1.1.3 – CONCEITOS DE INTELIGÊNCIA DO HOMEM
Parece ser consenso entre os cientistas que o homem tem uma inteligência instintiva ou INSTINTO NATO, e uma inteligência racional, ou RAZÃO. Mas o que são de fato uma ou outra?
O psicólogo PhD americano Daniel Goleman, no seu livro “Inteligência Emocional” – (Emotional Intellingence – 1995), e outro brasileiro Augusto Jorge Cury no seu livro
“Inteligência Multifocal – 1998”, além de vários outros, abordam o tema sobre o mesmo tema sob vários ângulos. Focando Goleman, interpreta duas “mentes” ou inteligências no homem: a emocional e a racional, e pensa mostrar isso através de uma “dissecagem” do próprio cérebro humano, mostrando “partes do cérebro” onde cada mente estaria localizada e através das quais atuaria no comportamento do próprio homem. A fator comum entre eles é admitir que a inteligência seja ou esteja “localizada no cérebro”, como se a inteligência de um carro em movimento, estivesse no seu processador ou “cérebro”. A inteligência não é do carro, mas do motorista que o dirige, equívoco dos “especialistas” na área.
Algo parecido com outras ideias de mente como “consciente e inconsciente”. Na realidade presume-se ser outra versão das duas primeiras como instinto e razão, apenas com os aparatos “técnicos” de dissecação do próprio cérebro através de “reações” no mesmo, mesmo que constatações médicas já contestem também essa ideia de “inteligência localizada no cérebro”. Cérebros com partes deterioradas simplesmente transferem funções de um local para outro! Partes de memórias perdidas do cérebro se renovam em outras partes, e o homem em alguns casos, continua sua vida normal ou quase, sem mais evidências de transtornos até por perder certas partes do cérebro. O cérebro é ainda, e apenas, uma máquina maravilhosa colocada no nosso crânio, que como meros mecânicos, ainda sequer dispomos de ferramentas adequadas para saber como funciona e muito menos como é, no máximo podemos entendê-lo. Mas se trata apenas de “órgão”, não é ser-vivo algum muito menos inteligente! Esta é uma “tese” no texto, e se já há em algum outro ponto a considerar, não se menciona por mero desconhecimento.
O que a maioria dos cientistas parece não saber é que o cérebro é um mero computador onde existem “memórias e processadores”, NÃO HÁ INTELIGÊNCIA ALGUMA NEM EM CÉREBRO NEM EM COMPUTADOR. Claro que existem doenças psíquicas como também curas que a “medicina insiste” em ignorar, e bastaria apenas que se entendesse que para ambas A LEI É A MESMA. Se você pode ficar doente pela mente, por que também não pode curar pelo mesmo processo?
Mas como se está na esfera de observações como argumento do texto, são os comportamentos dos homens ou de qualquer outro ser-vivo, que parecem melhor se pautar por duas “emoções” diferentes e congruentes: o medo e a euforia. A primeira nos impele a “evitar”
e a segunda nos impele a “fazer”, na realidade as duas faces de uma mesma moeda que é a preservação da Vida. É assim que o predador se sente feliz e eufórico em “caçar a presa”, e por isso enfrenta todas as dificuldades. Enquanto a vítima se sente impulsionada a “fugir” do predador pelo medo com o mesmo ímpeto de enfrentar dificuldades. O fato é que ambos estão apenas garantindo a própria existência, que é de fato o “comportamento” como ser-vivo. Somos
“projetados” com recursos para “garantir a Vida”, mesmo que isso também signifique ocasionar a morte!
Parece claro que as emoções são os fundamentos do espírito para comandar o próprio organismo através de “sensores”, que se transforma em fatos, como o som que é apenas uma vibração, e para garantir que se viva e se torne vivo e enquanto viva, e funcionam de forma igual tanto no homem como nas demais espécies, ainda que os processos sejam diferentes. O que se observa no cérebro são apenas reações elétricas ou químicas decorrentes de sensores colocados
em todo organismo, estratégica e tecnologicamente bem localizados. As reações do cérebro se transformam em “emoções” do espírito e vice-versa. Um sensor elétrico ou químico não tem emoção alguma, esse é o grande equívoco que se presume nas conclusões do cientista Goleman.
No fundo, o cérebro é imenso computador de programas e memórias, como outro qualquer.
Razão e intuição são meras formas de acessar às várias memórias do cérebro. Não difere muito do que vemos hoje nas máquinas modernas cheias de sensores, comandadas por um processador.
A diferença básica está nas respectivas tecnologias, que ainda estamos longe de sequer “copiar”
da natureza.
