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3.4) Conflitos entre dilemas éticos e limites legais

Segundo o diretor da IES pesquisada, os trabalhadores terceirizados, apesar de serem os profissionais mais vulneráveis da instituição, atualmente estariam com uma empresa razoável, que se abre ao diálogo e sempre busca corresponder às demandas solicitadas.

Uma questão trazida imediatamente pelo diretor Herbert ao início de nossa primeira entrevista referia-se à tentativa de se criar um subsídio para os trabalhadores terceirizados pagarem o mesmo valor que os alunos e os funcionários pagavam no restaurante universitário. Para o diretor, os servidores públicos, que já recebiam adicional de alimentação, não necessitava àdeàsu sídio,àpode doàpaga àoàvalo à heio àdoàrestaurante, em torno de R$ 4,50, ao invés do valor subsidiado de R$ 2,50.

Herbert chegou a levar a proposta ao Conselho Universitário, no campus da capital do estado, em uma reunião com todos os diretores, porém esta foi negada em votação pelos diretores. Segundo Herbert, essaà lutaà ai daà oà ti haà a a ado ,à poisà eleà estudavaà aà possibilidade de canalizar o dinheiro obtido com o aluguel do espaço da cantina a uma empresa privada para poder realizar o subsídio às terceirizadas.

Outra questão muito importante para o di eto à o espo diaà à políti aà po tasà a e tas àaosàte ei izados.àA questão, que foi inclusive alvo de críticas pela administradora dos terceirizados, era fundamental para Herbert poder acompanhar a situação destes

t a alhado esàeàevita à ueàfosseàp e a izadaàal àdoà i evit vel .àOàdiretor comentou que recebeu algumas funcionárias que foram reclamar da Solange, a chefe deles dentro da IES. Comentaram que não havia equipamentos de proteção individual adequados, faltavam luvas para a limpeza, uniformes e botas novos.

Após diversas críticas, ele realizou uma reunião com os trabalhadores terceirizados e, em meados de maio de 2014, afirmou que o contrato com a Speed não seria prorrogado e que procurariam outra empresa para gerenciá-los de forma melhor. Segundo Herbert, ele disse isso como uma forma de atender ao que ele enxergava como demanda das terceirizadas: t o a àaàe p esaà ediado aàdeà o de o a .àPo ,àap sàaà eu i o,àeleàafi ouàte àfi ado sabendo de diversos conflitos causados por essa fala, principalmente porque diversas funcionárias haviam vivido rescisões traumáticas com as empresas anteriores e passaram a esperar justamente pelo pior: um calote da Speed.

He e tàafi ou:à Euà oàti ha percebido que quando muda de empresa todo ano elas não chegam a ter férias e tem gente aqui há quatro anos que nunca tirou férias, porque como sempre muda em setembro, não dá tempo de completar os meses para se ter férias... Então elas vieram desesperadas e pediram pra manter a Speed. Como a Speed atendeu a tudo que era pedido, com uniforme etc., a gente vai manter, pra ajudar as funcionárias. Porque elas pedi a àp aà a te .

Herbert é diretor da IES desde maio de 2013 e não chegou a acompanhar as outras rescisões enquanto diretor. Porém é próximo a alguns trabalhadores que exercem suas funções no curso em que atua como professor e pôde presenciar os problemas vividos nos últimos anos.

O diretor concebe os trabalhadores terceirizados como sendo aisà pe a e tes àdoà que as empresas terceirizadoras de mão de obra. Ele considera que as empresas de te ei izaç oàs oà ediado esàdeà o t ato àeàaàp io idadeàdeveàse àdadaàaosàt a alhado esà ueà luta àpa aàso evive àe à eioàaoà o t atoàp e io.àáàhie a uização que ele engendra é bem clara: os funcionáriosàde ide àseà aàe p esaàfi aàouàseàt o a ,à asàestesàfu io iosà permanecem. Herbert faz parte de um grupo considerado como politicamente deàes ue da à dentro do cotidiano universitário e, certamente, seu posicionamento de amparo aos trabalhadores não era comumente encontrado nos diretores de mandatos anteriores.

Sobre esse posicionamento, Herbert comentou que, durante a reunião no Conselho Universitário, sua proposta de subsídio aos terceirizados para minimizar os danos contratuais

havia sido assa ada àpelosàout osàdi eto es.àPa aàele,àh àu aà ultu aào ga iza io alàai daà uitoà fo teà oà se tidoà deà ueà ede à aà pedidosà deà t a alhado es à a aba por gerar uma desestabilização da estrutura de poder e das contas universitárias.

Para muitas das funcionárias terceirizadas que tivemos contato,à oà hefe à delasà à justamente o diretor Herbert. Segundo Rosa, copeira, quando querem exigir algo e Solange oà espo deà deà fo aà satisfat ia,à va osà di etoà fala à o à oà di eto .à áà e tezaà deà se à atendida pelo diretor da instituição é percebida como motivo de orgulho e de ser alguém respeitado dentro da Universidade. Porém, a prática não deixa de estar atrelada a uma postura eminentemente pessoal de Herbert. Especula-se, portanto, que quando o diretor dei a àoà a go,àaàpolíti aàdeà po tasàa e tas à oà o ti ua àa existir.

Conforme já apontado anteriormente, o relacionamento direto de Herbert com as funcionárias terceirizadas, por mais ético que possa parecer, não possui amparo legal. Pelo o t io:à o stituià u aà elaç oà ueà podeà se à o side adaà o t ataç oà deà e p esaà i te posta , devido a uma interpretação de que ele estaria agindo diretamente como superior dessas trabalhadoras.

Por mais que o diretor se esforce para melhorar as condições de trabalho dos funcionários terceirizados, existem limites claros estabelecidos pelo próprio sistema legal que regulamenta os contratos de terceirização de mão de obra. Dessa forma, para além de se arriscar ao engendrar práticas irregulares, como receber as funcionárias em seu gabinete, as ações do diretor em vista da melhora de vida dos trabalhadores acabam restritas à dinâmica

do favor, que efetivamente serão abandonadas após a troca de direção. Novamente

encontramos eco na divisão de Castel (2013) entre a classe proletária e a classe operária: enquanto o operariado se distingue pelos direitos adquiridos, aos proletários resta a esperança de ações assistenciais, mais próximas do favor.