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Modelo de Gestão do Conhecimento de Terra (2005)

2.3 GESTÃO DO CONHECIMENTO NAS ORGANIZAÇÕES

2.3.4 Modelo de Gestão do Conhecimento de Terra (2005)

De acordo com Terra (2005), gerenciar o conhecimento importa examinar e organizar as principais políticas, processos e ferramentas para uma melhor com-preensão de geração, identificação, validação, disseminação, compartilhamento e uso dos conhecimentos estratégicos para obter resultados econômicos e benefícios aos colaboradores. Sugere o referido autor que a prática da Gestão do Conhe-cimento tem relação com a capacidade das organizações de desenvolverem com-petências específicas e habilidades inovadoras estabelecidas a partir de diversas fontes e tipos de conhecimento organizacional. Desta maneira, arremata Terra (2005), a Gestão do Conhecimento não deve ser tratada de forma isolada na orga-nização, deve interagir com as estratégias de negócios, com os processos

organi-zacionais e com o ambiente externo; deve ser compreendida e implementada de forma processual, seguindo um modelo baseado em sete dimensões (Figura 7).

FIGURA 7 – SETE DIMENSÕES DA GESTÃO DO CONHECIMENTO

FONTE: Terra (2005, p. 86)

Estas dimensões possibilitam uma visão da posição quanto às práticas ge-renciais que, de modo geral, conduzem a empresa a uma efetiva gestão do conhe-cimento (Quadro 12).

QUADRO 12 – DIMENSÕES E PRINCIPAIS PRÁTICAS GERENCIAIS – TERRA (2005)

NÚMERO DIMENSÃO PRINCIPAIS PRÁTICAS GERENCIAIS

1 Fatores estratégicos e a alta administração

 definir as competências centrais e as áreas do conhecimento;

 criar metas e um permanente senso de direção e urgência;

 estimular o compartilhamento de informações

2 Cultura e valores organizacionais

 desenvolver ambientes e culturas criativos;

 incentivar a criatividade individual e a implementação de novas ideias

 propiciar relações de confiança

 fomentar os diálogos

 gerenciar o recurso tempo

 criar espaços de trabalho ou layouts que influenciem a criatividade, o aprendizado e o clima para inovação nas empresas

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Estrutura orgranizacional e

processos

 desenvolver estruturas organizacionais que se sobreponham à estrutura hierárquico-burocrática

 inserir o aprendizado no contexto dos projetos e processos

 fomentar as comunidades de prática 4 Administração de

recursos humanos

 desenvolver processos eficazes de recrutamento e seleção;

 treinar equipes e pessoas

 estimular as carreiras profissionais

 criar sistemas de avaliação e recompensa

(CONTINUA)

QUADRO 12 – DIMENSÕES E PRINCIPAIS PRÁTICAS GERENCIAIS

NÚMERO DIMENSÃO PRINCIPAIS PRÁTICAS GERENCIAIS

5 Sistemas de

informação

 eliminar o excesso de informação

 assegurar o acesso e a precisão das informações

 desenvolver categorias e estruturas de informação que façam sentido para a organização

 disponibilizar informações e conhecimento por meio de portais corporativos

 desenhar e avaliar a usabilidade dos sistemas orga-nizacionais

 interligar o elemento humano com os demais proces-sos de gestão e conhecimento tácito

6 Mensuração de

resultados

 avaliar os sistemas contábeis vigentes

 mensurar o capital intelectual

 medir os resultados em iniciativas de Gestão do Co-nhecimento

7 Aprendizado com o ambiente externo

 desenvolver o aprendizado com os clientes

 gerenciar parcerias e alianças com outras empresas

 operar em rede e aprender com os fornecedores

 empreender esforço sistemático de benchmarking e inteligência competitiva

(CONTINUAÇÃO) FONTE: Elaborado pelo autor com base em Terra (2005)

Terra (2005), ao analisar as organizações brasileiras, identificou, também, três grupos principais: pequenas atrasadas; empresas tradicionais; e empresas que aprendem. Os grupos são formados a partir das práticas gerenciais das organizações as quais estão, respectivamente, menos, medianamente ou mais associadas à Gestão do Conhecimento. O autor caracterizou esses três grupos de empresas da seguinte forma:

i) pequenas atrasadas: capital nacional; poucas líderes de mercado; pior desempenho recente; empresas pequenas; grande concentração de em-presas dos setores de serviços; setores intensivos em conhecimento; e, em sua maioria, não exercem atividade exportadora;

ii) empresas tradicionais: capital nacional (privado e estatal); líderes de mer-cado; empresas grandes; setores tradicionais;

iii) empresas que aprendem: capital estrangeiro; líderes de mercado; melhor desempenho recente; empresas grandes; setores intensivos em conhe-cimento; maior parcela do faturamento relacionada às exportações.

Buoro (2005) identificou, com base no modelo de gestão de Terra (2005), políticas, prática e mecanismos gerenciais tanto de apoio e encorajamento quanto de inibiçã e/ou de restrição (barreiras) ao compartilhamento do conhecimento na organização. O Quadro 13 apresenta os fatores que facilitam o processo de

compartilhamento de conhecimento apontados na teoria, classificados pelo referido autor nas dimensões: fatores estratégicos e alta administração, cultura e valores organizacionais, estrutura organizacional e processos, administração de recursos humanos, sistemas de in-formação e mensuração de resultados.

