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Conceitos e Abordagens de Gestão do Conhecimento

2.3 GESTÃO DO CONHECIMENTO NAS ORGANIZAÇÕES

2.3.1 Conceitos e Abordagens de Gestão do Conhecimento

O interesse crescente pelo “conhecimento” nos âmbitos acadêmico e empresarial, segundo Santos et al. (2001), tem criado neologismos próprios:

“Gestão do Conhecimento” (TERRA, 2005; TEIXEIRA FILHO, 2000) e “Conhe-cimento Empresarial” (DAVENPORT, 1998) são os mais citados.

A Gestão do Conhecimento surgiu em meados da década de 1990, ten-do como foco o gerenciamento ten-do conhecimento e seu processo de criação no âmbito das organizações (PRUSAC, 2001). Tem sido reconhecida e se desta-cado por facilitar e estimular os processos humanos de criação, compartilha-mento e uso de conhecicompartilha-mentos individuais e coletivos (TERRA, 2005). Aliás, Terra (2005) acredita que o conhecimento em si sequer pode ser diretamente gerenciado, pois está na cabeça das pessoas, é invisível, abstrato; o que impor-ta, em verdade, para as organizações são as manifestações do conhecimento

de cada indivíduo que, com suas ações e decisões, agregam valor aos proces-sos de que participa.

Os autores se dividem quanto à forma de abordagem da Gestão do Co-nhecimento, conceituando-a como processo, como gestão de capital intelectual, como recurso estratégico, como modelo, dentre outros. O Quadro 10 apresenta algumas dessas conceituações e a respectiva forma de abordagem.

QUADRO 10 – CONCEITOS E ABORDAGENS DE GESTÃO DE CONHECIMENTO

Autor Conceituação Abordagem

Powell (1993) Forma integrada e estruturada de gerenciar o capital intelectual de uma organização.

Gerenciamento do capital intelectual.

Petrash (1996)

Disponibilização do conhecimento certo para as pes-soas certas, no momento certo, de modo que estas possam tomar as melhores decisões para a organização.

Instrumento para to-mada de decisão.

Murray (1996) Uma estratégia que transforma bens intelectuais da organização - informações registradas e o talento dos seus membros - em maior produtividade, novos valores e aumento de competitividade.

Estratégia de

Coleção de processo que governa a criação, dissemi-nação e utilização do conhecimento para atingir plenamente os objetivos da organização.

Processo.

Beckman (1999)

Formalização das experiências, conhecimentos e expertise, de forma que se tornem acessíveis para a organização, e esta possa criar novas competências, alcançar desempenho superior, estimular a inovação e criar valor para seus clientes.

Acesso à organiza-ção.

O’Dell e Grayson (2000)

Uma estratégia consciente, de conseguir o conheci-mento certo, das pessoas certas, no moconheci-mento certo

Modelo de gestão que possibilita a melhoria da infra-estrutura de conhecimento da organização, com o objetivo de fornecer o conhecimento certo para as pes-soas certas, na hora certa e no momento certo.

Modelo de gestão.

Bukowitz e Williams (2002)

Processo pelo qual a organização gera riqueza, a partir do seu conhecimento ou capital intelectual.

Geração de riqueza.

(CONTINUA)

QUADRO 10 – CONCEITOS E ABORDAGENS DE GESTÃO DE CONHECIMENTO

Autor Conceituação Abordagem

Malhotra (2002)

Uma visão, baseada no conhecimento dos processos de negócio da organização, para alavancar a capacidade de processamento de informações avançadas e tecnologias de comunicação, via transformação da informação em ação por meio da criatividade e inovação dos seres humanos, para afetar a competência da organização e sua sobrevivência em um crescente de imprevisibilidade.