Há o que se entende por “razão e intuição”. A intuição parece ser um processo de aprendizagem durante a gestação, e por extensão, também na germinação. Em outras palavras, intuição significa “aprendizado”, e começa evidentemente ainda no útero da gestação. Significa
“aprender” como funciona o organismo para se tornar vivo, e o cérebro é um “computador ou processador” que através dos “programas” que a inteligência imprime nas suas memórias em diversas áreas, comanda o “organismo material” a fazer assim ou assado. O uso e também o acabamento físico desses programas ocorre quando nasce o animal ou brota a planta, e ainda ficamos indecisos com relação aos micro-organismos que como se verá, parecem ser a base do
“projeto do ser-vivo”. Essa é forma de “entender” como o cérebro poderia ser “programado”
durante a gestação do animal ou germinação da planta, normalmente chamado de “instinto nato”.
Grosseiramente falando, na gestação também são “contratados” os micro-organismos que garantirão a Vida do indivíduo que nasce. Coisa tecnologicamente simples, que nossos sábios em DNA já sabem como fazer, não?! E já existem cientistas que dizem que já conhecemos perfeitamente o DNA. Orgulho e soberbia não têm limites, onde falta moral e ética. O aprendizado não termina nunca, e na prática é como se tudo funcionasse automaticamente, isto é, sem pensar. De maneira geral, os órgãos dos seres-vivos, mormente nos ditos “superiores”, se completam depois de “nascidos”, e no homem de forma muito mais complexa como
“continuidade da gestação”.
A razão, contudo, significa a capacidade ou faculdade de “pensar”, e depende da evolução intelectual, moral e ética do indivíduo, isto é, da sua evolução espiritual. Paralelamente, a razão é como o “programador do computador”, enquanto o instinto é como o usuário desse computador. Um depende de conhecimento, o outro da experiência ou prática. No homem a faculdade da razão é muito mais desenvolvida do que nas demais espécies, mas o ato de praticar, que é a intuição, é praticamente igual à das demais espécies, apenas que com mais 'conhecimentos' agregados pela razão. Os animais domésticos aprendem com o próprio homem, e agem como se fossem “mais inteligentes”, na realidade melhoraram seus “instintos”, apenas isso.
Mas em todos os casos se trata do resultado do treinamento do “ser vivo” como tal, antes e depois de nascer, que evidentemente precisa também ter uma definição mais aprimorada. A intuição, portanto, não parece ser algo “inato” como se fosse atributo do organismo material, mas algo “aprendido”, e isso só faz sentido admitir a premissa de que a inteligência não é atributo do organismo material, mas da entidade chamada espírito, que de fato dá vida ao organismo e que funciona pelo aprendizado, em particular pela repetição! A admissão da “inteligência inata”
decorre do dogma de fé de que a inteligência é um atributo da matéria, e que dificulta a compreensão da morte, onde o mesmo organismo que está vivo antes deixa de existir como ser-vivo depois desse instante, enigmaticamente. Um equívoco é entender que os “genes” trazem em si o atributo da inteligência daquele ser-vivo que vai “gerar”. É como se os genes “pensassem e decidissem” como será o futuro ser-vivo. Da mesma forma como entender que Deus dá ao “feto”
a dádiva da inteligência, na ponta da outra versão equivocada sobre o caso.
De qualquer forma, até hoje isso parece ser um “mistério” para a religião, e um enigma para a ciência, mas entende-se no texto, que seja de fato um processo de treinamento, como outro qualquer como conceito. Entender é uma coisa da inteligência, saber é coisa de conhecimento.
Se, entretanto, estamos falando de aprendizado, quem pode aprender? O próprio organismo quando em “construção ou gestação ou germinação”? Seria como imaginar que o
computador vai decidir por si mesmo como vai funcionar e o que fará depois que “nascer”. A automação que nos leva a imaginar a inteligência é decisão de quem o constrói, não do próprio organismo automatizado, como um processador que está na base da automação moderna. Uma máquina automática funciona como se tivesse inteligência, mas é evidente que é apenas feita assim. Só funciona através do próprio homem que a constrói e lhe transfere inteligência através do uso da mesma, outro conceito que temos que argumentar, falando-se de homem ser-vivo, e não fulano ou beltrano. Um organismo não tem inteligência, mas de alguma forma ou circunstância quando se pode transferir inteligência a ele, esse organismo funciona como se fosse “inteligente”, e que seria sinônimo de “ser-vivo”.
Não se concorda inteiramente com a interpretação do eminente PhD Goleman porque ele parte do princípio que inteligência é atributo da matéria que está no cérebro. Enquanto no texto se parte do princípio contrário, e aí se chegam a conclusões também diferentes, ainda que expliquem o mesmo fato que é a evidência da inteligência. O fato de se encontrar reações elétricas no cérebro relacionadas com este ou aquele comportamento, é questão pura e simples de tecnologia que a ciência aos poucos evolui. O eminente cientista, tanto quanto outros, são mencionados apenas como ilustração de uma ideia, não como tema de discussão.
