• As ferramentas de análise multivariada utilizadas se mostraram de grande
importância para a distinção ou agrupamento dos sistemas estudados, além de indicar dentre os atributos indicadores utilizados aqueles que apresentam maior potencial de aplicação no diagnóstico da recuperação de áreas degradadas.
• Os atributos indicadores que apresentaram maior peso no ordenamento dos
sistemas estudados foram os indicadores abióticos Al trocável, C orgânico total e N total do solo. Dentre os indicadores biológicos, os maiores pesos foram atribuídos à respiração microbiana do solo, carbono da biomassa microbiana e riqueza de grupos da fauna.
• As análises químicas dos tecidos foliares, do solo e da serapilheira permitiram
um bom diagnóstico do estado nutricional das espécies arbóreas utilizadas na revegetação, podendo ser consideradas como bons indicadores do processo de recuperação de áreas degradadas pela mineração de bauxita;
• Dentre os macronutrientes analisados na análise foliar, os que se mostraram mais
limitantes para as espécies avaliadas, nas condições de estudo, foram nitrogênio e fósforo para o jamelão (Sizygium jambolana) e fósforo e magnésio para o ingá- de-macaco (Zygia caractae);
• Os resultados das análises químicas realizadas indicam a necessidade de novos
aportes de fertilizantes (notadamente fontes de P, Ca e Mg) no tanque de rejeito SP1, visando garantir adequada disponibilidade de nutrientes e desenvolvimento da vegetação no presente e eficiente ciclagem de nutrientes, capaz de manter a biomassa florestal, no futuro;
• Os atributos microbiológicos avaliados mostraram-se bastante correlacionados
com a cobertura vegetal das áreas, com tendência de maiores valores de CBM, NBM e respiração horária para os sistemas com melhor cobertura vegetal;
• Dentre os atributos microbiológicos estudados, o carbono da biomassa
microbiana e a respiração microbiana mostraram-se como os melhores atributos indicadores por terem apresentado maior capacidade de distinção dos sistemas e menores valores de coeficiente de variação;
• A cobertura vegetal do tanque de rejeito SP1 mostrou efeito direto da prática de
hidrossemeadura e das doses de adubação e calagem aplicadas, com maior freqüência e riqueza de espécies arbustivas e arbóreas para a área de borda do tanque e parcelas que receberam maiores doses de adubação;
• A metodologia de revegetação utilizada no tanque de rejeito SP1 mostrou-se
• Dentre os sistemas sobre rejeito da lavagem de bauxita, a área de borda do tanque de rejeito SP1, foi a que apresentou as melhores características químicas e microbiológicas do solo, composição química da serapilheira, composição da comunidade da fauna epígea e cobertura vegetal, podendo ser considerado (até o momento) como a melhor metodologia de revegetação para as áreas dos tanques de rejeito da lavagem de bauxita;
• A comunidade da fauna mostrou-se relacionada com a cobertura vegetal dos
sistemas estudados, com maior densidade e riqueza de grupos da fauna, para os sistemas que apresentaram melhor cobertura vegetal;
• Os resultados de atividade da fauna, riqueza média, riqueza total, índice de
diversidade de Shannon-Wienner e índice de uniformidade de Pielou, das quatro épocas de amostragens, revelam uma tendência de evolução nas comunidades da fauna, durante o período do estudo, com tendência de redução da atividade da fauna (para cada grupo individualmente e no total), aumento da riqueza de grupos (com substituição de alguns grupos e aparecimento de outros, através do processo de sucessão) e composição (de grupos) mais equitativa da comunidade da fauna.
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste item foi feita uma análise conjunta dos Capitulos I, II e III. Para tal e com o intuito de realizar uma análise conjunta dos indicadores de recuperação utilizadas no presente trabalho, procedeu-se uma análise multivariada de ordenação NMS (non-metric
multidimensional scaling), conforme KRUSKAL, (1964a), KRUSKAL, (1964b) e
MATHER, (1976).
Os atributos indicadores utilizados na análise foram: pH, Al+3, P, K, Ca + Mg, N total e C total do solo; N, P, K, Ca e Mg da serapilheira do solo; carbono da biomassa microbiana (CBM), respiração microbiana (Resp) e quociente metabólico da biomassa
microbiana do solo (qCO2); riqueza e densidade da fauna epígea. A análise de
ordenação foi realizada através do software PC-ORD 5.0 versão beta (1999), com os dados obtidos na amostragem de dezembro de 2003, com quatro repetições. O valor do coeficiente de correlação de Pearson (r2) dos atributos indicadores de 0,2 foi definido com o valor de corte para plotagem dos atributos no gráfico de resultados.