Alavancagem do comtrolar e promover recursos de conhecimento tangíveis e intangíveis de organizações, com o objetivo de utilizar o conhecimento existente dentro e fora destas organizações possibilitando a criação de um novo conhecimento, gerando valor, inovação e adquirir, compartilhar e utilizar ativos de conhecimento, a fim de auxiliar na geração de ideias, solução de problemas e tomada de decisões. Essas ações são alcançadas através de metodologias, processos, técnicas, tecnologias e ferramentas.

Ações relacionadas aos ativos de conhe-cimento.

Terra (2005) Uso e combinação de diferentes fontes e tipos de co-nhecimento organizacional visando o desenvolvimen-to de novas competências e conseqüentemente alavancar a capacidade de inovar.

Criação de novas competências.

(CONTINUAÇÃO) FONTE: Elaborado pelo autor autor (2012) com base na literatura

De maneira geral, os autores elencados no Quadro 10 atribuem à Gestão do Conhecimento o papel de proporcionar as condições para guiar, controlar e promover o conhecimento e, assim, gerar benefícios (materiais e imateriais), inclusive aumentanto a competitividade empresarial. E isso é conseguido, principalmente, por meio da adoção de modelos, pela utilização de estratégias, pelo em-prego de técnicas e tecnologias e pelo gerenciamento de processos.

Neste estudo, será adotada a abordagem processual e de modelos de gestão. Platts (1993) ressalta que a abordagem por processo não objetiva o desenvolvimento de uma teoria descritiva, mas o desenvolvimento de proces-sos que irão operacionalizar frameworks existentes e prover as empresas de práticas para a melhoria de suas operações.

De acordo com Moresi (2001, p.37), a Gestão do Conhecimento compreen-de um “conjunto compreen-de atividacompreen-des que busca compreen-desenvolver e controlar todo tipo compreen-de conhe-cimento em uma organização, visando à utilização na consecução de seus

objeti-vos”. Cruz e Dominguez (2007) acrescentam que a Gestão do Conhecimento repre-senta um processo que tem por finalidade garantir e facilitar a criação, a troca e o uso de conhecimentos por meio do desenvolvimento de ações que irão permitir a ob-tenção, tratamento, armazenamento e troca dentro de uma organização de modo que possam ser utilizados para concretização de melhorias contínuas, na direção da obtenção de vantagem competitiva.

A Gestão do Conhecimento, entendida na medida de seus processos, de-senvolve-se nos seguintes níveis de intervenção: da estratégia para o conheci-mento organizacional, de seu conteúdo e estrutura, de seus instruconheci-mentos/ferra- instrumentos/ferra-mentas/práticas e sistemas e de seus processos organizacionais e de gestão (MAIER; REMUS, 2003).

Para desenvolver uma visão de processo para a Gestão do Conhecimento, Verkasalo e Lappalainen (1998) fazem uso do que chamam de “domínio de conheci-mento”, um ambiente em que uma nova ideia, pensamento ou informação é “relacio-nada/associada” e avaliada. O domínio de conhecimento se estabelece, estando dis-ponível, no nível de um indivíduo ou grupo. Para os autores, a Gestão do Conheci-mento se materializa por meio do processo de utilização do conheciConheci-mento organiza-do em cinco fases: aquisição da informação; organiza-documentação; transmissão de infor-mação e de conhecimento; recebimento da inforinfor-mação; percepção do conhecimen-to; e tomada de decisão.

O processo de gerenciamento do conhecimento deve ser uma prática com-tínua, na qual todos os colaboradores precisam estar envolvidos de maneira a iden-tificá-lo, registrá-lo, distribuí-lo e utilizá-lo, com o objetivo de concretizar a tomada de decisão nos níveis estratégicos, gerenciais ou operacionais, que agreguem valor à cadeia produtiva da organização (ALVARES; BAPTISTA; ARAÚJO JUNIOR, 2010).

Conforme Harrington (1993), esse processo contém funções ou atividades que se interrrelacionam com vista a um resultado definido em apoio aos objetivos dessa organização. A subseção seguinte versa sobre as funções da Gestão do Conhe-cimento.