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MATERIAL E MÉTODOS

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3. CAPÍTULO I

3.4 MATERIAL E MÉTODOS

Foram realizadas determinações químicas do solo, da serapilheira e dos teores foliares de nutrientes em sistemas sob diferentes metodologias e idades de recuperação, de tanques de de depósito do rejeito da lavagem da bauxita e depósitos de estéril da mineração de bauxita em Porto Trombetas.

A determinação dos teores foliares de nutrientes foi realizada em experimento de níveis de adubação e calagem implantado no interior do tanque de rejeito SP1, cuja descrição detalhada é apresentada a seguir:

Para determinar o nível ótimo de adubação e calagem em plantios mistos com espécies arbóreas nativas, nos tanques de depósito de rejeito da mineração de bauxita, foi instalado um experimento no tanque de rejeito SP1, no primeiro trimestre de 2000, após hidrossemeadura de toda a área do tanque com leguminosas arbustivas e arbóreas. Inicialmente o experimento era composto por cinco blocos, no entanto, em função de problemas de alagamento na faixa onde se localizava o quinto bloco, passou a ser avaliado com quatro repetições em parcelas de 50 x 50 m, onde foram aplicadas cinco doses de adubação e calagem (A, B, C, D e E). A vista parcial do tanque após a hidrossemeadura e a disposição aproximada do experimento no interior do tanque é apresentada na Figura 09.

O plantio do experimento foi realizado através de mudas previamente preparadas no viveiro da Mineração Rio do Norte em espaçamento de 3 m entre linhas por 2 m entre plantas, submetidas a cinco níveis de adubação e calagem descritos na Tabela 10A. Um terço do adubo foi aplicado no fundo da cova no momento do plantio das mudas no início do ano de 2000 e dois terços do adubo foram aplicados a lanço sobre o substrato, distribuído em toda a parcela em novembro de 2000. As mudas foram plantadas em covas de 15 x 30 cm, abertas entre os torrões e na parte úmida do rejeito ainda não completamente consolidado, com proteção de lascas de embaúba e preenchimento com solo superficial.

Em todas as parcelas foram plantadas mudas das espécies disponíveis no viveiro da Mineração Rio do Norte, consistindo de 5 leguminosas fixadoras de nitrogênio: fava tamboril (Enterololobium maximum), tachi (Sclerolobium paniculatum), ingá-de-macaco (Zygia

caractae), jacarandá (Dalbergia spruciana) e palheteira (Clitoria fairchildiana) e 8 espécies

não fixadoras de nitrogênio: jamelão (Sizygium jambolana), cumaru (Dipterix odorata), camu–camu (Myrciaria dubia), capitari (Tabebuia barbata), fava bolota (Parkia discolor), jenipapo (Genipa americana), palmeira real (Alexandra sp.), tatapiririca (Tapirira

guianensis).

Dentre estas espécies foram escolhidas a leguminosa fixadora de N2 - ingá-de-macaco

(Zygia caractae) e a não leguminosa - jamelão (Sizygium jambolana) para avaliação dos teores foliares de nutrientes, por serem as espécies com melhor distribuição das mudas nos

Figura 09. Vista parcial do tanque de rejeito SP1 após hidrossemeadura e croqui aproximada

da disposição das parcelas do experimento de níveis de adubação e calagem em rejeito ácido da lavagem da bauxita em Porto Trombetas (PA).

Tabela 10A: Níveis de adubação utilizados no experimento de revegetação do tanque de

rejeito de bauxita SP1, em Porto Trombetas (PA).

Adubo adicionado (kg ha-1) Tratamentos Fosfato de Rocha Sulfato de potássio

FTE BR – 12 Calcário Dolomítico Dose1 Adic.2 Dose 1 Adic.2 Dose1 Adic.2 Dose 1 Adic2

Adubação A 250 0 150 0 50 0 300 0 Adubação B 500 250 200 50 75 25 600 300 Adubação C 1000 750 250 100 100 50 900 600 Adubação D 1500 1250 300 150 125 75 1200 900 Adubação E 2500 2250 350 200 150 100 1500 1200 1

Nível final de cada adubação em cada tratamento - soma do aplicado na hidrossemeadura + o 2adicionado posteriormente (1/3 no plantio das mudas + 2/3 em 8/11/00, a lanço sobre a parcela).