Os sistemas em recuperação avaliados na análise de ordenação foram:
• Nível A – parcelas no interior do tanque de rejeito SP1, revegetadas via
hidrossemeadura mais plantio de mudas de espécies leguminosas e não leguminosas no ano de 1999, sob menor nível de adubação e calagem (equivalente a dose total de 300 kg de calcário dolomítico, 250 kg de fosfato de rocha, 150 kg de sulfato de potássio e 50 kg de FTE BR-12 por hectare);
• Nível E – parcelas no interior do tanque de rejeito SP1, revegetadas via
hidrossemeadura mais plantio de mudas de espécies leguminosas e não leguminosas no ano de 1999, sob maior nível de adubação e calagem (equivalente a dose total de 1500 kg de calcário dolomítico, 2500 kg de fosfato de rocha, 350 kg de sulfato de potássio e 150 kg de FTE-BR12 por hectare);
• Borda SP1 – área de borda do tanque de rejeito SP1, revegetada via
hidrossemeadura mais plantio de mudas de espécies leguminosas, em faixas nas laterais do tanque onde foi realizada maior aplicação de sementes e adubos durante a hidrossemeadura, mais aporte de adubação durante o plantio por mudas, criando um ambiente com melhor cobertura vegetal e disponibilidade de nutrientes;
• SP 2-3 N – área do interior do tanque de rejeito SP 2-3 Norte,
hidrosseameado com coquetel de sementes de Sesbania virgata e Sesbania
exasperata mais adubos, no ano de 2000;
leguminosas, sem aplicação do solo superficial e com aplicação de adubo na cova; e
• Mata - remanescente de floresta nativa localizada próxima à área de
mineração.
A Tabela 34 apresenta os valores do coeficiente de correlação de Pearson (r e r2) dos atributos utilizados como indicadores, com os dois eixos de ordenação (x e y). Dentre os atributos utilizados na análise de ordenação, apenas o K da serapilheira, o quociente metabólico da biomassa microbiana e a densidade da fauna apresentaram valores de coeficiente de correlação com os dois eixos de ordenação, inferiores a 0,2, sendo retirados do gráfico de ordenamento.
Tabela 34. Coeficientes de correlação de Pearson dos
atributos utilizados como indicadores, com os eixos de ordenamento x e y.
Eixo x (axis 1) Eixo y (axis 2) Atributos Indicadores r r2 r r2 BMC -0,384 0,148 -0,598 0,358 Resp -0,552 0,305 -0,855 0,731 qCO2 -0,056 0,003 -0,267 0,071 pH -0,064 0,004 0,601 0,362 Al -0,219 0,048 -0,820 0,672 Ca+Mg -0,575 0,331 -0,338 0,114 P -0,543 0,294 0,261 0,068 K -0,726 0,528 -0,547 0,299 N -0,577 0,332 -0,862 0,743 C -0,59 0,348 -0,885 0,783 Riq.Faun -0,418 0,175 -0,506 0,256 Dens.Fau -0,185 0,034 -0,425 0,181 Ca serap -0,364 0,132 -0,643 0,414 Mg serap -0,431 0,186 -0,642 0,413 P serap -0,687 0,472 -0,038 0,001 K serap -0,364 0,133 0,028 0,001 N serap -0,562 0,315 -0,271 0,074
Os coeficientes de determinação dos quatorze atributos indicadores considerados na análise foram de 0,474 para o eixo das ordenadas (x) e 0, 434 para o eixo das abcissas, indicando, que juntos, explicaram 90,8 % da variância total dos dados.
De acordo com a ordenação dos sistemas ao longo dos eixos x e y, verifica-se que a área de mata nativa (considerado como sistema de referência), está localizada na parte inferior do gráfico, relacionada aos maiores valores de Al trocável, C total e N total do solo; maiores valores de Ca e Mg da serapilheira e de respiração e C da biomassa microbiana do solo; e menores valores de pH do solo (Figura 24).
Os sistemas que mais se aproximaram à área de mata nativa foram os reflorestamentos sobre estéril com aplicação do solo superficial, realizados nos anos de 1984, 1992 e 1994, sendo que dentre estes o reflorestamento realizado em 1992 apresentou repetições localizadas entre as repetições da área de mata nativa, indicando elevada semelhança entre este reflorestamento e a área de mata.
Os sistemas que mais se diferenciaram da área de mata nativa foram as parcelas com menor nível de adubação no tanque de rejeito SP1, que se localizaram na parte
superior direita do gráfico, relacionadas aos menores valores da maioria dos indicadores estudados (exceto pH do solo).
Figura 24. Gráfico de ordenação multivariada non-metric multidimensional scaling de
sistemas de recuperação ambiental de tanques de depósito de rejeito e depósitos de estéril da mineração de bauxita em Porto Trombetas, em função de resultados de análise química do solo (pH, Al, P, K, Ca + Mg, N e C) e serapilheira (N serap, P serap, Ca serap e Mg serap), riqueza de grupos da fauna epígea (riq. Faun) e carbono da biomassa microbiana (CBM).