O fato é que se baseia no princípio que o artefato humano quando sob o comando do homem age exatamente como qualquer ser-vivo. A “teoria” do psicólogo não se aplica ao artefato humano porque a “inteligência do artefato” que redunda no seu comportamento, não está no seu organismo nem mesmo no seu processador que equivale a um “cérebro”, mas no próprio homem que o faz e o utiliza! Logo, por extensão, a inteligência do homem não pode ser atributo da matéria de seu próprio organismo, e a alternativa revelada pela Doutrina Espírita parece amplamente razoável e muito melhor, por isso mesmo é admitida no texto. A questão de admitir como verdade, é fórum íntimo de cada um pela própria convicção mental, que se chama crença.
Por outro lado, o homem pode alterar espécies de seres-vivos, seu comportamento e também o próprio ambiente, portanto, pode fazer exatamente o que faria “Deus Inteligente”, a única diferença é de premissas. O homem não é Deus Infinito, mas apenas uma entidade inteligente finita e pode errar e acertar. Esse é o processo da evolução que só é possível com uma inteligência em evolução. Isso é perfeitamente constatável através da lei, por todo lado que olhemos à nossa volta. O Universo que conhecemos há que ser obra de inteligências iguais à do homem, apenas em estágio evolutivo muito diferente. É exatamente isso que se pode encontrar nas revelações das religiões, de forma mais ou menos explícitas, e apenas se está admitindo no texto que a Doutrina Espírita é mais atualizada nesse particular, mas como presunção apenas.
Como se evolui pelo erro e acerto, muitas ocorrências até mesmo catastróficas no Universo tanto podem ser resultado de decisões, como meros erros que se precisam corrigir.
Exatamente como se pode entender certas ocorrências numa fábrica. No nosso nível de inteligências não temos como diferenciar, daí a ideia equivocada de fenômenos fortuitos ou ocasionai, erros e castigos etc. na natureza, que também falaremos mais adiante. Quando uma máquina quebra na fábrica, ou fere um operador se trata de “castigo de Deus” ou acaso fortuito da natureza? Crenças não se discutem.
O que identifica a inteligência do homem ser diferente da inteligência dos demais seres-vivos é a constatação de que ela está em franca evolução. Coisa que não é fácil constatar nos demais seres vivos, exceto quando sob o processo de aprendizagem implantado pelo próprio homem, que entendemos como os processos de criação, agricultura, domesticação etc. Parece evidente que o grau de evolução da inteligência é na realidade sua capacidade de agregar conhecimentos, seja lá de que forma for, e isso significa “aprender”. Isso parece na Terra ser exclusividade do ser-vivo-humano, mas através do aprendizado que exige a inteligência, qualquer outro ser-vivo pode também evoluir com a própria inteligência e também aprender, fazemos isso diariamente com nossos animais domesticados. É por isso que tanto a agricultura como a criação animal, podem funcionar. Na Terra o homem está naturalmente nesta condição, enquanto os demais seres vivos não, pelo menos enquanto o próprio homem não lhe transfira o aprendizado como forma de evolução intelectual. É clara a evidência que dois cães, um ensinado
e outro não, o primeiro parece “mais inteligente”. Está aí uma utilidade porque o homem tem inteligência mais evoluída do que outras espécies, é capaz de ensinar e não somente aprender, mas o fato é que a “mãe” também ensina o filhote tanto seja do homem como de qualquer outro animal.
Então, sequer a faculdade de ensinar é apenas do homem, ELE PODE EVOLUIR COM ESSA FACULDADE, as demais espécies parecem não poderem fazer isso. Parece apenas uma evidência de lei ou projeto de Vida na Terra, e normalmente nos confundimos nas nossas observações.
Se, por outro lado, analisarmos o comportamento de todos os seres vivos, até das bactérias e vírus, as “mutações” são meras decisões inteligentes de se adaptar a uma nova situação, que se torna repetitivamente real. Portanto, tem pouco ou quase nada a ver com a tal
“seleção natural”, ainda que não possamos identificar vestígios de decisão própria do ser-vivo.
Mas é evidente que isso não pode ser decisão de gene algum no processo biológico da procriação. É um assunto evidente da própria ciência, que poderá ir desvendando enigmas, à medida que a própria inteligência vá se aprimorando. Os vírus se adaptam às vacinas, como as plantas procuram a claridade, isso não é nada natural, decorre de um aprendizado, e, portanto, de alguma forma de inteligência onde as discussões se reduzem a se contraporem meras crenças.
Como conclusão, TODO SER-VIVO TEM CAPACIDADE DE APRENDER E ENSINAR, a questão do homem é o grau e auto-evolução dessa capacidade. A adaptação das espécies não é seleção natural alguma, é seleção inteligente do próprio indivíduo para se adaptar, a questão científica a ser respondida é como essa adaptação pode ser passada para sua geração futura, através de um “arranjo” no próprio DNA. Claramente se está falando de “nível de tecnologia”. Não se pode confundir inteligência onde se percebem “graus”, com NIVEL DE CONHECIMENTOS, que é mera acumulação deles!
O que podemos identificar com certa facilidade num sábio, não é seu grau de inteligência, mas apenas seu nível de conhecimentos!