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Conhecimento e análise dos documentos normativos da escola

CAPITULO V APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

4. Funcionamento do Conselho

4.2. Conhecimento e análise dos documentos normativos da escola

No que diz respeito aos documentos normativos da escola sobre os quais o conselho deve dar o seu parecer para posterior aprovação pela direção da escola, os dados das entrevistas revelam que os membros do conselho apenas têm conhecimento do regulamento interno da escola, o que significa que o conselho de escola não analisou os outros documentos referentes à área financeira e administrativa. Esta limitação na análise dos documentos normativos da escola contrária o regulamento sobre o funcionamento do conselho (2005) que prevê que o conselho deve analisar e emitir parecer em relação ao Plano de Desenvolvimento da Escola, Plano Anual da Escola, proposta do relatório de contas do orçamento do Estado e outras receitas do ano anterior e apresentar as devidas recomendações, o calendário escolar, projetos de atendimento psicopedagógico e material aos alunos, programas especiais visando a integração da família- escola-comunidade e os relatórios anuais da escola.

Dois representantes dos pais (RPEE.1 e RPEE.2) referiram que a diretora da escola apresentou aos membros do conselho apenas o regulamento interno e pediu aos mesmo que fizessem uma

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análise para verificar se o mesmo estava em conformidade com o desejo dos encarregados de educação:

“O que fomos apresentados apenas foi o regulamento da escola para conhecermos e discutirmos alguns pontos relacionados aos aspetos pedagógicos.” (RPEE.1)

Um RP, quando questionado em relação aos documentos submetidos ao conselho, afirmou que aquele órgão analisou o regulamento e o plano anual de atividades e, quando procuramos saber que parecer o conselho deu em relação aos tais documentos, apenas fez referência a pareceres feitos ao regulamento, o que mostra que o conselho apenas analisou o regulamento interno da escola. Um dos representantes dos pais referiu que apenas foram analisados alguns pontos do regulamento e não foi feito nenhuma alteração, pois todos concordaram com o mesmo.

O PCE deixou ficar claro que os membros do conselho agradecem o facto de não analisar o plano orçamental alegando que os mesmos não têm capacidade para analisar questões relacionadas com as contas. Esta perceção do presidente demonstra que os membros do conselho interessam-se mais pelos problemas pedagógicos e, nos assuntos relativos aos orçamentos e outros, eles mantêm uma certa distância porque acreditam ou são levados a acreditar que não têm competência para tal. Contrariamente, o manual do conselho de escola (2005) afirma que este tem como funções ajustar todas as diretrizes e metas estabelecidas, a nível central e local, à realidade da escola, ou seja as várias orientações que partem do ministério da educação e chegam à escola através da direção provincial, distrital e zona de influência pedagógica – ZIP, devem ser ajustadas à realidade da escola com o contributo do Conselho.

A DE também referiu que a direção submeteu o regulamento e que, apesar do mesmo ter sido elaborado há dois anos atrás, para a escola era importante que o conselho emitisse o seu parecer, pois ao nível da escola existia uma falta de cumprimento do regulamento. A diretora também referiu que, para além do regulamento interno, ela submeteu o seu plano anual de atividades ao conselho para que este pudesse ter conhecimento e ficasse informado das atividades da diretora. Este depoimento da diretora vai contra os depoimentos dos outros membros quando afirmaram que apenas se analisou no conselho o regulamento interno da escola. Nos dados das atas e das

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reuniões observadas também foi possível constatar que apenas se analisou no conselho o regulamento interno e não foi feita nenhuma altercação pelos membros, pois os membros acabaram concordando que o mesmo estava em conformidade com o que os pais desejam para seus educandos. Contudo parece que os membros do conselho acabaram concordando com o regulamento, mas na verdade existem alguns pontos que os mesmos acreditam que deveria ser alterado, como é o caso do pagamento de valores extra para a realização de testes que os pais numa das reuniões observadas levantaram e sobre os quais pediram esclarecimento da direção. Esta posição dos membros poderá significar que, em algum momento, eles concordam com a direção por não quererem contrariá-la:

“Chegou-se à conclusão que o Regulamento em si, este está conforme como os pais desejam que funcionasse uma escola que educa” (AT.2)

De destacar ainda que, quando o conselho emite um parecer em relação a alguma alteração que deva ser feita nos documentos analisados, a direção, quando são casos simples, discute com o presidente e o diretor pedagógico e posteriormente comunica a posição tomada ao conselho. Quando se referem a casos complexos que alteram a identidade da escola, a diretora referiu que as propostas são encaminhadas à comunidade religiosa provincial uma vez que se trata duma escola comunitária religiosa:

“Se são casos que ultrapassam as nossas capacidades submetemos a comunidade provincial, que temos um conselho ao nível da província e ali nós esperamos uma orientação.” (DE)

Em suma, podemos afirmar que parece que a direção da escola apenas submeteu o regulamento interno para sua análise pois era do interesse desta, uma vez que o mesmo não estava sendo aplicado na escola. Os restantes documentos normativos não foram submetidos, primeiro, porque alguns deles já estão definidos centralmente pelo ministério e à escola cabe apenas cumprir, isto é, as escolas têm recebido no início do ano um documento denominado orientações gerais da escola onde se prevê todas as ações obrigatórias que devem ser realizadas na escola, desde os pedagógicos até os administrativos como obrigatórios, e, segundo, porque a escola e até os próprios membros do conselho têm receio de analisar documentos (como o orçamento) dentro do conselho, alegando ser documentos da responsabilidade da escola. Parece que o conselho de

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escola apenas existe para tratar e resolver os assuntos relacionados com as questões de comportamento dos alunos e professores, não tendo assim autonomia e poder para tomar decisões nos domínios curricular, científico e pedagógico, administrativo, financeiro ou organizacional da escola e assim a substantiva prestação de contas continua a ser feita fundamentalmente ao Estado (Formosinho, 1989).