Dentre os sistemas de tanques de depósito de rejeito de lavagem da bauxita a área de borda do tanque SP1 foi apresentou ordenamento mais próximo da área de mata nativa estando relacionada a valores intermediários da maioria dos indicadores avaliados. Nível A Nível A Nível A Nível A Nível E Nível E Nível E Nível E BordaSP1 BordaSP1 BordaSP1 BordaSP1 SP 2-3 N SP 2-3 N SP 2-3 N SP 2-3 S SP 2-3 S SP 2-3 S SP 2-3 S Rfl 99 Rfl 99 Rfl 99 Rfl 99 Rfl94STP Rfl94STP Rfl94STP Rfl94STP Rfl 94 Rfl 94 Rfl 94 Rfl 94 Rfl 92 Rfl 92 Rfl 92 Rfl 92 Rfl 84 Rfl 84 Rfl 84 Rfl 84 Mata Mata Mata Mata BMC Resp pH Al Ca+Mg P K N C Riq.Faun Ca serap Mg serap P serap N serap Axis 1 Axis 2
e rejeito da mineração de bauxita em Porto Trombetas, onde se verificou agrupamento isolado para a área de mata nativa; formação de um grande grupo de reflorestamentos sobre estéril com idades intermediárias, localizado próximo da área de mata; e as áreas do tanque de rejeito da lavagem da bauxita, reflorestamento sobre estéril sem aplicação de solo superficial realizado no ano de 1994 e reflorestamento sobre estéril realizado no ano de 1998, mais distante.
Os vetores mostrados na Figura 24 permitem avaliar como e com qual intensidade os atributos indicadores utilizados na análise influenciaram o ordenamento dos sistemas, sendo possível verificar que a maioria dos atributos aponta na direção do grupo de sistemas formados pela área de mata e reflorestamento sobre estéril com maior idade e um número menor de atributos para a direção da área de borda do tanque de rejeito SP1.
No que se refere à intensidade de influência na ordenação, verificou-se que os maiores vetores, foram observados para os atributos indicadores abióticos Al trocável (Al), C orgânico total (C) e N total (N) do solo, indicando ser estes os atributos com maior peso no ordenamento dos sistemas. Dentre os indicadores biológicos, os maiores pesos no ordenamento foram atribuídos à respiração microbiana do solo (Resp.), carbono da biomassa microbiana (BMC) e riqueza de grupos da fauna (Riq.Fau).
De uma forma geral, os diferentes atributos indicadores utilizados se mostraram úteis para o monitoramento ambiental dos sistemas em recuperação, sendo que alguns deles forneceram diagnóstico de situações pontuais dentro dos reflorestamentos, enquanto que outros foram determinantes no ordenamento e distinção entre os sistemas em recuperação.
No que se refere à metodologia de recuperação utilizada, a combinação da técnica de hidrossemeadura com o posterior plantio de mudas e lançamento manual de sementes, conforme utilizado no tanque de rejeito SP1, se mostraram como importantes práticas propulsoras da regeneração natural, capazes de viabilizar uma cobertura vegetal bastante diversa.
O aporte de níveis adequados de nutrientes no rejeito da lavagem da bauxita continua sendo o principal desafio a ser vencido no processo de recuperação de áreas degradadas pela mineração de bauxita em Porto Trombetas, sendo que os níveis de adubação/calagem utilizados no presente trabalho não foram suficientes para permitir uma adequada nutrição das plantas, sendo suficientes, no entanto, para dar início ao processo de colonização da área e à ciclagem de nutrientes. A utilização de formas de adubos prontamente solúveis na hidrossemeadura dos tanques de rejeito SP 2-3 norte e 2-3 sul não se mostraram adequados para a revegetação dos tanques, com reflexo negativo em vários atributos indicadores utilizados, além da cobertura vegetal, quando comparado com o tanque de rejeito SP1 em que foram utilizadas formas de adubo menos solúveis.
A escolha das espécies utilizadas na hidrossemeadura também se mostrou de grande importância para o sucesso no processo de recuperação dos tanques de rejeitos, sendo que todas as espécies utilizadas nos tanques de rejeito SP1, SP 2-3 norte e SP 2-3 sul, a A. holosericea foi a que apresentou melhor desempenho tanto em termos de estabelecimento, desenvolvimento e cobertura do solo, quanto de aporte de material decidual, com reflexos positivos em vários atributos indicadores utilizados.
Os reflorestamentos sobre estéril avaliados se mostraram de grande importância para o entendimento e gradação do processo de recuperação de áreas degradadas pela mineração de bauxita em Porto Trombetas, sendo que alguns deles apresentarem atributos indicadores próximos aos observados para a área de mata nativa, indicando
que o processo de recuperação encontra-se na direção correta. Porém, somente uma avaliação detalhada da estrutura florestal e da biomassa vegetal dos reflorestamentos permitirá uma análise conclusiva a respeito do seu sucesso ou fracasso.
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