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6.3 ANÁLISE DA PARTICIPAÇÃO E FUNCIONAMENTO DO CONSELHO

6.3.2 Meio Ambiente e CONDEMA

6.3.2.1 Conhecimento dos conselheiros sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento

O conhecimento sobre o meio ambiente é complexo, pois suas significações e

conceituações perpassam por várias áreas de conhecimento, não existindo um conceito único

e preciso, ou seja, é um diálogo de saberes e linguagens que coabitam com suas contradições.

Os saberes ambientais são interdisciplinares extrapolam o campo do conhecimento científico

para promover “[...] possíveis articulações entre ciências e os processos de internalização do

saber ambiental emergente nos árduos núcleos da racionalidade científica, e a hibridização das

ciências com o campo dos saberes ‘tradicionais’, populares e locais” (LEFF, 2011, p. 317).

No sentido das ideias de Leff (2011), o CONDEMA configura-se com um espaço

estratégico para integração dos diversos saberes de forma interdisciplinar, cujo saber

ambiental produzido é externalizado e aplicado para o enfrentamento dos problemas

ambientais locais por meio do processo de gestão, que para o autor toda intervenção e

apropriação da natureza aludem ser estratégias de poder no saber.

Assim, o conhecimento dos conselheiros sobre o meio ambiente repercute em sua

relação com o ambiente e com processo participativo no CONDEMA. Para tanto, foi adotado

nessa pesquisa a conceituação jurídica de meio ambiente que abrange o ambiente natural,

artificial, cultural e do trabalho (FIORILLO, 2012; MILARÉ, 2014; MACHADO, 2015;

LEITE, 2015).

Os conselheiros entrevistados apresentaram em sua maioria uma compreensão

ampliada da conceituação de meio ambiente como todos os elementos que compõe a vida,

como se vê:

Meio ambiente pra mim é tudo aquilo que me cerca (CONSELHEIRO 3).

Eu acho que o meio ambiente é tudo aquilo que nos rodeia e tudo aquilo que

nos sustenta vivo. (...) então você tem que é tentar fazer com que dentro das

cidades tenha condições favoráveis de vida pra os animais, pra o ser

humano, dentro da cidade seja uma convivência pacifica entre todos os seres

vivos. Mesmo sendo a cidade o meio ambiente construído. É isso aí no

campo principalmente, eu acho que a gente deve preservar, tentar preservar

o que existe de meio ambiente, de recurso naturais, água principalmente

que é nossa fonte maior de vida, é na hora que a gente [...]

(CONSELHEIRO 4).

Eu acho assim.... que meio ambiente é tudo, é nossa vida. Se a gente não

cuida do meio ambiente a gente não tem vida, né? (...) mas meio ambiente

pra mim é saúde, educação, né? [...] (CONSELHEIRO 5).

Para o conselheiro 2 o meio ambiente se associa a qualidade de vida e ao equilíbrio no

uso dos recursos naturais, apresentando um conceito constitucionalista do direito ao meio

ambiente ecologicamente equilibrado, como se vê:

Meio ambiente pra mim é premissa de qualidade de vida, a gente tem que

buscar um meio ambiente sempre equilibrado, a gente tem que tratar o meio

ambiente com respeito, preserva-lo, por que existe uma relação direta entre

qualidade do meio ambiente e qualidade de vida, se assim não fosse o

legislador constituinte não elencaria é o meio ambiente equilibrado como

condição, premissa para se ter uma vida com qualidade (CONSELHEIRO

2).

E ainda foi levantada a complexidade do entendimento e as significações do que seria

o meio ambiente, levantando a questão para a transdisciplinaridade da área ambiental,

formada por elementos interdependentes:

[...] Então ele é muito muito amplo, muito mais amplo do que simplesmente

você pensar só no meio, você pensar ar, você pensar em alguns elementos de

forma isolada, então é algo bem mais amplo e que se a gente começar a ver

de forma dissociada a gente não consegue evoluir bastante e tentar

resolver alguns problemas que podem ser necessários ser resolvidos

(CONSELHEIRO 1).

Todas as respostas dos conselheiros sobre suas concepções de meio ambiente, podem

ser sintetizadas na forma de nuvem de palavras (Figura 7), como se vê abaixo:

Figura 7 - Nuvem de palavras conceituação de meio ambiente

Fonte: Elaboração do autor gerado pelo NVivo com base nas entrevistas

A figura tem como eixo central as palavras: qualidade e preservar. Em segundo plano,

as palavras: cidades, condução, equilibrado e impacto. Portanto o mote do conceito se

relacionam com a ideia do meio ambiente ecologicamente equilibrado, sadio e de qualidade,

com destaques para as inter-relações entre as ações dos indivíduos e a preservação do

ambiente diante aos impactos causados pelas ações antrópicas, tal concepção está alinhada

com o conceito proposto pelos autores Fiorillo (2012), Milaré (2014) e Leite (2015) em que

deve-se levar em conta a interação existente entre o homem e natureza, pois o ambiente é

formado pelo conjunto interativo de elementos naturais, artificias, culturais e do trabalho.