A Tabela 11 apresenta os dados de crescimento em altura das duas espécies estudadas após um ano (2001) e dois anos (2002) do plantio sob os cinco níveis de adubação e calagem, de acordo com DIAS et al. (2002) e DIAS et al. (2003).

Os resultados da análise de solo na profundidade de 0-2,5 cm das parcelas com diferentes níveis de adubação e calagem no experimento do tanque SP1 são apresentados na Tabela 12 e os dados climáticos dos meses de influência direta nas amostragens realizadas são

A

B

E

B

D

C

A

A

E

E

C

C

A

D

B

D

B

C

E

D

50 m 50 m

Tabela 11. Crescimento em altura de Zygia caractae (ingá-de-macaco) e Sizygium

jambolana (jamelão), sob cinco níveis de adubação e calagem em rejeito ácido da

lavagem de bauxita em Porto Trombetas (PA). Média de 48 plantas (12 plantas x 4 parcelas).

Ano 2001 Ano 2002

Espécie Níveis de

Adubação Altura média (cm)

A 64,62 58,92 B 82,06 115,76 C 113,90 166,35 D 98,47 147,66 Ingá-de-macaco E 113,25 211,53 A 94,39 101,77 B 114,72 153,03 C 128,53 205,74 D 119,55 198,40 Jamelão E 129,77 261,90

Fontes: DIAS et al. (2002) e DIAS et al. (2003).

Tabela 12. Resultados da análise do solo na profundidade de 0-2,5 cm em parcelas com

diferentes níveis de adubação e calagem no experimento do tanque de rejeito da lavagem de bauxita SP1, em Porto Trombetas (PA). Médias de 12 observações.

pH Al Ca + Mg P K C N Níveis de Adubação e Calagem cmolc dm-3 mg dm-3 % A 4,94 nd 0,92 0,50 4,83 0,12 0,02 B 5,07 nd 0,53 1,17 5,08 0,17 0,04 C 5,16 nd 0,64 2,00 7,75 0,21 0,06 D 5,25 nd 0,71 25,75 8,83 0,21 0,04 E 5,18 nd 0,74 13,17 10,42 0,26 0,06

0,0 100,0 200,0 300,0 400,0 500,0 600,0

Set 2002 Mai 2003 Dez 2003 Ago 2004

Precipitação pluviométrica (mm) 60

65 70 75 80

Set 2002 Mai 2003 Dez 2003 Ago 2004

Umidade Relativa média (%)

0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0

Set 2002 Mai 2003 Dez 2003 Ago 2004

Temperatura (º C)

Temp. Mínima Temp. Média Temp. Máxima

Figura 10. Dados climáticos dos meses de influência direta nas amostragens realizadas em

diferentes sistemas de recuperação de áreas degradadas em Porto Trombetas (PA). As determinações químicas do solo e da serapilheira foram realizadas num número maior de sistemas (tanques de rejeito da lavagem da bauxita e depósitos de estéril da mineração de bauxita) em recuperação, descritos a seguir:

• Cinco parcelas do experimento de doses de adubação no Tanque de rejeito SP1

(Níveis A, B, C, D e E de Adubação no tanque de rejeito SP1), descrito acima;

Borda do tanque de rejeito SP1 - revegetado com mistura de espécies leguminosas

e não leguminosas (alta diversidade de espécies arbóreas), com aplicação de adubo junto com a hidrossemeadura, no ano de 1999.

Interior do tanque de rejeito SP 2-3 Norte - revegetado via hidrossemeadura com

Sesbania virgata e Sesbania exasperata, no ano de 2000;

Interior do tanque de rejeito SP 2-3 Sul - revegetado via hidrossemeadura com

Sesbania virgata e Sesbania exasperata e em menor densidade Senna reticulata, Chamaecrista desvauxii e Aschynomeae sensitiva, no ano de 2001;

• Reflorestamento misto com espécies nativas realizado sobre estéril da mineração

bauxita, com aplicação (incorporação) do solo superficial, realizado em 1984 (Reflorestamento sobre estéril 1984);

• Reflorestamento misto com espécies nativas realizado sobre estéril da mineração

bauxita, com aplicação (em superfície) do solo superficial, realizado em 1992 (Reflorestamento sobre estéril 1992);

• Reflorestamento misto com espécies nativas realizado sobre estéril da mineração de

bauxita, com aplicação (em superfície) do solo superficial, realizado em 1999 (Reflorestamento sobre estéril 1999); e

