4. CAPÍTULO II
4.5.2 Nitrogênio da biomassa microbiana do solo NBM
Assim como já verificado para o CBM, para o NBM na amostragem de junho de 2003 foi possível dividir os sistemas em cinco grupos e na amostragem de dezembro de 2003 em quatro. Os maiores valores de NBM foram verificados para a área de mata em ambas as coletas e os menores para os cinco níveis de adubação e reflorestamento sobre estéril sem aplicação de solo superficial realizado em 1994 para a amostragem de junho e interior dos tanques de rejeito SP 2-3 norte e 2-3 sul e reflorestamento sobre estéril sem aplicação de solo superficial realizado em 1994, para amostragem de dezembro (Tabela 24). Dentre estes últimos não foram verificadas diferenças nos teores de nitrogênio das sub-amostras quantificadas sem a fumigação com clorofórmio das sub- amostras que foram fumigadas, resultando em valores iguais a zero ou negativos de NBM, aqui descritos como zero para viabilizar a realização da análise de variância dos dados, interpretados na prática, como valores de NBM não detectáveis pelo método analítico utilizado.
Tabela 24. Valores de nitrogênio da biomassa microbiana do solo, em diferentes
sistemas de recuperação ambiental de tanques de rejeito e depósitos de estéril da mineração de bauxita em Porto Trombetas (PA).
Sistemas Avaliados Jun 2003 Dez 2003 Fcalc. Média
--- g kg-1 --- g kg-1
Nível A de adubação – tanque de rejeito SP1 0,00 e B 23,93 d A 8,96 ** 11,96 d
Nível B de adubação no tanque de rejeito SP1 0,00 e B 18,88 d A 5,58 * 9,44 d
Nível C de adubação no tanque de rejeito SP1 0,00 e B 25,42 d A 10,11 ** 12,71 d
Nível D de adubação no tanque de rejeito SP1 0,00 e B 37,04 c A 21,47 ** 18,52 d
Nível E de adubação no tanque de rejeito SP1 0,00 e B 27,18 d A 11,56 ** 13,59 d
Borda do tanque de rejeito SP1 72,75 c A 40,98 c B 15,79 ** 56,86 c
Interior do tanque de rejeito SP2-3 Norte 21,52 d A 0,00 e B 7,25 ** 10,76 d
Interior do tanque de rejeito SP 2-3 Sul 14,54 d A 0,00 e B 3,30 ns 7,27 d
Reflorestamento sobre estéril realizado em 1999 14,29 d 16,05 d 0,05 ns 15,17 d
Reflorestamento sobre estéril realizado em 1994 sem SS
6,44 e 0,00 e 0,65 ns 3,22 d
Reflorestamento sobre estéril realizado em 1994 97,36 b A 29,80 d B 71,43 ** 63,58 c
Reflorestamento sobre estéril realizado em 1992 80,25 c B 113,93 b A 17,75 ** 97,09 b
Reflorestamento sobre estéril realizado em 1984 89,10 b B 106,83 b A 4,92 * 97,97 b
Mata nativa 169,54 a 162,19 a 0,85 ns 165,86 a
F calc. 102,16 ** 88,96 ** 113,45 **
Médias seguidas pela mesma letra, minúscula na coluna e maiúscula na linha, não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott (P < 0,05).
Os valores médios de NBM, das duas coletas, também permitiram uma diferenciação mais coerente em termos do tempo em recuperação e cobertura vegetal dos sistemas, com maiores valores para a área de mata, seguido pelos reflorestamentos sobre estéril com maiores idades (realizados em 1984 e 1992); valores intermediários para o reflorestamento de 1994 com aplicação do solo superficial e borda do tanque SP1; e menores valores para o reflorestamento sobre estéril realizado em 1999 e demais áreas nos tanques de rejeito (níveis A, B, C, D e E de adubações no tanque SP1 e interior dos tanque SP2-3 norte e SP2-3 sul) (Tabela 24).
De uma forma geral, foram verificados valores medianos a altos de coeficiente de variação para o NBM (Tabela 22), provavelmente decorrentes dos valores descritos como zero para os sistemas em que o NBM não foi detectável pelo método analítico utilizado. Porém, os resultados dos demais sistemas mostraram-se coerentes com os demais atributos relacionados a biomassa microbiana do solo e com a idade e condição da cobertura vegetal das áreas, indicando que o fato dos valores da diferença entre os teores de nitrogênio das sub-amostras fumigadas e não fumigadas serem negativos estão mesmo expressando que os valores de NBM são tão baixos que não foram detectáveis pelo método utilizado, e não limitações do método analítico.
Assim como verificado para o CBM, a área de reflorestamento sobre estéril realizado em 1994, sem aplicação do solo superficial, apresentou valores numéricos de
superfície acelera o processo de recuperação e traz melhores resultados para a microbiota do solo.
Na comparação entre épocas de amostragem, dos quatorze sistemas avaliados apenas quatro não apresentaram diferenças significativas entre as épocas de amostragem, porém, assim como verificado para o CBM, também não mostraram claro efeito das épocas de amostragens sobre a microbiota, já que para alguns sistemas houve aumentos significativos no NBM de uma época para outra, enquanto que para outros houve decréscimos. Apenas para os cinco níveis de adubação no tanque de rejeito SP1, verificou-se tendência geral de maiores valores de NBM para a coleta de dezembro de 2003, já que na coleta de junho os valores foram não detectáveis pelo método utilizado (Tabela 24). Também não foi claro o efeito das condições climáticas dos dois períodos avaliados, já que em dezembro de 2003 verificou-se precipitação pluviométrica bastante superior a junho (Figuras 12, 13 e 14), sem, contudo, determinar sistematicamente aumentos ou reduções nos valores de NBM dos sistemas estudados entre as duas épocas.
A constatação de efeito não significativo de época de amostragem pode estar indicando menores oscilações na comunidade microbiana do solo durante o ano, decorrente de uma maior estabilidade na comunidade microbiana, que no caso dos quatro sistemas que não apresentaram diferenças significativas entre épocas podem estar representando duas situações bastante distintas: no caso da área de mata nativa, as condições ambientais são tão estáveis e a comunidade microbiana tão equilibrada, que as oscilações entre as épocas do ano são pequenas; já no caso dos demais sistemas (interior do tanque de rejeito SP2-3 sul, reflorestamento sobre estéril de 1999 e reflorestamento sobre estéril de 1994 sem aplicação de solo superficial) as condições ambientais e do substrato ainda são tão adversas que não permitem maiores osciliações no metabolismo nem composição da comunidade microbiana do solo. A melhoria da cobertura vegetal com as práticas de recuperação empregadas e com o passar do tempo favorem alterações na composição e metabolismo da microbiota do solo compatíveis com as diferenças verificadas para os demais sistemas.