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2.6 A colaboração e o design

2.6.1 Conceitos e princípios da colaboração em design

Na argumentação de Heemann (2008), a colaboração engloba as etapas de planejamento, definição de metas e a própria ação colaborativa e que a abrangência da colaboração pode ser explicada por meio dos níveis de trabalho (labor) humano:

estratégico (teórico e com enfoque no problema e no objetivo, ou melhor, “o quê deve ser feito”), tático (também considerado como teórico, pois ocupa-se das metas para que o objetivo seja alcançado, isto é, “como deve ser feito”) e operacional (relacionado à sua parcela prática, ou seja, “a operação”). Nota-se, portanto, que os mesmos níveis citados na Gestão de Design estão correlacionados com as atividades colaborativas em design, evidenciando, assim, suas afinidades e pontos em comum.

Heeman (2012) também define a colaboração em design como

um esforço recíproco entre pessoas de iguais ou diferentes áreas de conhecimento, separadas fisicamente ou não, com um objetivo comum de encontrar soluções que satisfaçam os interessados. Isso pode acontecer compartilhando informações e responsabilidade, organizando tarefas e recursos, administrando múltiplas perspectivas e criando um entendimento compartilhado em um processo de design. A colaboração visa produzir um produto e/ou serviço consistente e completo através de uma grande variedade de fontes de informações com certo grau de coordenação das várias atividades implementadas. Esse processo dependente da relação entre os atores envolvidos, da confiança entre eles e da dedicação de cada parte. (HEEMANN, 2012).

Chiu (2002, p. 188), por sua vez, elucida a colaboração como um grupo de pessoas trabalhando em conjunto para realizar uma tarefa ou abordar um objetivo acordado. Isso implica uma relação duradoura e um forte compromisso e objetivo comuns. A colaboração abrange a sinergia, a negociação, o acordo e o compromisso para alcançar o sucesso. É um processo cíclico, o qual envolve os fatores apresentados a seguir:

• A negociação, como item fundamental na tomada de decisões no projeto colaborativo;

• A consulta, ação utilizada para verificar quais decisões têm de ser feitas;

• A reflexão, confirmando as decisões e iniciando outro ciclo de processamento de informações.

Chiu (2002, p. 205-207) descreve serem fundamentais os estímulos e atitudes dos participantes para a tomada de decisões (FIGURA 22). Assim, é possível entender como o design colaborativo pode acelerar o processo por meio de organização e comunicação eficazes, fazendo uso potencial de suportes de sistemas informatizados.

FIGURA 22 – MODELO DO PROCESSO EM DESIGN COLABORATIVO FONTE: ADAPTADO DE CHIU (2002, p. 206)

O autor assinala a organização de uma equipe como uma das principais tarefas da colaboração em projetos, pois afeta diretamente a comunicação em design e, consequentemente, seu desempenho. Baseado em estudos anteriores, o autor aponta quatro problemas típicos na comunicação em colaboração:

O problema da mídia: informações do projeto precisam ser transmitidas, e o problema de comunicação está relacionado em como transmitir as mensagens com precisão;

O problema semântico: a finalidade da comunicação é a transmissão de informações precisas. O problema é como fazer com que as mensagens transmitidas atinjam o seu significado original, sem a interferência de ruído;

O problema de desempenho: o problema está relacionado em como efetivamente receber o significado das mensagens e de influenciar comportamentos como o remetente queria;

O problema organizacional: para atingir as pessoas certas para a divisão de conhecimentos ou ideias, informações de projeto têm de passar por toda a hierarquia de uma organização. A complexidade da transmissão está relacionada com a dimensão da distribuição.

Dentre todos os itens relacionados, o último pode ser considerado como o mais difícil em comparação com os anteriores. Chiu (2002, p. 190) descreve: “a transmissão entre duas pessoas é fácil, especialmente nos contatos face a face, mas a transmissão entre várias pessoas ou entre dois grupos requer a coordenação e a gestão dos fluxos de informação.”

Segundo o mesmo autor, uma organização estruturada para a colaboração em design baseia-se em quatro fatores:

Expertise em design;

• As funções sociais;

• Recursos;

• Cultura do design.

Uma organização baseada nesses fatores desenvolve de maneira hábil o trabalho colaborativo com foco no design, contanto que os participantes estejam bem informados e saibam sobre a essência das operações, os recursos disponíveis e suportes, além da corresponsabilidade em todo o processo. Desse modo, os envolvidos estabelecem seu posicionamento no processo e contêm de modo controlado os recursos disponíveis.

(CHIU, 2002)

Martins (2011, p. 33) corrobora com esse conceito, ao enfatizar que, atualmente, é imprescindível a relação entre a inter e a multidisciplinaridade, pois cada vez mais é requerida a atuação de todos os profissionais de forma conjunta, a fim de não comprometer a eficácia e a eficiência do uso do design. A mesma autora descreve o design como um processo sistematizado e organizado, sendo imprescindível que haja

uma maior flexibilidade e adequação às diferentes realidades e comportamentos adotados entre todos na equipe. (MARTINS, 2011, p. 50)

Chiu (2002) aponta que o escopo do trabalho em colaboração pode transcorrer de modo vertical ou horizontal. No modo vertical, há a presença de um idealizador de projeto, incumbido pelo desenvolvimento do projeto esquemático e outro, o idealizador específico, o qual encarrega-se do trabalho e da supervisão de obras. Essa divisão verticalizada de atribuições torna o trabalho mais fácil. No modo horizontal, porém, é exigida uma maior participação e comunicação, culminando em um resultado melhor em seu desempenho. (CHIU, 2002, p. 192)

Assim, quanto maior for a proporção do projeto, maior será a hierarquia da organização. É iminente a necessidade de dividir um grande grupo em conjuntos menores para facilitar a comunicação em design. Cabe aos gestores de design controlar o fluxo de informações do projeto, coordenar as tarefas e distribuir as informações aos indivíduos.

(CHIU, 2002)

Rotineiramente, em muitas organizações, ocorre a dependência de tarefas e, consequentemente, esse vínculo gera uma dependência de dados. Constata-se ainda que a comunicação acontece de forma generalizada e síncrona entre os indivíduos, grupos ou projetos, pois as tarefas são, muitas vezes, sobrepostas na prática. (CHIU, 2002, p. 194-195)

Chiu (2002) observa, nos casos de design colaborativo, algumas condições importantes para a comunicação:

• Três tipos de comunicação devem ser considerados, incluindo as humanas, de dados e de rede;

• Existem diferentes níveis de comunicação em termos de indivíduo, grupo e projeto;

• A participação e as condições de coordenação entre os membros individuais de uma equipe de design são fundamentais para a comunicação e a representação, e a dependência da tarefa de design define a dependência dos dados e o fluxo de informações;

• A comunicação geralmente ocorre entre o menor número de pessoas na organização do design;

• Objetivos comuns são compartilhados por todos os participantes e o processo de comunicação do design é cíclico, até os objetivos serem alcançados.