Remanescente de floresta nativa localizado próximo à área de mineração (Mata

Para a determinação dos teores foliares de nutrientes, foram colhidas as duas primeiras folhas completamente desenvolvidas de cada planta, conforme preconiza BELLOTE & SILVA (2000), obtendo-se uma amostra composta de pelo menos 10 plantas, por repetição. As folhas foram lavadas com água deionizada para retirar a contaminação por solo ou outros contaminantes da atmosfera, posteriormente secas em estufa a 65 ºC, moídas e determinados os teores de macronutrientes por digestão nitroperclórica, de acordo com BRAGA (1980) e BATAGLIA et al. (1983), com exceção do N que passou por digestão sulfúrica e determinação por semimicro Kjeldahl (BREMNER & MULVANEY, 1982). As amostragens foram realizadas nos meses de setembro de 2002, maio e dezembro de 2003 e agosto de 2004.

A amostragem de folhas foi realizada seguindo o delineamento experimental inteiramente casualizado com quatro repetições. Para realização da análise de variância e teste de média foi utilizado o pacote estatístico SISVAR 4.6 (FERREIRA, 2000), em esquema de parcelas sub-divididas, sendo a variável adubação (A, B, C, D e E) considerada como parcela e as variáveis espécies (ingá-de-macaco e jamelão) e época de amostragem (setembro de 2002, maio 2003, dezembro de 2004 e agosto de 2004) as sub-parcelas. Para comparação das médias foi utilizado o teste de Scott-Knott (1974) a 5% de significância.

Apesar de não terem sido utilizadas doses proporcionais dos fertilizantes no experimento do tanque SP1, de forma a permitir a realização de análise de regressão entre os teores foliares dos elementos com as respectivas doses utilizadas dos fertilizantes, foi realizada análise de regressão da soma dos fertilizantes utilizados em cada nível (750, 1375, 2250, 3125 e 4500 kg-1 ha) com os teores foliares de Ca, Mg, P, K e N. A análise de regressão foi realizada no pacote estatístico SISVAR 4.6 (FERREIRA, 2000), sendo testado os modelos de regressão linear. Os resultados das análises de regressão foram interpretados, conforme preconizado por ALVAREZ V. & ALVAREZ (2003).

A amostragem de solo foi realizada na profundidade de 0-2,5 cm, com uma auxílio de uma colher de pedreiro, sendo coletadas o mínimo de 6 amostras simples para compar cada amostra composta com quatro repetições. As amostras foram secas ao ar, destorroadas e peneiradas em peneiras de 2,0 mesh e enviadas para o Laboratório de Solos da Embrapa- Agrobiologia onde foram realizadas as análises de solo.

As determinações químicas do solo foram realizadas de acordo com as metodologias compiladas de EMBRAPA (1997), sendo realizadas as seguintes quantificações: N-total, por destilação em semi-micro Kjeldal (BREMNER & MULVANEY, 1982); pH, em potenciômetro na relação solo : água de 1:2,5; C-orgânico, pelo método volumétrico de oxidação com K2Cr2O7 e titulação com sulfato ferroso amoniacal; Ca , Mg e Al trocáveis em extrator de KCl 1 mol L-1; K trocável em solução extratora Mehlich -1 e determinação por fotometria de chama; P disponível em solução extratora Mehlich -1 e determinação por colorimetria.

Os resultados da análise de solo foram submetidas a análise de variância e teste de média seguindo delineamento experimental inteiramente casualizado em esquema de parcelas

serapilheira foram triadas para retirada da contaminação por solo, secas em estufa a 65 ºC, moídas e determinados os teores de macronutrientes por digestão nitroperclórica, de acordo com BRAGA (1980) e BATAGLIA et al. (1983), com exceção do N que passou por digestão sulfúrica e determinação por semimicro Kjeldahl (BREMNER & MULVANEY, 1982). A amostragem da serapilheira foi realizada em agosto de 2004.

Os resultados da análise química da serapilheira foram submetidos a análise de variância e teste de média seguindo delineamento experimental inteiramente casualizado, após realização dos testes de homogeneidade da variância, normalidade dos dados e dos erros (Teste de Lilliefors) e homegeneidade e normalidade dos erros (Testes de Cochran e Bartlett). As análises foram realizadas através do pacote estatístico SISVAR 4.6 (FERREIRA, 2000) e na comparação de médias foi aplicado o teste de Scott-Knott (1974) a 5% de significância.

3.5 RESULTADOS E DISCUSSÕES

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