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3. MATERIAIS E MÉTODOS

3.1. Levantamento exploratório

3.1.6. Conclusões obtidas com levantamento das empresas

A partir do levantamento realizado, depois das visitas técnicas, da coleta dos dados e de sua análise, foi verificado que as microindústrias de marcenaria não atualizavam suas práticas de produção, nem as máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos produtos.

O primeiro fato observado foi o grande número de micro empreendimentos formais ou informais existentes no município estudado. Foram encontradas muitas empresas atuando em um mesmo mercado e, muito embora, entre essas empresas houvesse empreendimentos formais com 14 trabalhadores e trabalhadores autônomos, muitos deles informais, pode-se dizer que se tratava de um grupo homogêneo, pois todas possuíam até 19 trabalhadores e utilizavam o mesmo tipo de tecnologia e organização da produção.

Observou-se que essas empresas apresentavam poucos trabalhadores dedicados às atividades administrativas, apenas oito em quarenta empresas. As empresas apresentavam idade média de 13 anos e utilizavam tecnologia de produção, materiais e organização do trabalho semelhantes. Todas as máquinas utilizadas eram e concepção eletromecânica e dependiam da habilidade do operador e de gabaritos para serem operadas. Os materiais utilizados na fabricação dos produtos eram equivalentes, todas as empresas empregavam, conforme a necessidade, madeiras maciças, painéis de madeira, ferragens e materiais de acabamento, como, por exemplo, tintas, colas, vernizes e solventes.

As empresas fabricavam por encomenda, produtos customizados com as especificações definidas pelos clientes. O trabalho na produção apresentava pouca ou nenhuma divisão de tarefas, os trabalhadores eram polivalentes e responsáveis por todas as etapas de fabricação, desde o projeto do produto, até o acabamento e a instalação.

Era prática nas empresas utilizar equipamentos usados. A idade média dos equipamentos era de 14 anos e a maioria deles foi adquirida usado. Essa prática, segundo os proprietários, devia-se ao fato de que eles não viam com bons olhos o endividamento da empresa. Somente as máquinas portáteis eram adquiridas, em sua maioria, novas. O arranjo físico utilizado nas empresas era o layout disperso, havia poucos equipamentos duplicados nas marcenarias.

As instalações elétricas dos equipamentos apresentavam problemas e o mesmo pôde ser visto nos prédios utilizados que eram antigos, mas com pisos regulares e sem demarcação. A ventilação da maioria dos prédios era boa, havia utilização de EPI e exposição

dos funcionários a poeira de madeira.

Foi possível constatar que as práticas utilizadas nessas empresas eram antigas, algumas, remontavam à época da revolução industrial, na qual a produção era realizada em máquinas simples por artesãos ou aprendizes (LANDES, 2005). Mas, ao mesmo, observou-se que muitas das empresas analisadas atuavam há bastante tempo no mercado, indicando que suas práticas podiam ser adequadas às suas necessidades produtivas.

Portanto, após o primeiro contato com as empresas participantes deste estudo, ou seja, as microindústrias de marcenaria do município de Botucatu, observou-se que elas pareciam defasadas em vários aspectos referentes à sua produção. Eram indústrias com práticas e equipamentos antigos. Contudo, após os levantamentos iniciais e conhecendo um pouco melhor essas empresas, contatou-se que algumas delas atuavam no mercado há bastante tempo. Se isso ocorria, era admissível considerar que sua produção estava adequada às suas necessidades. Essas informações levaram a presumir uma aparente contradição: a produção era ao mesmo tempo antiga e adequadas às suas necessidades.

Nesse momento, a questão a ser analisada teve que ser revista, seria mais interessante identificar como estratégia de produção adotada por essas empresas contribuíam para sua permanência no mercado.

Portanto, essa questão deve ser mais bem explorada. A produção dessas empresas deve ser examinada com mais detalhes para verificar como esse modelo de produção se adequa ao mercado que essas empresas atendem. Essas questões são aprofundadas do Estudo de caso apresentado a seguir.

4.1. Introdução

Como já descrito no capítulo 3 deste trabalho, este é um estudo de caso múltiplo de replicações literais, do tipo holístico. Foram realizados três estudos de casos.

A seleção das empresas que participaram deste estudo de caso se deu em função do seu desempenho superior em relação ao grupo analisado. Ou seja, foram escolhidos casos de sucesso, visando analisar as práticas que se mostraram adequadas ao mercado no qual essas empresas atuavam. Em outros termos, se as empresas fossem escolhidas aleatoriamente, corria-se o risco de se analisar empresas que apresentam técnicas inadequadas e que não possuíam desempenho suficiente para crescerem ou manterem-se no mercado.

Os critérios utilizados para determinar os casos de sucesso dentre as 40 empresas visitadas foram: a idade da empresa, o número de equipamentos e o número de trabalhadores. Estabelecendo a mediana como limite mínimo de desempenho nos três quesitos, verificou-se que existiam seis marcenarias com desempenho superior. Dentre elas foram analisadas três empresas.

Os estudos de caso foram realizados em duas fases, a primeira durante os meses de novembro e dezembro de 2010, na Marcenaria I. A segunda durante o mês de dezembro de 2011 nas marcenarias N e S. Essa separação temporal entre os estudos de caso deveu-se a limitações operacionais na condução da pesquisa.

A seguir, são expostas as informações encontradas nas empresas visitadas. Faz-se uma apresentação do contexto no qual essas empresas estão inseridas, descrevendo-se o ambiente empresarial das empresas e as estratégias competitivas e de produção. Posteriormente, são apresentadas suas características produtivas em termos de organização do trabalho, tecnologia, produtos, processos de fabricação e layout industrial e fluxo de materiais.