Ainda é de se observar palavras que também estão relacionadas na conceituação como

sustentabilidade, geração, crescimento, trabalho, educação, animais e urbanismo.

Constatando a compreensão e visão ampliada dos conselheiros do que seja o meio ambiente e

os elementos que o constitui.

Na atualidade a visão do meio ambiente pode estar articulada ao conceito de

desenvolvimento sustentável, que após a RIO-92 passou a direcionar e nortear a atuação

pública e privada com relação ao uso dos recursos naturais e na busca de um comportamento

ecologicamente adequado, levando em consideração as dimensões ambientais, econômicas e

sociais para a promoção do desenvolvimento local (BURSZTYN & BURSZTYN, 2012).

As ações do CONDEMA enquanto decisões estratégicas de desenvolvimento

socioeconômico e ambiental precisam levar em consideração os aspectos desse conceito. Para

tanto a conceituação de desenvolvimento sustentável, nessa pesquisa, está apoiada na

definição do Relatório de Brundland, amplamente adotada em todas as literaturas do tema.

Para tanto, os conselheiros quando questionados sobre o que entendia por

desenvolvimento sustentável apresentam uma ideia associada ao equilíbrio entre o

crescimento econômico, a preservação ambiental e o desenvolvimento social, como se vê:

Seria crescer, evoluir com os recursos necessários de forma equilibrada.

Então, é eu me equilibrar, é eu conseguir crescer com bastante... Enfim, o

desenvolvimento sustentável é justamente você ter formas de não agredir

ou minimizar a agressão, certo? Ao meio ambiente de forma que eu

consiga crescer, evoluir, produzir, de forma equilibrada

(CONSELHEIRO 1).

Desenvolvimento sustentável...É isso que a gente faz, pega aquilo que não

serve para você e transforma em geração de renda. Acho que só não é só

sustentável, acho que é economia é tudo aquilo que é lixo, desperdiçado,

pode muito bem se transformar em outra coisa (CONSELHEIRO 5).

É possível observar ainda que nos conceitos apresentados aparecem termos

importantes para o conceito de DS como gerações e futuras, uma vez que o conceito apresenta

a preocupação de explorar a natureza, mas de foram que leve em consideração as gerações

futuras, conforme se observa na fala do conselheiro entrevistado:

Um equilíbrio entre a exploração da atividade econômica e a preservação

do meio ambiente, nem só do meio ambiente se vive uma sociedade

moderna, e nem só do desenvolvimento da atividade econômica se vive o

homem, até porque a atividade econômica depende diretamente do meio

ambiente, então eu penso que seria o equilíbrio na balança do

desenvolvimento econômico e a preservação do meio ambiente. Nem

tanto, nem tão pouco. Nem extrativista somente, voltaríamos aos primórdios

de uma sociedade agraria, coletora, né? Também nem somente a exploração,

a devastação, né? Em virtude do interesse econômico (CONSELHEIRO 2).

As respostas analisadas tiveram como resultado a nuvem de palavras (Figura 8), em

que o termo mais frequente nas falas dos conselheiros, em um plano central: humano. Em um

plano secundário: recursos, atividade, crescer e econômica. Em um terceiro plano tem-se as

palavras: preservar/preservação, exploração, equilíbrio/equilibrada, econômico, evoluir e

Figura 8 - Nuvem de palavras conceituação de desenvolvimento sustentável

Fonte: Elaboração do autor gerado pelo NVivo com base nas entrevistas

Percebe-se que, de modo geral, o entendimento conceitual do desenvolvimento

sustentável dos entrevistados apresenta os núcleo-chave do conceito é centrado na palavra

humano, em volta aparecem palavras que denotam o conceito e a finalidade da

sustentabilidade que é o equilíbrio entre o crescimento econômico e a preservação dos

recursos naturais para as presentes e futuras gerações humanas, assim formalizando, conforme

as ideias de Bursztyn & Bursztyn (2012), o tripé de fatores ambientais, econômicos e sociais.

De acordo com Fonseca, Bursztyn & Moura (2012, p. 188) “[...] para que os

conselheiros possam participar de maneira livre e capacitada, é necessário que os mesmos

tenham conhecimento específicos da área ambiental e das variadas subdivisões dentro dessa

área”, então a partir da representação em nuvem e das falas dos conselheiros que trouxeram as

conceituações de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, levando em consideração

todos os aspectos adotados nessa pesquisa, é possível inferir que os conselheiros entrevistados

detinham entendimento conceitual de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, o que

pode ser um pressuposto positivo para aplicabilidade desses conceitos no seus entendimentos,

participações e decisões dentro e fora do CONDEMA.