QUADRO 13 – FATORES FACILITADORES AO COMPARTILHAMENTO DO CONHECIMENTO E DIMENSÕES CORRELACIONADAS

Fator Facilitador Dimensão

Processo de comunicação transparente nos diferentes níveis hie-rárquicos e entre os diferentes níveis hiehie-rárquicos.

Fatores estratégicos e a alta administração Existência de pessoas na empresa cuja principal função é a de

organizar e disseminar os conhecimentos estratégicos para a companhia.

Fatores estratégicos e a alta administração Adequação dos meios de compartilhamento de conhecimento,

como eventos, web sites e linguagem, ao estilo da organização.

Cultura e valores organizacionais Estímulo à troca de ideias e trabalho em equipe. Cultura e valores

organizacionais Valorização do aprendizado e do saber. Cultura e valores

organizacionais Rodízios de funções, de forma a promover a troca de

conheci-mentos e também a fomentar nas pessoas preocupação com toda a organização.

Estrutura orgranizacional e processos

Uso constante de equipes multidisciplinares e ou equipes temporárias com autonomia para execução dos trabalhos.

Estrutura orgranizacional e processos

Evolução dos salários relacionada principalmente à aquisição de competências e existência de esquemas de pagamentos associados ao desempenho da equipe, e não apenas ao desempenho individual.

Administração de recursos humanos

Planejamento de carreira buscando dotar os funcionários com diferentes perspectivas e experiências.

Administração de recursos humanos

Elevado investimento e incentivo ao treinamento e desen-volvimento pessoal e profissional dos funcionários.

Administração de recursos humanos

Disponibilidade e localização das estações de trabalho de forma a

promover a troca informal de informação. Sistemas de informação Existência de portais de conhecimentos e ou sistemas de

e-learning para disponibilizar os conhecimentos existentes na empresa via tecnologia da informação.

Sistemas de informação Mensuração e divulgação do acesso e consulta das pessoas aos

meios de compartilhamento de conhecimento da empresa, como sites e eventos.

Mensuração de resultados Mensuração da conexão entre os esforços da empresa em

aumentar o seu capital intelectual e os resultados financeiros obtidos.

Mensuração de resultados Fonte: Adaptado de Buoro (2005)

O Quadro 14 mostra as barreiras ao processo de compartilhamento de conhecimento discorridos na teoria, também classificados por Buoro (2005) em uma das dimensões do modelo de Terra (2005).

QUADRO 14 – BARREIRAS AO COMPARTILHAMENTO DO CONHECIMENTO E DIMENSÕES CORRELACIONADAS

Barreiras Dimensão

Acesso às informações e conhecimentos da empresa atrelado aos níveis hierárquicos ocupados pelas pessoas.

Fatores estratégicos e a alta administração Descentralização total das atividades de organização e disseminação

de conhecimentos na empresa.

Fatores estratégicos e a alta administração Diferentes culturas, vocabulários e quadros de referência na empresa. Cultura e valores

organizacionais Ideia estreita de trabalho produtivo e pouca importância atribuída às

reuniões formais e ou informais.

Cultura e valores organizacionais Ausência de relacionamento anterior e ou falta de confiança entre as

partes envolvidas no processo de compartilhamento de conhecimento desejado.

Cultura e valores organizacionais Conhecimento visto como poder na empresa, gerando nas pessoas

sentimento contrário ao compartilhamento de seus conhecimentos.

Cultura e valores organizacionais Vinculação do conhecimento ao status do emissor, ou seja, o

conhecimento disseminado não é julgado pela sua qualidade, mas sim por quem o enviou.

Cultura e valores organizacionais Formação de especialistas, sempre que possível, para a execução de

cada uma das tarefas da empresa.

Estrutura orgranizacional e processos

Estrutura clássica departamental para organização do trabalho. Estrutura orgranizacional e processos

Esquemas de pagamentos associados apenas ao desempenho individual dos funcionários.

Administração de recursos humanos

Ausência de planejamento de carreira formal para os funcionários da empresa.

Administração de recursos humanos

Baixo investimento e incentivo ao treinamento e desenvolvimento pessoal e profissional dos funcionários.

Administração de recursos humanos

Distância física e ou isolamento das pessoas pelo inadequado layout

das estações de trabalho ou instalações da empresa. Sistemas de informação Pouca utilização das diversas formas de tecnologia da informação

hoje existentes para disseminação de conhecimento na empresa. Sistemas de informação Ausência de mensuração e divulgação do acesso e consulta das

pes-soas aos meios de compartilhamento de conhecimento da empresa, Fonte: Adaptado de Buoro (2005)

A gestão deste conjunto de facilitadores, restritores e inibidores é de suma importância para o processo de criação do conhecimento organizacional. Segundo Terra (2005), é necessário um esforço sistemático em várias áreas como liderança, estratégias de comunicação, revisão de processos, implantação de novas tecnologias, novas políticas de recursos humanos e tantas outras medidas para se alcançar bons resultados no que se refere à gestão do conhecimento.

Na seção seguinte, faz-se a contextualização da Gestão do Conhecimento

no ambiente da construção civil. Apresenta-se alguns estudos sobre o tema que retratam o panorama de como as empresas de construção civil estão gerenciando o conhecimento organizacional.