2. REVISÃO DE LITERATURA GERAL
2.7 Monitoramento do Processo de Recuperação Ambiental
Após o estabelecimento da vegetação é necessário realizar o monitoramento das áreas revegetadas, visando avaliar o avanço no processo de recuperação ambiental e identificar possíveis limitadores.
De acordo com CAMPELLO, FRANCO & DIAS, (2000), monitoramento pode ser definido como um processo contínuo de avalição dos meios físicos, bióticos e antrópico de cada local afetado pela degradação. Tem como finalidade avaliar os efeitos de medidas mitigadoras dos impactos mabientais de cada atividade, permitindo eleger as práticas de recuperação mais adequadas para alcançar objetivos pré-dterminados para a reabilitação do ambiente.
Tendo em vista a dificuldade de avaliação do sistema como um todo, o monitoramento em geral é realizado através da utilização de indicadores. Considerando que o solo é o compartimento de sustentação de toda a biota e, além disso, sofre efeito direto desta, a maioria dos indicadores comumente utilizados estão relacionados ao solo ou a suas propriedades ou atributos.
De acordo com ZILLI et al. (2003), apesar de não ser recente, a discussão sobre o uso de indicadores vem ganhando força, e expõe a dificuldade de se chegar a um consenso sobre quais atributos são capazes (ou mais sensíveis) de indicar o efeito (impacto) das atividades antrópicas nos solos, fazendo-se necessária a identificação de atributos indicativos do seu estado de conservação e/ou degradação.
Os mesmos autores citam que embora a análise química do solo, seja muito útil para estimar o potencial produtivo do solo, fornece apenas informações sobre a capacidade do solo manter a produtividade vegetal. Enquanto que alterações nos atributos físicos ou a perda de
escolhida pode apresentar especificidades a determinadas condições, o que resulta em baixa representatividade, devido a inevitáveis flutuações na densidade da espécie.
LARSON & PIERCE (1994) descrevem as determinações de nutrientes disponíveis, C orgânico total, C orgânico lábil, textura, capacidade de retenção de água, estrutura, densidade do solo ou resistência ao penetrômetro, profundidade máxima de sistemas radiculares, pH e condutividade elétrica, como um levantamento (monitoramento) mínimo necessário. Críticas são atribuídas a este levantamento por não apresentar caracterizações biológicas ou microbiológicas.
DORAN & PARKIN (1996) apresentam uma lista mais completa de indicadores, dividindo-os em físicos, químicos e biológicos: (a) Indicadores físicos: textura, profundidade do solo, do horizonte superficial e das raízes, densidade do solo, taxa de infiltração e capacidade de retenção de água; (b) Indicadores químicos: C-orgânico total, matéria orgânica do solo, N-total, pH, condutividade elétrica e N, P e K disponíveis; (c) Indicadores biológicos: C e N contidos na biomassa microbiana, N potencialmente mineralizável e taxa de respiração microbiana.
TÓTOLA & CHAER (2002), citam que nenhum indicador individualmente irá descrever e quantificar todos os aspectos da qualidade do solo. Nem mesmo uma única função do solo poderia ser avaliada, visto que todos os atributos do solo têm que ser colocados em relação um com o outro. O mesmo autor sintetizou em cinco os critérios para a seleção de indicadores para monitorar a qualidade do solo: (1) devem integrar propriedades e processos químicos, físicos e biológicos e representar as propriedades ou funções do solo que são mais difíceis de medir diretamente (sobaplicação de indicadores pode ser necessária para assegurar uma interpretação mais robusta); (2) a relevância ecológica e variação natural dos indicadores devem ser bem conhecidas; (3) devem ser sensíveis a variações em longo prazo no manejo e no clima, mas resistentes a flutuações em curto prazo devido a mudanças climáticas ou ao desenvolvimento da cultura; (4) devem possibilitar sua medição acurada e precisa por meio de ampla variação de tipos e condições de solo; (5) devem ser de determinação simples e de baixo custo, para permitir que grande número de análises possa ser realizado.
Existe consenso de que a matéria orgânica do solo (MOS), mantido algumas premissas, pode ser utilizada como indicadora da qualidade ou recuperação dos solos, por dois fatores principais. Primeiro, o teor de matéria orgânica do solo é bastante sensível às práticas de manejo. Segundo, a MOS está relacionada com a maioria dos atributos e funções do solo, tais como, atividade biológica, estabilidade de agregados, estrutura, infiltração e retenção de água, resistência a erosão, capacidade de troca de cátions e disponibilidade de nutrientes para as plantas.
Além de ser parte integrante dos indicadores químicos, a matéria orgânica do solo exerce grande influência sobre os três tipos de indicadores (físicos, químicos e biológico) e por esta razão, tem sido considerada, como um bom indicador de recuperação de áreas degradadas (REISSMANN, 1996).
STRAALEN (1998) enfatiza a importância do uso de bioindicadores (ou indicadores biológicos) e afirma que seu uso repetido em programas de monitoramento pode ser útil para detectar mudanças ambientais num estágio mais cedo ou para avaliar a eficácia de medidas tomadas para melhorar a qualidade do meio ambiente. O autor propõe a utilização de um conjunto coerente de indicadores (sistema de indicadores), cada um relacionado a um aspecto particular do ambiente e que conjuntamente maximizam (ou complementam) a quantidade de informações. O propósito é escolher indicadores de cada uma das três categorias: (1) animais invertebrados (macrofauna, mesofauna e nematóides); (2) microrganismos e (3) processos do ecossistema (decomposição da serapilheira, taxas de mudanças no status de nutrientes, dinâmicas da cadeia alimentar do solo).
A avaliação da qualidade do solo assume grande importância nos programas de monitoramento ambiental, razão pela qual se faz necessário o desenvolvimento de sistemas de avaliação quantitativos, baseados em uma combinação de indicadores que melhor reflitam as condições de degradação ou de recuperação em curso. Através do monitoramento da qualidade do solo é possível predizer um conjunto de práticas que permite a manutenção ou recuperação de determinadas funções ambientais. Entende-se por função ambiental, a capacidade que o solo tem de fornecer ou participar do fornecimento de bens e serviços que satisfaçam direta ou indiretamente as necessidades humanas. Perdas dessas funções podem levar a danos irreversíveis aos ecossistemas. (DORAN & PARKIN, 1994; PANIAGUA et al., 1999; CHAER, 2001).
2.8 Caracterização da Área em Estudo