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CONFRONTAÇÃO ENTRE OS OBJETIVOS E OS RESULTADOS

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

5.1 CONFRONTAÇÃO ENTRE OS OBJETIVOS E OS RESULTADOS

O presente estudo buscou resposta ao questionamento central da pesquisa, que se focou na seguinte pergunta: quais as práticas organizacionais facilitam ou inibem a criação e captura de conhecimento em empresas de construção civil?

Partiu-se, para tanto, do objetivo geral de: analisar as práticas de gestão do conhecimento nas empresas de construção civil e as suas contribuições para criação e captura do conhecimento, desdobrado em cinco objetivos específicos.

Para o atingimento dos objetivos propostos, utilizou-se referencial teórico, da verificação de intensidade, da formação de agrupamentos (clusterização) e do estudo de casos múltiplos.

O referencial teórico abrangeu os especialistas dedicados ao estudo da Gestão do Conhecimento, o que permitiu atingir ao primeiro objetivo específico da pesquisa: identificar, com base na revisão da literatura, os elementos característicos de um ambiente propício à criação de conhecimento, bem como os facilitadores e as barreiras para o desenvolvimento desse processo.

Dos autores consultados, destacam-se Nonaka e Takeuchi (1997), Von Krogh, Ichijo e Nonaka (2001) e Terra (2005).

De questões/respostas selecionadas do questionário aplicado por Mainardes (2012), com o emprego da estatística descritiva, verificou-se a intensidade dos processos e das características associados à gestão do conhecimento das empresas de construção civil integrantes da amostra. Com isso, cumpriu-se o segundo objetivo: verificar o nível de efetividade de Gestão do Conhecimento

existente nas empresas de construção civil pesquisadas. Salienta-se que tanto a validade do instrumento de pesquisa (coerência interna dos constructos), quanto a fidedignidade das respostas foram confirmadas por meio do emprego de técnicas estatísticas (alfa de Cronbach e medidas de dispersão, respectivamente).

Pelos resultados apresentados no Quadro 25, é possível observar a intensidade dos principais processos e/ou características relacionados a cada uma das sete dimensões de Terra (2005), revelando, pois, o nível de efetividade de Gestão do Conhecimento das empresas pesquisadas. Esses resultados, também, fornecem um referencial de onde (em que dimensão) e com qual intensidade as iniciativas de Gestão do Conhecimento ocorrem em empresas de construção civil, permitindo, inclusive, traçar um perfil que mostra como o conhecimento está sendo gerenciado pelas construtoras.

A dimensão 2 (cultura organizacional) foi a que apresentou processos e características mais associados à Gestão do Conhecimento, dando indícios de que o ambiente organizacional tende a ser agradável, prevalecendo a liberdade, a confiança e o respeito; campo fértil, portanto, para a criação do conhecimento. A dimensão com menor efetividade de Gestão do Conhecimento diz respeito aos sistemas de informação (dimensão 5), principalmente em razão de que os processos de controle de satisfação dos usuários, de gestão dos sistemas implantados e de verificação de necessidades informacionais são minimamente desenvolvidos. As construtoras, de modo geral, enfatizam as soluções tecnológas, porém deixam de atribuir igual impotância às pessoas, elementos fundamentais e imprescindíveis para o comportilhamento do conhecimento tácito.

As construtoras pesquisadas têm processos e características medianamente associados à Gestão do Conhecimento, tratando-se, portanto, segundo a classificação de Terra (2005), de “Empresas Tradicionais”. Crema e Mendes Junior (2005) obtiveram o mesmo resultado ao analisarem construtoras de pequeno e médio porte de Curitiba. Assim, essas empresas ainda têm um longo caminho a percorrer no que se refere aos processos e práticas de gestão do conhecimento, para que possam ser consideradas “Empresas que Aprendem”.

A clusterização foi utilizada a fim de operacionalizar o atendimento do terceiro objetivo específico: agrupar as construtoras associadas à Gestão do Conhecimento.

Na análise de agrupamentos foram consideradas 56 empresas correspondentes à 90,3% da amostra, pois seis (6) delas formaram grupos individuais (outliers). Desta amostra, 18 empresas foram agrupadas no Grupo A (menos), 10 no Grupo B (medianamente) e 28 no Grupo C (mais associadas à Gestão do Conhecimento), conforme Figura 16. Formados os grupos, executou-se uma análise de variância (ANOVA), confirmando-se, com uma probabilidade de 95%, que as empresas de construção civil analisadas estão corretamente agrupadas.

Cabe esclarecer que a formação de agrupamentos teve por objetivo propiciar a realização dos estudos de casos (direcionar a seleção das unidades de estudo).

Não fez parte do escopo do presente trabalho identificar as homogeneidades internas ou externas de cada grupo formado.

Para a pesquisa de campo (estudo de casos múltiplos) utilizou-se de observações e de entrevistas como estratégia para apontar os facilitadores e as barreiras para criação e captura do conhecimento nas construtoras objeto de estudo e para identificar, nas empresas de construção civil selecionadas, quais práticas organizacionais existentes contribuem para a criação e captura do conhecimento (quarto e quinto objetivos específicos, respectivamente).

As observações, contudo, devido à pouca mobilidade do pesquisador dentro das unidades de pesquisa (acesso restrito), serviram muito mais para viabilizar as entrevistas e para auxiliar na análise dos dados, do que para identificar barreiras, facilitadores, capacitores e práticas do processo de criação do conhecimento (uma das finalidades originalmente estabelecida pelo pesquisador).

Com o apoio do referencial teórico foi possível criar os instrumentos para as observações e para as entrevistas. Os resultados da análise dos dados coletados por meio destes instrumentos (ver Quadro 39) apontam os facilitadores e as barreiras para a criação e captura do conhecimento, bem como as respectivas práticas formais e informais identificadas.

Dentre os facilitadores identificados, destacam-se – a título de ressalte – as práticas que conferem ou possibilitam: autonomia aos colaboradores; metas desafiadoras; conversas formais e informais; e, receptividade/acessibilidade por parte da alta administração.

As barreiras – em maior número comparado aos facilitadores – que sobressaltam (sem desmerecer os demais identificados), são os seguintes:

ausência de uma estratégia direcionadora do conhecimento que deve ser desenvolvido; incerteza sobre o valor do conhecimento; troca de engenheiro; falhas na comunicação entre departamentos e pessoas; não designação de um profissional ou uma equipe que se dedique exclusivamente ao processo de criação do conhecimento; foco no sistema construtivo; disponibilidade de tempo e hirarquia;

receio de consequências negativas; não fiscalização e exigência da utilização das ferramentas de registro e armazenamento de informações/conhecimento; e não concessão de recompensas diretas àquele que contribui com ideias e sugestões.

Pôde-se observar nos casos objeto de estudo, portanto, conforme descrito por Nonaka (1991), uma postura típica do gerenciamento ocidental, o qual, via de regra, não reconhece a importância da parcela implícita do conhecimento, enxergando apenas o conhecimento formal (parcela explícita do conhecimento).

Os resultados obtidos, de modo geral, revelam a existência de iniciativas informais e desorientadas, ações embrionárias, mas não condizentes com verdadeiras práticas formais de Gestão do Conhecimento, o que sinaliza que essas práticas não têm sido percebidas quanto ao papel que podem desempenhar nas empresas, se formalizadas. Evidencia-se, também, conforme já advertido por Tortato (2007), que a maioria das decisões sobre os rumos estratégicos das empresas de construção – nos casos em análise, no tocante a estratégias voltadas à Gestão do Conhecimento – está mais baseada na intuição do que em análises fundamentadas.